Serie A

19ª rodada: inverno azul

Tchau, 2017. Tchau, primeiro turno da Serie A. A última rodada do Campeonato Italiano neste ano não foi das mais primorosas tecnicamente e nem prolífica: em ritmo de Natal e réveillon, os times só marcaram 18 gols. Foi a menor quantidade de redes balançadas na atual edição do torneio.

Juventus e Napoli fecharam o ano em alta, mas quem comemora mais é o time azul. Campeão de inverno, o esquete de Sarri busca agora seguir a tendência histórica – em 68,2% das vezes, o líder na virada de turno ficou com o scudetto. A Campânia, aliás, está em festa: a outra equipe da região, o Benevento, finalmente conseguiu sua primeira vitória na elite. Confira o resumo da rodada e boas festas!

Crotone 0-1 Napoli
Hamsík (Allan)

Tops: Hamsík e Allan (Napoli) | Flops: Simic e Trotta (Crotone)

A sorte mudou mesmo de lado para Hamsík. Depois de ficar dois meses sem marcar, há três rodadas o capitão partenopeu retornou às redes com o gol que lhe igualou a Maradona na artilharia do clube; na semana seguinte voltou a deixar o dele, se tornando o maior artilheiro napolitano, e pela terceira vez seguida guardou o seu – algo que não lhe acontecia desde 2016. Dessa vez, o capitão ainda foi decisivo para a vitória fora de casa do Napoli: os visitantes tiveram bastante volume de jogo, mas o goleiro Cordaz poucas vezes foi ameaçado até o eslovaco abrir o placar. Somente com a vantagem é que o time visitante obrigou o capitão do Crotone a fazer três intervenções decisivas para evitar uma derrota maior.

Os três pontos na Calábria deram à equipe de Sarri a melhor campanha na primeira divisão em 2017, com 99 pontos em 39 partidas, sofrendo apenas duas derrotas e marcando 96 gols. Sem esquecer da invencibilidade fora de casa: com 18 vitórias e dois empates, o Napoli foi o único time das cinco grandes ligas europeias a conquistar o feito na temporada. A equipe azzurra perdeu longe de Nápoles apenas na Liga dos Campeões e na Coppa Italia.

A vitória apertada contra o Crotone garantiu ainda o título simbólico de campeão do inverno, conquistado pela quinta vez pelo clube. A curiosidade é que 10 dos últimos 11 líderes do campeonato no final do primeiro turno foram campeões, e a exceção foi justamente o Napoli de duas temporadas atrás. O retorno à boa forma de Hamsík é uma ótima notícia para os napolitanos finalmente quebrarem esse tabu.

Verona 1-3 Juventus
Cáceres | Matuidi, Dybala (Lichtsteiner) e Dybala (Chiellini)

Tops: Cáceres (Verona) e Dybala (Juventus) | Flops: B. Zuculini (Verona) e Bentancur (Juventus)

Nada como um bom chá de banco para recuperar o pique. Em baixa no último mês, Dybala saiu como herói da primeira partida como titular após três rodadas e garantiu a 15ª vitória no campeonato. Um triunfo que poderia ter sido conquistado com muito mais tranquilidade para a Juventus, que jogou praticamente em casa num Marcantonio Bentegodi lotado e cheio de torcedores da Velha Senhora. De qualquer forma, os três pontos foram assegurados e serviram para abrir vantagem na segunda posição e manter a curta distância para o Napoli. Já o Verona, que foi páreo duro e flertou com a virada, não teve sua situação alterada, permanecendo na zona de rebaixamento, dois pontos atrás do Crotone.

Para acabar com o tabu de uma década sem vencer em Verona, a Velha Senhora começou agressiva, marcando alto e chegando naturalmente e sem resistência à área adversária. Com menos de seis minutos o placar foi inaugurado: depois de finalização na trave de Higuaín, Matuidi aproveitou o rebote e mesmo com chute torto conseguiu marcar seu segundo gol no campeonato. A vantagem deu tranquilidade para o time de Allegri controlar a partida, contudo a equipe bianconera falhou em ampliar, com destaque para chance clara perdida por Higuaín.

