Serie A

37ª rodada: campeã pela sétima vez seguida, Juventus chega ao ‘número perfeito’ de títulos

Se apenas a matemática ainda não autorizava que a Juventus comemorasse o scudetto, a liberação finalmente chegou. Com o empate contra a Roma, a Velha Senhora se tornou a primeira heptacampeã consecutiva da história do futebol italiano – e apenas a segunda a atingir o feito nas cinco maiores ligas europeias. A Juventus ainda foi a primeira equipe a conquistar por quatro vezes em sequência a dobradinha local e Gigi Buffon se tornou o maior vencedor de títulos do Italiano: agora, o Superman tem nove.

A rodada ainda teve a definição da classificação da Roma para a Liga dos Campeões e do Milan para a Liga Europa. No entanto, as brigas pela última vaga na Champions League e contra o rebaixamento continuam quentes e só irão terminar no próximo fim de semana. O encerramento da Serie A promete!

Roma 0-0 Juventus

Tops: De Rossi (Roma) e Dybala (Juventus) | Flops: Nainggolan (Roma) e Bernardeschi (Juventus)

Para comemorar o sétimo scudetto seguido, a Juventus não precisou fazer muito esforço neste domingo – assim como a Roma, já classificada à Liga dos Campeões, também não mostrou o máximo de sua capacidade. No final das contas, o empate foi suficiente para a Velha Senhora chegar à última rodada com uma vantagem de quatro pontos sobre o Napoli e comemorar o título de forma antecipada. A Roma, por sua vez, precisa de outro pontinho para ficar matematicamente com a terceira finalização.

O fato de o jogo ter tido apenas uma finalização, aos 20 do segundo tempo, diz muito sobre o seu ritmo – nessa conta, não levamos em conta o gol bem anulado por impedimento de Dybala. Na etapa final, quando a partida parecia esquentar devido aos dois episódios citados acima, Nainggolan foi expulso por dois cartões amarelos recebidos num espaço de cinco minutos. Com a desigualdade numérica, os times se limitaram a trocar passes e a uma espécie de pacto de não agressão até o tempo acabar.

Sampdoria 0-2 Napoli
Milik (Allan) e Albiol (Mário Rui)

Tops: Milik e Albiol (Napoli) | Flops: Torreira e Ramírez (Sampdoria)

Após dois tropeços em série, que lhe custaram a possibilidade de continuar perseguindo a Juventus, o Napoli voltou a vencer. Com o triunfo sobre a Sampdoria, a equipe de Sarri chegou aos 88 pontos e acabou ficando com o vice-campeonato, mas estabeleceu dois recordes: o primeiro é o de maior quantidade de pontos somados pelos azzurri numa única temporada (superando os 87 de 2016-17) e o segundo é o de vice com melhor aproveitamento da história. A pontuação obtida pelos partenopei é uma das 10 maiores já estabelecidas por um time no campeonato – em caso de vitória na última rodada, será a quarta maior. Este feito mostra o quanto a atual Serie A foi nivelada por cima.

Durante boa parte do jogo, o Napoli parou em Belec, no seu próprio desânimo e num gol mal anulado de Mertens. O gol que abriu o placar saiu já na metade do segundo tempo, quando Milik acertou um chute no ângulo. Àquele momento, um grupo de torcedores racistas da Sampdoria, entoava cânticos preconceituosos direcionados aos napolitanos, o que acabou interrompendo a partida, aos 76 minutos – o presidente Ferrero precisou descer para o gramado para acalmar os ânimos. Depois da paralisação, Albiol aproveitou um cruzamento de Mário Rui e deu números finais ao duelo. O resultado ratificou a freguesia recente da Samp contra o Napoli e acabou com as chances dos blucerchiati beliscarem uma vaga na Liga Europa – e, de quebra, deu uma lição nas almas sebosas que estavam na arquibancada.

Inter 1-2 Sassuolo
Rafinha | Politano e Berardi

Tops: Consigli e Lemos (Sassuolo) | Flops: João Cancelo e Brozovic (Inter)

Acredite se quiser: mesmo com a surpreendente derrota em casa, a Inter ainda tem chances de disputar a próxima Liga dos Campeões. O sonho só não chegou ao fim porque a Lazio, rival direta e adversário da última rodada, não passou de um empate contra o Crotone: agora, os nerazzurri dependem de uma vitória simples em Roma para irem ao torneio continental. Diante do despretensioso Sassuolo, a Inter começou melhor e, dadas as devidas circunstâncias, o jogo parecia que tinha um dono. Faltou só combinar com Politano. Em bela cobrança de falta, por baixo da barreira, o atacante chegou ao décimo gol no campeonato (o sexto contra times da parte alta da tabela) e colocou o Sassuolo na frente.

