Serie A

8ª rodada: o voo da águia

Mauri aponta a direção e a Lazio segue; até agora, sempre para frente (Getty Images)

Uma rodada cheia de jogos realizados debaixo de chuva não poderia ser mesmo das mais quentes. O frio começa a chegar e o clima outonal italiano trouxe consigo, nesta oitava rodada, jogos mornos e com pouco destaque. Destaque mesmo para a intensidade de algumas partidas – como Inter-Sampdoria e Chievo-Cesena – e para a liderança da Lazio, seguida por um Milan que ultrapassou a rival Inter na tabela.

Chama a atenção também o equilíbrio dos times no campeonato. Nas primeiras rodadas, nenhum time disparou de verdade no campeonato ou existe um grupo de times fraquíssimos no fundo da tabela. Prova disso é que, até agora, nenhum técnico foi demitido no campeonato. Para efeitos de comparação, a última vez que um treinador foi demitido após a 8ª rodada foi na temporada 2007-08, quando o Livorno demitiu Fernando Orsi. Teremos um recorde na história recente da Serie A?

Lazio 2-1 Cagliari
Após quase um terço do campeonato já ter passado, a Lazio continua na liderança. O voo da águia biancoceleste continua alto e parece cada vez mais longo: o time de Edy Reja tem unidade e mesmo em dias em que não joga tão bem, como neste domingo, acaba por vencer. Em duas jogadas de sorte, a líder do campeonato abriu dois a zero e teve tranquilidade para conduzir a partida, guiada por Mauri, transformado capitão e principal jogador do time no campeonato: o meia participou de nove gols do time no campeonato, com três marcados e mais seis assistências. A confiança tem motivo: desde o título da Serie A na temporada 1999-2000 a Lazio não lidera o campeonato isoladamente por três rodadas consecutivas.

Já estava tarde para o Cagliari reagir, mas um perigoso Matri quase estragou a tarde laziale. O atacante milanês diminuiu com uma potente cabeçada e ainda teve mais três chances claras para empatar, sobretudo de cabeça, colocando a Lazio no sufoco, embora a chance mais clara dos minutos finais tenha sido de Rocchi. Se o resultado fortalece Reja, Bisoli parece cada vez mais próximo de ser sacado do time sardo, imerso em problemas: Marchetti, excluído do time após alegar que desejava se transferir, move uma ação de rescisão de contrato contra o clube, enquanto o ataque, pouco produtivo, é muito dependente de Matri. Basta lembrar que o time passou em branco em cinco partidas – das quais, três empates em 0 a 0 – e que cinco dos oito gols do time são do ex-jogador do Milan. O mau desempenho ajuda a explicar o parco desempenho fora de casa: a última vitória fora de casa foi em 10 de janeiro, contra o Bologna.

Napoli 1-2 Milan
Resultado de duplo significado a favor do Milan: após 13 anos sem vencer em Nápoles, a equipe rossonera não só bateu os partenopei como ultrapassaram de vez a Inter na tabela da Serie A. O Diavolo fez boa partida no San Paolo e, desde o início, partiu para cima, com boas jogadas pelo lado direito. E quem iria acreditar que um dos grandes artífices da vitória seria Oddo? O lateral direito substituiu Antonini logo aos 12 minutos e foi responsável pelas duas assistências rubronegras da noite: a primeira, em troca de passes com Robinho, e a segunda, em ótimo cruzamento para uma cabeçada firme de Ibrahimovic.

O Napoli não se deu por batido. Time que desempenha bom futebol – um dos melhores da Serie A – o Napoli não se intimidou por sair atrás no placar e logo tentou o empate, sobretudo com Hamsík e Lavezzi, dois motorezinhos que obrigaram Abbiati e se desdobrar. Mas do que adianta ter um time tão incisivo no ataque se falta solidez defensiva? O time sofre muitos gols (foram 11, até aqui) e a cobertura dos volantes é falha, como mostra o gol de Robinho, numa jogada em que Pazienza foi facilmente iludido por uma troca de passes. O mesmo Pazienza ainda atrapalhou os planos do Napoli ao ser expulso por duplo toque de mão e nem mesmo o (esquisito) golaço de Lavezzi fez com que os azzurri voltassem ao jogo. Com um a mais, Allegri tirou Ibrahimovic e fortaleceu o meio-campo com Seedorf, numa substituição que garantiu o segundo lugar e a vice-liderança.

