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As dez melhores contratações da temporada

Pandev, Thiago Motta e Sneijder comemoram: a Inter foi ao mercado e reconstruiu sua espinha dorsal.
Entre as dez melhores compras, quatro vestem nerazzurro – e podia ser mais… (Getty Images)

Segundo dados do site alemão Transfermarkt, se somados, os clubes da Serie A investiram pouco mais de 495 milhões de euros nas duas últimas janelas de transferências, relativas a esta temporada. O Quattro Tratti selecionou os melhores e piores negócios. Entre os dez destaques, quatro jogadores da Internazionale, líder da Serie A e finalista da Liga dos Campeões e da Coppa Italia. Se os nerazzurri dominavam na Itália, mas sentiam a falta de competitividade em âmbito continental, certamente a adição do quarteto foi essencial para que os últimos cinco jogos do time na temporada possam garantir três títulos. Na seleção, ainda há espaço para Bari, Catania, Napoli, Palermo, Parma e Roma. Estão elencados por ordem alfabética, a partir do sobrenome.

Leonardo Bonucci, do Genoa para o Bari, por €2 milhões em co-propriedade

Alto, forte fisicamente, sério, com bom senso de marcação e antecipação, o zagueiro completará 23 anos neste sábado – com uma impressionante guinada na carreira. Na temporada passada, disputou metade da Serie B com o Treviso e a outra metade com o Pisa, emprestado pela Inter. E os dois times acabaram rebaixados à Lega Pro. Mas Bonucci se destacou assim mesmo e acabou no Genoa, como parte na negociação que envolveu Milito e Thiago Motta. A aventura lígure durou só dois dias, até a saída para o Bari. Sob o comando de Gian Piero Ventura, formou uma forte dupla com Ranocchia no primeiro turno do campeonato, até seu parceiro se lesionar. Até aqui, fez todas as partidas do Bari na Serie A, quase sempre em alto nível, e o reconhecimeno já apareceu: uma convocação para a seleção italiana às portas da Copa do Mundo e especulações que o ligam a transferências para Juventus, Inter, Manchester City e Bayern de Munique.

Nicolás Burdisso, da Inter para a Roma, em empréstimo gratuito

A emergência na defesa romanista chegava nos últimos dias de agosto sem qualquer solução. Até que a boa relação entre as diretorias de Inter e Roma se transformasse num empréstimo de resultado inesperado. Se Burdisso nunca havia convencido nos seus cinco anos em Milão, de cara assumiu a responsabilidade na capital e foi um dos poucos comandados de Luciano Spalletti a se salvar na primeira rodada da Serie A, uma derrota para o Genoa, logo se tornando titular absoluto do time. Detalhe: estreou menos de 24 horas depois da assinatura de seu contrato. Dos 35 jogos até aqui pela Serie A, o argentino só perdeu cinco: quatro por lesão, outra por suspensão. Bom no cabeceio, garantiu aquele toque de raça “com o coração na ponta da chuteira”, nas palavras de Galvão Bueno. Em termos estatísticos, a Roma só sofreu 26 gols nas 28 partidas em que Burdisso jogou sob o comando de Claudio Ranieri. Nos sete jogos que não entraram na conta, foram 13.

Morgan De Sanctis, do Sevilla para o Napoli, por €1,7 milhão

Entre os pontos fracos deste cada vez mais ambicioso Napoli, o gol sempre esteve em destaque nos últimos anos. Para a atual temporada, a solução saiu barata e livrou a torcida dos insossos Iezzo e Gianello: De Sanctis, 33 anos, terceiro goleiro da seleção italiana, finalmente de volta ao país após passagens complicadas na Espanha e na Turquia. Com experiência, reflexos apurados e boa saída do gol, deu uma tranquilidade defensiva que há muito tempo não era percebida em Nápoles, principalmente com a chegada de Walter Mazzarri e o retorno ao esquema com três zagueiros. Em sua melhor fase, entre novembro e janeiro, De Sanctis defendeu três pênaltis e levou só seis gols em onze partidas.

Samuel Eto’o, do Barcelona para a Inter, envolvido na venda de Ibrahimovic

Jogador mais bem pago na Itália, Eto’o chegou à Inter como moeda de troca na transferência de Ibrahimovic ao clube catalão, na prática. Vá dizer isto hoje em dia. Se o sueco destruia as defesas da Serie A e sumia na Liga dos Campeões, o camaronês marcou 12 gols e deu quatro assistências no torneio nacional. A torcida bem que poderia lamentar, não fossem as atuações taticamente perfeitas no mata-mata europeu, sendo essencial contra Chelsea e Barcelona. Em campos domésticos, seus gols foram decisivos contra Parma, Napoli, Palermo, Roma e Lazio. Eto’o não dá espetáculo e chegou a esquentar banco quando voltou da Copa Africana de Nações. Mas, com ele, a Inter aparenta ter o tão famoso “algo mais” para garantir aquela tão sonhada taça de Madrid – e ainda manter a hegemonia dentro de casa.

