Serie A

900 minutos em 9: 28ª rodada

Golaço de Seedorf no fim do jogo reabriu a disputa pelo título da Serie A, a dez rodadas do fim (Reuters)
Uma rodada peculiar, na qual oito times marcaram três gols em suas partidas e cinco destes não conseguiram sair de campo vitoriosos. Na qual a ótima média de gols por jogo foi mais que o dobro da passada (3,9 por jogo, contra 1,7). Na qual só um dos sete primeiros colocados conseguiu vencer, enquanto apenas dois entre os últimos sete perderam. Na qual o lanterna conseguiu empatar com a maior campeã da história do torneio após estar perdendo por 3 a 0. E na qual a líder reabriu o certame para sua maior rival ao jogar uma partida lamentável na sempre perigosa Sicília: a esta altura do campeonato, é a pior campanha de uma líder desde que a Serie A retornou a 20 times.

Com o argentino Llama lesionado até o fim da temporada, um dos melhores do time desde que Mihajlovic assumiu, o Catania (15º lugar, 31 pontos) podia esperar um jogo mais difícil do que se mostrou este com a Inter (1º, 59). Mas a líder bobeou, fez um de seus piores jogos na temporada e queimou ali mesmo no Etna uma sequência de 12 jogos. Ainda que os rossazzurri fizessem por merecer a vitória desde o primeiro tempo, o susto foi grande. Milito abriu o placar num contra-ataque, mas logo o Catania empataria com Maxi López em falha de Lúcio. Pela direita, a dupla Izco-Martínez sempre deixava Zanetti em grandes apuros, enquanto do lado esquerdo Ricchiuti e Mascara aproveitavam uma má partida de Maicon. A partida foi decidida quando Muntari substituiu Cambiasso: entrou, não tocou na bola e levou dois amarelos em 70 segundos. De quebra, concedeu um pênalti que Mascara converteria com extrema categoria. No finalzinho, Martínez ainda passaria fácil por uma trôpega Inter para matar o jogo, 3 a 1. Ótima fase dos etnei, com 22 pontos nos 13 jogos de Mihajlovic. Do lado de lá, só as quartas-de-final da Liga dos Campeões podem impedir uma crise em Appiano Gentile.

Com a derrota na sexta-feira, a Inter teve de esperar até a noite de domingo para ver seu principal pesadelo se confirmar: o Milan (2º, 58) está realmente vivo na disputa pelo título, agora a um só ponto de diferença da líder. E os rossoneri venceram o Chievo (13º, 35) no melhor estilo da rival. Ainda sentindo os efeitos para a eliminação europeia para o Manchester United, o Milan lutou bastante, mas esteve longe de mostrar seu melhor futebol. Até penou no primeiro tempo, com a bola que Mantovani mandou no travessão de Abbiati e um gol mal anulado de Yepes. Depois do intervalo, com Inzaghi em campo, o Milan melhorou e Ronaldinho entrou de vez no jogo, como bem mostrou a trave que o camisa 80 balançou. No finalzinho, preocupação e explosão: Beckham, com uma suspeita de ruptura do tendão de Aquiles, deixou o campo às lágrimas pouco antes de Seedorf marcar um dos mais belos gols da rodada, com um chute cruzado de direita que acertou o ângulo oposto de Sorrentino. Vitória simples sobre um heróico Chievo, sofrida e contestável. Mas para reacender a Serie A.

Serie A que só não ficou ainda mais quente porque a Roma (3º, 53) perdeu uma oportunidade única de se relançar na disputa ao título. Contra o Livorno (18º, 24), os giallorossi chegaram ao sétimo empate do time fora de casa, maior índice entre as equipes do campeonato. Mas nem mesmo o 3 a 3 serviu para alavancar o ataque do Livorno, que segue sendo o pior do certame. Com Toni voltando à titularidade 50 dias depois, foram Lucarelli e Perrotta os nomes da partida: com dez minutos de jogo, o primeiro já havia aberto o placar e o segundo respondido depois de calcanhar de Taddei. Perrotta continuou decisivo ao desviar de cabeça uma bola para Toni concluir o segundo gol para a Roma. Enquanto isso, as más jornadas de Mexès e Motta na defesa deixavam sua marca no segundo gol de Lucarelli, que recebeu no limite do impedimento e ainda driblou Julio Sergio antes de reempatar a partida. O time da capital voltaria à vantagem com uma bola de Perrotta para Pizarro. E aos 26 do segundo tempo, o empate voltaria para ficar: cruzamento de Lucarelli que Juan tirou com a mão na grande área. Na cobrança, o camisa 99 garantiu o direito de pedir sua música no Fantástico antes que Pizarro perdesse um pênalti. O título ainda é possível para a turma de Ranieri. Assim como a salvezza para os homens de Cosmi. Mas as missões serão longas.

