Serie A

Balanço de inverno, parte 1

Palacio é a maior decepção de uma Inter que produz menos do que pode (ESPN FC)

Eu sei, também estamos com saudades. Mas a bola só volta a rolar na Serie A no dia 5 de janeiro, em virtude da
pausa do campeonato por conta das festividades de fim de ano. Antes de o Campeonato Italiano voltar a agitar os nossos dias, porém, destacamos como as
20 equipes que disputam o torneio estão no atual estágio, na metade da temporada. A nossa análise traz ainda uma projeção do que pode
acontecer com cada uma delas, com base no futebol desempenhado até agora e com potenciais reforços na janela de mercado, aberta durante todo o mês de janeiro. Nosso especial da parada de inverno está
dividido em duas partes, publicadas semanalmente. Neste domingo, apresentamos,
as análises das equipes classificadas da 20ª à 11ª posição, e no próximo, bem pertinho da volta do campeonato, falaremos sobre o restante. Feliz ano novo e boa leitura!

Publicado também na Trivela.

Parma
20ª posição. 16 jogos, 6 pontos. 2 vitórias, 1 empate, 13 derrotas. 16 gols marcados, 36 sofridos.
Time-base: Mirante; Felipe (Costa), Pedro Mendes, Lucarelli; Rispoli (Santacroce, Ristovski), Acquah, Lodi, José Mauri, Gobbi (De Ceglie); Cassano, Palladino (Coda, Belfodil).
Treinador: Roberto Donadoni
Destaque: Antonio Cassano, atacante
Artilheiro: Antonio Cassano, com 5 gols
Garçom: Massimo Coda, com 3 assistências
Decepção: Francesco Lodi, meia
Maior sequência de vitórias: nenhuma
Maior sequência de derrotas: 6, da 4ª à 9ª rodada
Maior sequência de invencibilidade: nenhuma
Maior sequência sem vencer: 6, da 4ª à 9ª rodada e da 11ª à 16ª
Expectativa: Não ser rebaixado

Sem dúvidas, o Parma é uma das maiores decepções desta temporada. A equipe manteve Cassano, trouxe Lodi mas, principalmente, apostou na volta de empréstimo de vários jogadores que estavam em clubes menores – como medida de economia. Não deu certo. Já se sabia que o clube, antes dirigido por Tommaso Ghirardi, tinha dificuldades financeiras e por isso não tinha investido no mercado, mas não se imaginava que a situação, que custou a vaga na Liga Europa aos crociati, era tão grave. Tão grave que faria o clube perder um ponto, como punição por atraso de salários, e que faria o empresário vender o clube a um grupo russo-cipriota, cujos investidores ainda são desconhecidos.

A falta de reforços enfraqueceu o time, que dentro de campo também acusou o golpe pelos salários atrasados e problemas societários. O time é inferior ao do ano passado, mas não o suficiente para, de longe, ocupar o fundo da tabela. Não é fácil a tarefa de Donadoni, que foi mantido no cargo – coerentemente, primeiro porque existem poucos técnicos com sua qualidade, e também pela má fase não ser culpa sua. No ano passado, o Catania, lanterna do campeonato a esta altura, tinha 10 pontos (quatro a mais) e foi rebaixado com algumas rodadas de antecedência, o que mostra que os novos investidores terão que investir pesadamente no mercado de inverno para garantirem reforços. A volta de jogadores importantes, como Cassani, Paletta e Biabiany, que estavam fora por motivos físicos e de saúde, pode ajudar também. Resta saber se Cassano permanece para a segunda parte da temporada.

Cesena
19ª posição. 16 jogos, 9 pontos. 1 vitória, 6 empates, 9 derrotas. 13 gols marcados, 30 sofridos.
Time-base: Leali; Capelli, Lucchini, Volta; Giorgi, Coppola (Carbonero), De Feudis, Cascione, Renzetti (Mazzotta); Defrel (Brienza); Marilungo (Hugo Almeida).
Treinadores: Pierpaolo Bisoli, até a 15ª rodada, e Domenico Di Carlo, a partir de então
Destaque: Nicola Leali, goleiro
Artilheiros: Grégoire Defrel, com 4 gols
Garçom: nenhum
Decepção: Hugo Almeida, atacante
Maior sequência de vitórias: nenhuma
Maior sequência de derrotas: 3, da 7ª à 10ª rodada, e da 13ª à 15ª
Maior sequência de invencibilidade: 2, na 5ª e 6ª rodadas
Maior sequência sem vencer: 15, da 2ª à 16ª rodada
Expectativa: Não ser rebaixado

Assim como o Parma, o Cesena tem menos pontos que o Catania, lanterna da última Serie A, tinha nesta fase do campeonato – quando também ocupava a última posição. Ao contrário do Parma, que tem condições de reagir, o time romanholo parece destinado à segundona. Sem muita reação, o Cesena é um dos favoritos para cair, desempenho já esperado pela própria torcida. Afinal, o acesso à elite foi surpreendente e o elenco é o mais fraco do campeonato.

