Serie A

28ª rodada: chuva de gols e crescimento do Milan marcaram o fim de semana na Itália



Quantas rodadas cheias de gols serão necessárias para que os preconceituosos parem de reproduzir o famoso clichê da “Serie A defensiva”? É claro que essa frase só sai da boca daqueles que não acompanham o campeonato e ignoram fins de semana como o mais recente, que teve 40 gols nos campos da Itália. Ao lado da 22ª jornada, esta foi a mais prolífica da temporada, com média de quatro tentos por partida.

A 28ª rodada não teve qualquer alteração nos primeiros seis lugares da tabela. Juventus, Lazio e Inter fizeram partidas ruins, mas conquistaram os três pontos, enquanto Atalanta e Napoli tiveram momentos de ótimo futebol e também venceram. No principal duelo do final de semana, o Milan ganhou terreno na briga por Liga Europa ao triunfar no confronto direto com a Roma. Confira, abaixo, a análise do que melhor ocorreu nas partidas realizadas entre sexta e domingo.

Milan 2-0 Roma

Gols e assistências: Rebic e Çalhanoglu (pênalti)
Tops: Hernandez e Çalhanoglu (Milan)
Flops: Smalling e Zappacosta (Roma)

O calor escaldante do verão milanês transformou um aguardado duelo numa partida em ritmo de pré-temporada. O contexto acabou sendo mais positivo para o Milan, que se mostrou mais bem preparado fisicamente e aproveitou erros defensivos da Roma no segundo tempo para ficar com os três pontos e se isolar na sétima colocação, com 42. Quinta colocada, com 48, a Loba está nove pontos atrás da Atalanta e o sonho de voltar à Champions League está mais distante.

No primeiro tempo, apenas uma cabeçada muito perigosa de Dzeko, sozinho, foi digna de nota. De resto, as equipes criaram pouco, e meias e atacantes foram superados pelos defensores. Até que, aos 76 minutos, Zappacosta – que voltava aos gramados após cerca de 10 meses de molho – errou um recuo de bola. Rebic se atrapalhou e a jogada seguiu aos trancos e barrancos, mas o croata acabou marcando o seu oitavo gol na Serie A.

Smalling, que já havia cochilado no primeiro tento, voltaria a falhar. Hernandez arrancava de seu jeito habitual e, após contar com tabela involuntária com o romanista Diawara, foi derrubado na área pelo inglês, aos 89. Çalhanoglu deu números finais à mais uma partida em que teve boa presença no fluxo de jogadas dos rossoneri. Também se destacaram Lucas Paquetá e Saelemaekers, que entraram no segundo tempo e deram mais peso à construção ofensiva.

Juventus 4-0 Lecce

Gols e assistências: Dybala (Ronaldo), Ronaldo (pênalti), Higuaín e De Ligt (Douglas Costa)
Tops: Ronaldo e Douglas Costa (Juventus)
Flops: Lucioni e Shakhov (Lecce)

Faltou brilhantismo à Juventus mais uma vez – mesmo que a vitória tenha sido de goleada. Triturar a pior defesa do campeonato não é lá um trabalho muito complicado, principalmente quando se joga com um a mais durante pouco mais de uma hora. Esse foi o cenário que a equipe de Sarri teve à disposição para vencer e manter a vantagem de quatro pontos na liderança.

Em 11 contra 11, a Velha Senhora só trabalhou a bola, sem muito ameaçar. Provavelmente, faria sua força prevalecer com o passar dos minutos, mas ganhou uma ajuda do capitão Lucioni: aos 31, ele se enrolou ao dominar um passe fraco e derrubou Bentancur, que lhe deu o bote e partia sozinho para o gol de Gabriel.

Após a expulsão, a Juve perdeu duas oportunidades claríssimas com Ronaldo e Bernardeschi, até receber mais um presente no início do segundo tempo: Shakhov errou passe na entrada da área e Cristiano ajeitou para Dybala mandar no ângulo. Com a vantagem, a Juventus continuou pressionando e, contando com a fragilidade dos salentinos – e dois erros de Rossettini – construiu sua goleada. Entre os destaques, CR7 chegou aos 23 gols no campeonato, enquanto Higuaín e Douglas Costa saíram bem do banco de reservas.

