Serie A

Guia da Serie A 2014-15, parte 1

Tricampeã, Juventus de Pirlo começa o campeonato cercada de dúvidas (AP)

Estão preparados? Depois de muita espera, com direito a uma excelente Copa do Mundo no período de intertemporada, a Serie A está de volta. Neste fim de semana, a partir das 13 horas de sábado, 30 de agosto,
tem início a temporada 2014-15 do Campeonato Italiano. O jogo de
abertura terá em campo a tricampeã Juventus, que visita o Chievo, em Verona. Em seguida, às 15h45, o primeiro jogaço da temporada: Roma e Fiorentina duelam no Olímpico. E a rodada ainda tem, no domingo, os interessantes Milan-Lazio, Torino-Inter e Genoa-Napoli. Imperdível!

Neste ano, a Serie A começa com mais indefinições do que nas duas últimas temporadas, em que a Juve entrava como franca favorita. A Velha Senhora segue como principal candidata ao título, mas com a troca de comando, Roma e Napoli podem aparecer para incomodar. A Fiorentina, reforçada, pode surpreender e lutar por algo mais, enquanto Inter e Lazio correm por fora. O Milan, por sua vez, é a grande incógnita da temporada.

A
83ª temporada da Serie A tem 42 jogadores
brasileiros, quatro a menos que na última temporada e nove a menos que na penúltima. No entanto, os jogadores
“verdeoro”, como se diz na Itália, estão presentes em 18 das 20 equipes
do campeonato – apenas Atalanta e Sassuolo não contam com jogadores do nosso país no elenco. A Udinese é a equipe mais verde e amarela do certame, com sete brasileiros no plantel. Logo atrás vem a Inter, com quatro.

Nesta temporada, os direitos de transmissão da Serie A para o Brasil continuam com exclusividade do Fox Sports, mas o fã do futebol italiano também pode assistir ao campeonato caso tenha em seu pacote de TV por assinatura o canal RAI International, que retransmite a programação da Itália para o mundo. Os canais ESPN continuarão a transmitir um jogo da rodada em VT, às segundas-feiras, e o Esporte Interativo, através do Milan Channel, transmitirá as partidas dos rossoneri, também com algum delay, sendo o único canal aberto a ter jogos do campeonato transmitidos. A Coppa Italia, por sua vez, é dos canais ESPN.

Sem mais delongas, acompanhe a primeira parte do especial que preparamos. A segunda, vem ainda esta semana. Boa leitura!

Atalanta

Cidade: Bérgamo (Lombardia) 

Estádio: Atleti Azzurri D’Italia (24.642 lugares) 

Fundação: 1907 

Apelidos: Nerazzurri, La Dea, Orobici 

Principais rivais: Brescia, Inter e Milan 

Títulos da Serie A: nenhum (melhor desempenho: 5ª colocação) 

Na última temporada: 11ª posição 

Objetivo: meio da tabela 

Brasileiros no elenco: nenhum 

Técnico: Stefano Colantuono (5ª temporada) 

Destaque: Germán Denis

Fique de olho: Salvatore Molina

Principais chegadas: Niccolò Cherubin (z, Bologna), Giuseppe Biava (z, Lazio) e Rolando Bianchi (a, Bologna)

Principais saídas: Mario Yepes (z, sem clube), Stefano Lucchini (z, Cesena) e Franco Brienza (a, Cesena)

Time-base (4-4-1-1): Consigli; Benalouane, Cherubin (Biava), Stendardo, Dramé; Estigarribia, Cigarini, Carmona, Bonaventura; Moralez; Denis.

Com 107 anos de história, a Atalanta é o time mais tradicional a nunca ter conquistado o scudetto uma vez sequer – participou de 53 edições da Serie A e continua zerada. Com isso, dá para notar que as ambições pelos lados de Bérgamo nunca são altas, e apenas permanecer mais um ano na elite já seria algo a se comemorar. No entanto, nos últimos anos, sob o comando de Colantuono, a equipe tem emplacado campanhas dignas e com grandes períodos na parte de cima da tabela, chegando até mesmo ao recorde histórico de triunfos consecutivos, em 2013-14.

