Serie A

Tão perto e tão longe

E esses clichês sempre tão oportunos.

Manchester United 1-0 Roma – Tévez
Uma grande minúscula Roma – mais que merecedora, portanto, desta antítese mais que clichê – tomou pressão, impôs-se e… perdeu. Para o mistão do Manchester United. Os giallorossi se apequenaram nos vinte minutos iniciais de pressão inglesa, que por muito pouco não decidiram o jogo logo em seu início. Por outro lado, a já surrada “sorte de time grande” permitiu que, por alguns momentos, a Roma se sentisse como tal ao não sair atrás do placar.

Com meia hora de partida, o lance crucial da partida: Mancini, no melhor estilo clichê-de-brasileiro-na-Europa, se atirou ao chão ao mínimo toque de Brown: o árbitro colaborou e assinalou o que poderia alterar todo o torneio. Poderia. Se a Roma foi altamente prejudicada na Espanha quando Raúl teve seu gol validado, sua chance de ouro, hoje, veio do apito. Mas De Rossi, outra vez com o nítido sinal da inexperiência que já o afetou tantas outras vezes, encheu o pé – e escondeu o rosto.

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Depois disso, algumas oscilações quase fizeram a equipe de Spalletti abrir o placar. Porém, havia sempre um “quase”. No Old Trafford, Gary Neville voltava a campo depois de 13 meses e Wes Brown também retornava de lesão; mais alguns minutos, até mesmo Cantona colocaria o uniforme para entrar. Não antes que os mandantes abrissem o placar em cruzamento de Hargreaves para cabeçada de Carlitos Tévez. Obviamente, as chances da Roma se esgotaram enquanto a rede balançava sob o olhar de Mexès.

Os giallorossi, ao menos desta vez, não caíram humilhados e pisoteados ante um Manchester tranqüilo e incompleto. Todavia, de novo mostraram que poderiam ter ido mais longe, mesmo isso não sendo esperado: com o desperdício de um pênalti crucial (pleonasmo?), os italianos provaram que ainda precisam de muito poderio psicológico para chegar longe na Liga dos Campeões. Duas eliminações em quartas-de-final são uma evolução enorme se comparadas à queda para o Middlesbrough, nas oitavas-de-final da Copa da Uefa em 2006.

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Como uma nítida squadra em ascensão, falta à Roma adquirir a mentalità vincente e se impôr aos adversários, fazê-los temer antes de um confronto. Por bem ou por mal, tal mentalidade não se compra no eBay e, se a equipe de Spalletti conseguir conquistá-la, pode levar alguns anos. Alex Ferguson, mesclando sabedoria com audácia (e até um pouco de arrogância, considerando as declarações anteriores à partida, na qual o escocês já planejava a semifinal contra o Barcelona), fez um time misto jogar sem grandes complicações.

Seria uma mentira mais cabeluda que Valderrama dizer que futebol não depende de dinheiro. E não é agora que Roma e Schalke 04, com orçamentos muito menores que os remanescentes na Liga dos Campeões, devem abaixar a cabeça. Daqui a alguns anos, quem sabe, a última italiana do torneio fará frente com os times de ponta europeus. Hoje, ainda está um patamar abaixo – como bem expressou Cassiano Gobbet, na Trivela. Enquanto isso, vale aprender com as derrotas e melhorar sua postura no futuro. E evitar que isso também vire clichê.

2 comentários

  • A Roma certamente evoluiu, tem um elenco mais qualificado do que em anos anteriores, mas ainda falta, além do poderio psicológico, experiência e técnica. Sem Totti e Aquilani, a critividade e força ofensiva são minímas.
    Porém, sem loucuras e com um planejamento de médio prazo, a Roma deve firmar-se definitivamenet no escalação principal da Europa. Clubes como o Lyon, que já foi até apontado como favorito, ficaram pelo caminho.

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