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Sandro Mazzola fez valer o dito ‘filho de peixe, peixinho é’

Dono de um dos sobrenomes mais importantes do futebol italiano, Alessandro Mazzola, filho de Valentino, estreou na Serie A em uma situação, no mínimo, curiosa: no famoso dérbi em que a Juve venceu a Inter por 9 a 1, dia 10 de junho de 1961. Nessa ocasião, o presidente nerazzurro Angelo Moratti mandou a equipe Primavera ir a campo, em protesto contra decisões da Figc que, em seu ver, prejudicavam o time de Milão. O único gol da Inter foi marcado exatamente por Mazzola, de pênalti. Foi também a partida de despedida de Giampiero Boniperti, ídolo juventino.

Desde que entrou para os times de base da Inter, o jovem que viu o pai morrer no Desastre de Superga com apenas seis anos de idade já estava rodeado de expectativas. O sobrenome, claro, pesava. Mas Alessandro – ou Sandro, como passou a ser chamado poucos anos mais tarde – soube lidar bem com isso e traçou uma carreira muito vitoriosa em dos clubes mais importantes da Europa. Foi atuando de interno (ou mezz’ala) que Sandro conquistou seu lugar na memória dos interistas.

Sua boa habilidade, com dribles rápidos e bons passes, chamou a atenção desde seus primeiros anos na base do clube lombardo. Por isso, Giuseppe Meazza fez questão de acompanhar sua carreira desde o início e pedir o lançamento do rapaz no time principal. Isso ocorreu efetivamente na campanha vitoriosa de 1962-63, quando o clube sagrou-se campeão italiano. Foi a primeira temporada em que Sandro apareceu com regularidade na equipe de Helenio Herrera, com 23 presenças e 10 gols. Inesquecível, ainda, a estreia de Mazzola em um dérbi de Milão: marcou seu primeiro com apenas 13 segundos, recorde na história do confronto. Era predestinado.

Começavam ali os melhores anos da história interista. Com o catenaccio aprimorado por Herrera depois de sua chegada à Itália, a equipe nerazzura alcançou patamares altíssimos em termos técnicos e táticos. Com o argentino no comando, venceu os scudetti de 1963, 1965 e 1966, e as Copas dos Campeões de 1964 e 1965, elevando o time a um nível inédito em sua história. Essa equipe é lembrada até hoje como a Grande Inter.

O craque ergue a “orelhuda”, em 1964 (Passione Calcio)

Nessa formação, Sandro Mazzola exercia função importantíssima, ao lado do inesquecível Luis Suárez. Enquanto Suárez ocupava a meia-esquerda, se encarregando dos passes e lançamentos para o jogo da equipe fluir, Mazzola chegava mais pelo lado direito do campo, se preocupando em puxar os contra-ataques, essenciais para um esquema defensivo. Mazzola também aparecia como segundo atacante em muitas das oportunidades, o que explica seu bom número de gols.

Foi com essa liberdade de atuar tanto no meio quanto mais próximo da área que Sandro acumulou 160 gols em sua carreira. Dois deles, especiais. Mazzola abriu e fechou o placar da partida contra o Real Madrid, na final da LC de 1964. No primeiro, um chutaço de fora da área, no segundo, um lance de oportunismo de centro-avante – veja os vídeos.

Pela Inter, Mazzola conquistaria ainda mais um Campeonato Italiano: o de 1971. Dessa vez, sem Herrera no comando e já em um esquema diferente, com a faixa de capitão no braço. Nesse mesmo ano, ficou em segundo lugar na eleição de Bola de Ouro da revista France Football, atrás apenas de Johan Cruijff. Com a faixa de capitão no braço, quase conquistou a Europa outras duas vezes. A primeira, em 1967, na final perdida para o Celtic, em Lisboa, no jogo tido como o ocaso da Grande Inter. A outra, em 1972, quando o Ajax de Cruijff ficou com o bicampeonato, em Roterdã.

Mazzola, capitão em um jogo histórico, mas fatídico para os nerazzurri (Pinterest)

Na seleção, também fez história. Participou da conquista da Eurocopa de 1968 e do vice-campeonato na Copa de 1970, no México, além dos Mundiais de 1966 e 1974. Nesse período, acumulou 70 presenças e 22 gols vestindo o azzurro da seleção. Quando se aposentou era o segundo colocado no ranking de jogadores que mais vezes vestiram a camisa italiana e o quinto no ranking de gols marcados.

Na Copa de 1970, uma curiosidade: o técnico Ferruccio Valcareggi acreditava que Sandro Mazzola e Gianni Rivera, do Milan, não poderiam jogar juntos na mesma equipe e lançou a solução que chamou de “stafetta”, cada um jogava um tempo. Somente durante os oito minutos finais da decisão contra o Brasil é que os dois atuaram juntos, causando protestos de torcedores italianos até hoje.

Apesar das disputas, Mazzola e Rivera eram e ainda são amigos (Interleaning)

Sandro encerrou sua carreira em 1977 e trocou os campos pelos bastidores imediatamente, estreando como dirigente da Inter. Ficou no posto entre 1977 e 1984, antes de ir para o Genoa cumprir a mesma função. Em 1995, voltou a Inter, para o cargo de diretor esportivo, comandando as contratações do clube. Trabalhou ainda no Torino, de 2000 a 2003, também como dirigente, mas foi sua última experiência na área. Agora Sandro Mazzola é comentarista de uma televisão italiana.

Alessandro Mazzola
Nascimento: 8 de novembro de 1942, em Turim, na Itália
Posição: meio-campista
Clubes: Inter de Milão (1960-1977)
Seleção italiana: 70 jogos, 22 gols
Títulos: 4 Campeonatos Italianos (1963, 1965, 1966, e 1971), 2 Ligas dos Campeões (1964 e 1965), 2 Mundiais de Clubes (1964 e 1965) e 1 Eurocopa (1968)

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