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Com reviravoltas, Serie B tem acesso do Verona e permanência do Palermo



Para os fãs mais saudosos da Serie A, a próxima temporada terá três equipes tradicionais de volta à elite do futebol italiano. Ao contrário do que vinha sendo a tendência dos últimos anos, dessa vez não haverá nenhuma novidade como Sassuolo, Carpi, Frosinone, Crotone ou Benevento, já que o modesto Cittadella novamente ficou no meio do caminho no playoff e perdeu a última vaga para o Verona. O Hellas, quinto colocado na competição regular, acompanhará Brescia e Lecce, respectivamente campeão e vice da Serie B neste ano.

No caso dos dois primeiros colocados, cujas campanhas já abordamos de maneira mais aprofundada aqui, a promoção premiou duas realidades distintas. Os lombardos, que já contaram no passado com craques como Beccalossi, Altobelli, Hagi, Baggio, Pirlo e Toni, disputarão a primeira divisão pela 23ª vez em sua história e retornam à elite depois de oito anos de ausência. A campanha do Brescia teve como destaques individuais o artilheiro Alfredo Donnarumma e o regista Sandro Tonali, enquanto fora do campo chamou a atenção pelo retorno de Massimo Cellino ao futebol italiano. O excêntrico ex-presidente do Cagliari tem investido na reestruturação do clube.

Curiosamente, o Brescia se sagrou campeão uma temporada depois de fazer uma campanha irregular na segundona, concluída apenas com a 15ª posição. O Lecce, por sua vez, vem mais de baixo. Em 2012, fora rebaixado da Serie A para a B, mas a justiça desportiva mandou a equipe para a Lega Pro por envolvimento no escândalo Calcioscommesse. Os apulianos ficaram seis anos na terceira divisão até serem campeões em 2018, sob o comando de Fabio Liverani. O técnico continuou e conduziu a equipe a uma campanha bastante sólida, fazendo-a repetir um feito dos anos 1990, década em que foi promovida duas vezes seguidas.

Enquanto o Lecce competirá na Serie A pela 16ª vez, o terceiro a subir está ainda mais acostumado com a elite: será a 29ª participação do Verona na competição, que venceu de forma incrível em 1985. Na verdade, o Hellas fez mais um bate-volta na sua história, já que desde 2016 tem participado de um ano na A e o outro na B. Inclusive, esta foi sua terceira promoção na década, o que havia ocorrido nos anos 1990.

Lecce celebra o acesso à elite: todos os promovidos recebem um troféu (LaPresse)

Ainda aproveitando os recursos da cláusula paraquedas – que faz um time rebaixado receber, em seu primeiro ano na segundona, valor equivalente ao que ganhava na elite –, o Verona teve um dos elencos mais caros da Serie B. Uma equipe repleta de jogadores experientes, liderada pelos capitães Giampaolo Pazzini e Matteo Bianchetti, e que contava com 16 peças com passagem pela primeira divisão. O Hellas foi treinado por Fabio Grosso durante quase toda a temporada, chegando a liderar o campeonato em sua reta inicial.

Em maio, após sofrer brusca queda de rendimento, o time mudou de comando. A diretoria viu os mastini despencarem da terceira para a nona posição em apenas oito rodadas e decidiu sacar o tetracampeão mundial para trazer Alfredo Aglietti. Mesmo sem uma aparente melhora no desempenho, os butei conseguiram a vaga no playoff na última rodada e conquistaram vitórias apertadas na fase final. Primeiro, um 4 a 1 com três gols na prorrogação, incluindo doppietta de Pazzini; depois uma vitória mínima fora de casa sobre o Pescara, com gol de Samuele Di Carmine, ex-promessa da Fiorentina.

Na final, perdeu o primeiro jogo do duelo regional para o modesto Cittadella, por 2 a 0. A torcida do pequeno clube do Vêneto ocupou os 7623 lugares do estádio Piercesare Tombolato e assistiu a uma atuação irretocável do time do técnico Roberto Venturato, que está no comando desde 2015 e é o mais longevo da Serie B. Apesar disso, a folha salarial mais baixa do campeonato caiu no playoff pela terceira vez consecutiva: teve dois jogadores expulsos e sofreu um duro 3 a 0 no jogo de volta, garantindo a festa dos donos da casa no lotado Bentegodi.

Enquanto isso, na parte de baixo da tabela, o Palermo – que, em teoria, deveria ter sido o verdadeiro terceiro colocado da temporada regular e o favorito na fase final – acabou sendo punido pelas irregularidades administrativas da gestão caótica de Maurizio Zamparini. Apesar disso, a punição, que inicialmente deixaria a equipe na lanterna da competição e a levaria para a Serie C, foi amenizada.

O time siciliano perdeu “apenas” 20 pontos e ficou no meio da tabela, o que rebaixou definitivamente o Foggia. A liga chegou a anunciar que não haveria playout para a definição do último rebaixado, mas o recurso do Palermo redesenhou a disputa. Ela ocorrerá: Salernitana e Venezia se enfrentam nesta semana.



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