Como o Livorno não venceu, a Lazio (17º, 26) comemora. Mas de leve, já que o rebaixamento para a Serie B é um pesadelo cada vez mais presente, como provam as declarações raivosas do capitão Rocchi na saída do estádio Olimpico: “devemos todos nos envergonhar”. Desta vez, e com Zárate no meio da Curva Nord, o algoz foi o Bari (11º, 38). Com Ledesma longe de seus bons dias, o 3-1-4-2 de Reja não pôde dar certo. A partida começou com as equipes se anulando e Belmonte parando Kolarov pela lateral. O único chute a gol no primeiro tempo foi de Hitzlsperger, ainda sem tempo de jogo, no último minuto. O sono em campo seria fundamental para que o pesadelo se formasse: Muslera falhou feio numa falta que vinha da direita e soltou nos pés de Almirón a bola do 1 a 0 para os biancorossi. Depois, o ex-romanista Alvarez matou o jogo ao receber lançamento de Meggiorini num contra-ataque perfeito. A partir daí, Gillet foi perfeito, parando até um pênalti de Kolarov. A direção laziale já cogita, pela quarta vez na temporada, antecipar em praticamente uma semana a concentração para o jogo contra o Cagliari. Será suficiente para quem não vence em casa desde 6 de janeiro, só venceu uma das últimas dez partidas e só conquistou um dos últimos doze pontos disputados?

Quem continua se afundando é a Atalanta (19º, 22), que perdeu seu décimo jogo fora de casa e agora divide a lanterna com o Siena. Desta vez, quem bateu os comandados de Mutti num (inédito 4-3-1-2, com Doni atrás de Amoruso e Tiribocchi) foi o Parma (12º, 37) de Guidolin, que finalmente voltou a vencer e praticamente se colocou de fora da luta contra o rebaixamento. O único gol da partida foi anotado por Bojinov, que havia entrado poucos minutos antes no lugar de um apagado Lanzafame. O búlgaro recebeu um cruzamento de Crespo após belíssimo passe de Galloppa. Para piorar a situação dos nerazzurri, Doni foi expulso por reclamação e deverá desfalcar o time por pelo menos duas rodadas. No jogo-chave contra o Livorno do próximo domingo, Mutti ainda não contará com Capelli e Tiribocchi. Apostar na salvezza já beira o impossível. Ainda que o Siena (20º, 22) esteja desafiando o impossível a cada rodada desde que Malesani assumiu seu comando. Contra a Juventus (5º, 45), buscaram o empate mesmo ao estar perdendo por 3 a 0 e ficaram a apenas quatro pontos da Lazio, último time de fora do Z-3.

Para a Juve, não bastou o 301º gol da carreira de Del Piero, 270 pela Velha Senhora: o time de Zaccheroni leva gols demais (13, em dez jogos) e provou isto mais uma vez. O capitão deixou dois para alcançar a marca, primeiro num rebote de Curci e depois num golaço de direita aos sete minutos de jogo. Com Diego no banco, Candreva comandava aos ações ofensivas. Foi dele o terceiro gol, num de fora da área, para matar o jogo. Que seria ressuscitado por Maccarone e Ghezzal, duas vezes. Em ordem, numa falha de Grygera, num rebote após Maccarone driblar Grygera e acertar na trave… e em um pênalti concedido por Grygera, em dia horrendo como zagueiro improvisado. Num dia em que o Siena jogou de verde, a Juve caiu de madura para si mesma. Bom para o Palermo (4º, 46), que não saiu do G-4 mesmo após cair para a Udinese (16º, 31) no Friuli, por 3 a 2.