Cristiano Ronaldo indica o caminho da Juventus (Insidefoto)

Lazio 2-1 Fiorentina

Gols e assistências: Immobile (pênalti) e Luis Alberto; Ribéry
Tops: Lazzari (Lazio) e Ribéry (Fiorentina)
Flops: Bastos (Lazio) e Badelj (Fiorentina)

A Lazio precisava vencer de qualquer forma se quisesse manter o contato com a Juventus. A equipe de Inzaghi levou esse mote a cabo e conseguiu um triunfo com muito esforço e um pênalti generoso: afinal, diante da Fiorentina, os aquilotti tiveram uma de suas partidas mais fracas na temporada e deixaram o campo com a sensação de que tiveram mais sorte do que juízo. Com o resultado, o time romano se mantém na vice-liderança, quatro pontos atrás da Juventus e à frente da Inter, enquanto a Viola prossegue na 13ª colocação.

No Olímpico, tivemos um jogo de muito combate, com sete cartões amarelos e um vermelho, e bastante intensidade no meio-campo. Isso deixou a partida um pouco truncada e as duas equipes se valiam de jogadas individuais. Numa delas, Ribéry – mais atarefado, já que Chiesa não jogou –, cortou três adversários e fez um bonito gol. A Fiorentina poderia ter ampliado no segundo tempo, mas Strakosha fez duas boas defesas e o travessão negou a Ghezzal a alegria de um golaço.

Essas oportunidades que não estufaram as redes fariam falta à Viola: os toscanos cansaram e viram a Lazio se animar com a penalidade de Dragowski em Caicedo. Pouco mais de 15 minutos após o empate de Immobile, que chegou aos 28 gols no campeonato, Luis Alberto se acendeu – estava apagado. O espanhol teve sorte de, involuntariamente, tabelar com Igor e competência para marcar no rebote.

Parma 1-2 Inter

Gols e assistências: Gervinho (Kucka); De Vrij (Martínez) e Bastoni (Moses)
Tops: Gervinho (Parma) e Bastoni (Inter)
Flops: Bruno Alves (Parma) e Candreva (Inter)

Pela segunda rodada consecutiva, a Inter fez uma partida deprimente. Dessa vez, contudo, levou a melhor: a sorte, que chegou a lhe sorrir levemente contra o Sassuolo, gargalhou ante o Parma. Durante todo o duelo, a equipe de Conte se ressentiu de criação, teve sua defesa devassada por Gervinho e só não sucumbiu porque Cornelius desperdiçou chances claras e Bruno Alves teve dois determinantes erros defensivos. Com o resultado, a Beneamata continua na terceira posição, oito pontos atrás da Juve, e o Parma fica em oitavo, com três a menos que o Milan.

Só no primeiro tempo, o Parma poderia ter marcado três vezes. Gervinho, logo após errar o alvo, tirou Candreva e D’Ambrosio para dançar e não deu chances a Handanovic. Os contra-ataques continuaram aterrorizando o trio defensivo nerazzurro, que sofria com a velocidade do marfinense e o trabalho de pivô de Cornelius: o dinamarquês teve duas oportunidades de frente para o gol, mas finalizou para fora.

Kucka e Kulusevski faziam excelente trabalho no meio-campo e a vitória parecia certa para o Parma. Até que a Inter melhorou com três mudanças: Bastoni, Moses e Sánchez nos lugares de Godín, Candreva e Eriksen, respectivamente. Com mais volume de jogo e menos sofrimento na defesa, a Beneamata achou seu primeiro gol aos 84 minutos, numa jogada aérea, concluída por De Vrij. Kucka reclamou acintosamente de falta no lance (sem razão, diga-se de passagem) e foi expulso. Três minutos depois, veio o castigo: Moses teve calma para encontrar o colega em melhor posição e Bastoni soube se desmarcar: com o gol aberto, só empurrou para as redes e vazou seu antigo clube.

No sufoco, a Lazio virou partida contra a Fiorentina (Getty)

Udinese 2-3 Atalanta

Gols e assistências: Lasagna (Fofana) e Lasagna (Zeegelaar); Zapata (Gómez), Muriel e Muriel (Gómez)
Tops: Musso (Udinese) e Muriel (Atalanta)
Flops: Rodrigo Becão (Udinese) e Djimsiti (Atalanta)

O melhor jogo da rodada teve a Atalanta envolvida e isso não surpreende ninguém. Dona de incríveis 80 gols na Serie A, a Dea enfrentou problemas defensivos e a qualidade do goleiro Musso, mas contou com a ginga colombiana de dois ex-atletas da Udinese para vencer no Friuli. Com o resultado, o time de Gasperini chega aos 57 pontos, isolado na quarta colocação, com nove a mais que a Roma. Os bianconeri de Gotti continuam próximos da zona de descenso: são apenas três pontos à frente do Lecce.

