Serie A

31ª rodada: A erupção do Vesúvio

Destempero de Higuaín foi o retrato de um Napoli que ruiu e viu a Juve disparar (Getty)

Ano 79 depois de Cristo: o vulcão Vesúvio, localizado a poucos quilômetros de Nápoles, entrou em erupção e destruiu a cidade de Pompeia, matando 16 mil cidadãos da região. Pouco mais de dois milênios depois, outra explosão afetou a Campânia: Higuaín entrou em colapso num dia em que o Napoli foi destruído em pedacinhos pela Udinese. Melhor para a Juventus, que abriu seis pontos de vantagem na liderança e ainda contará com uma longa suspensão ao Pipita. Título nas mãos?

Udinese 3-1 Napoli
Bruno Fernandes (pênalti), Bruno Fernandes (Zapata), Théréau (Widmer) | Higuaín

Tops: Widmer e Bruno Fernandes (Udinese) | Flops: Koulibaly e Higuaín (Napoli)

O que Higuaín dá, Higuaín tira. O Pipita, que chegou aos 30 gols na temporada com um canhão de fora da área, teve uma rodada muito negativa, em que pese o gol feito: foi o retrato do time do Napoli, que jogou mal, demonstrou muito nervosismo e sem as virtudes que o colocaram na parte alta da tabela. Pouco depois de tomar cartão amarelo por reclamação acintosa, o argentino deu uma cotovelada em Felipe, foi expulso e ainda empurrou o árbitro Irrati (sem contar que teve de ser arrastado para fora do campo). Segundo a Gazzetta dello Sport, deve receber quatro jogos de suspensão, perdendo os duelos contra Inter e Napoli. Sarri também foi expulso, mas deve ficar nas tribunas apenas uma vez.

Contra uma Udinese renovada e com duas vitórias nas duas partidas em que foi comandada por De Canio, o Napoli ruiu: sentiu a pressão da vitória da Juventus e a lesão de Reina, que deu lugar a Gabriel. Ninguém jogou bem – as partidas de Higuaín, Koulibaly, Albiol, Ghoulam e Gabriel foram horrendas – e a vitória do time da casa foi merecidíssima. Vale destacar que Bruno Fernandes, autor de dois gols, ainda perdeu um pênalti – se redimiu depois, com um golaço de voleio – e que Théréau, com um bonito gol, chegou a nove gols na temporada. Com a vitória na Dacia Arena os friulanos devem escapar do rebaixamento.

Juventus 1-0 Empoli
Mandzukic (Pogba)

Tops: Pogba (Juventus) e Bittante (Empoli) | Flops: Pereyra (Juventus) e Maccarone (Empoli)

No sábado, a Juventus fez o simples e colocou pressão no Napoli – que, como dissemos, não aguentou a barra. Em uma partida bem jogada, Juve e Empoli fizeram um primeiro tempo de bom nível e com chances para ambos os lados: de um lado, Mandzukic chutou em cima de Skorupski e Morata carimbou a trave; do outro, Saponara isolou na pequena área e Pucciarelli testou Buffon. Foi Mandzukic que abriu o placar, após lançamento açucarado de Pogba, melhor em campo.

Na segunda etapa, a Juventus controlou o jogo e sofreu pouco – na verdade, teve chances de ampliar com Pogba, Morata, Asamoah e Zaza. Com o pentacampeonato praticamente encaminhado, a Velha Senhora deve começar a se poupar nas sete últimas partidas da Serie A pensando em chegar inteira na final da Coppa Italia, já que visa garantir a dobradinha outra vez. Para o Empoli, escapar do rebaixamento é uma algo virtual, que a matemática deve transformar em realidade em algumas semanas.

Lazio 1-4 Roma
Parolo (Klose) | El Shaarawy (Digne), Dzeko, Florenzi, Perotti

Tops: Perotti e Digne (Roma) | Flops: Hoedt e Bisevac (Lazio)

Como era de se esperar, um jogaço entre Lazio e Roma. Dessa vez, a equipe de Spalletti, em franca ascensão – são nove vitórias e um empate em dez jogos – aproveitou o momento negativo de uma rival com vários desfalques em uma defesa pouco sólida e aplicou uma goleada histórica no dérbi da capital. Com o resultado, os romanistas ficam muito perto de garantirem a terceira posição na Serie A e almejam o vice-campeonato para ficarem com a vaga direta na Liga dos Campeões. Já a Lazio, que não bate a Roma no clássico desde 2013, demitiu o técnico Pioli e Simone Inzaghi, irmão de Pippo e ex-treinador do time sub-20 celeste, será o interino até o fim de 2015-16. A Lazio não disputa mais nada nesta temporada.

