Liga dos Campeões

Inter e Napoli não garantem vaga antecipada e grupos da morte seguem indefinidos

Se a primeira parte da operação foi um sucesso, a segunda noite da quinta rodada da fase de grupos da Liga dos Campeões não trouxe notícias muito positivas para os italianos. O Napoli até fez o dever de casa ao bater o Estrela Vermelha por 3 a 1, mas sua situação segue indefinida no grupo mais complicado da competição. Já a Inter perdeu o confronto direto contra o Tottenham por 1 a 0 e não depende mais apenas de suas próprias forças para se classificar.

O time de Luciano Spalletti começou a competição com duas vitórias conquistadas nos minutos finais, contra o próprio Tottenham, no San Siro, e depois contra o PSV, na Holanda, mas não voltou mais a sentir o gosto do triunfo nas três rodadas seguintes. A derrota em Londres pelo placar mínimo se provou ainda mais cruel, uma vez que a Beneamata perdeu a vantagem do primeiro duelo e agora está na terceira posição do seu grupo. O gol marcado fora de casa pelos Spurs é o que crava a vantagem inglesa nos critérios de desempate.

Para se classificar para a fase de oitavas de final, o que aconteceu consecutivamente nas últimas oito participações dos nerazzurri na competição, Icardi e companhia não precisam apenas bater o PSV em Milão. A Beneamata também terá que torcer para um tropeço dos ingleses no Camp Nou contra o Barcelona. O time de Messi, por sua vez, já está garantindo na próxima fase e tem a primeira posição assegurada.

No entanto, os catalães não têm brincado em serviço na competição, mesmo atuando com times mistos ou reservas: a última derrota caseira do Barça pela Champions aconteceu em maio de 2013, diante do Bayern de Munique. De lá para cá, os blaugrana somaram 25 vitórias e apenas dois empates, além de 87 gols a favor e somente 13 contra. Este excelente retrospecto anima os interistas, que confiam que o Tottenham deixará pontos pelo caminho na próxima rodada.

Nesta terça, a Inter viveu um momento único em sua história: pela primeira vez em mais de um século de existência, o time atuaria no mítico Wembley. A estreia nerazzura, no entanto, não foi nada agradável: a Beneamata se tornou a única equipe italiana que perdeu no estádio londrino por um dos principais torneios continentais, desonrando a hegemonia construída por Milan, Parma, Fiorentina e Juventus. Tropeços da Inter na Inglaterra, aliás, não são novidade: nos últimos anos, o clube acumulou eliminações diante de Liverpool, Manchester United e do próprio Tottenham, apesar de ter superado o Chelsea no ano do Triplete. Spalletti tem desempenho ainda mais deprimente: perdeu nas oito vezes em que foi ao país.

Antes de a bola rolar, Mauricio Pochettino até deu uma mão para os visitantes, deixando os titulares Eriksen, Dier e Son no banco – o trio só entrou na etapa final, com o intuito de ajudar a equipe a buscar o resultado de que precisava. Ainda assim, antes que eles estivessem em campo, o Tottenham já dominava a partida e teve um grande volume de jogo no primeiro tempo, mesmo que Handanovic não tenha feito nenhuma defesa espetacular.

Na volta do intervalo, a Inter mudou de postura, mesmo que o 0 a 0 lhe fosse favorável. O time milanês passou a responder os anfitriões e chegou a ter oportunidades mais claras de gol, principalmente num forte chute de Perisic. A dez minutos do final, o jogo caminhava para um resultado positivo para o time de Spalletti, já que Eriksen e Son não haviam obtido sucesso em quebrar as linhas.

Até que Sissoko protagonizou uma bela jogada e deixou seus marcadores comendo poeira. Esperto, o francês notou a péssima transição defensiva nerazzurra e acionou Dele Alli, que já recebeu girando e deixando a bola com Eriksen: livre, o dinamarquês encheu o pé e abriu o placar, jogando um balde de água nos milaneses. Nos poucos minutos que restavam, a Inter buscou a reação, mas não conseguiu ser realmente perigosa. Agora, os interistas terão dois clássicos pela Serie A, contra Roma e Juventus, antes de definir sua vida na Liga dos Campeões daqui a duas semanas.

