Serie A

Levanta e sacode a poeira

Balanço da temporada: Empoli, Parma e Livorno.
Parte 1 de 7.

Cristiano Lucarelli: após deixar a torcida do Livorno viúva, a queda com o Parma

18º. Empoli
Da Copa da Uefa à Serie B, sem escalas. Daquele Empoli que surpreendeu no fim da temporada anterior, apenas dois jogadores importantes deixaram o clube: Almirón e Matteini. Se outra grande campanha não era esperada, tampouco se imaginava que o rebaixamento estava por vir. Mas, das 38 rodadas, em apenas onze o Empoli ficou fora da zona de rebaixamento. Com Pozzi e Saudati lesionados por uma boa parte do campeonato, jamais houve uma opção confiável para o ataque, ao ponto de apenas Giovinco e Vannucchi atuarem na frente, em certas partidas. A organização, antes por conta de Almirón, jamais deu certo com Giacomazzi. A defesa, ponto alto da temporada anterior, nesta foi o calcanhar de Aquiles: Vanigli e Raggi fizeram uma Serie A bastante abaixo da média e jamais algum dos goleiros se firmou como titular. Além da dupla de armadores, Moro e Buscé também mantiveram o bom nível da temporada anterior, mas não foi o suficiente.

Luigi Cagni, que foi demitido e recontratado durante a temporada, não teve seu contrato renovado. Para seu lugar, chega Silvio Baldini, que já subiu com o Empoli para a Serie A uma vez, em 2002. Na cadetta, o clube se redimensionará para não extrapolar o já baixo orçamento, apostando na valorização dos jovens do próprio clube. Se a bandeira Vannucchi já disse que quer ficar, por outro lado a barca de saída deve ser grande: Tosto deve seguir Cagni em seu próximo clube, Marianini e Moro têm mercado fora da Toscana e Raggi já é venda dada como certa, por cerca de € 7 milhões. Falando no zagueiro, a defesa será completamente reformulada. Pratali deve seguir para o Siena, Balli estuda se aposentar, Ascoli e Vanigli não terão seus contratos renovados e Adani pode conseguir um voto de confiança de Baldini, que o comandou no Brescia, no fim da década de 90. Entre os jovens, devem ter oportunidades o meia Musacci e os atacantes Mchedlidze e Éder, este último ex-Criciúma. E se Giovinco voltará para a Juventus, também é de lá que deve chegar o maior reforço para a Serie B: Alessandro Birindelli, que deixou o Empoli há doze anos e pretende voltar.

19º. Parma
A coletiva do presidente Tommaso Ghirardi ao fim da temporada foi direto ao ponto: “o rebaixamento é fruto de vários erros, dentre os quais o fato de termos sobrevalorizado o elenco que tínhamos à disposição.” Há um ano, o Parma comemorava a salvezza com Ranieri no comando do tridente Morfeo, Budan e Giuseppe Rossi. Com a chegada de Domenico Di Carlo, que implantaria um plano de jogo menos cadenciado, o aproveitamento de Morfeo tornou-se um grande entrave. O jogador não se encaixava nos planos do técnico, mas ainda assim não aceitava o banco com tranqüilidade. Com vários problemas físicos, o croata Budan também não conseguiu engatar uma seqüência de jogos. No returno, Di Carlo caiu e Cúper foi chamado para seu lugar. De bombeiro a incendiário, o argentino foi demitido antes da última rodada.

Se esta seria uma temporada para a afirmação dos jovens, Cigarini foi um dos poucos a se salvar no naufrágio emiliano – e já é fortemente ligado a Villarreal e Juventus. Por outro lado, Dessena, a maior promessa do clube há doze meses atrás, fez um campeonato abaixo do esperado e deve deixar o clube desvalorizado. Parravicini e Corradi devem ser os primeiros a sair do clube, rumo a Torino e Siena. Fernando Couto e Bucci também não ficam. Para o cargo de técnico, Manzo não deve ser efetivado – Ghirardi deve apostar em algum técnico mais experiente e Novellino surge como primeira opção. O jovem presidente do Parma foi enérgico e deixou claro o novo plano do clube: “ficarão aqui apenas os que se ligarem ao nosso projeto. Os outros não irão embora, eu mesmo os caçarei.”

20º. Livorno
Pela primeira vez em cinco anos sem o bomber Lucarelli, o resultado foi desastroso para o Livorno, primeiro clube a confirmar o rebaixamento, com uma rodada de antecipação. Para seu lugar, o presidente Aldo Spinelli abriu a carteira para fazer apostas. Algo irônico o fato de ter sido a mais barata a render os melhores frutos: Tristán foi um dos maiores flops da temporada, Rossini não foi sombra nem do jogador mediano que já era no Catania, Tavano ficou longe daquele dos tempos de Empoli e Bogdani custou mais de três milhões de euros por gol. Diamanti, vindo praticamente de graça da Serie C2, foi um dos poucos destaques individuais do time na temporada e está na mira da Inter. Os meias Loviso e De Vezze também foram surpresas e devem continuar no elenco para a disputa da Serie B.

Após um ridículo começo com Orsi, com nove jogos sem vitória, Camolese assumiu o elenco e tudo parecia caminhar para um destino mais tranqüilo, com o ápice de doze rodadas consecutivas de fora da zona de rebaixamento. Mas logo o mau futebol se aliou à má sorte. Para a próxima temporada, Luigi Cagni deve assumir o comando do clube, que já começou a se reestruturar. Nelso Ricci retomou a função de team manager que havia deixado há dois anos. Por outro lado, quem deve continuar no clube é o folclórico Spinelli, que adiou para o fim de maio sua decisão de deixar ou não a presidência. A saída de Amelia já foi confirmada por Ricci, assim como as de Galante, Grandoni, Knezevic, Pasquale, Rossini, dos gêmeos Filippini e de Tristán. O brasileiro Sidny também deve sair. Assim como Tavano, na mira de Napoli e Genoa. O reforço mais especulado, o retorno de Lucarelli, é algo utópico. O Parma gastou bastante na aquisição do atacante e é improvável que o libere por um preço baixo para algum concorrente da cadetta.

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