O time tem como únicos destaques o ótimo goleiro Leali, que tem sido bombardeado e vai sendo testado para seu futuro na Juventus, e o atacante Defrel, formado pelo Parma. Alguns outros jogadores até tem qualidade, mas sofrem em meio a um elenco com pouca técnica. Somado a isso, o presidente Giorgio Lugaresi não faz a mínima questão de ver um time ousado. Apostou em dois técnicos defensivistas, como Bisoli e Di Carlo, e não tem colhido bons resultados. Ninguém venceu menos que os bianconeri, que estrearam com uma vitória diante do Parma e depois não conseguiram mais triunfos. Já são 15 jogos sem vencer. E contando.

Cagliari
18ª posição. 16 jogos, 12 pontos. 2 vitórias, 6 empates, 8 derrotas. 21 gols marcados, 29 sofridos.
Time-base: Cragno; Balzano (Pisano), Ceppitelli, Rossettini, Danilo Avelar (Balzano); Crisetig, Conti, Ekdal; Ibarbo, Sau (Diego Farias), Cossu (Danilo Avelar).
Treinadores: Zdenek Zeman, até a 16ª rodada, e Gianfranco Zola, estreante

Destaque: Víctor Ibarbo, meia-atacante
Artilheiros: Marco Sau e Albin Ekdal, com 4 gols
Garçons: Cinco jogadores, com 2 assistências
Decepção: Marco Capuano, zagueiro
Maior sequência de vitórias: nenhuma
Maior sequência de derrotas: 3, da 2ª à 4ª rodada
Maior sequência de invencibilidade: 3, da 7ª à 9ª rodada
Maior sequência sem vencer: 8, da 9ª à 16ª rodada
Expectativa: Não ser rebaixado

Poucos técnicos dividem mais opiniões na Itália do que Zeman. O novo proprietário do Cagliari, Tommaso Giulini, não quis saber disso e apostou no técnico checo para a reconstrução de uma equipe que ficou mais de duas décadas nas mãos de Massimo Cellino. Achou que ele seria o nome indicado para conduzir um grupo com jovens jogadores, muitos dos quais nos setores ofensivos. Também apostou que Sau, criado pelo técnico no Foggia, renderia mais, e que Ibarbo e Cossu seriam nomes que ganhariam ainda mais relevância com ele. Porém, Zeman decepcionou novamente, como na Roma, e não conseguiu repetir na elite os bons trabalhos feitos em divisões inferiores.

O treinador boêmio pareceu ultrapassado em sua passagem pela Sardenha. O time não conseguiu se acertar em nenhum momento sob o seu comando e, muito embora o Cagliari tenha o melhor ataque entre os nove últimos colocados, os números enganam: o time ficou sem marcar gols em cinco jogos (três em sequência), algo muito atípico para uma equipe com o DNA de Zeman. Além disso, 11 desses gols foram marcados em três jogos. O treinador não conseguiu motivar o elenco e muito menos extrair o que se esperava dos bons valores contratados. Embora jogadores como Sau, Ibarbo, Cossu, Ekdal, Avelar e Rossettini venham jogando em bom nível, a decisão de mudança da diretoria parece ter vindo na hora certa. Zola, que foi ídolo do clube no final de sua carreira, estreará em janeiro, poderá indicar reforços para o mercado de inverno e terá tempo de treinar até a 17ª rodada. Dentre os times na zona de rebaixamento, os casteddu são aqueles que têm a maior probabilidade de salvarem-se da queda.

