Seleção italiana

Em noite de oportunidades para novas caras, a Itália atropelou a Moldávia

Nesta quarta, 7 de outubro, a Itália realizou um amistoso contra a Moldávia, no estádio Artemio Franchi, em Florença, e não tomou conhecimento do adversário. Impiedosa, a Nazionale aplicou 6 a 0 sem cerimônias, com cinco gols marcados ainda no primeiro tempo.

Roberto Mancini aproveitou o baixo nível de dificuldade apresentado pelo rival para experimentar algumas peças e dar rodagem ao grande número de atletas que tem levado em suas convocações. Sirigu foi a escolha para o gol; Lazzari, Mancini, Acerbi e Biraghi formaram a defesa; Cristante, Locatelli e Bonaventura foram os escolhidos para o meio-campo; El Shaarawy e Berardi ocuparam as pontas e Caputo fez sua estreia no comando do ataque. Desta maneira, a Itália entrou em campo sem nenhum atleta de Inter, Juventus ou Milan – o que não acontecia desde 2005, quando a Nazionale fez amistoso contra o Equador.

O jogo começou com a Itália trabalhando os mesmos mecanismos que tem caracterizado o trabalho de Mancini – que, como abordamos recentemente, trocas peças sem que isso signifique alteração das estratégias levadas a campo. Biraghi sustentava o jogo pelo lado esquerdo, formando uma primeira linha com três jogadores, junto a Mancini e Acerbi, Lazzari abria o campo pelo flanco oposto e El Shaarawy recuava para fazer o mesmo pela esquerda. Locatelli e Cristante ficavam em linha à frente da zaga, com Bonaventura e Berardi circulando entre as linhas para municiar Caputo.

O começo de jogo foi caracterizado por um ritmo mais baixo da Itália, ciente de que disputava um amistoso e que a Moldávia não representava grande perigo. Os visitantes encararam a partida com bastante seriedade e jogavam com bastante firmeza e intensidade: se posicionaram quase sempre no 5-3-2, com linhas bem recuadas, e tentavam sair através de jogo direto com o centroavante Nicolaescu, que esteve sempre bem controlado por Acerbi. Aos poucos, a Itália foi aumentando o ritmo e trocando passes por dentro, devido a uma atuação imponente de Locatelli, que ganha cada vez mais peso no esquema e condições de estar na Euro. Assim, os gols começaram a sair com naturalidade.

Aos 18, Bonaventura cobrou escanteio pelo lado esquerdo e Cristante subiu bem na primeira trave para escorar e vencer o goleiro Koselev. Apenas cinco minutos depois, em outra boa jogada pelo flanco canhoto, Biraghi achou um lindo passe para Caputo dominar e bater sem chances para o goleiro da Moldávia. Foi o primeiro gol de Ciccio com a camisa da Squadra Azzurra.

Cristante e Berardi marcaram seus primeiros gols pela seleção (IPA)

Nos minutos seguintes, a Itália continuou atacando bastante, buscando sempre o lado esquerdo como foco de força e posicionando Lazzari no flanco contrário, para ter a opção do um contra um. Mas foi mesmo pela esquerda que o terceiro gol nasceu: Cristante interceptou passe errado dos moldavos e achou belo lançamento para El Shaarawy, que rompeu a linha de defesa, dominou com extrema categoria e tocou na saída do goleiro. Antes dos 30, a Nazionale já vencia por 3 a 0.

Sem conseguir estabelecer jogo direto com seu centroavante e com pouca qualidade nos toques curtos, a Moldávia se viu encurralada por uma Itália que marcava alto, com até seis jogadores, e formava uma primeira linha de pressão com Lazzari, Berardi, Caputo e El Shaarawy, além de contar com o suporte de um entre Bonaventura e Locatelli. Ainda que o nível de dificuldade apresentado fosse baixo para os azzurri, Mancini acertou ao testar peças que normalmente não têm tanto espaço e almejam conquistar o seu lugar. Isso fez o time estar sempre ligado na partida.

Aos 37, a Itália trocou passes de pé em pé, até que Acerbi descolou um lançamento maravilhoso para Caputo. O atacante dominou e, antes mesmo que pudesse finalizar, o zagueiro Posmac jogou contra a própria meta, marcando contra. Antes do intervalo, Lazzari foi lançado por Cristante e tocou por cima do goleiro moldavo; El Shaarawy foi inteligente e testou para o fundo da rede, fazendo o quinto gol. Essa foi apenas a terceira vez na história que a Squadra Azzurra marcou ao menos cinco gols antes do intervalo – ocorrera anteriormente em 1928, contra o Egito, e em 1987, sobre Malta.

O segundo tempo se deu em banho-maria. A Itália controlou o ritmo e trocou passes, mas sem a mesma intensidade da etapa inicial. Aos 67, Mancini promoveu quatro mudanças, trocando Sirigu, Biraghi, El Shaarawy e Bonaventura por Cragno, Emerson Palmieri, Grifo e Sensi. O goleiro do Cagliari teve, enfim, a oportunidade de estrear pela Squadra Azzurra. As caras novas conferiram um ritmo mais acelerado à partida e, em nova jogada pela esquerda, Grifo invadiu a grande área e cruzou para Berardi marcar o seu primeiro gol pela seleção. Kean e Lasagna ainda vieram a campo, mas pouca coisa relevante aconteceu no restante da partida.

No fim das contas, assistimos a mais uma atuação segura de uma Itália que sabe onde quer chegar e tem meios para isso. Em Florença, a Nazionale soube se aproveitar de um rival mais frágil para ganhar ritmo de jogo e dar oportunidades a novas caras, como os estreantes Caputo e Cragno, e minutos preciosos a Acerbi, Lazzari, Locatelli, Cristante, Sensi e Berardi. Com esse resultado, Roberto Mancini chegou a 15 vitórias em 22 partidas no comando da seleção. Com 68% de aproveitamento, tem o melhor índice entre os treinadores da história da Squadra Azzurra.

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