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Bruno Mora ganhou quase tudo com a camisa do Milan e foi lenda em Parma

Considerado um dos grandes nomes da história do Parma, Bruno Mora figurou entre os melhores jogadores italianos da década de 1960. Ponta veloz e habilidoso, cuja técnica e personalidade foi comparada à do norte-irlandês George Best, se destacou por seus cruzamentos precisos, que consagraram os atacantes com os quais jogou. Bruno venceu quase tudo o que disputou e só não teve carreira mais brilhante por uma séria lesão, que antecipou sua aposentadoria.

Nascido em Parma, Bruno Mora começou nos times juvenis do maior time local, mas teria sido rejeitado por ser magro demais. Levado a um modesto clube da região de Mântua, Mora se desenvolveu e chegou à Sampdoria, onde estreou como profissional aos 20 anos. Jogando pelo flanco direito ofensivo, o ponta se destacou com suas arrancadas, fintas e, especialmente, seus cruzamentos precisos para Aurelio Milani, Ernesto Cucchiaroni e Giuseppe Recagno.

O emiliano passou três anos no clube genovês, que ajudou a ter boas participações na elite – em 1958-59, por exemplo, a Samp foi quinta colocada na Serie A. Por causa de seu bom futebol, Mora se tornou um dos queridinhos da torcida blucerchiata e estreou na seleção italiana aos 22 anos, em novembro de 1959, num empate por 1 a 1 contra a Hungria. Assim, entrou para a história como o primeiro parmesão a vestir a camisa azzurra.

Ao fim da temporada seguinte, porém, o jogador romperia com a torcida doriana. Após 83 partidas e 23 gols pela Sampdoria, Mora acertou sua transferência para a Juventus, num negócio que foi interpretado pela tifoseria lígure como um ato de traição. Ressentimentos à parte, 200 milhões de liras entraram nos cofres da equipe – um valor altíssimo para a época.

Com a camisa da Juventus, Mora se consolidou no futebol e ganhou um título italiano (imago/United Archives International)

Em Turim, Bruno conquistou o scudetto, em 1961, cresceu profissionalmente e se estabeleceu na seleção, com a qual disputou a Copa de 1962, no Chile. Na malfadada experiência italiana na América do Sul, chegou a ser o capitão da Nazionale contra os anfitriões, na famosa Batalha de Santiago, tida como a partida mais violenta da história dos mundiais. No jogo seguinte – 3 a 0 sobre a Suíça –, Mora marcou aos 2 minutos e fez o gol mais rápido da Itália na história da competição, igualando o feito de Pietro Ferraris, em 1938.

A turbulência que envolveu a eliminação da Itália na fase de grupos da Copa também circundava Mora na Juventus. O ponta teve desavenças com Omar Sívori, ícone bianconero, e naufragou com toda a equipe na terrível temporada 1961-62, na qual a Velha Senhora ficou apenas na 12ª colocação da Serie A. Por conta da campanha negativa, a diretoria juventina promoveu uma reformulação em seu elenco e priorizou o setor defensivo, optando por uma troca com o Milan: depois de 63 jogos e 21 gols, Mora rumou à Lombardia e o zagueiro Sandro Salvadore, seu companheiro de seleção, foi para o Piemonte.

Ao lado de Gianni Rivera, Dino Sani e José Altafini, Mora conquistou a Europa com os rossoneri logo de cara, sendo titular na campanha da Copa dos Campeões 1962-63. O emiliano já era um grande jogador e seguiu em ascensão: era figura constante no selecionado nacional e tinha participação praticamente garantida na Copa de 1966.

Contudo, uma dividida com o goleiro Giuseppe Spalazzi, em 12 de dezembro de 1965, acabou com os sonhos do jogador: as fraturas na tíbia e na fíbula fizeram com que Mora jamais conseguisse voltar a atuar em alto nível. Cinco dias antes, Mora fizera um gol na sua derradeira partida pela Nazionale, em vitória por 3 a 0 sobre a Escócia. O ponta colecionou 21 aparições e anotou quatro vezes pela Squadra Azzurra.

Pelo Milan, o ponta se destacou em competições europeias (imago/Colorsport)

Mora conseguiu retornar aos gramados 10 meses após a lesão, na temporada 1966-67. Apesar disso, fez apenas 30 partidas nos três anos seguintes e foi um mero coadjuvante nas conquistas da Coppa Italia, em 1967, e da Serie A e da Recopa, em 1968. Com a carreira comprometida, Bruno deixaria o Milan em 1969, após 140 jogos e 32 gols.

No ocaso de sua trajetória profissional, o ponta decidiu ajudar o clube de sua cidade natal e topou encerrar a carreira com a camisa do Parma. Na primeira temporada de Emília-Romanha, Mora contribuiu para o título dos crociati na Serie D. Os ducali também fizeram uma campanha sólida na terceirona e, após a quinta posição no certame, Bruno pendurou as chuteiras.

Alguns anos depois, Mora se colocou a serviço da equipe e treinou as categorias juvenis do Parma. Em duas oportunidades, o ex-jogador assumiu o time principal – nas temporadas 1976-77 e 1982-83. Nessas incursões, o treinador ajudou a lançar nomes que ganharam importância no futebol italiano, como Stefano Pioli e Nicola Berti. Bruno também teve uma breve experiência na quarta divisão, comandando o Cassino.

Unanimidade em Parma, Bruno Mora foi escolhido como uma das lendas do clube e, ao lado de sócios, administrou a escolinha de futebol que o projetara quando criança. Infelizmente, um tumor no estômago tirou-lhe a vida prematuramente: faleceu com apenas 49 anos, em 1986. Uma perda sofrida para a cidade e também para o esporte italiano.

Bruno Mora
Nascimento: 29 de março de 1937, em Parma, Itália
Morte: 10 de dezembro de 1986, em Parma, Itália
Posição: atacante
Clubes como jogador: Sampdoria (1957-60), Juventus (1960-62), Milan (1962-69) e Parma (1969-71)
Títulos conquistados: Serie A (1961 e 1968), Coppa Italia (1967), Copa dos Campeões (1963), Recopa Uefa (1968), Serie D (1970)
Clubes como treinador: Parma (1977-78 e 1982-83) e Cassino (1978-79)
Seleção italiana: 21 jogos e 4 gols

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