Atalanta
17ª posição. 16 jogos, 15 pontos. 3 vitórias, 6 empates, 7 derrotas. 11 gols marcados, 21 sofridos.
Time-base: Sportiello; Zappacosta, Benalouane (Biava), Stendardo (Cherubin), Dramé; Baselli (Migliaccio, D’Alessandro), Cigarini, Carmona; Moralez; Boakye (Bianchi), Denis.
Treinador: Stefano Colantuono
Destaque: Marco Sportiello, goleiro
Artilheiro: Germán Denis, com 3 gols
Garçons: Luca Cigarini e Cristian Raimondi, com 2 assistências
Decepção: Alejandro Gómez, meia-atacante
Maior sequência de vitórias: nenhuma
Maior sequência de derrotas: 4, da 3ª à 6ª rodada
Maior sequência de invencibilidade: 3, da 9ª à 11ª rodada
Maior sequência sem vencer: 6, da 8ª à 13ª rodada
Expectativa: Não ser rebaixada

Após um ano muito bom, no qual correu poucos riscos e bateu recordes históricos, a Atalanta decepciona em 2014-15. O time, que tem o mesmo técnico, Colantuono, há mais de quatro anos no cargo, e que mantém um elenco bastante similar ao do ano passado, caiu de rendimento. É a pior campanha nerazzurra desde que o time voltou à elite, em 2011. Boa parte disso se deve ao momento muito negativo do setor ofensivo da equipe, que tem o pior ataque da Serie A, com apenas 11 gols marcados.

Um dos que estão destoando mais é o atacante e capitão Denis. Desde que assinou com La Dea, em 2011, o argentino marcou sempre mais de 13 gols na Serie A, e até agora está decepcionando, sendo pouco decisivo. Todos os outros jogadores do setor também tem atuado abaixo do que podem. Gómez, que foi destaque do Catania e chegou a estar na mira da Inter, não tem conseguido nem assumir uma vaga no time titular, mesmo que Moralez esteja fora de sintonia desde a temporada passada. Um alento para a Atalanta é que o goleiro Sportiello, de 21 anos, está se revelando como um dos melhores da Itália. A pausa de inverno será fundamental para que a equipe corrija os erros da primeira metade do campeonato e volte a jogar bem. O elenco está fechado com o técnico Colantuono, o que já é um grande ganho.

Chievo
16ª posição. 16 jogos, 16 pontos. 4 vitórias, 4 empates, 8 derrotas. 12 gols marcados, 19 sofridos.
Time-base: Bardi (Bizzarri); Frey, Danielli, Cesar (Gamberini), Zukanovic (Biraghi); Birsa, Radovanovic, Izco (Cofie), Hetemaj; Paloschi, Meggiorini (Maxi López).
Treinadores: Eugenio Corini, até a 7ª rodada, e Rolando Maran, a partir de então
Destaque: Alberto Paloschi, atacante
Artilheiro: Alberto Paloschi, com 4 gols
Garçom: Mariano Izco, com 2 assistências
Decepção: Francesco Bardi, goleiro
Maior sequência de vitórias: nenhuma
Maior sequência de derrotas: 4, da 6ª à 9ª rodada
Maior sequência de invencibilidade: 5, da 10ª à 14ª rodada
Maior sequência sem vencer: 8, da 3ª à 10ª rodada
Expectativa: Não ser rebaixado

A troca de treinadores fez bem ao Chievo. Com a saída de Corini, o presidente Luca Campedelli apostou em outro nome ligado ao clube. Maran, assim como o seu antecessor, jogou no clube por muitos anos. A chegada do competente ex-técnico do Catania mudou o panorama da equipe, que tinha dificuldades de somar pontos. Após o ambientamento do novo treinador, os clivensi conseguiram três de suas quatro vitórias, e ainda passaram cinco jogos seguidos somando pontos. Dessa forma, ultrapassaram o Cagliari e deixaram a zona de rebaixamento.

A grande novidade no Chievo este ano foi a troca de esquema, do 3-5-2 para o 4-4-2 – com trequartista ou com jogadores abertos pelas pontas. Apesar de ter adicionado qualidade à armação de jogadas, o meio-campo continuou combativo, e os dois treinadores deram mais espaço para jogadores aguerridos do que aqueles apenas talentosos. Birsa foi uma boa surpresa no setor, jogando pela direita, enquanto Botta e Schelotto receberam poucas oportunidades. Outro jogador emprestado pela Inter, o goleiro Bardi teve algumas ótimas atuações, permeadas por pequenas falhas, e acabou sendo preterido por Bizzarri após a chegada de Maran. No ataque, que é o segundo pior do Campeonato Italiano, Paloschi segue sendo o grande destaque do time. Qualquer chance de escapar do rebaixamento sairá dos pés dele.