O Verona, que chegou algumas vezes com Rômulo, Daniel Bessa e Verde, ameaçou o gol adversário somente no segundo tempo, e logo na primeira oportunidade conseguiu o empate. Depois de saída errada de Matuidi, o ex-bianconero Cáceres recuperou a bola e soltou o pé de fora da área, comemorando com ares de despedida do clube, já que se transferirá para a Lazio na janela de inverno. O gol despertou os visitantes, e depois de muita pressão, sobretudo com o garoto Kean, começou a brilhar a estrela de Dybala. O argentino estava apagado, mas completou passe de Lichtsteiner, após uma jogada heroica do suíço, que sofreu forte dividida com Cáceres, e fez o segundo. O terceiro saiu em uma jogada individual, na quele ele passou pela marcação e finalizou novamente com a perna direita – antes deste sábado, havia feito apenas dois gols com a destra em toda a carreira.

Inter 0-0 Lazio
Tops: Ranocchia (Inter) e De Vrij (Lazio) | Flops: Candreva (Inter) e Luis Alberto (Lazio)

Em confronto direto por vaga na Liga dos Campeões, prevaleceu o medo. Inter e Lazio, que normalmente fazem partidas movimentadas e quentes, seguiram a amizade das torcidas e não fizeram muito para sair do zero. Os times até se agrediram, mas finalizaram pouco – em parte pelas grandes atuações dos sistemas defensivos. Cancelo, Ranocchia e Santon foram bem no lado nerazzurro, enquanto Bastos e De Vrij se destacaram pelos celestes. As poucas intervenções de Handanovic e Strakosha, no entanto, foram decisivas: o esloveno salvou contra Felipe Anderson e o albanês foi providencial diante de Perisic e Borja Valero.

O empate não favoreceu nenhuma das duas equipes, já que a Inter perdeu oportunidade de se distanciar da Roma e viu Napoli e Juventus ampliaram a vantagem no topo da tabela. Para a Lazio, que foi melhor em campo, teve mais volume de jogo e as chances mais claras, fica a sensação de desperdício. A equipe de Inzaghi não aproveitou o momento ruim do adversário e o tropeço da rival giallorossa.

Roma 1-1 Sassuolo
Pellegrini (Dzeko) | Missiroli (Peluso)

Tops: Dzeko (Roma) e Acerbi (Sassuolo) | Flops: Schick (Roma) e Matri (Sassuolo)

Nada como uma romada para encerrar o ano. Em jogo incrivelmente equilibrado, Roma e Sassuolo tiveram um dos poucos confrontos da rodada que não foram marcados pela ressaca de final de ano. Enquanto os anfitriões tiveram o domínio da bola, os visitantes criaram mais chances claras. Contudo, o protagonista foi mesmo o árbitro de vídeo. Com duas intervenções decisivas e corretas, o VAR anulou dois gols que poderiam ter garantido uma vitória que colocaria os donos da casa na terceira posição.

Apesar do volume de jogo criado por Dzeko e Perotti, os visitantes fizeram justiça no placar. Os comandados de Iachini ameaçaram algumas vezes o gol de Alisson e ainda tiveram o trunfo de anular os grandes laterais adversários, mas custaram a conseguir o gol de empate. Isso porque, depois de Pellegrini cumprir a lei do ex no primeiro tempo, apenas aos 77 minutos o bravo time emiliano chegou à igualdade, graças a um gol de Missiroli, após cruzamento de Peluso. Passado o drama do final e os gols anulados, a partida também marcou a despedida dos gramadas de Paolo Cannavaro, que interrompeu seu vínculo com o clube 6 meses antes do previsto e será assistente técnico do seu irmão Fabio, na China.

O zagueiro Paolo Cannavaro teve boa atuação em sua despedida do futebol profissional (LaPresse)

Sampdoria 2-0 Spal
Quagliarella (pênalti) e Quagliarella (Kownacki)

Tops: Quagliarella e Torreira (Sampdoria) | Flops: Floccari e Mattiello (Spal)

Fergie Time ou Quagliarella Time? Em rodada em branco de Higuaín e Icardi, o veterano atacante contou com os acréscimos para ampliar sua contagem histórica na Serie A: o camisa 27 é o jogador em atividade com mais gols na primeira divisão, e tem a impressionante marca de ter anotado contra 36 clubes diferentes. Os dois gols foram fundamentais também para quebrar a sequência negativa da Sampdoria em dezembro e deixar para trás os cinco jogos sem triunfos. A Samp também acabou aproveitando o tropeço da Atalanta para recuperar a vantagem na zona europeia. O time de Giampaolo tem um jogo a menos e três pontos de gordura em relação aos bergamascos.