Para 2014-15, a equipe dá preferência ao treinador com mais tempo no cargo em toda a Itália, mas ao contrário dos últimos anos, acabou sendo mais ativa no mercado, principalmente no de saída. La Dea enxugou o elenco, enviou vários refugos para o Cesena, mas perdeu dois nomes importantes na defesa. Com Biava e Cherubin, tentou fazer a reposição com jogadores de características semelhantes, o que pode atrapalhar pouco. O bom meio-campo segue intocável e, na frente, o trio Moralez-Bonaventura-Denis ganhou bons coadjuvantes (D’Alessandro, Boakye e Bianchi) e deve continuar sendo o setor mais forte da equipe.

Cagliari

Cidade: Cagliari (Sardenha)
Estádio: Sant’Elia (14.827 lugares)
Fundação: 1920
Apelidos: Rossoblù, Isolani e Casteddu
Principal rival: Napoli
Títulos da Serie A: um

Na última temporada: 15ª colocação

Objetivo: escapar do rebaixamento

Brasileiros no elenco: Danilo Avelar, Caio Rangel e Diego Farias

Técnico: Zdenek Zeman (estreante)

Destaque: Daniele Conti

Fique de olho: Lorenzo Crisetig

Principais chegadas: Lorenzo Crisetig (m, Inter), Marco Capuano (z, Pescara) e Luca Ceppitelli (z, Bari)

Principais saídas: Nenê (a, Verona),  Davide Astori (z, Roma) e Mauricio Pinilla (a, Genoa)

Time-base (4-3-3): Colombi; Pisano (Balzano), Capuano, Rossetini, Murru; Dessena, Conti, Ekdal (Crisetig); Ibarbo, Sau, Cossu.

O torcedor do Cagliari começa a temporada com uma enorme sensação de estranhamento. Para começar, durante a Copa do Mundo, pensando em dedicar-se exclusivamente ao Leeds United, o ex-presidente Massimo Cellino vendeu o clube para Tommaso Giulini, encerrando uma gestão de 22 anos, a maior da história do clube. A mudança oxigenou o mercado de transferências da equipe, já que com Cellino a prioridade era manter a equipe e contratar poucos nomes, dando prioridade à base.

Ao todo, o Cagliari contratou 12 novos jogadores e cedeu oito peças. Entre as cessões, as saídas de Astori e Pinilla podem preocupar, sobretudo porque os sardos foram ao mercado em busca de jovens que ainda não estouraram, como Capuano e Longo, além dos talentosos Crisetig, Capello e Caio Rangel. No entanto, os nomes são muito promissores e podem decolar, principalmente se os experientes remanescentes da equipe, como Rossettini, Pisano, Cossu e o capitão Conti tomarem as rédeas. No comando do time, o Cagliari terá o ultraofensivo Zeman, algo que deixa a temporada rossoblù com um panorama ainda mais incógnito. Mas, certamente, o Cagliari terá partidas agradáveis de serem assistidas.

Cesena

Cidade: Cesena (Emília-Romanha)
Estádio: Dino Manuzzi (23.860 lugares)
Fundação: 1940
Apelidos: Cavalos Marinhos, Bianconeri
Principal rival: Bologna
Títulos da Serie A: nenhum (melhor desempenho: 6ª colocação)

Na última temporada: 4ª colocação na Serie B; promovido nos play-offs

Objetivo: escapar do rebaixamento

Brasileiros no elenco: Zé Eduardo

Técnico: Pierpaolo Bisoli (3ª temporada)

Destaque: Nicola Leali

Fique de olho: Hordur Magnússon

Principais chegadas: Nicola Leali (g, Juventus), Stefano Lucchini (z, Atalanta) e Franco Brienza (a, Atalanta)

Principais saídas: Marco D’Alessandro (mat, Atalanta), Michele Camporese (z, Bari) e Luca Ceccarelli (ld, Bologna)

Time-base (3-5-2): Leali; Volta, Lucchini, Capelli; Perico, Zé Eduardo (Giorgi), Cascione, Coppola, Renzetti; Brienza (Defrel; Rodríguez), Marilungo.