Verona
15ª posição. 16 jogos, 17 pontos. 4 vitórias, 5 empates, 7 derrotas. 18 gols marcados, 27 sofridos.
Time-base: Rafael; Martic (Sorensen), Rafa Márquez, Moras, Agostini; Ionita (Campanharo, Obbadi), Tachtsidis, Hallfredsson; Christodoulopoulos (Nico López), Toni, Juanito.
Treinador: Andrea Mandorlini
Destaque: Luca Toni, atacante
Artilheiro: Luca Toni, com 5 gols
Garçom: Lazaros Christodoulopoulos, com 3 assistências
Decepção: Javier Saviola, atacante
Maior sequência de vitórias: 2, na 2ª e 3ª rodadas
Maior sequência de derrotas: 3, da 12ª à 14ª rodada
Maior sequência de invencibilidade: 4, da 1ª à 4ª rodada
Maior sequência sem vencer: 8, da 7ª à 14ª rodada
Expectativa: Não ser rebaixado

Na última temporada, o Verona surpreendeu ao voltar à elite após 10 anos de ausência e brigar por uma vaga na Liga Europa. Dificilmente repetiria o feito. Já se imaginava que a temporada scaligera teria muito mais dificuldades, por causa da saída de dois de seus principais jogadores, Iturbe e Rômulo, e de várias outras peças que compunham o elenco – sem contar no envelhecimento de Toni, que já tem 37 anos. Até agora, o roteiro tem sido seguido à risca pela equipe de Mandorlini.

O treinador, que está no comando dos butei desde 2010, chegou a correr riscos de ser demitido, pelos dois meses sem vitória, entre outubro e dezembro, mas tem crédito pelo que tem feito – por mais que a equipe tenha voltado a vencer e, logo depois, perdido o dérbi contra o Chievo. A troca de muitas peças no elenco fez com que Mandorlini começasse a alternar entre o 4-3-3 e o 3-5-2 a depender dos adversários. Isso porque os jogadores que foram contratados para substituir Rômulo e Iturbe, como Tachtsidis, Ionita, Christodoulopoulos e Nico López tem características diferentes. Os reforços citados não estão jogando mal, assim como Toni, que segue deixando os seus golzinhos, mas a defesa tem passado longe de estar acertada – Rafa Márquez não se mostrou uma boa contratação e os outros jogadores do setor estão longe de passar confiança para o goleiro Rafael. O Hellas tem boas chances de evitar o rebaixamento, mas não terá vida fácil em 2015.

Torino
14ª posição. 16 jogos, 17 pontos. 4 vitórias, 5 empates, 7 derrotas. 12 gols marcados, 18 sofridos.
Time-base: Gillet; Maksimovic, Glik, Moretti; Bruno Peres (Molinaro), Vives, Gazzi, El Kaddouri, Darmian; Quagliarella, Amauri (Sánchez Miño, Martínez).
Treinador: Gian Piero Ventura
Destaque: Kamil Glik, zagueiro
Artilheiros: Fabio Quagliarella e Kamil Glik, com 4 gols
Garçons: Omar El Kaddouri e Bruno Peres, com 2 assistências
Decepção: Amauri, atacante
Maior sequência de vitórias: nenhuma
Maior sequência de derrotas: 3, da 11ª à 13ª rodada
Maior sequência de invencibilidade: 3, da 14ª à 16ª rodada
Maior sequência sem vencer: 6, da 10ª à 15ª rodada
Expectativa: Meio da tabela

Assim como o Verona, o Torino surpreendeu pela campanha tão boa em 2013-14. E também entrou nesta temporada com expectativas menores, o que vem e cumprindo. A equipe treinada por Ventura está dividindo as atenções entre Serie A e Liga Europa, e até agora está fazendo uma temporada digna: se classificou para o mata-mata na competição europeia e está no meio da tabela no certame nacional, cinco pontos acima da zona de descenso. Um resultado bastante aceitável para um time que perdeu dois jogadores do quilate de Immobile e Cerci, responsáveis diretos pela bonança no ano anterior.

