A Itália derrotou Luxemburgo por 1 a 0 nesta quarta-feira, no Stade de Luxembourg, graças a um gol de Esposito no início do segundo tempo. Devido a muitas chances perdidas pelos visitantes, o placar foi magro. Mas o resultado teve importância secundária diante do contexto da partida: dois meses após o fracasso que deixou os azzurri fora da Copa do Mundo de 2026, o técnico interino Silvio Baldini promoveu uma das maiores experiências de renovação da história recente da seleção, escalando a equipe italiana mais jovem desde 1912 e distribuindo oito estreias no time titular.
Baldini é o técnico da seleção sub-21 italiana e assumiu interinamente a equipe principal após a eliminação para a Bósnia e Herzegovina na repescagem para a Copa do Mundo – o que levou à saída de Gennaro Gattuso. O treinador afirmou que pretendia aproveitar a data Fifa de junho, única de sua breve passagem pela Nazionale, para oferecer espaço aos jovens que vinha acompanhando nas categorias de base. Não reproduziu integralmente o grupo que comanda nos azzurrini, mas chegou perto disso. A lista combinou diversos jogadores que trabalharam sob sua batuta com alguns dos talentos mais promissores que já orbitavam a seleção principal, como Palestra, Pisilli e Esposito, além da presença do já experiente Donnarumma. Capitão e principal referência do elenco, o goleiro se colocou à disposição para participar dos amistosos e liderar uma equipe formada majoritariamente por estreantes.
Para além de dar chance aos jovens, Baldini também produziu um momento simbólico para o futebol italiano com sua convocação. Pela primeira vez, a seleção reuniu seis atletas afrodescendentes no mesmo grupo: Mane, Ahanor, Ndour, Fini, Ekhator e Koleosho. Um reflexo das transformações demográficas e culturais que há anos remodelam a base do futebol do país, por mais que a extrema direita local tente dificultar a obtenção da cidadania para imigrantes ou mesmo para pessoas de origem itálica.

Técnico da seleção sub-21 italiana, Baldini assumiu como interino da principal e chamou a garotada para a data Fifa de junho (Arquivo/FIGC)
Também chamou atenção a presença de jogadores formados ou atuantes fora da Itália – seis, no total, sendo três no onze inicial. A base da lista foi, curiosamente, o Borussia Dortmund. O mesmo time de Samuele Inácio, filho do ex-atacante brasileiro Inácio Piá, que vinha sendo disputado por FIGC e CBF, que estreou na etapa final.
A reconstrução que o treinador quis oportunizar apareceu já na escalação. Apenas Donnarumma, Pisilli e Esposito possuíam experiências anteriores pela seleção principal entre os titulares. Palestra, com dores musculares, não saiu do banco. Ao lado deles, Baldini lançou de uma só vez Favasuli, Comuzzo, Chiarodia, Bartesaghi, Ndour, Lipani, Cherubini e Koleosho. A aposta alcançou até a Serie B, representada por Favasuli, do Catanzaro, e Cherubini, da Sampdoria. Com média de idade de 21 anos e 354 dias, a formação entrou para os registros como a mais jovem utilizada pela Itália em mais de um século. Um selecionado menos experiente só foi visto em 1912, na gestão de Umberto Meazza – e vale destacar que a Nazionale fez sua primeira partida oficial pouco antes, em 1910.
Bola rolando
Luxemburgo atuou com seus atletas principais e não é mais o saco de pancadas de outrora. A Itália, por sua vez, tinha uma formação de caráter experimental. Mas, mesmo assim, a diferença técnica entre as equipes ficou evidente desde os primeiros minutos. Aos 8, Lipani quase abriu o placar ao aparecer na área após cobrança de escanteio, mas cabeceou por cima do travessão. O volante do Sassuolo voltaria a participar das melhores ações ofensivas italianas durante toda a primeira etapa, mostrando personalidade em sua estreia.

Muitas caras novas e pouco conhecidas: só Donnarumma, Pisilli e Esposito tinham experiência anterior pela seleção (Arquivo/FIGC)
O domínio territorial azzurro aumentou com o passar do tempo. Aos 24 minutos, Koleosho avançou pela esquerda e encontrou Lipani infiltrando pelo centro. O meio-campista tentou servir Esposito, que concluiu de letra para fora. Pouco depois, aos 27, o próprio atacante da Inter tentou uma bicicleta após cruzamento de Cherubini, mas não conseguiu acertar o alvo.
As oportunidades desperdiçadas começaram a se acumular. Aos 33 minutos, Esposito participou novamente ao servir Pisilli com um toque de calcanhar. O jogador da Roma driblou o goleiro Moris, mas ficou sem ângulo e finalizou para fora. A melhor chance antes do intervalo surgiu aos 44, quando Koleosho recebeu em ótimas condições dentro da área e precisava apenas direcionar a conclusão, mas bateu mal e transformou a jogada em uma defesa simples para o goleiro luxemburguês.
Apesar do volume ofensivo, a Itália foi para o intervalo sem marcar. Porém, o placar mudou logo após o reinício. Aos 49 minutos, Pisilli cobrou escanteio e Esposito apareceu na área para se antecipar aos marcadores e cabecear para as redes, anotando o único gol da partida. O lance premiou o jogador mais experiente do setor ofensivo daquela equipe experimental e deu justiça ao controle exercido pelos visitantes.

Festa da juventude: Esposito garantiu a vitória italiana na visita a Luxemburgo nesta quarta (Arquivo/FIGC)
A vantagem poderia ter se transformado rapidamente em tranquilidade. Aos 59 minutos, Koleosho voltou a criar perigo pela esquerda. Após uma jogada do ponta, Esposito fez o corta luz e a bola chegou a Pisilli, que finalizou de pé esquerdo e acertou a trave. O segundo gol parecia questão de tempo, mas a falta de precisão continuou acompanhando a seleção italiana.
Nem mesmo as substituições mudaram esse cenário. Fini, recém-entrado, desperdiçou uma oportunidade clara aos 72 minutos ao concluir mal dentro da área. Pouco depois, Donnarumma precisou mostrar atenção em uma das raras investidas luxemburguesas, afastando de soco uma cobrança de escanteio bem fechada. Aos 77, chegou a vez de Camarda ganhar minutos. O atacante, apontado como uma das maiores promessas do futebol italiano, substituiu Esposito e em sua primeira – e única chance – quase ampliou de cabeça após cruzamento da esquerda. A bola saiu por pouco naquele que foi o último lance digno de nota da partida, que marcou a nona vitória da Itália sobre Luxemburgo em 10 compromissos; curiosamente, no anterior, preparatório para a Copa de 2014, houve empate por 1 a 1.
Sem brilho na conclusão das jogadas, mas dominante durante praticamente toda a partida, a Itália encerrou a noite com uma vitória modesta no placar e significativa no contexto. Depois do terceiro fracasso consecutivo nas Eliminatórias, o amistoso contra Luxemburgo serviu menos para medir o presente da Nazionale e mais para apresentar os rostos que podem definir seu futuro. Contra a Grécia, no domingo, o desafio será maior.