 

Após dois anos na Serie B, o Cesena volta à elite para ser a única equipe romanhola nesta edição do campeonato. Porém, o retorno deve ser por pouco tempo, já que os cavalos marinhos estão entre os favoritos para o descenso. O acesso bianconero à Serie A na última temporada foi considerado uma surpresa, visto que o time não tinha grandes destaques nem marcava muitos gols. Dentre os poucos bons valores, o time perdeu D’Alessandro e Camporese, além do experiente Ceccarelli, e para reforçar o time para a disputa da elite, teve como política de contratações fechar com diversos reservas da Atalanta.

As boas exceções à isso foram as chegadas do excelente goleiro Leali e do promissor zagueiro Magnússon, ambos da Juventus: enquanto o islandês deverá ser reserva, o arqueiro certamente será muito exigido, o que deve ser bom apenas para ganhar experiência e amaciar o couro, pensando em uma etapa futura na carreira. Não bastasse a defesa ter nomes questionáveis, o meio-campo ter poucos jogadores criativos e o ataque não ter nenhuma máquina de fazer gols, a equipe ainda é treinada por Bisoli, um técnico limitado e que conseguiu ser rapidamente demitido em suas duas oportunidades na Serie A. Calamidade.

Chievo
Cidade: Verona (Vêneto)
Estádio: Marc’Antonio Bentegodi (38.402 lugares)
Fundação: 1929
Apelidos: Gialloblù, Ceo, Burros Alados
Principal rival: Verona
Títulos da Serie A: nenhum (melhor desempenho: 4ª colocação)

Na última temporada: 16ª posição  

Objetivo: Salvar-se do rebaixamento

Brasileiros no elenco: Edimar

Técnico: Eugenio Corini (2ª temporada)

Destaque: Alberto Paloschi

Fique de olho: ninguém

Principais chegadas: Francesco Bardi (g, Inter), Valter Birsa (mat, Milan) e Alessandro Gamberini (z, Genoa)

Principais saídas: Cyril Théréau (a, Udinese), Michael Agazzi (g, Milan) e Luca Rigoni (m, Palermo)

Time-base (4-3-1-2): Bardi; Frey, Dainelli, Gamberini, Biraghi; Izco, Guana, Hetemaj; Birsa (Botta); Maxi López (Meggiorini), Paloschi.

Em seu segundo ano à frente do Chievo, Corini mudou o esquema tático e deixou de lado o 3-5-2 para utilizar o 4-3-1-2 tão utilizado pela equipe nos últimos anos, adaptando o time aos novos reforços. O Chievo perdeu quatro titulares (Agazzi, Dramé, Rigoni e Théréau), mas se reforçou bem em todos os setores, montando um elenco grande e competitivo.

Corini tem boas opções em todos os setores, e até mesmo um exagero em alguns setores – no gol, por exemplo, ele se dá ao luxo de ter os promissores Bardi e Seculin, além do ágil Puggioni. Na defesa, Dainelli reeditarão alguns anos depois a ótima dupla de zaga que formaram na Fiorentina de Prandelli e, a idade permitindo, deverão dar ainda mais solidez a um time que prima pelo defensivismo. Rigoni, metrônomo do meio-campo, rumou à Sicíla, mas o ex-Catania Izco tem característica similares e deve continuar deixando o sangue em campo. O ataque, com a saída de um Théréau com pouco clima no ataque, ganha mais agilidade com as contratações de Birsa, Botta e Schelotto. Os três tem a qualidade necessária para que o artilheiro Paloschi continue bem abastecido e marque os gols que o Ceo precisa para se manter outro ano na elite.