Daniele Galloppa, do Siena para o Parma, por €2 milhões em co-propriedade

Ambidestro, o romano se revelou um volante de técnica apurada por Ascoli e Siena, até ser chamado ao Parma para a grande chance de sua carreira. Ainda que sob o comando de Francesco Guidolin tenha sido escalado mais recuado e com maiores obrigações defensivas do que estava acostumado, conseguiu se destacar e manter as convocações esporádicas para a seleção italiana, ainda que continue com poucas chances de disputar a próxima Copa do Mundo. Com contrato até 2014, já consegue impor o ritmo de jogo e desarma com naturalidade. Nada mal para quem foi praticamente expulso da Roma pelo diretor esportivo Daniele Pradè, há menos de três anos. Estaria na mira de Fiorentina, Genoa e Inter para a próxima temporada.

Maxi López, do FC Moscou para o Catania, por €3 milhões

O Grêmio bem que tentou, a Lazio chegou a anunciar, mas o Catania é quem apostou alto – e se deu bem. Os 3 milhões de euros que Maxi López custou aos cofres do clube na última quinzena de janeiro já devem se multiplicar em breve: o Napoli teria oferecido 16 milhões para contar com o argentino a partir de agosto, mas o Catania não aceitou, exigindo pelo menos 20. Há quem diga que o Milan também esteja interessado. Pudera: menos de uma semana depois de chegar, estreou como titular na 22ª rodada e desde então fez as 14 partidas do Catania na ótima fase do time na Serie A. Já foram três assistências e nove gols, o primeiro destes contra uma Lazio que pagou caro por ter desistido de sua contratação na última hora.

Lúcio, do Bayern para a Inter, por €7 milhões

Escorraçado do Bayern por Louis van Gaal, Lúcio terá a grande chance para sua desforra na final da Liga dos Campeões, em 22 de maio. Nem bem chegou e o capitão da seleção brasileira já assumiu a titularidade, se firmando ao decorrer do campeonato ao lado do argentino Samuel. Com a dupla em forma e contando com a ótima estrutura defensiva criada por José Mourinho, provaram o óbvio: lá atrás, o jogo não precisa ser bonito, mas eficiente. Um verdadeiro líder dentro de campo, com presença forte, desarme duro e cada vez mais confiável, Lúcio foge de muitos adjetivos para se encaixar em apenas um: o zagueiro que a Inter precisava.

Diego Milito, do Genoa para a Inter, por €25 milhões

Só aos 30 anos é que Milito chegou a um grande clube, algo curioso para o futebol dos dias de hoje. Mas como chegou. A Inter encheu os cofres do Genoa para contar com o matador argentino e fez um negócio melhor do que o esperado. Na primeira rodada da Serie A, um empate com o Bari, Milito deu o passe para o gol de Eto’o. Nos 4 a 0 sobre o Milan, uma semana depois, deixou o dele e ainda forneceu duas ótimas assistências para Thiago Motta e Maicon. Faltando três rodadas para o fim do torneio, é seu vice-artilheiro, com 20 gols. Com bom domínio de bola, dribles secos na grande área e ótimas finalizações, o príncipe nerazzurro é um atacante difícil de se parar. E tem sido decisivo também na Liga dos Campeões, com três assistências e quatro gols, um por fase. Vai repetir a dose na final?

Javier Pastore, do Huracán para o Palermo, por €7 milhões

Em julho, Walter Sabatini, diretor esportivo do Palermo, fez duas apostas no mercado argentino. Entre Bertolo e Pastore, foi o segundo (que também era desejado pelo Real Madrid) quem rendeu melhor em curto prazo e logo em outubro figurou numa lista da Uefa que o colocava entre os sete jogadores mais promissores do mundo. Começou sendo utilizado pelos lados do campo, mas subiu demais de produção com a chegada de Delio Rossi, no fim de dezembro, que implantou o 4-3-1-2. Fazendo a ligação com o ataque, recordou a muitos o início de Kaká com a camisa do Milan. Mas com um trunfo a mais, o pé esquerdo calibrado. Bate bem pro gol de fora da área, faz ótimos passes de média distância, finta bem, enxerga o jogo com raro talento. Se Fábio Simplício foi parar no banco e já é dado como saída certa, muito disso deve à ótima temporada de Pastore.

Wesley Sneijder, do Real Madrid para a Inter, por €15 milhões

Para encerrar a lista, outro armador de classe refinada, no melhor do mitificado “estilo holandês”. Com chutes fantásticos de fora da área, Sneijder tem se confirmado como um dos maiores cobradores de falta da atualidade, com tiros secos e bem direcionados. De quebra, o baixinho ainda organiza muito bem o jogo, segura a bola e muitas vezes dita o ritmo dos companheiros. Que diga o Milan, que foi vítima de uma grande partida do holandês logo em sua estreia, um dia depois de sua contratação. Somando Liga dos Campeões e Serie A, são sete gols e 11 assistências em 34 jogos. E a cereja do bolo pode ser na final em Madri, na frente de uma torcida que lhe disse adeus pela porta dos fundos.

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