Logo aos 9 minutos, Zapata abriu o placar com um golaço: recebeu lançamento de cavadinha de Gómez e tirou Troost-Ekong só com o domínio, fuzilando Musso na sequência. Papu, Freuler e Malinovskyi arquitetavam as jogadas da Atalanta, que concluía bem a gol, mas parava no goleiro argentino. Fortuitamente, então, Fofana lançou Lasagna, que deixou Djimsiti comendo poeira e empatou. Não foi a única vez no jogo que o capitão bianconero venceu seus marcadores na velocidade ou em antecipações: Kevin quase ampliou ainda no primeiro tempo.

Após o intervalo, a Udinese teve a chance de virar com Walace, mas o volante brasileiro finalizou fraquinho. Gasperini entendeu o recado e decidiu colocar seu time para cima: sacou Hateboer e Malinovskyi para inserir Gosens e Muriel. Dominante em campo, a Atalanta continuou testando Musso – que terminou a tarde com cinco defesas difíceis –, mas só o superou na bola parada. Rodrigo Becão entrou mal no jogo e, seis minutos depois, aos 71, cometeu falta em Gómez na entrada da área. O baiano não só permitiu que Muriel tivesse uma boa posição para cobrar o tiro livre como não saltou na barreira: a bola passou no espaço deixado por ele e morreu no ângulo. O camisa 9 ainda acertaria outro chute de rara felicidade na sequência, para garantir o triunfo nerazzurro, chegar aos 15 na Serie A e tornar a doppietta de Lasagna sem efeito prático.

Napoli 3-1 Spal

Gols e assistências: Mertens (Ruiz), Callejón (Elmas) e Younes (Ruiz); Petagna (Reca)
Tops: Ruiz e Maksimovic (Napoli)
Flops: Missiroli e Cionek (Spal)

Praticamente de férias, o Napoli de Gattuso vai fazendo do restante de Serie A uma espécie de pré-temporada – focando em chegar bem tanto no duelo contra o Barcelona, pelas oitavas da Champions League, quanto no início de 2020-21. É difícil de imaginar que os azzurri, já garantidos ao menos na Liga Europa, em virtude do título da Coppa Italia, irão recuperar 12 pontos de desvantagem para a Atalanta e obter a classificação para o principal torneio de clubes do continente.

Em mais um de seus amistosos de luxo, a equipe da Campânia contou com a classe e o domínio do ritmo de jogo de Ruiz para vencer. O espanhol terminou a partida com duas assistências primorosas, dezenas de passes efetuados com rigor e categoria, e simplesmente impediu que os meias da Spal criassem. Numa das únicas chegadas do lanterna do campeonato, em contragolpe pela lateral esquerda, Petagna aproveitou o espaço na entrada da área e marcou. De resto, habitual administração de jogo do espanhol, que já é um líder do elenco napolitano.

Bastoni, ex-Parma, decidiu para a Inter contra seu antigo clube (AFP/Getty)

Cagliari 4-2 Torino

Gols e assistências: Nández, Simeone (Lykoggianis), Nainggolan (João Pedro) e João Pedro (pênalti); Bremer (Aina) e Belotti (Verdi)
Tops: Nández e João Pedro (Cagliari)
Flops: Nkoulou e Izzo (Torino)

Após um jejum de 12 rodadas sem vitórias, o Cagliari engatou uma sequência de dois triunfos seguidos e se viu novamente em condições de acreditar em uma vaga na Liga Europa: a distância de quatro pontos para o Milan continua a mesma, mas a tendência de queda na tabela, anterior à interrupção do campeonato pela pandemia, desmotivava o grupo. Com Zenga, o time voltou a ser competitivo. Já o Torino, sob as ordens de Longo, continua irregular e seis pontos acima da zona de rebaixamento.

Jogando em casa, o Cagliari abriu uma vantagem de 2 a 0 logo aos 17 minutos, após boas participações de Nández: o uruguaio acertou um belo sem pulo para inaugurar o placar e, depois, deu um passe na medida para Lykogiannis cruzar para Simeone. O ex-jogador do Boca Juniors comandou o meio-campo juntamente com Nainggolan, poupado depois de anotar o terceiro.

Logo após a saída do belga, porém, a defesa sarda cochilou duas vezes e, em cruzamentos, permitiu que o Torino encostasse. No entanto, dois minutos depois dos gols, Nkoulou cometeu um pênalti bobo e sepultou a reação grená. Ao converter a penalidade, João Pedro chegou aos 17 tentos na Serie A: desde Adriano, em 2003-04, um brasileiro não marcava tantas vezes no campeonato.