Empoli
Cidade: Empoli (Toscana)
Estádio: Carlo Castellani (16.800 lugares)
Fundação: 1920 

Apelidos: Azzurri
Principais rivais: Fiorentina, Pisa, Siena, Pistoiese e Lucchese
Títulos da Serie A: nenhum (melhor desempenho: 7ª colocação)

Na última temporada: vice-campeão da Serie B; promovido 

Objetivo: Salvar-se do rebaixamento

Brasileiros no elenco: Luan Menegaz

Técnico: Maurizio Sarri (3ª temporada)

Destaque: Francesco Tavano

Fique de olho: Daniele Rugani

Principais chegadas: Tiberio Guarente (v, Sevilla),  Diego Laxalt (m, Inter) e Matías Vecino (m, Fiorentina)

Principais saídas: Mirko Eramo (m, Ternana) e Pietro Accardi (z, encerrou carreira)

Time-base (4-3-1-2): Bassi; Laurini, Tonelli (Bianchetti), Rugani, Hysaj; Vecino, Valdifiori, Guarente; Verdi (Laxalt); Tavano, Maccarone.

Com poucos investimentos, o Empoli tem, ao lado do Cesena, um dos mais modestos planteis deste Italiano. Os azzurri voltam pra elite do futebol italiano mantendo a base vice-campeã da segundona, e fizeram apenas sete contratações – todas elas, com exceção de Guarente, de jovens jogadores. O objetivo inicial é brigar contra o rebaixamento. O time é comandado há três anos por Sarri, que vai para a primeira experiência como treinador na Serie A e é respaldado por diretoria e torcida.

A fórmula do time toscano é mesclar jogadores jovens (Laurini, Tonelli, Rugani, Hysaj e Verdi, que já estavam no time, e Vecino, Laxalt e Bianchetti, recém-chegados) a experientes (Bassi, Valdifiori, Moro, Croce, Tavano e Maccarone), algo que funcionou para Torino, Verona e Atalanta nos últimos anos. Será uma temporada de prova aos jovens que formam a linha defensiva do time, que poderão mostrar se estão aptos para jogarem na elite. Será interessante também ver se a dupla Tavano-Maccarone ainda dá trabalho na primeira divisão da Bota, e se chegará perto do desempenho de outros jogadores experientes, como Toni, Totti e Di Natale. Com pouco a perder, o Empoli pode ser uma surpresa na temporada e escrever mais uma página no livro de boas histórias contadas pelas equipes provinciais do Belpaese.

Fiorentina
Cidade: Florença (Toscana)
Estádio: Artemio Franchi (46.389 lugares)
Fundação: 1926
Apelidos: Viola, Gigliatti
Principais rivais: Juventus, Roma e Bologna
Títulos da Serie A: dois
Na última temporada: 4ª posição

Objetivo: Liga dos Campeões

Brasileiros no elenco: Neto e Octávio

Técnico: Vincenzo Montella (3ª temporada)

Destaque: Giuseppe Rossi

Fique de olho: Federico Bernadeschi

Principais chegadas: Ciprian Tatarusanu (g, Steaua Bucareste), José Basanta (le, Monterrey) e Marko Marin (mat, Chelsea)

Principais saídas: Alessandro Matri (a, Genoa), Massimo Ambrosini (v, sem clube) e Ryder Matos (a, Córdoba)

Time-base (3-5-2): Neto; Savic, Rodríguez, Basanta;
Cuadrado, Aquilani, Pizarro, Borja Valero, Pasqual; Rossi, Gómez.

A Fiorentina está pronta para o grande salto? A equipe de Florença, que já era forte, não perdeu muitas peças importantes, ganhou novos e bons jogadores e, o principal, até agora segurou o colombiano Cuadrado, que tinha boas propostas, mas deve permanecer ao lado de Rossi, Borja Valero e Gómez como principais destaques da equipe. Boa notícia para a torcida, que ainda pode olhar para o banco e ver Joaquín, Ilicic, Babacar e Marin como boas opções para o ataque.

