Serie A

No meio do caminho tinha uma pedra…

Não era bem uma pedra, e sim uma bola… de neve.

Milan 0-2 Arsenal – Fábregas, Adebayor (ou quase isso)

E assim acaba a desgastada desculpa de um time desgastado. Após uma temporada pífia, independentemente da classificação ou não para a Champions League em quarto lugar, o Milan deixou milhares de dúvidas nas cabeças de quaisquer pessoas que viram a equipe jogar na temporada. O que fez o time rossonero nesta stagione? Passou por médios e baixos, às vezes baixos e muito baixos, mas qual foi o ponto alto de 2007/08? A estréia do trio ‘Ka-Pa-Ro’, que acabou com um perigoso Napoli? Provavelmente, e só. Campanha pífia na Coppa Italia, pífia na Champions League – contando que muitos esperavam dos milanistas o bicampeonato -, e uma pífia campanha na Serie A.

O time de Berlusconi, mesmo estando em quarto lugar, é a equipe que mais torra dinheiro com salários no Calcio. Por ano, os ainda atuais campeões europeus gastam 120 milhões de euros para pagar 1 milhão a Digão, 3.2 para o eterno reserva Emerson, 1.8 para Simic, 1.5 para Brocchi, 2 para Favalli, Serginho e Cafu e assim por diante. A Inter, por sua vez, gasta 110 milhões, enquanto Juve gasta 96.9 e, aí sim uma diferença astronômica, vem a Roma com 59.02. A Fiorentina, hoje 4 pontos na frente dos milanistas e na zona de classificação para a Champions League do ano que vem, paga 30 milhões a seus jogadores. Ou seja, os viola gastam quatro vezes menos que o Milan.

Para o jogo de hoje contra o Arsenal, os rossoneri, ainda não excomungados já que o torneio europeu servia como desculpa e escapatória para os problemas nacionais, mudaram a sua tática vitoriosa da temporada passada. Quando atuava no 4-3-2-1 “árvore de natal”, Carlo Ancelotti protegia a defesa o suficiente para não sofrer do coração atrás e ainda conseguir liberar um inspirado Kaká. Hoje, quando foi divulgada a notícia de ausência de Seedorf por lesão, surgiu uma dúvida: o esquema permaneceria o mesmo, com algum meio-campista pouco utilizado tentando fazer a função do holandês? Ou, como muitos defendem, entrar-se-ia com um time teoricamente mais ofensivo, que teria como principal defesa o ataque? Tanto eu quanto você sabemos que Carletto força na teimosia. É realmente difícil acreditar que o treinador tenha escalado Inzaghi no lugar de Seedorf por pura e confiável vontade. Será que alguns veículos de imprensa ou outros pseudo-magos da tática se aquietarão? Ou Ancelotti é realmente um simples e covarde retranqueiro?

Daqui a um, dois anos, diremos nós que o título da Champions League 2006/07 atrasou e conseqüentemente atrapalhou o futuro do Milan? O consagrado troféu foi o bônus, agora virá o ônus: um time vencedor que provou que não se deve menosprezar uma equipe já dita como passada, desgastada, velha, e que deu a volta por cima e ganhou o maior campeonato do planeta. Por outro lado, tal título acomodou um time já acomodado, que se adaptava com declarações absurdas de dirigentes utopicamente iludidos, como se a equipe fosse intocável, impecável e vencesse quando quisesse. Quem pára, deixa-se ultrapassar, e por isso o Milan, estacionado com um carro dos anos 70 cujo motor ainda funcionava, foi deixado para trás por um renovado veículo inglês de peças francesas.

Por incrível que pareça, a eliminação hoje poderá, no futuro, não ter sido nada perto do que tende a acontecer. O Milan perdeu várias chances de iniciar uma renovação no tempo certo, sem pressa. Agora, com vários jogadores inconfiáveis e com prazo de validade expirado, as ilusões de Galliani (“não precisamos de ajustes”) hão de ceder, às pressas, ao que há muito já é pedido. E, pelo menos desta vez, ao contrário da infelicidade tática, a voz do povo deve ajudar. Mudanças drásticas e rápidas demais devem ocorrer, levando a equipe a um desentrosamento incômodo. Para os tifosi, basta agora torcer para o time chegar à Champions League no quarto lugar. Caso isso não aconteça, é bom rezar para aquele Cara que faleceu com uma idade semelhante à média do elenco milanista: 33 anos.

Sem legenda

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Quanto ao desgaste, eis aqui uma relação etária da equipe elaborada por mim:

Nascidos em 1978 – Têm ou terão 30 anos até final de 2008:

4-Kakha Kaladze (27/02)
8-Gennaro Ivan Gattuso (09/01)

Nascidos em 1977 – Têm ou terão 31 anos até final de 2008:
18-Marek Jankulovski (09/05)
23-Massimo Ambrosini (29/05)

Nascidos em 1976 – Têm ou terão 32 anos até final de 2008:
99-Ronaldo Nazário (22/09)
32-Christian Brocchi (30/01)
5-Emerson Da Rosa (04/04)
10-Clarence Seedorf (01/04)
44-Massimo Oddo (14/06)
13-Alessandro Nesta (19/03)

Nascidos em 1975 – Têm ou terão 33 anos até final de 2008:
17-Dario Simic (12/11)

Nascidos em 1974 – Têm ou terão 34 anos até final de 2008:

Nascidos em 1973 – Têm ou terão 35 anos até final de 2008:
1-Dida (07/10)
34-Ibrahim Ba (12/11)
9-Filippo Inzaghi (09/08)

Nascidos em 1972 – Têm ou terão 36 anos até final de 2008:
19-Giuseppe Favalli (08/01)
16-Zeljko Kalac (16/12)

Nascidos em 1971 – Têm ou terão 37 anos até final de 2008:
27-Serginho (27/06)

Nascidos em 1970 – Têm ou terão 38 anos até final de 2008:
2-Marcos Cafu (07/06)

Nascidos em 1969 – Têm ou terão 39 anos até final de 2008:
29-Valerio Fiori (27/04)

Nascidos em 1968 – Têm ou terão 40 anos até final de 2008:
3-Paolo Maldini (26/06)

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