A Udinese quebrou a sequência de três vitórias seguidas do Palermo muito graças a seu artilheiro Di Natale, que desta vez não marcou, mas deu passe para os dois gols do time no segundo tempo. Floro Flores havia aberto o placar pouco antes do intervalo, interrompendo seu jejum de um mês, mas Simplício anotou o empate no retorno ao jogo. Floro Flores recolocou a Udinese na frente e Asamoah ampliou, fazendo inútil o golaço de bicicleta de Cavani que fechou o placar em 3 a 2. Méritos divididos com o goleiro Handanovic, que fez milagre em bola de Bertolo no último lance. Outro time que segue em fuga rumo à salvezza antecipada é o Bologna (14º, 35), que arrancou um empate com a Sampdoria (6º, 44) em partida de final eletrizante: com Cassano fora de forma, Gastaldello marcou para a Samp aos 42 do segundo tempo e Raggi definiu o jogo nos acrésimos, livre na entrada da pequena área.

Mais um motivo para a torcida do Genoa (7º, 42) comemorar, como se não bastasse a vitória espetacular por 5 a 3 sobre o Cagliari (9º, 39). Com o placar, os grifoni alcançaram a marca de segundo melhor ataque da competição, mas com a função dissipada por todo o elenco: Sculli e Rossi, que marcaram hoje, têm cinco gols e dividem a artilharia do time com outros dois jogadores. Pra não falar das três bolas que o Genoa acertou nas traves de Marchetti, nada mal para quem jogou sem qualquer centroavante de ofício. Não perca a conta e ordem: gols de Dessena (passe de Matri), Zapater (pênalti de Astori), Palacio (de calcanhar), Conti (de primeira), Sculli (de cabeça), Rossi (em passe de Milanetto) no primeiro tempo. Depois do intervalo, Matri (convertendo pênalti concedido por Bocchetti) e Milanetto (aproveitando desvio de cabeça de Palacio) fecharam o placar de um jogo emocionante, que ainda teve várias chances de gol. E que dá muito entusiasmo para o Genoa voltar forte à luta por vaga na Liga dos Campeões.

Vaga, esta, que provavelmente não terá as cores do Napoli (8º, 41), que perdeu a primeira em casa na temporada e continua em queda livre, agora a cinco pontos do já distante G-4. A asa negra foi a Fiorentina (10º, 38), que já aceitou a queda europeia para o Bayern e entrou firme na Serie A para tentar recuperar o terreno perdido e começar seu assalto à Liga dos Campeões do próximo ano. Lavezzi, que não marcava no San Paolo desde janeiro de 2009, abriu o placar. Mas Jovetic deu duas assistências para Gilardino virar e ainda marcou o 3 a 1 final aproveitando da subida do goleiro De Sanctis para tentar cabecear um escanteio nos acréscimos. Nada mal para quem deveria ter perdido Felipe por expulsão antes da doppietta de Gilardino e nem teve marcado contra si um pênalti claro. Mas a Fiorentina, finalmente e a dez rodadas do fim, disputará o campeonato.

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Seleção da 28ª rodada
Mirante (Parma); Sardo (Chievo), Raggi (Bologna), Gastaldello (Sampdoria), Terlizzi (Catania); Buscé (Bologna), Seedorf (Milan), Almirón (Bari); Martínez (Catania), Sculli (Genoa), Lucarelli (Livorno)

1 comentário

  • Foi demais essa rodada,sim.

    Este Milan 1 x 0 Chievo lembrou muito o jogo de 2004/2005 quando o Milan fez jogo dificil contra o mesmo Chievo e ganhou também de 1 x 0 com gol de Seedorf,que foi regista naquele 20 de Abril de 2005

    Dida
    Cafu, Stam, Nesta, Maldini
    Gattuso, Seedorf, Serginho(Kaladze)
    Kaká
    Shevchenko(Brocchi),Crespo(Tomasson).

    Campeonato aberto.Finalmente uma emoção na Série A. Fazia tempo que não acontecia.

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