Montella, em seu terceiro ano à frente da equipe violeta, manteve a base e o mesmo esquema tático que levou a equipe a duas classificações à Liga Europa e ao flerte com uma vaga na Liga dos Campeões. Com as adições e a certeza de que tem seu trabalho respaldado, está à frente de uma equipe que, em tese, é candidata a uma vaga na Liga dos Campeões e aos
títulos da Coppa Italia e Liga Europa. Pode, até mesmo, correr por fora
pelo scudetto. Na última temporada, as lesões de Gómez e Rossi penalizaram a equipe, e os gigliatti esperam que elas não voltem a atormentar a temporada de forma significativa. No entanto, Rossi já começa a temporada afastado por tempo indeterminado devido a uma lesão. O fiel da balança já está em ação.

Genoa
Cidade: Gênova (Ligúria)
Estádio: Stadio Luigi Ferraris (36.536 lugares)
Fundação: 1893
Apelidos: Grifone, Grifo, Rossoblù, Vecchio Balordo
Principal rival: Sampdoria
Títulos da Serie A: nove

Na última temporada: 14ª posição

Objetivo: Meio da tabela

Brasileiros no elenco: Edenílson

Técnico: Gian Piero Gasperini (2ª temporada)

Destaque: Mattia Perin

Fique de olho: Riccardo Improta

Principais chegadas: Alessandro Matri (a, Fiorentina), Diego Perotti (mat, Sevilla) e Mauricio Pinilla (a, Cagliari)

Principais saídas: Matuzalém (v, Bologna), Alberto Gilardino (a, Guangzhou Evergrande) e Sime Vrsaljko (ld, Sassuolo)

Time-base
(3-4-3): Perin; Burdisso, De Maio, Marchese (Antonini); Rosi, Sturaro, Rincón (Kucka; Bertolacci), Antonelli; Perotti, Matri, Pinilla.

Gasperini chegou ao Genoa na última temporada com o objetivo de fazer um bom elenco render mais do que apenas o necessário para escapar do rebaixamento. Em termos, o histórico treinador rossoblù conseguiu. Agora, realizando a pré-temporada e indicando algumas contratações, a tendência é de que o Genoa faça um campeonato novamente sem sustos, mas mais consistente, flertando mais tempo com a parte alta da tabela. No entanto, para sonhar com algo mais, o time precisará suar e superar equipes superiores, como Torino, Parma e Lazio.

O elenco genovês é mais forte do que no ano passado. O Genoa emplacou contratações interessantes, como a do venezuelano Rincón, bom box-to-box para o jogo de Gasperini, que ainda tem Kucka, recuperado de grave lesão, e Bertolacci como alternativas. A alta intensidade de jogadas pelas laterais estará garantida com a permanência de Antonelli, pelo lado esquerdo, mas será uma incógnita pelo lado oposto, uma vez que Rosi e Edenílson não tem o mesmo nível – Vrsaljko, negociado, era uma opção mais interessante. O ataque foi completamente reformulado, e o entrosamento nas rodadas iniciais pode ser complicado. Matri terá a dura missão de substituir Gilardino, e terá Pinilla e Perotti como companheiros de um setor que pode incomodar adversários mais duros.

Inter
Cidade: Milão (Lombardia)
Estádio: Giuseppe Meazza (80.018 lugares)
Fundação: 1908
Apelidos: Nerazzurri, Beneamata, Biscione
Principais rivais: Milan e Juventus
Títulos da Serie A: 18

Na última temporada: 5ª posição

Objetivo: Liga dos Campeões

Brasileiros no elenco: Jonathan, Juan Jesus, Dodô e Hernanes

Técnico: Walter Mazzarri (2ª temporada)

Destaque: Mateo Kovacic

Fique de olho: Federico Bonazzoli

Principais chegadas: Gary Medel (v, Cardiff City), Pablo Osvaldo (a, Southampton) e Nemanja Vidic (z, Manchester United)

Principais saídas: Javier Zanetti (ld, encerrou carreira), Esteban Cambiasso (v, fim de contrato) e Diego Milito (a, Racing)

Time-base
(3-5-2): Handanovic; Ranocchia, Vidic, Juan; Jonathan, Hernanes, Medel (M’Vila), Kovacic, Dodô (Nagatomo); Palacio, Icardi (Osvaldo).