A grande diferença entre as duas temporadas está nos números comparativos entre defesa e ataque. Os granata sofrem, em média, menos gols do que em 2013-14, e isto se deve à volta de Gillet ao gol – Padelli, seu antecessor, fez boa temporada, mas o belga é tecnicamente superior – e à afirmação de Maksimovic e Glik, que seguram a barra para os constantes avanços de Darmian e da grata surpresa que é Bruno Peres. O ataque, por sua vez, balança muito menos redes: é o terceiro pior da temporada, enquanto no campeonato anterior estava entre os melhores. Quagliarella tem se desdobrado para fazer uma boa temporada e marcou quatro gols, mas outros jogadores não tem conseguido chegar perto disso. Martínez, por exemplo, fez apenas um, e El Kaddouri e Amauri passam em branco até o momento – o capitão Glik, na zaga, fez quatro. Qualidade o time tem, e com a pausa de inverno, o elenco pode se preparar melhor para encarar a volta da Serie A. Os granata precisam voltar em 2015 com a sede de mostrar à Itália que o time que deu trabalho à rival Juventus pode incomodar mais na parte de cima da tabela.

Empoli
13ª posição. 16 jogos, 17 pontos. 3 vitórias, 8 empates, 5 derrotas. 17 gols marcados, 22 sofridos.
Time-base: Sepe; Hysaj, Tonelli, Rugani, Mário Rui; Vecino, Valdifiori, Croce; Verdi; Maccarone, Tavano (Pucciarelli).
Treinador: Maurizio Sarri
Destaque: Massimo Maccarone, atacante
Artilheiro: Lorenzo Tonelli, com 4 gols
Garçom: Massimo Maccarone, com 5 assistências
Decepção: Diego Laxalt, meia
Maior sequência de vitórias: 2, na 11ª e 12ª rodadas
Maior sequência de derrotas: 3, da 8ª à 10ª rodada
Maior sequência de invencibilidade: 6, da 11ª à 16ª rodada
Maior sequência sem vencer: 5, da 1ª à 5ª rodada
Expectativa: Não ser rebaixado

No nosso guia de início de temporada, falamos que o Empoli poderia ser uma das gratas surpresas desta Serie A. Até agora, a modesta equipe da Toscana, que tem a menor folha salarial do país – 11 milhões de euros anuais –, está confirmando os nossos prognósticos, com um futebol bastante objetivo. Na terceira temporada de Sarri no comando do time, e na estreia do técnico na elite, a fórmula é a mesma utilizada na segundona. Mescla de promessas e jogadores tarimbados, futebol simples e pragmático, com defesa bem montada, meio-campo sólido e três atacantes livres para desequilibrarem. O time começou a Serie A com dificuldades, e sem conseguir vencer, mas se ajustou na parte final de 2014 e subiu bastante na tabela. Com a pausa de inverno, terá mais tempo para descansar e manter a crescente.

Quase todas as peças do time titular vem fazendo temporada acima da média. Maccarone tem se destacado, mesmo aos 35 anos, e contribui com gols e assistências. Tavano tem sido menos utilizado do que o previsto, mas Pucciarelli também tem rendido bem. Na criação, Vecino, Valdifiori e Verdi são fundamentais e tiram o espaço de jovens promessas, como Zielinski e Laxalt, ou mesmo do rodado Guarente. A defesa conta com uma penca de ótimos jogadores jovens e que estão atraindo a atenção de times maiores: casos de Sepe, ex-Napoli, Rugani, de propriedade da Juventus, e do zagueiro-artilheiro Tonelli. Continuando desta forma, os azzurri poderão salvar-se da queda com alguma tranquilidade.

Sassuolo
12ª posição. 16 jogos, 20 pontos. 4 vitórias, 8 empates, 4 derrotas. 17 gols marcados, 21 sofridos.
Time-base: Consigli; Vrsaljko (Gazzolla), Cannavaro (Terranova, Antei), Acerbi, Peluso; Taïder, Magnanelli, Missiroli; Berardi (Floro Flores), Zaza (Floccari), Sansone.
Treinador: Eusebio Di Francesco
Destaque: Simone Zaza, atacante
Artilheiro: Simone Zaza, com 5 gols
Garçom: Domenico Berardi, com 4 assistências
Decepção: Raman Chibsah, volante
Maior sequência de vitórias: 2, na 8ª e 9ª e 12ª e 13ª rodadas
Maior sequência de derrotas: 2, na 5ª e 6ª rodadas
Maior sequência de invencibilidade: 8, da 7ª à 14ª rodada
Maior sequência sem vencer: 7, da 1ª à 7ª rodada
Expectativa: Meio da tabela

O Sassuolo é um pequeno abusado. Apesar de estar sediado em uma cidade de apenas 40 mil habitantes e não ter tradição, o time neroverde tem uma folha salarial de respeito: 28 milhões de euros, superior a Udinese, Genoa, Torino e Parma. O investimento do presidente Giorgio Squinzi tem  colhido frutos, porém. Com um time que aposta muito na formação de atletas e que valoriza o talento italiano – apenas dois titulares são estrangeiros –, o Sassuolo vai se fixando como um dos times mais interessantes da Itália. O time é bem treinado por Di Francesco e, seguindo a mesma toada, vai permanecer mais um ano na elite sem maiores problemas. Mais: se corrigir alguns erros, o time pode ensaiar uma inédita briga por vaga em competições europeias.