Insigne e Hamsík celebram o primeiro gol no San Paolo (LaPresse)

Para o Napoli, a tranquila vitória no San Paolo não foi suficiente para assegurar a classificação, já que o Paris Saint-Germain derrotou o Liverpool, na França. Em tese, os parisienses têm vida fácil na última rodada, já que enfrentam o eliminado Estrela Vermelha, mas a equipe sérvia já mostrou que pode engrossar o caldo quando atuam no mítico Marakana. O próprio time de Carlo Ancelotti não conseguiu sair de Belgrado com uma vitória, e os comandados de Jürgen Klopp foram até derrotados. Os sérvios continuam com chances de classificação para a Liga Europa, já que têm dois pontos a menos que os scousers.

A situação do Grupo C é tão complexa que o Napoli é o líder, com nove pontos, mas pode precisar fazer contas para avançar à próxima fase. A equipe azzurra tem um pontinho a mais que o PSG, contra quem empatou duas vezes e tem desvantagem no saldo de gols, e três a mais que o Liverpool, de quem ganhou por 1 a 0 na Itália. Para manter a posição no grupo, o time napolitano precisa bater os Reds em Anfield, embora baste um simples empate diante da vibrante Kop. Até mesmo se perder o Napoli tem chances de se classificar, desde que a derrota na Inglaterra seja por uma diferença de apenas um gol (com exceção do resultado de 1 a 0) e o Paris vença. Se o Estrela Vermelha aprontar e vencer o bilionário time francês, a vaga será napolitana sem qualquer cerimônia.

Ainda que o Napoli chegue à última rodada vivendo a insólita situação de acordar líder e dormir eliminado, não há como desmerecer a sua campanha nesta Liga dos Campeões. Em sua história, os partenopei nunca haviam ficado invictos nas cinco primeiras rodadas da fase de grupos da competição. Críticas, porém, podem ser feitas pela forma que a equipe abordou os dois jogos contra um Estrela Vermelha que se mostrou mais qualificado do que parecia. Depois da falta de gols em Belgrado, os anfitriões não foram capazes de construir um saldo maior no San Paolo. Diante de sua animada torcida, os anfitriões chegaram a abrir 3 a 0 em 50 minutos de jogo, mas acabaram sendo vazados uma vez. Pode vir a fazer a diferença, diante do cenário imprevisível da chave.

Depois de Mertens quase abrir o placar de calcanhar após cruzamento de Callejón, o Napoli chegou ao primeiro gol na bola parada. Maksimovic desviou a bola na primeira trave, após cobrança de escanteio do atacante belga, e Hamsík completou na pequena área. Mertens ampliou a vantagem ainda no primeiro tempo, após jogada pela esquerda entre Koulibaly, Mário Rui e Ruiz. Pouco depois da volta do intervalo, os pés de Hamsík e Mertens voltaram a elaborar outro lance de gol. O capitão compareceu com um ótimo passe em profundidade e o artilheiro completou, após um belo domínio.

Em uma desatenção da defesa da casa, contudo, o Estrela Vermelha marcou o tal gol que, se já foi duro de engolir, pode ter um gosto ainda mais amargo daqui a uma quinzena. Para começar, o meia Marin, ex-Werder Bremen, Chelsea e Fiorentina, deixou metade do sistema defensiva napolitano na saudade, incluindo os quase intransponíveis Allan e Koulibaly. Depois, o flop alemão encontrou espaço nas costas do sempre disperso Mário Rui e deixou o comorense Ben de frente para o crime. Em duas semanas, saberemos se o Napoli, a sua vítima, irá se sentir lesada ou se o delito foi de pequenas proporções.

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