Seleção italiana

Preguiça e placar magro: Itália vai mal, mas bate Israel

Se você assistiu, você dormiu – ou pensou nisso, pelo menos. A Itália tinha a chance de curar a ressaca da impactante derrota para a Espanha com um resultado e uma atuação convincentes diante da frágil seleção de Israel. O que aconteceu não foi nem uma coisa nem outra: os azzurri jogaram mal, chegaram a correr riscos e venceram por apenas 1 a 0. Nada alentador para o momento da Nazionale.

Combinado com o tropeço da Albânia frente à Macedônia, o triunfo em Reggio Emilia praticamente garante a Itália na repescagem, é verdade. Basta apenas um ponto para que os comandados de Ventura não sejam mais alcançados pelos albaneses. Mas alguém esperava que italianos e espanhóis corressem riscos reais no Grupo G?

Antes do jogo, Carlo Tavecchio (presidente da Figc) chegou a falar em “apocalipse”, no caso de não classificação para a Copa de 2018. Pressionava, clara e publicamente, Ventura e os jogadores. Para abafar parcialmente o discurso alarmista do pós-Bernabéu, confirmar o que está previsto e chegar com força aos play-offs, a seleção italiana precisava demonstrar organização e vontade de superar o desastre de sábado. Não mostrou nada disso contra os israelenses e preocupou a torcida, que chegou a vaiar a equipe em alguns momentos.

O primeiro tempo foi absolutamente sofrível. Ventura propôs novamente o 4-2-4, como forma de mostrar que o esquema tático ainda pode dar frutos para a seleção. Porém, nem parecia que a Itália jogava em um módulo extremamente ofensivo: fora alguns cruzamentos sem perigo na área e duas oportunidades, com Belotti no primeiro minuto, e com Insigne aos 43 minutos, Israel nada sofreu. Pelo contrário, foi Buffon que precisou trabalhar, ao defender um chute forte do volante Cohen. Ainda houve um gol anulado, um corte providencial de Conti sobre Shechter e outra jogada perigosa invalidada por impedimento – tudo a favor dos visitantes.

No segundo tempo, a Itália melhorou levemente e pelo menos não correu mais riscos. Zappacosta substituiu Conti (que sofreu entorse no tornozelo) e fez uma dupla melhor cm Candreva pelo lado direito. Pelo outro lado, Insigne seguiu completamente isolado e, no esquema de Ventura, não consegue mostrar o melhor de seu futebol – assim como seu amigo Verratti.

Vale sacrificar os dois jogadores mais técnicos da geração para que Candreva brilhe com chuveirinhos para Belotti e Immobile? Hoje o gol que decidiu a partida saiu assim – mas graças a um desvio em Davidzada, o que deixou a bola na medida para o atacante da Lazio marcar, de cabeça. Também foi em um cruzamento que o camisa 9 do Torino testou o goleiro Harush. No entanto, é muito pouco para uma seleção que pode render muito mais e que tem peças mais talentosas, que ainda não receberam tantas chances com a camisa azzurra.

Ventura vive o seu pior momento na seleção. Hoje, enfrenta a impopularidade em meio aos torcedores do Belpaese e vê suas escolhas táticas e técnicas serem questionadas. Talvez até pelos próprios jogadores, que não se mostraram muito comprometidos ou confiantes como o 4-2-4. Quando entrar em campo novamente pelas Eliminatórias, a Itália já precisará ter superado todos os efeitos do desastre do Santiago Bernabéu. E isso inclui uma séria autoavaliação de Gian Piero Ventura sobre suas escolhas: de futebol e de jovens jogadores ele entende. Só não precisa inventar.

Itália 1-0 Israel

Itália (4-2-4): Buffon; Conti (Zappacosta), Barzagli, Astori, Darmian; Verratti (Montolivo), De Rossi; Candreva (Bernardeschi), Belotti, Immobile, Insigne. Técnico: Gian Piero Ventura.

Israel (4-1-4-1): Harush; Keltjens, Ben Haim, Tzedek, Davidzada; Natkho; Melikson (Ben Chaim), Kabha, Cohen (Einbinder), Rafaelov; Shechter (Benayoun). Técnico: Elisha Levy.

Gol: Immobile.
Local:
Mapei Stadium – Città del Tricolore, em Reggio Emilia (Itália).
Árbitro: Benoît Bastien (França).

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