Seleção italiana

Itália testa e decepciona contra o Brasil

Mal em campo, Itália levou quatro gols pela primeira vez desde a final da Euro 2012

Na movimentada e quente Salvador, envolta em protestos,
a Itália voltou a sofrer. Prandelli aproveitou o jogo sem grande importância
para fazer alguns testes, mas não poupou nenhum titular. No fim das contas, o
Brasil de Felipão foi melhor e aproveitou as oportunidades, explorando bem as deficiências
de uma Squadra Azzurra irreconhecível, em todos os aspectos possíveis. Também foi um desastre a exigência da Fifa de colocar o Brasil para jogar com camisa verde e amarela e calções brancos, enquanto a Itália jogava toda de azul. Um atentado a um dos maiores clássicos do futebol.

Se os tímidos 392 passes trocados
pela seleção italiana contra o Japão já estranhavam ao torcedor italiano, os 306 desse sábado
assustam. Mesmo com mais roubadas de bola em relação aos outros dois jogos, o
time de Prandelli mais uma vez esteve mal na defesa, o que explica o maior
número nas faltas e gols contra. No ataque, também menor número nas
finalizações, nos impedimentos e mesmo nos dribles corretos. Balotelli foi mal
acionado, com um meio-campo que pouco ou nada encostava no camisa 9, que ainda
deu cinco chutes.
Sem duas peças fundamentais no
meio de campo, os senadores De Rossi e Pirlo, Prandelli buscou diminuir os problemas no
setor com compactação e dinamismo; aproximou Montolivo e Aquilani, de perfis
semelhantes ao de Pirlo; e promoveu a entrada do trequartista Diamanti e do
meia-lateral Candreva. Nesse quesito, o treinador italiano teve sucesso, já que os cinco meio-campistas
atuaram bem próximos, e também juntos do quarteto defensivo. Com a bola, porém,
foi um fracasso retumbante.
Sob a forte marcação por pressão
do time de Felipão, que em certos momentos até exagerava nas faltas – que acabaram
culminando nas lesões de Abate e Montolivo –, a Nazionale não tinha uma saída
de bola com qualidade, nem pelo meio nem pelos lados. Com posicionamento alto, a
defesa brasileira dava espaço para os azzurri explorarem espaços, porém isto não
ocorreu, principalmente após a saída de Montolivo, com um Aquilani fora de
ritmo, Diamanti apagado e alas que não se projetavam.
Na saída dos lesionados,
Prandelli tentou reverter o quadro ao colocar Maggio e Giaccherini, mantendo o 4-2-3-1, mas de nada
adiantou. 45 minutos para esquecer, com apenas uma finalização (e longe do
gol), 37% da posse de bola e, no último lance, o esperado gol brasileiro. Na
bola alçada à área, Fred cabeceou firme para a defesa de Buffon, porém no
rebote Dante abriu o placar, mesmo em posição irregular.
Só após o intervalo a Itália
mostrou algum sinal de melhora. Melhor postado taticamente, ganhando uma
variação para o 4-3-2-1, o
time logo conseguiu o empate. Aos 51, Maggio desviou lançamento de Buffon e
Balotelli descolou lindo passe de calcanhar para Giaccherini, nas costas de
Marcelo. O jogador da Juventus passou por Thiago Silva e chutou cruzado contra
Júlio César, igualando o marcador. Marcador este que viria a ser mudado quatro
minutos depois, em golaço de falta de Neymar.
Entre faltas e mais faltas, a Itália
seguiu melhor no jogo, equilibrando a posse de bola e buscando mais o campo de
ataque. Diamanti e Balotelli assustaram Júlio César, mas nada conseguiram.
Até que a defesa azzurra falhou. Na saída de Buffon, o Brasil recuperou rápido
a bola e Marcelo lançou Fred entre os perdidos e lentos Bonucci e Chiellini (vencendo este na força e velocidade), que chutou contra o gol de um desatento Buffon.
Ainda assim, o novo gol não afetou
o melhor momento da Itália. Tanto que o time de Prandelli descontou o placar e
ainda finalizou outras quatro vezes, sem sucesso. O segundo gol italiano saiu
em lance polêmico. Na cobrança de escanteio, dois italianos foram puxados
claramente e o árbitro assinalou a penalidade, mas logo em sequência Aquilani
ajeitou para Chiellini descontar, fazendo o apitador uzbeque validar o gol e
revoltar os brasileiros.
Antes, os azzurri reclamaram de
um pênalti não marcado em Balotelli. E lamentaram quando, aos 80, a cabeçada de Maggio
em cruzamento de Candreva acertou a trave de Júlio César. Oito minutos depois,
os anfitriões ainda ampliariam novamente com Fred, em nova falha defensiva. Na
saída de bola errada, Marcelo chutou com liberdade da entrada da área e Buffon
soltou a bola nos pés do camisa 9 brasileiro, dando fim a qualquer reação
italiana. A Itália não levava quatro gols desde os 4
a 0 da Espanha na final da Euro 2012.
Com a semifinal garantida, a
Itália fica em segunda no grupo, com 6 pontos, oito gols pró e oito contra. À
espera da Espanha, a
Nazionale voltará a jogar somente na quinta-feira 27, em Fortaleza. Tempo para
recuperar a condição física ruim dos jogadores e pensar numa forma de passar
pelos algozes espanhois.
Confira os gols da partida aqui.

Ficha Técnica

COPA DAS CONFEDERAÇÕES – ITÁLIA 2×4 BRASIL
Estádio: Fonte Nova, Salvador (BA)
Data/Hora: 22/06/2013 – 16h (de Brasília)
Árbitro: Ravshan Irmatov (UZB)
Cartões Amarelos: Marchisio (ITA), David Luiz, Neymar, Luiz
Gustavo (BRA)
Gols: Dante
(45’+1), Giaccherini (51′), Neymar (55′), Fred (66′), Chiellini (71′), Fred
(88′)

Itália (4-2-3-1): Buffon; Abate (Maggio),
Bonucci, Chiellini, De Sciglio; Montolivo (Giaccherini), Aquilani (Giovinco);
Candreva, Diamanti (El Shaarawy), Marchisio; Balotelli. Técnico: Cesare
Prandelli.

Brasil (4-3-3): Júlio César; Daniel
Alves, Thiago Silva, David Luiz (Dante), Marcelo; Oscar, Luiz Gustavo, Hernanes;
Hulk (Fernando), Fred, Neymar (Bernard). Técnico: Luiz Felipe Scolari.

1 comentário

  • Apesar das deficiências citadas da Seleção Italiana, houve interferência da arbitragem no resultado da partida. Dois gols irregulares do Brasil, Dante em impedimento e falta inexistente em Neymar, que deveria ter levado 2 cartões amarelos e ser expulso pelas faltas violentas, Balotelli caçado em campo e penalti não marcado que daria o 2º cartão amarelo para o jogador do Brasil.

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