Serie A

Missões cumpridas

Balanço da temporada: Siena, Cagliari, Torino, Reggina e Catania.
Parte 2 de 7.

Matteo Sereni: o Toro contratou dezesseis jogadores, mas o goleiro roubou a cena

13º. Siena
Com nove pontos nas doze primeiras rodadas, desta vez parecia que o Siena estava fadado ao descenso. Até que Beretta fosse chamado para o lugar do qual não deveria ter saído ao fim da temporada anterior, transformando o que seria um campeonato desastroso. Na quinta temporada consecutiva do Siena na Serie A, nunca a salvezza havia chegado tão cedo. Muito menos com a satisfação de derrotar Roma, Juventus e Fiorentina durante o campeonato, além de adiar o scudetto da Inter com um empate num San Siro lotado. Beretta chegou em novembro com carta branca para mudar o que quisesse. Devolveu a titularidade a Manninger, apostou na afirmação de Rossettini, recuou De Ceglie e sacou o sempre inócuo Jarolím. No mercado de inverno, recebeu três reforços importantíssimos: Kharja, Coppola e Riganò. E assim, com um returno muito bom baseado nas ótimas atuações de Galloppa e nos gols de Maccarone, o Siena se salvou.

Duas temporadas seguidas salvando o Siena da Serie B. Garantia de renovação contratual? Errado. O diretor esportivo Manuel Gerolin anunciou logo após a última rodada que o técnico não continua para a próxima temporada e logo soltou o nome que comandará o time nos próximos dois anos: Marco Giampaolo. Não por coincidência, as primeiras especulações já põem Del Grosso no time toscano. Mas a primeira contratação deve ser a de Budel, em fim de contrato com o Empoli. Pesce, do Ascoli, também estaria na mira. A principal meta será a de resolver as co-propriedades de vários jogadores importantes. Rossi e De Ceglie têm metade do passe ligado à Juve, assim como Galloppa à Roma, Forestieri ao Genoa e Rossettini ao Padova. Todos possuem mercado na Itália, o que pode ser um complicador. O Siena também trabalha para estender os empréstimos de Kharja e Coppola. Mas não seria de se estranhar se pouca coisa restasse do time atual. Chiesa e Bertotto já são carta fora do baralho e não seria de todo surpreendente se Foggia, Fini e Parola fardassem em bianconero a partir de agosto.

14º. Cagliari
Ao contrário do Siena, o Cagliari parecia sem qualquer perspectiva na parada para o Natal. Tanto que conseguiu engatilhar uma seqüência de doze jogos seguidos na lanterna da competição, claramente sentindo a saída do tridente Esposito, Suazo e Langella. Para quem estava com os dois pés na Serie B, a salvação tomou ares de um verdadeiro milagre. Depois de um vacilante Giampaolo e de um medonho Sonetti, Ballardini retornava ao clube apenas para cumprir os rituais fúnebres. Três caras novas chegaram em janeiro e assumiram a titularidade automaticamente: Storari, Cossu e Jeda. Ballardini também fez renascer o capitano Conti e abriu espaço para Acquafresca marcar impressionantes dez gols em sua estréia na A. No Sant’Elia, sempre lotado, a equipe bateu adversários como Napoli, Lazio e Fiorentina.

O fim da temporada apoteótica escreveu outra página inesquecível da história dos rossoblù, ao lado do scudetto com Riva, as duas promoções seguidas com Ranieri e as semifinais da Uefa com Oliveira. Apostar no futuro do Cagliari é mais complicado. O presidente Massimo Cellino prometeu deixar o clube, mas parece tentado a ficar. A permanência de Ballardini está diretamente relacionada à de Cellino, bem como a de todo o trabalho de mercado, ainda inerte. Del Grosso e Fini podem acompanhar Giampaolo no Siena, Foggia e Acquafresca devem retornar a seus clubes e Conti é especulado no Palermo. Se a festa na Sardenha parece interminável, já é uma boa hora para começar a planejar o futuro. Afinal, a reforma do Sant’Elia continua a todo vapor. E o caixa do clube sente isso.

15º. Torino
Com o material que tinha, o Toro deveria ter feito muito mais. É fácil culpar técnicos, mas dessa vez Novellino realmente tem para si uma grande parcela de responsabilidade por jamais ter conseguido achar uma forma consistente de jogo para sua equipe, que teve em Sereni um de seus poucos match-winners. Rosina, mesmo ilhado num time confuso e lutando contra problemas físicos através dos meses, ainda foi o artilheiro do time pela terceira temporada seguida. O lateral Comotto foi do céu ao inferno: partiu como capitão e parecia próximo de ser convocado por Donadoni; no fim das contas, admitiu publicamente que queria sair, perdeu a faixa, viu cair o nível de suas exibições e ainda rompeu os ligamentos do joelho direito em março. Ao contrário da última temporada, desta vez Di Loreto foi o líder da boa defesa do time. O ataque, por outro lado, foi um desastre: Ventola, Bjelanovic e Stellone se revezaram na função de flops, enquanto Recoba jamais conseguiu acompanhar o nível de Rosina.