Inter 1-1 Sampdoria
Na primeira grande partida de Philippe Coutinho pela Inter, os nerazzurri acabaram desperdiçando uma ótima oportunidade de perseguir a líder Lazio de perto. e viram o Milan abrir dois pontos de vantagem Embora tenha mantido a invencibilidade caseira de 52 partidas – a última derrota foi em 26 de novembro, contra o Panathinaikos -, a Inter não teve o que comemorar: o empate contra uma Sampdoria que só tem duas vitórias no campeonato não foi um bom resultado. Desde 2006 a Inter não fica tão atrás da líder do campeonato. Numa noite de chuva, em que Sneijder esteve mal e Eto’o acabou praticamente anulado por Gastaldello, foram os jovens Coutinho e Biabiany que deram o ritmo. Porém, emobra tentassem muito e já pareçam ambientados a Inter, os franzinos esternos encontraram dificuldades para passar pela bem postada defesa doriana.

Por outro lado, os atacantes da Sampdoria também não tiveram vida fácil contra Lúcio e Samuel, fortíssimos no combate e na cobertura e, no caso do brasileiro, até mesmo no ataque. Prova disso é que o gol de Guberti saiu apenas de uma falha de Chivu, que perdeu bola para Cassano e revelou como a lateral esquerda é uma posição carente no elenco interista, já que o romeno tem destoado dos demais. Logo após o gol sofrido, a Inter subiu o ritmo e quase virou a partida, mas chegou a um merecido empate, após cruzamento de Coutinho e antecipação de Eto’o (sétimo gol na Serie A e 15º na temporada) ao goleiro brasileiro Júnior Costa, estreante na elite italiana.

Bologna 0-0 Juventus
Fica cada vez mais evidente a falta de um goleador nesta Juventus. A Velha Senhora, que estreava novo patrocinador no segundo uniforme, foi melhor do que o Bologna durante os 90 minutos e pressionou bastante, mas não conseguiu chegar ao gol. Não conseguiu seja porque Portanova tirou um gol feito de Quagliarella em cima da linha e também porque Viviano parou Iaquinta em cobrança de pênalti – punição muito mal marcada em simulação de Krasic, que será julgado pela federação italiana e pode até ganhar um gancho.

A se destacar na partida o fluxo de boas jogadas da Juventus, que tem se constituído como um time muito criativo, mas também irregular demais: a falta de continuidade de resultados já preocupa Del Neri, que não está satisfeito, embora a equipe bianconera esteja próxima de Inter e Milan na tabela. Do lado bolonhês, poucas mudanças da última temporada para a atual. O time de Alberto Malesani parece demais com aquele formado por Franco Colomba e, mesmo com algumas mudanças de peças, continua jogando de forma parecida e mantém uma defesa forte. Prova disso é que Inter e Juventus passaram em branco quando visitaram o Renato Dell’Ara.

Parma 0-0 Roma
Mais uma partida no horário do almoço italiano acabou sem gols, embora as duas equipes tenham jogado de maneira ofensiva. Mais uma vez, Ranieri escalou a Roma de uma maneira esquisita e mexeu de maneira polêmica no intervalo, substituindo Totti por Simplício, que entrou mal. A substituição, aliada a resultados inexpressivos só ajuda a criar mais tensão para o treinador, que vê seu cargo balançar mais do que nunca. Em campo, o chileno Pizarro mais uma vez dominou as ações, mantendo a Roma com a maior parte da posse de bola, embora Mirante poucos e sentisse ameaçado, graças a boa marcação feita por Paletta a Borriello.

Se a chuva esfriou o ritmo do jogo, pelo menos duas chance inacreditáveis de gol foram perdidas: a primeira, pelo espanhol Marqués, que sozinho, chutou por cima e perdeu gol feito para o Parma; e a segunda com Julio Baptista, que jogou durante quase todo o segundo tempo, pouco produziu e ainda perdeu a chance do jogo nos acréscimos. O jogo marcou também a volta de Giovinco, após um mês afastado por lesão. O time, que começou bem na Serie A sentiu sua falta nas últimas partidas e a lanterna do campeonato não parece ser o lugar mais apropriado para um time que começou bem na competição e que tem talento para fazer mais. Não dá para entender também a insistência de Pasquale Marino em deixar Candreva fora do time. Em condições normais, o ex-meia da Juventus tem lugar no meio-campo crociato.

