Serie A

Brescia, com B de Baggio

A Serie B, que começou na última sexta-feira, tem o B do Brescia, que já estreou vencendo a Cittadella. O clube detém o recorde de participações totais no campeonato, que venceu três vezes. E, pelo menos até 2018, também será o time com mais participações consecutivas: 53 e 18, respectivamente. No Brasil, o time lombardo é famoso por ter sido a última casa de Roberto Baggio, Bola de Ouro em 1993.

Nascido da fusão entre US Bresciana, Victoria e Gimnasium, em 1911, a primeira camisa do Brescia tinha uma listra vertical alaranjada ao longo de seu tradicional azul. Quando vinha se firmando no cenário local, em 1916 o clube teve suas atividades esportivas paralisadas porque a cidade estava perto demais do fronte de Adamello, um dos principais focos de batalhas na 1ª Guerra Mundial. Naqueles anos, surgiria Trivellini, goleiro e capitão do time até 1930. Surgiria também um símbolo importante do time: a camisa azul com o V em branco na parte superior, para representar a vitória na guerra recém-concluída.

A camisa rondinelle sempre foi um capítulo à parte. O azul-marinho e o alaranjado eram as cores dominantes até o fim da primeira guerra, quando o azul da Casa de Savóia (também cor predominante da Seleção) se tornou padrão. Em 1948, o Brescia passou a usar uma camisa totalmente branca, com o azul só nos calções e nas meias – seria uma forte de mostrar o apoio à unificação do Estado italiano em torno da república. As mudança foram um padrão nos anos seguintes, e só em 1991 a camisa do Brescia passou a ser a que conhecemos hoje.

A inauguração do estádio Mario Rigamonti não deu muita sorte em suas primeiras décadas: os anos 50, 60 e 70 foram períodos negros na história do Brescia. Até 1956, o time jogava no autodenominado Stadium, de Via Naviglio, que passou três anos em obras de ampliação e melhorias que o fizeram ser reinaugurado com este nome em memória ao jogador bresciano que morrera no desastre de Superga. Mas o Rigamonti deve sair de circulação nos próximos anos, com o projeto do presidente Corioni de construir um novo centro esportivo na região do aeroporto de Montichiari.

Andrea Caracciolo (dir) é o principal nome do atual elenco do Brescia

Se confirmada, a construção do novo estádio deve colocar o nome de Corioni na história da cidade. Presidente do clube desde 1992, é com ele no comando que os biancoazzurri conseguiram os melhores resultados de sua história. O início foi complicado, com rebaixamento no primeiro ano, promoção no segundo, queda no terceiro, subida no quinto, de novo queda no sexto e promoção de vez em 2000. Foi quando Baggio chegou, recusando Arsenal e Real Madrid com uma cláusula de contrato interessante: se o técnico Carlo Mazzone fosse demitido, Baggio também estaria fora. O treinador durou três anos. O camisa dez, quatro.

O início dos anos 2000 foi qualquer coisa fantástica para o Brescia. A primeira vitória do século veio só na oitava rodada da temporada 2000-01, mas naquele campeonato os rondinelle fizeram uma ótima campanha de recuperação e terminaram em sétimo, melhor resultado da história do clube. E o ano seguinte só não foi melhor porque um Baggio espetacular, com oito gols nas nove primeiras rodadas, perdeu alguns meses graças a uma lesão no joelho direito. Mas a Serie B voltou logo na primeira temporada depois da despedida do Codino, de onde o Brescia ainda não conseguiu sair. Nos dois últimos anos, caiu nos play-offs para Albinoleffe e Livorno. E torce para que a atual temporada fuja da regra.

As temporadas
31 participações na Serie A, 53 na Serie B e 4 na Serie C.

Os títulos
Dos seis troféus oficiais conquistados pelo Brescia, metade vieram na década de 90: dois da Serie B (1992 e 1997) e uma Copa Anglo-Italiana (1994), único título internacional da história azzurra. Juntam-se a estes mais um título da segunda divisão (1965) e dois da terceira (1939 e 1985). Há também uma “Copa da Amizade Ítalo-Suíça” (1967).

Os rivais
Em Brescia, as maiores rivalidades do clube refletem as disputas com os habitantes da cidades rivais: por isso, Atalanta, Napoli, Roma e Hellas Verona são os principais adversários dos rondinelle. Pela forte amizade com a torcida do Milan, o tifo organizado bresciano também herdou a indisposição com grupos de Inter e Juventus. E não é nada agradável ser considerado inimigo pelos Ultras Brescia, grupo famoso por seus atos de vandalismo e violência.

Os brasileiros
Durante os 31 anos que os rondinelle passaram na Serie A, apenas três brasileiros vestiram sua camisa: o lateral-esquerdo Branco (50 jogos, 4 gols), ex-seleção brasileira, entre 1986 e 1988; o zagueiro Fábio Bilica (11j), ex-Grêmio, no primeiro semestre de 2003; e o meia Matuzalém (60j, 3g), atualmente na Lazio, entre 2002 e 2004. Fora da primeira divisão, foram mais três brasileiros no Brescia: o meia Anderson (2005-06, 7j), ex-Inter e Santos; o lateral-esquerdo Lima (2006-08, 58j, 3g), ex-Roma; e o zagueiro naturalizado Fabiano Santacroce (2005-08, 45j, 3g), hoje no Napoli.

Os selecionáveis
Sete jogadores vestiram a camisa da seleção italiana em quanto atuavam pelo Brescia. O goleiro Giuseppe Trivellini, que estreou aos 19 anos contra a Suíça em 1915, último jogo azzurro antes da 1ª Grande Guerra, é o recordista de presenças: 7 jogos. O selecionável mais recente foi o centroavante Andrea Caracciolo, que fez seu único jogo em novembro de 2004. Os outros são o zagueiro Daniele Bonera (3 partidas), o goleiro Giuseppe Peruchetti (2), o meia Giovanni Azzini (1), o atacante Virginio De Paoli (1) e o fantasista Roberto Baggio (1), em abril de 2004, num amistoso que marcou sua despedida da seleção. De Paoli, maior artilheiro da história do clube, faleceu na última segunda-feira aos 71 anos.

O onze histórico

Giuseppe Trivellini; Alessandro Chiodini, Maurizio Venturi, Gabriele Podavini; Evaristo Frisoni, Evaristo Beccalossi; Daniele Zoratto, Stefano Bonometti, Salvatore Giunta; Roberto Baggio, Virginio De Paoli. T: Renato Gei.

Quem mais jogou
Stefano Bonometti, 420 jogos

Quem mais marcou
Virginio De Paoli, 136 gols

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