Em campo, a Roma foi superior desde o início, e foi embalada por duas contratações de janeiro: el Shaarawy e Perotti, que fizeram o time subir demais de produção. Os giallorossi abriram o placar com o egípcio, que subiu sozinho e, de cabeça, não deu chances a Marchetti e, já no segundo tempo, ampliaram: o argentino chutou na trave e Dzeko, no rebote, anotou. Um erro bobo de Szczeny permitiu que Parolo reabrisse a partida, mas a Roma marcou outras duas vezes pouco depois (uma delas com Perotti) e decretou a goleada. Vale destacar que Florenzi, autor de um dos gols, foi o capitão do time no clássico. Único romano em campo pelo lado giallorosso, justo em um dia em que De Rossi e Totti (provavelmente em seu último dérbi) não saíram do banco. Sinal dos tempos.

Inter 1-2 Torino
Icardi | Molinaro (Maxi López), Belotti (pênalti)

Tops: Maxi López e Bovo (Torino) | Flops: Miranda e Santon (Inter)

Mais uma vez um tiro no pé. Desde 2012, a Inter desperdiça chances de se aproximar de seus objetivos ao perder o equilíbrio em partidas fundamentais, quase sempre quando seus adversários diretos tropeçaram na mesma rodada – esta é a fórmula que afasta os nerazzurri da Liga dos Campeões, competição que o time não joga desde 2011-12.

No duelo entre Icardi e Maxi López, melhor para o loiro, que viu seu rival abrir o placar no primeiro tempo, depois de domínio da Inter, mas virou o jogo no segundo tempo. Maxi se aproveitou da queda técnica e psicológica de Miranda para ganhar do brasileiro no pivô e servir um desmarcado Molinaro, autor do gol de empate. Após a expulsão de Miranda, Nagatomo também recebeu cartão vermelho, em pênalti discutível, convertido por Belotti. Enquanto o Torino vai se estabelecendo no meio da tabela, a Inter terá de se contentar com uma vaga na Liga Europa.

Fiorentina 1-1 Sampdoria
Ilicic (Borja Valero) | Álvarez

Tops: Borja Valero (Fiorentina) e Viviano (Sampdoria) | Flops: Babacar (Fiorentina) e Correa (Sampdoria)

Apesar do 1 a 1 no placar, Fiorentina e Sampdoria fizeram uma partida muito movimentada, com bastante técnica e duelos entre atacantes e goleiros. Na volta de Montella e Viviano ao Artemio Franchi (o primeiro, ex-técnico, e o segundo ex-goleiro e torcedor da Viola), a Sampdoria ficou com um resultado mais satisfatório, em uma partida na qual o empate foi o resultado mais justo. No entanto nem a Fiorentina, que só não perdeu a 4ª posição por um tropeço da Inter, nem a Sampdoria, ainda ameaçada pelo rebaixamento, ficaram plenamente agraciadas com o ponto conquistado.

Os gols saíram no primeiro tempo: Ilicic tabelou bonito com Borja Valero e abriu o placar para os florentinos, e Álvarez chutou de fora da área para empatar, contando com a colaboração de Tatarusanu. No resto do jogo, antes e depois dos gols, tanto Viviano quanto Tatarusanu foram muito exigidos. O italiano fez duelo pessoal com Ilicic, e uma vez fez defesa de cinema, enquanto em outra oportunidade apenas torceu, quando a bola explodiu na trave. Já o romeno teve Quagliarella como oponente principal e fez duas defesaças, além de ver um dos chutes do atacante bater na trave. De tirar o fôlego.

Atalanta 2-1 Milan
Pinilla (Masiello), Gómez (De Roon) | Luiz Adriano

Tops: Pinilla e Paletta (Atalanta) | Flops: Bertolacci e Bacca (Milan)

No dia da morte de uma de suas lendas, o ex-zagueiro e técnico Cesare Maldini, o Milan caiu. Os rossoneri saíram na frente, com um pênalti prematuro convertido por Luiz Adriano, mas permitiram a virada dos nerazzurri. Pinilla, o atacante que mais faz gols de bicicleta atualmente, garantiu mais um golaço a seu estilo e Papu Gómez, na segunda etapa, deu números finais ao jogo. O Milan teve duas grandes chances, com pancadas de Balotelli e Ménez, mas Sportiello e Cigarini salvaram a pele de La Dea. A Liga dos Campeões se tornou inalcançável para o Diavolo nesta temporada, então garantir a 6ª posição é o atual objetivo da equipe para voltar às competições europeias – a outra possibilidade é o título da Coppa Italia. A Atalanta, que não vencia há 14 rodadas até a semana passada, chegou ao segundo triunfo consecutivo e respirou.