Sampdoria 1-2 Bologna

Gols e assistências: Bonazzoli (Augello); Barrow (pênalti) e Orsolini
Tops: Barrow e Orsolini (Bologna)
Flops: Murru e Depaoli (Sampdoria)

Creditado como uma das potenciais surpresas da temporada, o Bologna de Mihajlovic mantém a esperança de conseguir uma vaga na Liga Europa. Com a vitória sobre uma Sampdoria que combate e nada mais, a equipe emiliana chegou aos 37 pontos. Está a cinco do Milan, sétimo colocado, ao passo que o time de Ranieri se mantém um pontinho acima da zona de rebaixamento.

Depois de um primeiro tempo fraco, Mihajlovic optou por fazer mudanças para ganhar o jogo. A mais acertada delas foi a entrada de Barrow, homem do jogo, no lugar de Sansone. Aos 72, após pênalti de Murru em Orsolini, o gambiano converteu com tranquilidade. Como a Samp também mostrava fragilidades na lateral direita, o atacante caiu pelo setor e, três minutos depois, arquitetou a jogada que resultou no segundo gol, anotado por RO7. Ainda houve tempo para Musa acertar um chute na trave e Bonazzoli dar um susto nos felsinei, reduzindo a vantagem após um erro de Skorupski.

O show de Muriel foi fundamental para a Atalanta faturar mais três pontos (Getty)

Sassuolo 3-3 Verona

Gols e assistências: Boga (Defrel), Boga (Caputo) e Rogério; Lazovic (Stepinski), Stepinski (Lazovic) e Pessina
Tops: Boga (Sassuolo) e Lazovic (Verona)
Flops: Peluso (Sassuolo) e Zaccagni (Verona)

O Verona deixou escapar dois pontos importantes para sua caminhada em busca de vaga na Liga Europa com um dos gols mais tardios da Serie A: o empate do Sassuolo ocorreu aos 97 minutos de jogo e frustrou o time de Juric, que viu o Milan se isolar na sétima posição e abrir três pontos de vantagem. Sem grandes objetivos no campeonato, os donos da casa continuam na 12ª posição, com 34 pontos.

Tudo de mais importante no Mapei Stadium ocorreu no segundo tempo. Lazovic abriu o placar para os visitantes com um petardo no ângulo, aos 51 minutos, e Boga empatou aos 53, com finalização no canto. O ponta sérvio do Verona apareceu novamente aos 57, cruzando de trivela para Stepinski, de peito, desempatar. Peluso, que havia esquecido de marcar o centroavante polonês, fez uma lambança aos 68, permitindo que Pessina ampliasse. Só que o Sassuolo lutava e não se dava por vencido. O goleiro Silvestri teve ótima atuação, com defesas importantes, mas não teve o que fazer nos chutes de Boga, que acertou o ângulo, e de Rogério: o canudo do brasileiro explodiu nas duas traves antes de entrar.

Brescia 2-2 Genoa

Gols e assistências: Donnarumma (Sabelli) e Semprini (Bjarnason); Falque (pênalti) e Pinamonti (pênalti)
Tops: Joronen (Brescia) e Falque (Genoa)
Flops: Dessena (Brescia) e Zapata (Genoa)

No jogo que abriu o sábado, Brescia e Genoa tiveram que se contentar com um resultado negativo para ambos. Um pouco menos para os visitantes, que chegaram a ficar com dois gols de desvantagem no placar, mas reagiram e conseguiram pontuar mais do que os concorrentes pela permanência na elite. Os brescianos continuam na última colocação, agora dividida com a Spal.

O Brescia já vencia por 2 a 0 aos 13 minutos de jogo, com dois gols muito parecidos: cruzamento rasteiro vindo do lado direito para a entrada da área. Em ambas as situações, jogadores do time lombardo puderam finalizar sozinhos. O Genoa teve um bom trabalho de Falque na articulação, mas empatou graças a duas penalidades oriundas de intervenções descompostas de defensores dos andorinhas: carga em Romero pelo alto e toque no braço do capitão Dessena, em dividida. Melhor em campo, o time da Ligúria teve oportunidades de anotar mais vezes, mas parou no bom goleiro Joronen.

Seleção da rodada

Musso (Udinese); Maksimovic (Napoli), Kjaer (Milan), Bastoni (Inter); Lazovic (Verona), Nández (Cagliari), Ruiz (Napoli), Boga (Sassuolo); Muriel (Atalanta), Ronaldo (Juventus), Barrow (Bologna). Técnico: Sinisa Mihajlovic (Bologna).



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