A Inter sentiu o baque, quase levou o segundo, minutos depois, mas pouco a pouco foi retomando o controle. Foi aí que brilhou Consigli. O goleiro neroverde foi espetacular, parando Icardi no primeiro e no segundo tempo, em defesas dificílimas, cara a cara com o atacante argentino. A Inter era toda ataque e, consequentemente, deixava espaços na retaguarda. Em uma chegada despretensiosa, Berardi acertou um lindo chute de perna direita, no ângulo de Handanovic, para ampliar. O estádio se calou e a equipe milanesa sentiu o golpe. Rafinha recolou a Inter no jogo, com um gol a dez minutos do final. A partir daí a partida virou uma verdadeira pelada. Ataque da Inter e contra-ataque do Sassuolo, muitas vezes em vantagem numérica. Missiroli teve a chance de matar o jogo de um lado; enquanto Icardi e depois Skriniar quase igualaram o marcador, do outro. No fim das contas, o time de Iachinni foi valente e segurou a Inter até o apito final. Foi a segunda derrota consecutiva da Inter em seus domínios, algo que não ocorria há quase um ano.

Inter escorregou no Sassuolo, mas ainda pode obter vaga na Champions League na última rodada (Ansa)

Crotone 2-2 Lazio
Simy (Martella) e Ceccherini (Barberis) | Lulic (pênalti) e Milinkovic-Savic (De Vrij)

Tops: Cordaz (Crotone) e De Vrij (Lazio) | Flops: Sampirisi (Crotone) e Caicedo (Lazio)

Empate ruim para as duas equipes. Crotone e Lazio fizeram um jogo muito movimentado, no qual a vitória seria fundamental para ambos. Para a Lazio, valia a confirmação da vaga na Liga dos Campeões, enquanto para os calabreses poderia até mesmo garantir a permanência na elite. E a vitória esteve próxima para o time do sul da Itália até os instantes finais, quando Milinkovic-Savic igualou o marcador, chegando a seu 12º gol no campeonato e se tornando o meio-campista com mais gols na competição. O jogo foi cheio de emoções e teve a Lazio saindo na frente aos 6, com Lulic cobrando pênalti. Uma marcação muito criticada pelos jogadores e pelo treinador Walter Zenga, que reclamaram falta a favor dos donos da casa no início da jogada.

Como já tem se tornado um hábito, a Lazio não consegue controlar o jogo. Assim, com o apoio da torcida, o Crotone pressionou e chegou ao empate, com Simy. O nigeriano despontou nas últimas rodadas e chegou a seu sétimo gol na competição. O estilo ofensivo geralmente eficiente da Lazio dessa vez não funcionou. Os celestes tiveram pelo menos três oportunidades de ficar em vantagem, mas não aproveitaram. Se o ataque não funcionou, a defesa voltou a vacilar na segunda etapa: em cruzamento de Barberis, Ceccherini se redimiu da penalidade cometida e fez explodir o Ezio Scida. O time rossoblù quase selou a vitória, mas De Vrij salvou em cima da linha o chute de Rohdén. Quando a partida encaminhava-se para o fim, a Lazio apostou apenas nas bolas alçadas e conseguiu chegar ao empate, após De Vrij servir Milinkovic-Savic. Por um lado, Zenga ajudou a sua Inter a poder disputar vaga na Champions League contra a Lazio, na última rodada, mas o empate complica o Crotone: a equipe entrou na zona de rebaixamento e precisará pontuar no San Paolo contra o Napoli para tentar escapar da degola mais uma vez.