Até o atual estágio, a Inter entra na Serie A com um elenco com nível similar ao da temporada passada, em que poderia ter feito melhor figura, não fossem tantas desatenções e pontos deixados pelo caminho. A maior mudança na equipe diz respeito à saída de figuras importantes dentro e fora do campo, como o quarteto argentino formado por Zanetti, Samuel, Cambiasso e Milito – houve, na verdade, um processo de “desargentinização”, já que Botta e Schelotto deixaram a Pinetina e Silvestre e Campagnaro ainda devem sair; e a saída de Álvarez também não é descartada. Com isso, a Inter pode ficar com “apenas” quatro ou cinco argentinos no elenco, o que mostra a mudança de tempos em Milão desde que Erick Thohir chegou.

Mazzarri foi mantido no cargo e para suprir as saídas dos argentinos e do também titular Rolando, ganhou de presente boas peças, como Vidic, Medel, Osvaldo, M’Vila e Dodô. Jogadores bons, e que já mostraram entrosamento com o elenco, o que pode garantir um bom início de temporada, pelo menos. No entanto, a Inter, apesar de manter muito a posse de bola, segue apresentando dificuldades de chegar ao gol, e acaba dependendo de iluminações de Kovacic e Hernanes ou do faro de gol de Palacio e Icardi. A sensação é a de que Mazzarri subaproveita as peças que tem, escalando-as em um esquema inadequado. A Inter até pode chegar longe, voltar à Liga dos Campeões ou mesmo conquistar títulos, mas dificilmente o fará com a teimosia do treinador. Uma teimosa tão grande que faz com que Álvarez e Guarín, peças que seriam importantes e bem utilizadas em outros esquemas, possam deixar o clube por valores abaixo de mercado. Se a Inter não conseguir bons resultados ou bom futebol, Mazzarri e seu 3-5-2 voltarão a ser questionados e, talvez, dessa vez o treinador não conte com a mesma paciência de outrora.

Juventus
Cidade: Turim (Piemonte)
Estádio: Juventus Arena (41.000 lugares)
Fundação: 1897
Apelidos: Bianconeri e Velha Senhora
Principais rivais: Torino e Inter
Títulos da Serie A: 30 

Na última temporada: campeã

Objetivo: Título

Brasileiros no elenco: Rubinho e Rômulo

Técnico: Massimiliano Allegri (estreante)

Destaque: Carlos Tévez

Fique de olho: Kingsley Coman

Principais chegadas: Alvaro Morata (a, Real Madrid), Patrice Evra (le, Manchester United) e Rômulo (m, Verona)

Principais saídas: Mirko Vucinic (a, Al Jazira), Fabio Quagliarella (a, Torino) e Mauricio Isla (ld, Queens Park Rangers)

Time-base

(3-5-2): Buffon; Barzagli, Bonucci, Chiellini; Lichtsteiner (Rômulo), Vidal,
Pirlo, Pogba, Evra (Asamoah); Tévez, Llorente (Morata).

Tricampeã, a Juventus inicia 2014-15 como incógnita. O elenco foi praticamente todo mantido e o diretor esportivo Giuseppe Marotta ainda foi buscar Morata, Evra e Rômulo para dar mais profundidade ao plantel. Reforços que mantém a Juve como time a ser batido na Itália, mas que ainda não representariam um salto de qualidade para que a maior campeã italiana conseguisse batalhar por uma Liga dos Campeões, como queria Conte. O treinador queria priorizar a competição europeia (aparentemente, os jogadores também queriam um novo desafio), mas a diretoria não lhes deu garantia. Por divergências quanto ao mercado, o treinador deixou o clube e a chegada de Allegri abre duas perguntas: primeiro, como um time que já ganhou três vezes seguidas o scudetto irá reagir à mudança de treinador? E, segundo, como este time buscará novos objetivos sem Conte?