Tamanho drama para conquistar a vitória se deu por causa falta de pontaria dos blucerchiati, que tiveram grande volume de jogo e o domínio da partida contra a Spal. Os donos da casa, contudo, também cederam algumas oportunidades aos visitantes, e somente com a confirmação do árbitro de vídeo na marcação da penalidade no último minuto do tempo normal conseguiram abrir o placar. Logo depois de converter a cobrança, Quagliarella fez seu 12º na temporada, já aos 93 minutos de jogo. Para a Spal, uma derrota que a deixa na zona de rebaixamento e ratifica o desempenho abaixo da expectativa do time de Ferrara na retorno à elite depois de quase sete décadas.

Fiorentina 1-1 Milan
Simeone (Biraghi) | Çalhanoglu

Tops: Simeone (Fiorentina) e Donnarumma (Milan) | Flops: Astori (Fiorentina) e Bonaventura (Milan)

No primeiro jogo de sábado, performance correspondente ao horário – início de manhã no Brasil e em pleno almoço na Itália. Fiorentina e Milan custaram a criar chances, e enquanto os anfitriões só acordaram depois de pedirem a expulsão de Romagnoli após entrada duríssima em Simeone, no final do primeiro tempo, os visitantes contaram com as entradas de Çalhanoglu e André Silva para reagirem e empatarem rapidamente. Um empate, que, claro, não favoreceu nem ao time de Pioli nem ao de Gattuso: os dois times encerram o primeiro turno fora da zona europeia.

O jogo demorou para tomar um rumo. Depois de boa parte do primeiro tempo em ritmo lento e sem grandes oportunidades, somente na reta final os anfitriões passaram a atacar os visitantes, exigindo intervenções decisivas de Donnarumma. Um cenário que se repetiu ao longo da segunda etapa até o gol inaugural marcado por Simeone, que já vinha dominando Bonucci ao longo da partida, e novamente superou o zagueiro para completar cruzamento de Biraghi. O Milan, que tinha melhorado um pouco com Çalhanoglu, ganhou maior presença ofensiva com André Silva, que ocupou a defesa adversária. Em uma distração fatal de Astori e Sportiello, inclusive, o turco conseguiu o empate, três minutos depois do primeiro gol.

Bologna 1-2 Udinese
Danilo (contra) | Widmer (Adnan) e Lasagna (De Paul)

Tops: Destro (Bologna) e Widmer (Udinese) | Flops: Masina (Bologna) e Danilo (Udinese)

Cinco jogos, cinco vitórias: nenhuma equipe teve melhor retrospecto que a Udinese de Oddo em dezembro. A equipe friulana começou a temporada flertando com a zona de rebaixamento – um fato repetido nos últimos anos com frequência – e agora sonha com a zona europeia. Apenas três pontos separam os friulanos da Sampdoria, lembrando ainda que ambos têm um jogo a menos. Entre matar ou morrer (são nove vitórias e nove derrotas em 18 partidas), os bianconeri têm sobrevivido, com destaque para alguns personagens.

Se os checos Barák e Jankto passaram em branco dessa vez, Ali Adnan, “o Bale iraquiano”, e Widmer estão voando pelas laterais. Foi com a dupla que saiu o gol de empate bianconero, depois de Danilo ter cometido um erro feio e ter marcado um gol contra, aos 26 minutos. O ala iraquiano cruzou e o lateral suíço aproveitou a grande chance para marcar de cabeça, dez minutos depois. A igualdade no placar devolveu a confiança aos visitantes. Não à toa, pouco depois da volta do intervalo, com De Paul no lugar do sumido Maxi López, Lasagna aproveitou a assistência do camisa 10 para virar o placar e igualar o feito do goleador Di Natale: ambos marcaram em cinco rodadas seguidas pelo clube.

