Serie A

Presença de área

Toni comemora: faltava alguém como ele (Reuters)

A Roma não contava com um centroavante competente desde Gabriel Batistuta. Com Luca Toni, a equipe pode, pela primeira vez em anos, confiar num jogador de referência na área, que saiba trombar, servir de pivô e, principalmente, empurrar a bola para o gol. Já era hora de o plantel romanista ter um nome digno no comando do ataque. Depois das tentativas mal-sucedidas com Mido, Carew, Marazzina e Nonda, os giallorossi veem em Toni sua principal esperança de gols dos últimos anos.

Vincenzo Montella, principal artilheiro da história recente do clube – ignorando-se Totti -, nunca foi um jogador meramente de área. Baixo e arisco, caía pelos lados do campo, mesmo cumprindo a função de finalizador. Evitava disputas corporais e, embora cabeceasse bem, o jogo aéreo não era uma de suas principais armas. Quem fazias as vezes de centro-avante “pirulão” era Marco Delvecchio, que, com uma falta de técnica característica, tornou-se ídolo do clube. Suas limitações, porém, eram notórias.

Desde que Totti se tornou o único atacante do 4-2-3-1 de Luciano Spalletti, em 2005, a Roma se acostumou com esquemas sem centroavante. O próprio camisa 10 foi artilheiro da Serie A e Chuteira de Ouro na temporada 2006-07, com 26 gols. Com as condições físicas cada vez mais precárias de seu capitão, além da consolidação de Mirko Vucinic como um esterno pela esquerda, tal ausência de um homem de área, entretanto, trouxe consequências negativas para o jogo da equipe.

Não havia quem puxasse os defensores, ou então se apresentasse como opção para cabecear. Em vários momentos, faltava alguém para simplesmente empurrar a bola para o gol. Não é coincidência o fato de a Roma de alguns anos atrás ter jogado um futebol de encher os olhos e não ter ganhado nada expressivo. A de hoje, com Luca Toni, mesmo frequentemente desfalcada de Totti, mostra-se mais letal.

Quando iniciou sua primeira partida como titular, contra o Chievo, o ex-viola de imediato mostrou sua importância: segurando os zagueiros e cumprindo a função de pivô, teve uma atuação surpreendente, que o garantiu nos onze. No jogo seguinte, contra o Genoa, marcou dois gols. Lesionou-se na sequência, contra a Juventus, e voltou no início de março. Desde janeiro em Roma, contabiliza, até o momento, cinco gols em nove partidas.

O gol achado contra a Inter, no fim-de-semana passado, é o tipo de coisa que não se via na equipe: bola rebatida, uma sobra na área e alguém para completar. Contra a Udinese, sua função foi ainda mais nítida: Toni recebeu fora da área, protegeu de Lukovic e acertou o gol. Num lance inesperado, acabou abrindo o placar. Já comparado com Batistuta, seu desempenho tem agradado tanto que a Roma não esconde sua vontade em manter o jogador, emprestado pelo Bayern até o fim da temporada.

2 comentários

  • Também concordo, não só em gênero como em grau. Ao longo dos anos o futebol apresentado pela Roma sempre foi vistoso, no entanto a responsabilidade de finalizar sempre coube em boa parte ao eterno capitão Totti. A equipe buscou bem o atacante que não vinha em boa fase. E se Toni queria se reafirmar como atacante e a Roma buscava um centro avante nato e sedento por gols, o palco estava já armado. Agora assistimos ao espetáculo. Abraços,

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