Para a próxima temporada, De Biasi continua. O primeiro a sair deve ser o tetracampeão Barone, que após duas temporadas em granata viu seu futebol desaparecer de forma mágica. O Torino de Urbano Cairo, desta vez, precisa fazer escolhas mais corajosas para dar um salto de qualidade que permita ao clube mirar competições européias de forma mais realista. Afinal, o grupo de jogador é bom, mas ainda não rende o que poderia. A prioridade é a de um atacante que faça a diferença com gols. Entre os emergentes, fala-se de Acquafresca e Cacia. Dos experientes, as especulações caem sobre Bonazzoli, Budan e até mesmo Vieri, que poderia voltar ao time que o lançou na Serie A para encerrar sua carreira. Para a já forte defesa, podem aparecer Tonetto, Pratali e Mantovani. Ou ainda Kadlec, ótimo jovem do Sparta Praga. Entre as promessas do elenco, olho em Bottone e Malonga.

16º. Reggina
A Reggina partiu para a temporada com Ficcadenti. Com um número muito grande de jovens e estrangeiros novatos na Serie A (Tullberg, Pettinari, Stadsgaard, Alvarez), o técnico teve problemas na montagem de um time consistente e acabou gerando mais polêmicas que resultados, como quando barrou o capitão Cozza. Com cinco pontos em dez rodadas, Ficcadenti acabou demitido, passando o cargo para Ulivieri. Uma decisão que desagradou ainda mais a torcida, que não havia se esquecido da posição do técnico contra o clube calabrês durante o Calciopoli. Dezesseis rodadas – e dezessete pontos – mais tarde, era a vez de Ulivieri cair. Desiludido, Lillo Foti apostou numa solução interna e Nevio Orlandi, então chefe da prospecção do clube, foi convocado a assumir o comando de uma equipe desmoralizada e já tida como rebaixada. Nas últimas dez rodadas, foram cinco vitórias, dois empates e um milagre: a Reggina, outra vez, se manteve na Serie A, mesmo com tudo apontando para o contrário.

Logo depois da salvezza, a loteria dos técnicos recomeçou. É improvável que Orlandi continue no comando do time, mesmo após o trabalho hercúleo. O favorito para o banco é Luigi De Canio, que esteve no QPR de Briatore e Ecclestone nesta temporada. Dos principais destaques do time, apenas o islandês Hallfredsson deve permanecer. Amoruso, herói há três anos, deve rescindir seu contrato nos próximos dias e partir para a Espanha. Brienza, que chegou em janeiro e tornou-se peça fundamental, pertence ao Palermo e tem seu passe fixado em €2,5 milhões, além de pelo menos duas equipes em seu percalço. Modesto pode seguir para o campeonato alemão, enquanto Campagnolo deve ser envolvido na contratação do zagueiro Costa em definitivo, com o Bologna. Stuani, Ceravolo e Novakovic, já no clube, são as grandes apostas para 2008-09.

17º. Catania
Durante todo o campeonato, o Catania só esteve na zona de rebaixamento por alguns minutos, na última rodada. Ainda assim, foi o último colocado entre os não-rebaixados após, outra vez, começar bem e perder o gás com o decorrer do campeonato. Para balancear a desilução, a boa campanha na Coppa Italia, na qual o time caiu apenas nas semifinais, para a Roma, após eliminar Milan e Udinese. Na primeira parte do campeonato, na qual o Catania causou problemas às grandes equipes e se manteve na intermediária da tabela, destacaram-se principalmente Vargas e Martínez. Os meias Baiocco e Izco também confirmaram as boas atuações dos anos anteriores.

Mais atrás, Terlizzi e Stovini formaram uma ótima dupla de zaga. O que foi exceção, não a regra. As outras opções defensivas do time se revezaram em atuações esquecíveis, como Sabato, Silvestri e Sottil. No gol, Polito foi muito bem, assumindo o lugar de Bizzarri, que teve de passar mais de seis meses na Argentina por alegados problemas particulares. O Catania para a próxima temporada ainda vai contar com Zenga no comando, mas inevitavelmente perderá o peruano Vargas. Martínez, que era saída dada como certa em janeiro, tem contrato até 2010 e talvez tenha ganhado uma sobrevida na Sicília, por sua grande quebra de forma no returno. O grande desafio será segurar Morimoto, “o Ronaldo do Sol Poente”, destaque da seleção olímpica japonesa. Spinesi, em queda livre, deve ser negociado. Para seu lugar, a primeira opção é Cacia, ex-Piacenza e subaproveitado na Fiorentina. Granoche, artilheiro uruguaio da Triestina, também pode pintar. Os rebaixados Gasbarroni, Morrone e Diamanti também são vistos com bons olhos. E o Catania pode voltar a preocupar os grandes, na próxima temporada. Pelo menos no primeiro turno.

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