Mais uma vez, assim como na temporada passada, o time pecou pelo mau início de temporada, quando demorou sete jogos para ganhar. Depois, porém, engatou a maior sequência de invencibilidade de sua história, e só não está com cinco pontos a mais porque entregou resultados nos acréscimos em três jogos seguidos – poderia estar na 7ª posição, empatado com o Milan. O setor mais eficiente e atraente da equipe é o ataque, um dos melhores do país. Zaza é titular da seleção italiana de Antonio Conte e, em breve, Berardi e Sansone devem aparecer em convocações do treinador azzurro. O desempenho do trio é suficiente para tal, e se os três conseguirem o duplo milagre – salvar a equipe do rebaixamento e, de quebra, classificá-la para uma competição europeia –, não apenas o treinador ficará de olho neles, mas outros clubes também.

Inter
11ª posição. 16 jogos, 21 pontos. 5 vitórias, 6 empates, 5 derrotas. 25 gols marcados, 23 sofridos.
Time-base: Handanovic; Nagatomo (D’Ambrosio), Ranocchia, Juan Jesus, Dodô; Guarín (Vidic), Medel (Kuzmanovic), Hernanes; Kovacic; Palacio, Icardi.

Treinadores: Walter Mazzarri, até a 11ª rodada, e Roberto Mancini, a partir de então
Destaque: Mateo Kovacic, meia
Artilheiro: Mauro Icardi, com 8 gols
Garçom: Fredy Guarín, com 3 assistências
Decepção: Rodrigo Palacio, atacante
Maior sequência de vitórias: 2, na 8ª e 9ª rodadas
Maior sequência de derrotas: 2, na 5ª e 6ª e 13ª e 14ª rodadas
Maior sequência de invencibilidade: 4, da 1ª à 4ª rodada
Maior sequência sem vencer: 5, da 10ª à 14ª rodada
Expectativa: Vaga em competição europeia

Os anos passam e os momentos de confusão pós-Mourinho continuam na Inter. Desde que o técnico português deixou o clube, salvo um breve período em 2010-11, a equipe de Milão vive momentos delicados – o que tem a ver, também, com o redimensionamento financeiro do clube. Em 2014-15, a equipe continua sendo bastante irregular, e precisou trocar de técnico no meio da temporada para tentar reagir. Os números dizem que com Mazzarri o time rendia mais, mas não é verdade. Afinal, com ele, o time tomou 4 a 1 do Cagliari (18º colocado) em casa, e perdeu do lanterna Parma, que só venceu dois jogos. Com pouco tempo em seu retorno à velha casa, Mancini ainda não conseguiu resultados expressivos, mas tem feito o time jogar melhor, pouco a pouco. Agora, a Inter é um time que ao menos parece ter objetivos, plano de jogo e alternativas. E, ao contrário do seu antecessor, Mancio tem muito crédito com a torcida.

Os problemas a serem corrigidos são muitos. A defesa não tem passado segurança, muito porque os laterais são bastante ofensivos e vivem má fase – com isso, Ranocchia e Juan ficam bastante expostos. Vidic, uma das piores contratações da temporada europeia, nem se ambientou e parece destinado a fazer as malas, assim como M’Vila. Medel também não entrou bem no time, e o meio-campo também tem em Guarín e Hernanes dois jogadores que rendem menos que o que podem produzir. Palacio, então, nem se fala. Totalmente desacreditado, vive fase muito negativa, que espera ter encerrado quando, na 16ª rodada, espantou um jejum de 225 dias sem marcar gols. Entre os destaques, a Inter pode agradecer por ter em Handanovic um paredão, especialista em pegar pênaltis, e também por estar vendo Kovacic, um dos melhores meias em circulação pela Europa, começar a desabrochar. Icardi continua marcando seus gols, mas está menos decisivo que no ano anterior. Os três, de qualquer forma, formam a espinha dorsal à qual Mancini confiará o seu trabalho. Trabalho que só poderá evoluir caso reforços cheguem em janeiro para que o treinador possa moldar a equipe ao seu gosto, com um jogo forte pelos flancos.

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