Conte, além dos aspectos táticos, de controle do vestiário e identificação com a Juve, é conhecido como um grande motivador – isso pode ser visto na última temporada, quando após uma dura derrota contra a Fiorentina, a Juventus  voltou a dominar a Itália. Allegri não é o maior dos motivadores e vem de um fim de trabalho bastante negativo pelo Milan, que danificou sua imagem. Taticamente, não é um gênio, e ao menos acerta ao dar continuidade ao 3-5-2 e mesmo estilo de jogo de Conte. Dentro do elenco, o treinador já teve problemas com Pirlo, a quem dispensou do Milan – e o que veio depois, todos conhecemos. O técnico toscano e o craque lombardo já teriam se acertado, mas a grande quantidade de dúvidas que pairam no ar é bastante grande para um time campeão. Um time que terá de demonstrar se ainda tem brio e vontade suficientes para que o favoritismo se confirme e a inegável qualidade do elenco continue se transformado em títulos.

Lazio
Cidade: Roma (Lácio)
Estádio: Olímpico de Roma (73.481 lugares)
Fundação: 1900
Apelidos: Biancocelesti, Biancazzurri, Aquilotti
Principais rivais: Roma, Napoli, Livorno, Pescara, Milan, Juventus e Atalanta
Títulos da Serie A: dois

Na última temporada: 9ª posição

Objetivo: Liga Europa

Brasileiros no elenco: Ederson e Felipe Anderson

Técnico: Stefano Pioli (estreante)

Destaque: Miroslav Klose

Fique de olho: Mamadou Tounkara

Principais chegadas: Stefan De Vrij (z, Feyenoord), Dusan Basta (ld, Udinese) e Marco Parolo (m, Parma)

Principais saídas: Giuseppe Biava (z, Atalanta) e André Dias (z, sem clube)

Time-base

(4-3-3): Marchetti; Basta, De Vrij, Cana (Gentiletti), Radu (Lulic); Biglia, Ledesma, Parolo; Candreva, Klose, Keita (Djordjevic).

A torcida da Lazio vinha reclamando muito do presidente Claudio Lotito. Chegou a fazer campanha para esvaziar o Olímpico, tudo porque além de gastar pouco, o presidente ainda havia vendido Hernanes. Os ultrà e até mesmo os torcedores comuns achavam que a Lazio vinha sendo pouco ambiciosa e cobravam que o presidente vendesse o clube para um investidor. Pois bem, nesta temporada, Lotito colocou o diretor esportivo Igli Tare para trabalhar e fez uma ótima campanha no mercado. A equipe liberou os zagueiros Biava e André Dias em fim de contrato e reforçou o setor com um dos melhores jogadores da Copa do Mundo, o holandês De Vrij. Ainda chegou Gentiletti, autor de boa Copa Libertadores com o campeão San Lorenzo.

Outros bons reforços foram garantidos para a corte do estreante Pioli, que terá em Basta um lateral de força, técnica e intensidade, e em Parolo um jogador similar ao que Hernanes representou aos laziali no passado. Na frente, Candreva e Klose continuam sendo a fonte de inspiração e gols da equipe, que conta com um Keita em crescimento e um Djordjevic disposto a se estabelecer como um dos atacantes mais prolíficos no cenário europeu. As expectativas sobre a Lazio são altas, mas a briga na parte de cima da tabela é bastante dura – são pelo menos nove equipes lutando por seis vagas europeias. Ter inspirado os sonhos dos torcedores já deixa Lotito em situação mais tranquila no clube, mas eleva a pressão da torcida por resultados, o que tem jogado contra o dirigente e também contra o desempenho dos jogadores dentro de campo.

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