Liga dos Campeões

A fortaleza San Paolo

Higuaín abriu o placar, mas o nome do jogo foi Insigne (LaPresse)

A atmosfera no estádio San Paolo era impressionante: espaços ocupados e uma festa incrível dos napolitanos. O jogo colocava em campo os líderes da Serie A e da Bundesliga, ambos com 100% de aproveitamento nos respectivos campeonatos. Porém existiam mais semelhanças entre Napoli e Borussia Dortmund, pois os dois times vinham armados no 4-2-3-1 pelos técnicos. Em campo, porém, as equipes executavam o esquema de forma diferente.

Enquanto os donos da casa esperavam os borussianos para sair em velocidade no contra-ataque, os alemães seguiam a fórmula do ano passado e pressionavam a saída de bola. O nervosismo da estreia pegou os dois times, que iniciaram a partida cometendo muitas faltas, com a colaboração do árbitro Pedro Proença, que marcou algumas infrações no mínimo duvidosas.

Apesar de tentar roubar a bola no ataque, o Borussia foi menos eficiente no campo ofensivo e trocou apenas 14 passes certos no setor, na primeira etapa. Por outro lado, o Napoli teve sucesso no ataque, procurando as opções pelas pontas, inclusive com o meia-central, Hamsík (um pouco abaixo em relação ao que já apresentou no ano) aparecendo pelos lados. Quem finalizava mais eram os aurinegros, porém sem eficiência – dos oito chutes, dois acertaram a baliza de Reina.

O gol apareceu em um lance com uma combinação de fatores pouco comum. Subotic, que voltava ao campo, após ser atendido, até conseguiu ocupar a sua posição, mas chegou com a bola já sendo levantada na área por Zúñiga. Porém, a falha que definiu o lance foi de um dos melhores zagueiros do mundo, Hummels. 

Ao invés de encostar em Higuaín no meio da área, o defensor alemão não estava marcando ninguém no segundo poste. Por isso, o Pipita sobrou com Schmelzer, ganhou no alto do lateral-esquerdo, e cabeceou para marcar. No lance, o técnico Jürgen Klopp esbravejou com o assistente, aplaudiu ironicamente o árbitro Proença, e acabou expulso.

Quase no final do primeiro tempo, uma sequência de acontecimentos mudou o rumo da partida. Hummels saiu machucado e, em seu lugar, o expulso técnico Klopp optou por Aubameyang, recuando Bender para a defesa. No primeiro lance na nova posição, o volante foi batido por Higuaín e o gol só foi evitado pelo toque de mão de Weidenfeller fora da área. A jogada acabou com a expulsão do goleiro alemão.

Com um jogador a mais, os azzurri deixaram o equilíbrio do primeiro tempo para trás e passaram a dominar a posse de bola (terminaram com 59% da redonda) na intermediária ofensiva (75 passes acertados no último terço do campo). O Borussia se protegia em um 4-4-1, apostando na possibilidade de contra-ataques puxados por Reus e Aubameyang – o jogador do Gabão chegou a acertar a trave, em chute de fora da área. A postura napolitana resultou uma grande pressão sobre o goleiro Langerak: foram 11 finalizações dos partenopei – seis delas no baliza dos visitantes.

Para garantir o jogo, o ponta-esquerda Insigne teve de aparecer. O jovem italiano causou estragos na defesa alemã, contando com boa colaboração do lateral Zúñiga. A bola da partida veio em cobrança de falta milimétrica. O 2 a 0 que deu tranquilidade aos azzurri, também pareceu deixar o Borussia mais à vontade para se expor e, eventualmente, conseguir um empate. O resultado do relaxamento napolitano foi um gol do Borussia, após um cruzamento de Reus pela esquerda e toque contra, de chaleira, de Zúñiga. E os aurinegros poderiam ter feito mais e complicado uma vitória, que parecia tranquila aos partenopei.

Em um grupo já descrito como muito complicado, fazer o dever de casa será fundamental para se classificar. Ao final da partida, o técnico Rafa Benítez: “temos que conter a euforia da torcida, mas estamos trabalhando bem. Vencemos, mas ainda há um monte de trabalho”. Vencer o atual vice-campeão da Liga dos Campeões foi um ótimo primeiro passo para os azzurri.

Ficha técnica

Napoli 2-1 Borussia Dortmund

Napoli (4-2-3-1): Reina, Maggio, Britos, Albiol e Zúniga; Behrami e Inler; Callejón, Hamsik (90+1’ Mesto) e Insigne (73’ Mertens); Higuaín (77’ Pandev). Técnico: Rafa Benítez

Borussia Dortmund (4-2-3-1): Weidenfeller, Grosskreutz, Subotic, Hummels (45+1’ Aubameyang) e Schmelzer; Bender e Sahin; Blaszcykowski (45+2’ Langerak), Mkhitaryan (76’, Hofmann) e Reus; Lewandowski. Técnico: Jürgen Klopp

Árbitro: Pedro Proença, de Portugal

Gols: Higuaín (NAP, 29’) e Insigne (NAP, 67’); Zúñiga, contra, (BOR, 87’).

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