Serie A

900 minutos em 9: 33ª rodada

O capitão e sua torcida: Totti comemora a ultrapassagem da Roma, líder a cinco rodadas do fim (Reuters)

A sete dias de um dos dérbis mais importantes do país, o de Roma, a Serie A respirou os ares de sua capital. Viu o time giallorosso assumir a liderança do campeonato, algo que não era visto desde setembro de 2007, e o biancoceleste construir uma virada esplêndida no segundo tempo para praticamente se livrar do rebaixamento. O fim de semana também foi da cidade de Gênova, que viu uma partida extraordinária – como tem sido habitual – entre seus dois times. Aliás, extraordinária como foi tota esta rodada da Serie A, uma das mais emocionantes de toda a temporada. Só de gols, foram 34, média de 3,4 por partida. Dos oito jogos em que alguém saiu vitorioso, quatro deles foram de virada. Motivo para o futebol italiano sacodir a poeira nesta emocionante reta final.

O sábado foi reservado a surpresas. O Napoli (hoje, 7º colocado, 49 pontos) recebia o Parma (8º, 46) com a obrigação de vencer para se manter na disputa por uma vaga na Liga dos Campeões. E tudo parecia ir bem para a turma de Quagliarella, que marcou aos três minutos de jogo em cruzamento rasteiro de Lavezzi. O primeiro tempo passou calmamente, numa partida bem morna. Depois do intervalo, o San Paolo pegou fogo com a entrada de Crespo. Campagnaro falhou na entrada da área e o atacante argentino roubou a bola e tocou para Antonelli marcar pela primeira vez na Serie A. Poucos minutos depois, Lucarelli confirmou a virada cabeceando um escanteio sem nem precisar sair do chão. O empate partenopeu viria com Hamsík, depois de ótima jogada de Zúñiga (desta vez pela lateral-direita). Mas só isso. A cinco minutos do fim, Quagliarella levou o vermelho por xingar o arbitro e daí foi um passo para o gol decisivo de Jiménez, também com passe de Crespo: 3 a 2. Com Walter Mazzarri expulso no fim, também por reclamação sobre uma suposta irregularidade do argentino no início do lance.

A partir daí, meia hora de descanso para uma disputa que parecia já definida. Em Florença, uma Fiorentina (9º, 46) com cinco reservas enfrentaria a então líder Internazionale (2º, 67), que iria a campo com a mesma escalação que havia batido o CSKA em Moscou, não fosse a lesão que tirou Stankovic do jogo pouco antes da partida. Um dos reservas viola era Keirrison, que chegou com pompa e ainda não tinha mostrado serviço. Pois deixou sua marca contra um Júlio César que fez no Artemio Franchi uma de suas piores apresentações desde que chegou à Itália: Montolivo fintou Zanetti e lançou Comotto, que cruzou para o brasileiro mandar pras redes, livre. Depois do intervalo, Sneijder começou as jogadas para os dois gols dos nerazzurri. No primeiro, Maicon recebeu e cruzou para Milito marcar. No segundo, foi Eto’o quem marcou, com cruzamento de Balotelli. Um minuto depois, o gol do 2 a 2 definitivo veio com Kroldrup, que antecipou todo mundo ao cabecear um escanteio na segunda trave. Os dois times se reencontram na terça-feira pela semifinal da Coppa Italia. Já a corrida pelo scudetto continua para a Inter na sexta-feira, no derby d’Italia contra a Juve.

Com o resultado, toda a expectativa foi jogada para a Roma (1º, 68), que enfrentou a Atalanta (18º, 31) em casa e sofreu mais que o necessário para garantir a vitória, mesmo com grandes exibições de Totti e Vucinic. O montenegrino abriu o placar logo aos 12 minutos, com direito a falha medonha do goleiro Consigli, que aceitou um chute de fora da área em sua direção. Foi seu 50º gol com a camisa da Roma, por todas as competições. Aos 27, Totti puxou a marcação pela direita e arquitetou um lindo cruzamento para Cassetti, em sua 100ª partida em giallorosso, cabecear como um centroavante. No intervalo, Vucinic deu lugar a Toni para ser poupado se um possível cartão que o tirasse do dérbi da próxima rodada por soma de amarelos, e a Roma caiu demais de produção. Tanto que Tiribocchi logo se aproveitou de um corte ruim de Riise que se transformou em assistência para o gol de honra da Atalanta, que ainda chegou com perigo pelo menos três vezes. Por fim, quase Ménez foi expulso ao simular duas faltas em seguida e acabou substituído por “conselho” de Totti, que seria retirado de campo, mas pediu a Claudio Ranieri que sacasse o francês para evitar o cartão vermelho. Com um rival pressionando até o fim e uma torcida em êxtase, a Roma pôde comemorar a vitória suada. Que enche de moral para o clássico do próximo domingo.

