Liga dos Campeões

Juventus vence Lyon de virada, mas fica pelo caminho na Champions League



Após 149 dias parada, a Champions League voltou. Os torcedores da Juventus, pelo menos eles, gostariam que a competição não tivesse retornado – ao menos do jeito que foi. Depois de uma fraca atuação no jogo de ida, perdido por 1 a 0, os comandados de Maurizio Sarri até venceram o Lyon na volta, por 2 a 1. Contudo, o triunfo em Turim foi inútil, já que o gol qualificado fez o time francês avançar na competição. Para a Juve, se passam 24 anos sem o título da Liga dos Campeões.

Para a Juve, o que resta é descansar depois de uma maratona de jogos na Serie A e concentrar seu foco na janela de transferências para a próxima temporada. Teremos uma reformulação no elenco? Visto que Sarri não fica e Pirlo o substitui, Andrea Agnelli e os demais dirigentes da Velha Senhora deverão dirimir uma maré de dúvidas nas próximas semanas.

O time bianconero teve sua formação titular neste retorno da Liga dos Campeões, com a exceção de Dybala, que se lesionou nas últimas rodadas da Serie A. O argentino fez um trabalho à parte para conseguir retornar a tempo do jogo decisivo, mas ficou somente no banco e foi substituído pelo compatriota Higuaín. No lado francês, jogando com a vantagem, o ex-romanista Rudi Garcia escalou Toko-Ekambi como titular no lugar de Dembélé, no intuito de ter velocidade no contra-ataque Jogando fora de casa, o Lyon ficaria fechado, esperando para dar o bote certeiro.

Logo aos 9 minutos de jogo, a vida ficou difícil para a Juventus. Felix Zwayer marcou pênalti após um contato da ponta da chuteira de Bernardeschi com o calcanhar de Aouar – ainda que o toque tenha sido muito leve, o VAR manteve a marcação. Memphis, que estava fora da competição por conta de uma lesão e pode voltar aos campos graças aos meses de interrupção, cobrou de cavadinha e mandou a bola para a rede, dando tranquilidade ao Lyon. O time francês precisaria sofrer três tentos para ser eliminado.

O Lyon, que já jogava fechado, se trancou ainda mais. A Juve teve o primeiro lance de perigo com Bernadeschi: o ponta italiano fez uma boa jogada pela linha de fundo, chegou a cortar o goleiro Anthony Lopes, mas demorou para finalizar e o zagueiro brasileiro Marcelo mandou para escanteio. Com dificuldade de quebrar a linha defensiva francesa, os juventinos abusavam dos cruzamentos, mas sem sucesso.

Numa cobrança de falta, Ronaldo obrigou o compatriota Lopes a fazer uma ótima defesa. Num novo tiro livre, pouco depois, a Juventus empataria a peleja: Pjanic cobrou e acertou o braço de Memphis, que estava colado ao corpo. Mesmo assim, Zwayer marcou a segunda controversa penalidade da noite. Cristiano colocou no canto oposto do goleiro e levou a sua equipe para os vestiários com uma missão menos complicada: o time do Piemonte precisava de dois gols.

Dybala tentou ajudar a Juventus

Dybala tentou jogar no sacrifício, mas não conseguiu ficar em campo (AFP/Getty)

Nos 45 minutos finais, o time do Lyon sentiu o cansaço, uma vez que estava sem ritmo de jogo porque só disputara uma partida oficial nos últimos meses – a final da Copa da Liga da França –, visto que a Ligue 1 foi suspensa em março e, posteriormente, dada por encerrada. Como não conseguia criar jogadas, mesmo pressionando, a Juventus experimentou chutar de fora da área e foi assim que Ronaldo marcou o segundo do dia. Lopes até encostou, mas não segurou a bomba do atacante.

Aos 70, Dybala entrou para ajudar o time, que precisava de um gol para avançar às quartas de final, mas só aguentou 12 minutos. O argentino substituiu Bernardeschi, mas sentia muitas dores musculares e não conseguiu jogar no sacrifício, o que obrigou Sarri a queimar uma de suas cinco substituições para colocar o jovem Olivieri em seu lugar. Nesse meio tempo, a Juve quase marcou com Ronaldo, de cabeça, e quase foi vazada quando Szczesny saiu errado do seu gol, obrigando Ramsey a afastar o perigo.

A Juve foi para o tudo ou nada nos últimos minutos e até De Ligt virou atacante. Porém, mesmo com dois gols de Cristiano, que chegou a 67 marcados na fase de mata-mata da competição, faltou um tento para garantir a classificação. Também faltou auxílio. Desde que chegou à Juventus, Ronaldo marcou sete vezes em jogos eliminatórios da Champions League e o resto do time não fez nenhum.

Diante de Rudi Garcia, que se consolida como pedra no sapato da Juventus, a temporada terminou de forma melancólica para Sarri e companhia. O investimento superior ao do rival – que terminou em sétimo lugar no Campeonato Francês – e a importância dada pela Juventus à Champions League, seu grande objetivo, tornam a eliminação um verdadeiro banho de água fria para os bianconeri.

Além disso, os problemas se acumulam e serão observados pela diretoria na avaliação da temporada. Os dirigentes refletirão sobre o péssimo desempenho na ida, quando nenhum chute a gol foi dado; sobre o título italiano com apenas um ponto de vantagem sobre a Inter; uma montagem de elenco ruim; os tropeços contra times menores ; e uma defesa – que por muitos anos foi o ponto forte do time – enfraquecida.

A quebra de paradigmas com a chegada de Sarri e a mudança no estilo de jogo fez o time sentir, mas não se imaginava que o treinador sentisse tanta dificuldade para conseguir resultados positivos. Com a confirmação de que o seu trabalho não prosseguirá, a Juventus começará 2020-21 envolta em dúvidas. Como será a equipe do “mister” Pirlo?



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