Carpi 1-3 Sassuolo
Gagliolo (Pasciuti) | Sansone (Defrel), Defrel (Sansone), Acerbi (Sansone)

Tops: Sansone e Defrel (Sassuolo) | Flops: Romagnoli e Mancosu (Carpi)

O sonho do Sassuolo continua vivo: com 48 pontos, os neroverdi encostaram no Milan, 6º colocado, e continuam vivos na luta por uma inédita vaga na Liga Europa. No duelo de equipes emilianas o que se viu foi uma partida aberta, com muitas chances para ambos os lados. Porém, o Sassuolo aproveitou melhor as falhas da defesa carpigiana, contando com a rapidez, a habilidade e o poder de finalização de Defrel e Sansone, autores de dois gols no primeiro tempo – Acerbi, sozinho, definiu o placar. O Carpi continua fora da zona de descenso, mas poderia ter conseguido melhor resultado se Cofie e Mancosu tivessem aproveitado duas cochiladas da defesa neroverde.

Genoa 4-0 Frosinone
Suso, Suso, Rigoni, Suso

Tops: Suso e De Maio (Genoa) | Flops: Pavlovic e Blanchard (Frosinone)

Nem mesmo o Liverpool acreditava que Suso seria capaz de uma atuação desse nível quando o contratou junto ao Cádiz. O meia-atacante canhoto, emprestado ao Genoa pelo Milan, marcou três golaços (todos com a esquerda, com chutes fortes e de muita técnica) e definiu a partida para seu time, que já está no meio da tabela e praticamente afastou o medo de ser rebaixado. Para o Frosinone o sonho da permanência na elite ainda está vivo, embora a tabela dos gialloblù nas últimas rodadas seja complicada: enfrenta Inter, Sassuolo e Napoli, além de ter confronto direto contra o Verona.

Chievo 3-1 Palermo
Cacciatore, Rigoni (Cacciatore), Birsa | Gilardino

Tops: Cacciatore (Chievo) e Gilardino (Palermo) | Flops: Castro (Chievo) e Lazaar (Palermo)

No terceiro jogo sob o comando de Novellino o Palermo ainda não ganhou forma. Os rosanero continuam na zona de rebaixamento com o 3 a 1 diante do Chievo, placar criado a partir de falhas defensivas ingênuas, como as dos gols de Cacciatore e Rigoni, esquecidos por Lazaar e Struna. Nem mesmo bons valores, como Hiljemark e Gilardino dão algum alento aos palermitanos, que dão a impressão de que só não serão rebaixados em caso de incompetência dos adversários. Para o Chievo, 9º colocado com 41 pontos, o final de temporada vale apenas para garantir marcas pessoais para os jogadores e a animação de uma torcida acostumada a pouca festa.

Bologna 0-1 Verona
Samir (Viviani)

Tops: Samir e Wszolek (Verona) | Flops: Mounier e Maietta (Bologna)

Estreia de ouro. A primeira partida do zagueiro Samir com a camisa do Verona terminou com um gol decisivo para o ex-flamenguista: foi a primeira vez que o Hellas venceu fora de casa nesta Serie A. A vitória deixa os veroneses com 22 pontos, seis a menos do que o Carpi, primeiro time fora da zona, e com o sonho de ainda poder fazer o milagre acontecer. Se, de um lado, Toni foi deixado de fora do time por escolha técnica (justo em dia de vitória, o que dá, de certa forma, razão a Delneri), do outro, os lesionados Destro e Floccari têm feito falta ao Bologna. O time de Donadoni não acertou uma bola no gol, não vence há seis partidas, e na próxima rodada, diante da Roma, também não contará com Giaccherini, suspenso.

*Os nomes entre parênteses nos resultados indicam os responsáveis pelas assistências para os gols

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Seleção da rodada

Viviano (Sampdoria); Widmer (Udinese), Bovo (Torino), Samir (Verona), Digne (Roma); Suso (Genoa), Bruno Fernandes (Udinese), Pogba (Juventus), Perotti (Roma); Sansone (Sassuolo), Pinilla (Atalanta). Técnico: Luciano Spalletti (Roma).

1 comentário

  • Eu já tinha comentado aqui no final do primeiro turno: a briga está entre Napoli e Juventus, sendo que aquele ficará pelo caminho. E é o que estamos vendo, faltando apenas 21 pontos a se disputar. Creio que o campeonato há esta decidido a favor da Juve, tanto pela maturidade como pela disciplina tática da Vecchia Signora. Na parte de baixo já temos um decepcionante Hellas Verona rebaixado.

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