Moral no alto também tem a Lazio (16º, 37), que venceu o Bologna (17º, 35) fora de casa numa virada esplêndida, o ultrapassou na tabela de classificação e já jogou o favoritismo do dérbi da próxima semana no colo da rival. O início do jogo foi todo dos rossoblù: Guana abriu o placar ao receber livre o passe de Modesto e Portanova ampliou subindo alto para cabecear escanteio. Aos 38 minutos, Edy Reja sacou Biava (improvisado na lateral-direita) para botar o capitão Rocchi em campo, que não jogaria por estar pendurado e arriscar um cartão amarelo que o tirasse da partida com a Roma. E assim a Lazio passou do 3-4-1-2 para o 4-3-3 e se reencontrou: Zárate acertou a trave e, pouco depois, Kolarov cruzou para Mauri mandar um chute bonito dentro da grande área e descontar. Depois do intervalo, foi a vez de o Bologna sumir do campo e acusar o golpe. O empate laziale veio com André Dias, que acertou primeiro no travessão e depois no gol uma cobrança de falta de Ledesma. E a virada saiu dos pés de Rocchi: Zárate puxou pela direita e tocou para Brocchi, que improvisou um passe de calcanhar para o camisa 9. Por 3 a 2, quinta derrota seguida para o Bologna, que agora está só a quatro pontos da zona de rebaixamento e ainda encara a Atalanta antes do fim do campeonato.

Voltando um pouco à luta pelo scudetto, de se notar o péssimo resultado do Milan (3º, 64) em casa frente ao Catania (13º, 39), uma das equipes em melhor forma no segundo tempo. Excelente para quem era tido como rebaixado quando da chegada de Sinisa Mihajlovic. Com um jogo ofensivo, os etnei encurralaram o Milan dentro do próprio San Siro. Leonardo apostou num ofensivo 4-2-1-3, mas viu uma atuação medíocre de seus comandados, que saíram para o intervalo vaiados pela torcida. Pudera. Primeiro, Ricchiuti tocou para Maxi López anotar. Depois, o camisa 11 retribuiu o favor em cruzamento para que Ricchiuti se antecipasse a Antonini para fazer o segundo. No desespero é que o Milan se deu melhor e acabou encontrando um gol de Borriello em grande jogada de Seedorf. E Borriello ainda empataria matando no peito antes de bater um cruzamento de Abate. Um empate heróico para o Catania, que deixa Roma e Inter com a estrada aberta para decidirem entre si o título da Serie A. A cinco rodadas do fim, o que poderia ser uma luta pelo título se transforma, para o Milan, numa longa via-crúcis de aguardo para a próxima temporada.

Se há consolo para o torcedor rossonero, é a vaga direta para a Liga dos Campeões praticamente garantida. Afinal, o time ficou a dez pontos de distância do Palermo (4º, 54), com apenas 15 a se disputar no torneio. No gol do brasileiro De Paula para o Chievo (14º, 38), que aproveitou-se de um cabeceio ruim de Nocerino, bem que pareceu que a vaca rosanero estaria rumando para o brejo. Mas a dupla dinâmica Pastore-Miccoli, essencial para os 40 pontos conseguidos pelo time de Delio Rossi nas últimas 20 rodadas, logo entrou em ação. Liverani era vaiado pela torcida quando cobrou uma falta que Pastore desviou de cabeça para o gol e depois coube a Miccoli fechar o placar com dois gols, alcançando a marca de 15 deles no campeonato, seu recorde na Serie A. Dos italianos, é o atacante em melhor forma há meses, mas ainda assim segue longe das intenções de Marcello Lippi. O primeiro de seus gols foi convertendo pênalti de Iori sobre Liverani, e o segundo em um lindo chute de fora da área, sem chance para Sorrentino. Mesmo com a derrota, o Chievo continua tranquilo em relação ao rebaixamento, testando alguns jovens como Jokic e Sbaffo na reta final do campeonato.

