Serie A

Novo líder, muita gente nova

Para variar, neste sábado a Juventus se apresentou de forma desastrada, conduzida por um técnico confuso com poucos atletas (e idéias) à sua disposição. E como tem sido padrão nas últimas semanas, não foi o suficiente. Desta vez, a Juve caiu para um Napoli em alta rotação, finalmente líder da Serie A após 16 anos longe do primeiro lugar.

A versão 2008-09 do Napoli de Edoardo Reja tem voado baixo e passa por três pilares: o capitão e zagueiro Paolo Cannavaro, o atacante argentino Ezequiel Lavezzi e o meia eslovaco Marek Hamsík. Se o ditado inglês diz que a tabela de uma competição jamais mente, o fato de os partenopei virarem o primeiro dia da sétima rodada na liderança isolada é algo notável.

Falar de Lavezzi é chover no molhado. O campeão olímpico se lesionou no início da temporada, mas voltou com grandes apresentações e hoje disputa com Amauri e Gilardino o posto de melhor atacante da Serie A. Contra o Benfica, pela Copa da Uefa, sua falta foi bastante sentida pelo Napoli, que acabou caindo na competição continental. Por uma ótica otimista, o time pelo menos terá folga de rodadas infra-semanais, enquanto os rivais por vaga na Liga dos Campeões se desgastarão nestas datas. Porque, sim, este Napoli lutará por uma das quatro vagas na CL.

Para isso, a chave é Marek Hamsík. Se Lavezzi brilha, Hamsík faz o trabalho sujo de forma surpreendente plástica. Como interno pela esquerda no 3-5-2 napolitano, tem ganhado cada vez mais liberdade no plano de jogo de Reja, mas não deixa de compor o meio e dar combate, mostrando uma maturidade inesperada para alguém de 21 anos recém-completados. Quando chega à frente, é decisivo: é o artilheiro do time na temporada, com seis gols, quatro na Serie A.

Hamsík se tornou a jóia rara que todo mundo quer comprar. Em entrevista à ESPN em agosto, Walter Novellino, ex-técnico do Torino, disse que preferiria o eslovaco em seu time a Ronaldinho. Se os granata não puderam garantir o sonho de Novellino, os rivais locais da Juve tentarão levá-lo a todo custo: Hamsík deverá ser a grande disputa nas próximas janelas de transferência, até porque o Napoli não precisa de dinheiro em curto prazo, graças aos altos investimentos da família proprietária do clube.

Se o time se mantiver embalado até janeiro, especula-se que Aurelio Di Laurentiis investirá muito para buscar uma vaga na Liga dos Campeões. O presidente napolitano nunca escondeu seu interesse por investimento em promessas e deve manter esta política. Daniele Galloppa, destaque do Siena e titular da seleção na última Olimpíada, é especulado como sucessor em médio prazo de Hamsík. Para o ataque, fala-se do artilheiro uruguaio Abel Hernández, apenas 17 anos, do Peñarol. E o primeiro candidato a “novo Lavezzi” tende a ser Diego Buonanotte, 20 anos, do River Plate.

Lavezzi e Hamsík foram as grandes apostas que vingaram na última temporada. Para os próximos meses, o Napoli deve colocar mais dois outros nomes na agenda dos gigantes europeus: o zagueiro ítalo-brasileiro Fabiano Santacroce e o esterno Luigi Vitale. Santacroce chegou ao clube em janeiro e logo se firmou como titular. Nessa temporada, vem bem, mas peca pelo excesso de cartões: já são duas expulsões em apenas sete jogos. Crescido na Lombardia, esteve presente na última convocação de Lippi e deve ter oportunidades reais nos próximos meses.

Já Vitale é a grande surpresa da temporada partenopea. O clube tentou vários jogadores da posição para seu elenco e chegou a fechar com a Fiorentina a contratação de Pasqual, mas o jogador rompeu a negociação sem maiores explicações. Gente experiente como Dragutinovic, Magnin, Tonetto, e até Birindelli foi especulada. Mas o Napoli não fechou com ninguém, afastou o até então titular Savini e Reja topou fazer a aposta arriscada: não improvisar na ala-esquerda e dar a posição ao garoto de 20 anos.

Em Nápoles desde 2005, fez apenas uma partida pela Serie B na campanha que levou o time de volta à primeira divisão. Na última temporada, foi emprestado ao Lanciano e jogou como titular a péssima campanha que rebaixou o time na Serie C1. Foi confirmado no Napoli por declarada falta de opção, mas fez bons jogos internacionais contra Panionios e Vllaznia e ganhou a confiança do técnico, que lhe permitiu estrear na Serie A contra a Roma, em pleno Olímpico. Se rarearam as especulações sobre um lateral-esquerdo, o responsável é o próprio Vitale. Casiraghi tem o observado nas últimas rodadas e uma convocação para a Itália sub-21 é mais do que esperada.

2 comentários

  • Hamsik é um monstro em campo. Não o havia acompanhado no Brescia senão por poucos jogos, então na temporada passada não deixou de ser uma surpresa, para mim, ele jogar TANTO. Tinha noção da expectativa e do seu potencial, mas não sabia que era um cara tão forte assim.

  • vola lavezzi vola sotto la curva vola… azz, matias, se a coisa tá negra pra Roma, eu não diria diferente para a véia poderosa de turin. mans, algo que me atormenta é saber que fizeram um mercado de rir por meses, com todo o dinheiro que eles tem, será que foi por causa da série b, patrocinios e tudo mais??

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