Seleção italiana

Os 23 de Lippi: Fabio Grosso

 Após um gol decisivo contra a Fiorentina, Grosso comemora: cena rara nesta temporadapara o lateral-esquerdo em que Lippi confia de olhos fechados (Ansa)

Segundo jogador mais convocado por Marcello Lippi em seus quase quatro anos de seleção (40 vezes, contra 41 de Gilardino), Fabio Grosso é o melhor exemplo de jogador que irá para a Copa do Mundo graças ao “critério” de gratidão tão defendido pelo treinador toscano. O lateral-esquerdo da seleção italiana campeã do mundo de 2006, com direito a gol histórico na semifinal contra a Alemanha, desapareceu naquele torneio. Depois de uma passagem ruim pela Inter e dois anos sem convencer pelo Lyon, chegou com moral na Juventus – e não deu certo. Individualista, lento e fora de sintonia com o resto da defesa, nem no ataque conseguiu ser eficiente como em tempos cada vez mais distantes. Em suas costas, os adversários fizeram a festa e a torcida não perdoou, principalmente depois da falha que resultou no empate com o Livorno, na 23ª rodada. Ainda assim, Grosso continua com a confiança de Lippi e tende a ser o titular azzurro na posição, a partir de 11 de junho.

Apesar de nascer em Roma, Grosso se mudou jovem para a pequena Città Sant’Angelo, onde passou a jogar nas categorias de base do Renato Curi, do torneio Eccellenza, a mais alta categoria amadora do futebol italiano. Na época, atuava como um verdadeiro trequartista. Na mesma posição chegou ao Chieti, que disputava a Serie C2. Estreou entre os profissionais aos 20 anos, mas não convenceu num primeiro momento. Fez apenas doze jogos durante a temporada e acabou repassado ao Teramo por um semestre, onde não teve espaço. De volta ao Chieti, fez 56 partidas nos dois anos em que defendeu os neroverdi. Em 2000-01, foi o destaque na promoção do clube para a Serie C1, com 13 gols. Observado por alguns clubes da segunda divisão, conseguiu um salto inesperado na carreira. Três anos depois de deixar os torneios amadores, chegava ao Perugia, na Serie A.

No verão de 2001, passou a ser testado por Serse Cosmi como meia extreno no 4-4-2 dos grifoni. Com a falta de opções na lateral, acabou improvisado na função nos meses seguintes. Ficou por lá mesmo e fechou muito bem sua temporada de estreia na Serie A. Nos dois anos seguintes, só melhorou suas exibições, ao ponto de receber suas primeiras convocações na Nazionale, então comandada por Giovanni Trapattoni. Valorizado e com o Perugia em crise após o rebaixamento, em 2004 Grosso foi negociado com o Palermo, recém-promovido à primeira divisão. Na Sicília, manteve o bom futebol e ajudou o time a alcançar a Copa da Uefa duas vezes consecutivas. Já titular de Lippi na Squadra Azzurra, venceu a Copa do Mundo com grandes exibições pela faixa esquerda da seleção. O prêmio foi a estreia num grande clube.

Quatro dias depois do título mundial, a Inter confirmou a contratação de Grosso, que começou muito bem na Serie A. Mas, prejudicado por lesões, não conseguiu manter o ritmo e o bom futebol, tornando-se um dos reservas de salário salgado em Appiano Gentile. Com a oferta de mais de 7 milhões de euros feita pelo Lyon, foi vendido ao futebol francês. Titular na primeira temporada e menos utilizado na segunda, Grosso não cumpriu o principal motivo de sua contratação: dar experiência internacional a um time com maiores ambições em campo europeu. Na Ligue 1, não chegou a decepcionar, mas as más atuações na Liga dos Campeões foram determinantes para sua saída. Por 3 milhões, a Juventus levava para Turim mais um campeão mundial com Lippi em trajetória descendente. O resultado? Retorne ao primeiro parágrafo.

Fabio Grosso
Nascimento: 28 de novembro de 1977, em Roma
Posição: lateral-esquerdo
Clubes: Renato Curi (1994-98), Chieti (1998-99), Teramo (1999), Chieti (1999-01), Perugia (2001-04), Palermo (2004-06), Inter (2006-07), Lyon (2007-09), Juventus (2009-hoje)
Seleção italiana: 48 jogos, 4 gols
Títulos: 1 Serie A (2007), 1 Serie B (2004), 1 Serie C2 (2001), 1 Supercoppa Italiana (2006), 1 Campeonato Francês (2008), 1 Copa da França (2008), 1 Supercopa da França (2007), 1 Copa do Mundo (2006)

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