Atalanta 1-1 Milan
Masiello (Ilicic) | Kessié

Tops: Masiello (Atalanta) e Romagnoli (Milan) | Flops: Rafael Tolói (Atalanta) e Montolivo (Milan)

O dilúvio, as expulsões e o gol no finalzinho deram contornos épicos a uma partida que não teve tantas emoções assim. Atalanta e Milan entraram em campo para o duelo por vagas na Liga Europa com a garantia de que não seriam ultrapassados por terceiros nesta rodada – a derrota da Fiorentina, horas antes, deixou a dupla lombarda em ótimas condições para a classificação. Os milanistas, aliás, a confirmaram matematicamente com o empate. Falta definir, porém, se irão ao torneio continental diretamente na fase de grupos (se ficar na sexta posição) ou se terão que disputar a fase preliminar, em julho – em caso de sétimo lugar, com eventual tropeço contra a Fiorentina e vitória da Atalanta sobre o Cagliari no próximo fim de semana.

O primeiro tempo no Atleti Azzurri d’Italia foi carente de emoções e rico em faltas. O símbolo da etapa inicial foi a joelhada de Gómez nas costas de Biglia, companheiro de seleção argentina, o que quase provocou um quiprocó no gramado. Após o intervalo, coube a Kessié, ex-Atalanta, abrir o placar para o Milan: o marfinense não jogava bem, mas acertou um belo chute de fora da área. Pouco depois, Rafael Tolói foi expulso por aplaudir ironicamente o árbitro Guida e deixou o Milan mais próximo da vitória. Só que Montolivo, cria nerazzurra e substituto de Biglia, não deixou que sua equipe aproveitasse a superioridade numérica ao receber um vermelho direto por um carrinho desproporcional. Já nos acréscimos, a Atalanta empatou graças a uma cabeçada de Masiello – Donnarumma até espalmou, mas não conseguiu evitar o gol. Semana nada boa para o goleiro, que falhou em dois tentos na final da Coppa Italia e estremeceu mais ainda as suas relações com a torcida.

Fiorentina 0-1 Cagliari
Pavoletti (Lykogiannis)

Tops: Padoin e Lykogiannis (Cagliari) | Flops: Veretout e Biraghi (Fiorentina)

O Cagliari conquistou uma vitória dificílima e importantíssima na luta contra o rebaixamento. Os sardos foram até Florença e derrotaram a Fiorentina para deixar a zona de rebaixamento e depender apenas das próprias forças, para, em casa, buscar a permanência na elite. O feito se torna ainda maior diante do retrospecto recente da equipe da Sardenha. Antes do jogo, o time somava seis derrotas nos últimos oito jogos e havia sido derrotado em suas quatro últimas partidas como visitante.

Focado e determinado como no jogo contra a Roma, o Cagliari aproveitou-se também da apatia viola para controlar a partida e abrir o placar logo aos 20 minutos, com um gol de cabeça de Pavoletti. O fundamento é especialidade do atacante, que anotou seu nono dessa forma na temporada e se tornou o maior goleador no quesito, dentre as cinco principais ligas europeias. A Fiorentina demorou a reagir e apenas na segunda etapa deu trabalho ao goleiro Cragno. Sem conseguir empatar e vendo o Cagliari catimbar a partida, o a Fiorentina foi tomada pelo nervosismo, o que ficou explícito com a tola expulsão de Veretout – e do técnico Pioli, logo depois. A equipe viola, que empolgou seus torcedores nos últimos meses, com uma sequência de vitórias que a alçaram à parte de cima da tabela, praticamente disse adeus à possibilidade de disputar a Liga Europa. O empate entre Atalanta e Milan faz com que a Fiorentina precise vencer os milanistas, torcer por uma vitória do Cagliari sobre os nerazzurri e ainda tirar sete gols no saldo.

Crotone e Lazio fizeram um jogo brigado e o empate não foi bom para nenhuma das duas equipes (Ansa)

Torino 2-1 Spal
Belotti (Berenguer) e De Silvestri (Belotti) | Grassi (Antenucci)

Tops: Belotti e De Silvestri (Torino) | Flops: Everton Luiz e Schiavon (Spal)

O Torino despediu-se de seus torcedores na atual temporada com uma vitória de virada, contra a Spal. O Toro, após um primeiro tempo insosso, reagiu na segunda etapa, como pedia ao longo da semana o técnico Walter Mazzarri, e entregou-se de corpo e alma com uma grande apresentação de Belotti. O Galo, que apesar das especulações, teve sua permanência confirmada confirmada pela diretoria para a próxima temporada, anotou o gol de empate, seu 10º na temporada (o nono no estádio Olímpico), empatando o confronto e trazendo o jogo para o controle granata.