Situação parecida vive o Cagliari (12º, 40), que alcançou cedo a salvezza e agora vê uma quebra de resultados. Ainda assim, a derrota para a Juventus (6º, 51) em Turim foi vendida cara. A Velha Senhora sofreu e só venceu os sardos pelo placar mínimo, em gol marcado por Chiellini em uma saída ruim de um Marchetti em má fase recente. O melhor atacante bianconero foi mesmo o zagueiro da seleção italiana, que quase deixou seu segundo no final do segundo tempo, mas foi atrapalhado por um Iaquinta impedido quando a bola já ia em direção ao gol. Quando o placar ainda estava no zero, Cossu acertou o travessão de Buffon e Matri perdeu uma oportunidade incrível. Com o 1 a 0, a equipe bianconera ficou no lucro. A Juve bem que continua na luta por uma vaga na Liga dos Campeões, mas hoje está bem atrás do que Palermo e Sampdoria têm apresentado. O ponto positivo foi a defesa que passou inviolada, algo que não acontecia há 19 jogos da Serie A.

Na parte de baixo da tabela, a Udinese (15º, 38) foi outra que praticamente se livrou do fantasma do rebaixamento, ao bater o Livorno (20º, 26) na Toscana e decretar a queda amaranto no retorno de Gennaro Ruotolo ao comando do lanterna. Se ainda há esperança matemática, nem o torcedor mais apaixonado confia numa salvação: o time ficou a nove pontos do Bologna, último de fora da zona-salvezza e ainda enfrenta a Sampdoria em Gênova antes do fim do campeonato. Para a Udinese, o jogo ficou marcado como a primeira vitória fora de casa em toda a temporada. Tudo decidido no primeiro tempo, antes com Sánchez e então com Di Natale, 23 gols no campeonato. A torcida do Livorno não aceitou o resultado e o time só deixou o estádio duas horas após o encerramento da partida, por uma saída secundária. Já o Siena (19º, 29) segue com um pouco mais de esperança depois de vencer o Bari (11º, 43). Com o retorno de Barreto, os biancorossi chegaram ao gol fácil, com Rivas e Castillo. Mas Ghezzal empatou, marcando duas vezes, a última delas encobrindo Gillet. A vitória foi selada por Rosi, que aproveitou rebote em chute de Del Grosso para fechar o jogo em 3 a 2 para o Siena. Mas a tabela é complicada e prevê Palermo, Fiorentina e Inter nas rodadas finais. Na cidade do Palio, se salvar também beira o impossível.

Para fechar a rodada, o grande jogo do fim de semana, o clássico entre Sampdoria (5º, 54) e Genoa (10º, 45). Que começou quente mesmo antes de seu início. Brigas entre as torcidas rivais fizeram a partida ser adiada em 15 minutos, mas dentro de campo, desta vez, ninguém acabou expulso. Muito por bondade do árbitro, Tagliavento, que podia ter mandado Sculli embora no primeiro tempo e Sokratis em qualquer momento (oito faltas cometidas, uma delas custando a saída de Cassano, lesionado). Foi do mesmo Cassano o único gol da partida: Palombo cobrou falta, Lucchini desviou e Fantantonio marcou de cabeça. O Genoa teve muitas dificuldades e terminou a partida sem chutar qualquer bola na direção de Storari – na única vez em que fez isso, a arbitragem já marcava corretamente um impedimento de Sculli. Após a saída de Cassano, a Samp recuou e viu as ótimas atuações de Palombo e Gastaldello serem decisivas no Luigi Ferraris lotado e incendiado com um jogo que pegou fogo no primeiro tempo, mas viu seu ritmo cair um pouco após o intervalo. Luigi Del Neri fez, como de praxe, o básico. E conseguiu o que queria. Já Gian Piero Gasperini não teve sorte com suas substituições e viu Acquafresca e Zapater entrarem sem sintonia qualquer de jogo. Ótimo para os blucerchiati, que terminam a temporada por cima, ao menos no que mais importa por lá: o confronto da cidade.

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Seleção da 33ª rodada
Julio Sergio (Roma); Cassetti (Roma), Gastaldello (Sampdoria), Chiellini (Juventus), Zúñiga (Napoli); Montolivo (Fiorentina), Palombo (Sampdoria); Ghezzal (Siena); Rocchi (Lazio), Miccoli (Palermo), Maxi López (Catania)

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