O Benevento venceu, mas ainda é o pior time da história da Serie A (Ansa)

Benevento 1-0 Chievo
Coda (D’Alessandro)

Tops: Coda e Lucioni (Benevento) | Flops: Birsa e Cacciatore (Chievo)

Antes tarde do que nunca. O estreante Benevento precisou de 19 partidas para finalmente conquistar sua primeira vitória na Serie A. O time de De Zerbi, que teve um tímido crescimento nas últimas rodadas, mas seguia tropeçando, ganha um gás fundamental para começar o segundo turno com outro espírito. A diferença, contudo, segue brutal: com apenas quatro pontos conquistados, a equipe campana está 11 atrás do primeiro time fora da zona de rebaixamento. O exemplo do Crotone segue vivo, mas é bom lembrar que, mesmo com o triunfo, a equipe sannita ainda tem o pior aproveitamento da história do campeonato.

O desesperado Benevento teve pela frente um Chievo relaxado, que parece disperso depois de ter alcançado os 20 pontos. A equipe de Maran continua estacionada no meio da tabela, mas agora há cinco rodadas sem vencer. Os anfitriões pressionaram bastante para conseguir a vitória e dominaram os adversários durante todo o jogo. Coda finalmente conseguiu marcar o seu gol, enquanto Sorrentino evitou vergonha maior para os visitantes: o goleiro fez oito defesas na partida.

Atalanta 1-2 Cagliari
Gómez (Rafael Tolói) | Pavoletti (Cigarini) e Padoin (Diego Farias)

Tops: Ceppitelli e Rafael (Cagliari) | Flops: Spinazzola e Gollini (Atalanta)

Um time chutou 25 vezes e teve 69% de posse de bola; o outro venceu. Foram apenas quatro finalizações, e duas bastaram para o Cagliari garantir uma vitória inesperada em Bérgamo. Os isolani não venciam havia seis partidas e seguem sem empolgar (mesmo com muito investimento e expectativa), mas parece que a proximidade com a zona de rebaixamento serviu de combustível para fazer o time garantir sua vantagem logo cedo no Atleti Azzurri d’Italia. Para frear a empolgação da Atalanta e suas oito partidas de invencibilidade, os sardos contaram ainda com dois ex-nerazzurri.

Se Ceppitelli e Rafael foram os heróis inesperados na defesa, dos pés de Cigarini e Padoin saíram os gols do Cagliari. O regista cobrou o escanteio finalizado de cabeça por Pavoletti, que abriu o placar logo aos cinco minutos, contando com a falta de ritmo do goleiro Gollini. Por sua vez, o versátil meio-campista guardou o segundo também na etapa inicial, após falha conjunta da defesa: Gollini passou para Spinazzola na fogueira e o lateral acabou tendo a posse roubada na origem da jogada. Considerado o melhor em campo pelas estatísticas, Gómez foi o líder em chutes, dribles e chances criadas, mas demorou demais para conseguir furar a retranca visitante. Na verdade, quem furou foi Rafael Tolói, que deu uma assistência de cavadinha para o argentino marcar o seu gol, nos acréscimos do segundo tempo. Se serve de consolo, Papu voltou a balançar as redes na Serie A pela primeira vez desde setembro.

Torino 0-0 Genoa
Tops: Perin e Izzo (Genoa) | Flops: Niang e Valdifiori (Torino)

Acredite se quiser: uma partida envolvendo o Torino terminou sem gols. O fato é tão raro que aconteceu apenas pela segunda vez nesta temporada. Apesar do zero no placar, não se pode culpar o time de Mihajlovic por falta de tentativa: apesar dos desfalques de Belotti e Ljajic, atacou bastante o Genoa, que contou com uma tarde inspirada do goleiro Perin.

Como destacamos outras vezes, não tem sido fácil superar a defesa do time de Ballardini: desde que  o técnico chegou ao comando dos grifoni, a equipe sofreu apenas cinco gols em nove partidas, com apenas duas derrotas neste período. Inclusive, após o empate com o Toro, o Genoa já soma o sexto jogo sem sofrer gols na temporada. Enquanto o time genovês ampliou a vantagem para zona de rebaixamento para três pontos, o Torino é mais um time de muitos investimentos e expectativa que segue estacionado no meio da tabela. Os grenás devem comprar em janeiro.

*Os nomes entre parênteses após os autores dos gols se referem aos responsáveis pelas assistências

Seleção da rodada
Perin (Genoa); Ranocchia (Inter), De Vrij (Lazio), Acerbi (Sassuolo); Widmer (Udinese), Allan (Napoli), Torreira (Sampdoria), Hamsík (Napoli), Viola (Benevento); Dybala (Juventus), Quagliarella (Sampdoria). Técnico: Massimo Oddo (Udinese).

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