Até então, o Torino não conseguia furar a defesa biancazzurra, embora fosse superior. A Spal tinha aberto o placar no primeiro tempo, com Grassi, e chegou até a estar escapando do rebaixamento em alguns momentos da rodada. No entanto, a pressão grená durante toda segunda etapa deu resultado: além do empate, a virada chegou no fim da partida, com De Silvestri, que garantindo a vitória. Agora, os spallini vão para a rodada final em situação complicada, precisando vencer a Sampdoria para não depender de seus rivais diretos contra o rebaixamento.

Bologna 1-2 Chievo
Verdi (pênalti) | Giaccherini (Castro) e Inglese (Gobbi)

Tops: Giaccherini e Inglese (Chievo) | Flops: Destro e De Maio (Bologna)

O Chievo ainda não se garantiu matematicamente na Serie A da próxima temporada, mas vê a salvezza bem próxima. O time do Vêneto bateu o Bologna no Renato Dall’Ara e, dependendo dos outros resultados, pode até tropeçar diante do já rebaixado Benevento para garantir mais uma participação na elite. Embora já tenha assegurado a permanência, o Bologna despediu-se de sua torcida sob protestos provocados pela fraca campanha no segundo turno, período em que o clube somou apenas 15 pontos – além de uma vitória nos últimos 11 jogos.

No duelo, os rossoblù foram melhores na primeira etapa e abriram o placar logo no início, com pênalti cobrado por Verdi, e tiveram chances de aumentar a vantagem. Aos poucos o Chievo foi se soltando e chegou ao empate no começo do segundo tempo, com um golaço de Giaccherini, que acertou no ângulo um sem pulo de canhota. O gol deixou os comandados de Donadoni confusos e os veroneses souberam aproveitar. Inglese se livrou de dois defensores e, em boa jogada, anotou seu 11º gol na Serie A. Com a melhor marca da carreira, pode estar se despedindo do clube com participação fundamental na campanha.

Verona 0-1 Udinese
Barák (Jankto)

Tops: Barák e Nuytinck (Udinese) | Flops: Fares e Fossati (Verona)

Depois de 14 partidas, enfim a Udinese voltou a vencer: fora de casa, derrotou o rebaixado Verona e continua viva na luta pela permanência. Os friulanos agora têm dois pontos de vantagem sobre o Crotone, 18º colocado. A vitória foi conquistada sem grande esforço e sem muito sofrimento. Os bianconeri pressionaram desde o princípio de jogo, tendo chances para abrir o placar nos minutos iniciais, com Jantko e Barák.

Foi da dupla checa, aliás, que nasceu o gol da Udinese. Depois de cruzamento de Jantko, a defesa do Hellas falhou e Barák colocou a bola nas redes. Tudor conseguiu armar sua equipe de uma forma em que conseguiu controlar o jogo, sem que o Verona conseguisse se encontrar no confronto. O resultado significou a sexta derrota seguida e a segunda pior marca da história dos mastini, superada apenas pelo fraco desempenho da temporada 1978-79.

Benevento 1-0 Genoa
Diabaté (Brignola)

Tops: Brignola e Puggioni (Benevento) | Flops: Rosi e Iuri Medeiros (Genoa)

O clima era de festa no Ciro Vigorito. Mesmo rebaixado, o Benevento foi ovacionado por seus torcedores em sua última partida em casa pela Serie A: com bandeiras, mosaicos e cânticos, os torcedores apoiaram a equipe sannita do começo ao fim do jogo. Diabaté, o grande destaque da equipe na segunda parte da temporada, tratou de completar a festa com um gol já nos minutos finais, após um contra-ataque puxado desde o campo de defesa por Brignola – grata revelação da temporada giallorossa. Vitória merecida, pois o Benevento tomou as rédeas da partida desde o início, sufocou um Genoa de férias e criou as melhores oportunidades, embora o goleiro Puggioni tenha se destacado com boas defesas.

*Os nomes entre parênteses após os autores dos gols se referem aos responsáveis pelas assistências

Seleção da rodada
Consigli (Sassuolo); Lemos (Sassuolo), De Vrij (Lazio), Albiol (Napoli); Adjapong (Sassuolo), Padoin (Cagliari), Giaccherini (Chievo), De Silvestri (Torino); Brignola (Benevento), Belotti (Torino), Politano (Sassuolo). Técnico: Diego López (Cagliari).

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