Udinese 2-1 Palermo
Depois de um péssimo início de campeonato, quem imaginaria que a Udinese venceria três partidas seguidas? A mudança de rumo se deve ao espírito lutador desenvolvido pelos jogadores da equipe friulana, que venceu seus dois primeiros jogos – contra Cesena e Brescia – com gols no final. Curiosamente, a partida mais complicada foi a que a Udinese teve mais superioridade e venceu com mais tranquilidade. Méritos para Guidolin, que abdicou do 3-4-2-1 em prol do 3-4-1-2 e vai conseguindo permanecer no cargo, após uma ameaça tão severa.

O Palermo de Delio Rossi ainda não mostrou regularidade, mesmo nas partidas em que viu ótimas exibições de Pastore. O time ainda se ressente da ausência de Miccoli, não por seus gols (Pinilla e Maccarone já marcaram três cada), mas por seu espírito de liderança. O time é jovem e a falta de uma referência tão forte dentro das quatro linhas acaba atrapalhando em momentos mais complicados. Além disso, a defesa não tem encontrado segurança após a saída de Kjaer e já sofreu 12 gols no campeonato. Com a ausência de Bovo e a escalação do fraco Goian e com um Múñoz pouco adaptado, como foi na partida do Friuli, fica ainda mais complicado.

Genoa 1-0 Catania
Na (boa) estreia do brasileiro Raphael Martinho (ex-Paulista) no Catania, os visitantes fizeram uma boa partida e quase saíram do Marassi com um positivo empate. Na primeira etapa, o domínio foi todo dos etnei, que fizeram o goleiro Eduardo trabalhar bastante e sair de campo como um dos principais responsáveis pela vitória. Giampaolo acertou ao adiantar a marcação do seu time, neutralizando um Genoa que esbanjava experiência no meio-campo com Rossi e Milanetto, mas que não conseguiu ameaçar na primeira etapa, com Palladino (que voltava de lesão mas teve de ser substituído aos 23) e Mesto.

Tudo corria bem para os sicilianos, até que, no segundo tempo, o Genoa equilibrou o jogo e, após um cruzamento de Rafinha, Marco Rossi, polivalente, apareceu de surpresa e fez o gol do jogo. Mais três pontos que devem ser postos na conta do capitão rossoblù, que desde a Serie B tem desempenhado papel fundamental na equipe, mesmo aparecendo pouco e, nesta temporada, jogando menos.

Chievo 2-1 Cesena
A disputadíssima partida entre duas equipes que tem como objetivo a salvezza aconteceu, como outras tantas no outono italiano, debaixo de chuva. O campo pesado inibiu os mais técnicos, mas não impediu que um jogo intenso tomasse o campo do Marc’Antonio Bentegodi. Com a força de sua torcida, o Chievo foi para cima dos romanholos durante toda a partida, embora esbarrasse na dupla formada por Von Bergen e Benalouane, titular nos últimos jogos. O Chievo, sofrendo com a seca de três jogos sem gol do capitão Pellissier, acabou encontrando no esloveno Cesar uma arma secreta: o zagueiro, ótimo em jogadas aéreas, marcou seu segundo gol na Serie A e também levou perigo a Antonioli em outras oportunidades.

A intensidade do primeiro tempo, que acabou empatado em 1-1, não se repetiu, no entanto, na segunda etapa. A chuva esfriou a partida, que acabou decidida apenas no último minuto, quando Théréau aproveitou uma sobra na área cesenática para vencer Antonioli. Enquanto o Chievo vai somando pontos para se salvar, o Cesena perde, pela segunda vez nos minutos finais (a primeira havia sido contra a Udinese), a chance de conquistar um ponto importante contra rivais diretos na luta pela permanência na elite. Se tivesse somado estes pontos, o cargo de Ficcadenti estaria balançando muito menos.

Lecce 2-1 Brescia
A redenção de um jogador em um espaço de poucos minutos foi a chave para a virada do Lecce contra um adversário direto na briga contra o rebaixamento. Di Michele fazia boa partida, mas acabou desperdiçando um pênalti (mal marcado). Se, dizem por aí, pênalti inexistente não pode ser convertido, a justiça foi feita ao atacante minutos depois, quando, de voleio, ele marcou o gol da virada dos salentini, que alcançam os 11 pontos, dez dos quais foram obtidos no Via del Mare. Desde quando Vucinic, Tonetto e Cassetti faziam parte do bom time de Zeman em 2004-05 o Lecce não fazia início de campeonato tão bom.

Se o time da Puglia pode sorrir, o Brescia começa a se afundar numa crise de resultados. Não obstante Caracciolo tenha desencantado e marcado seu primeiro gol em 2010 cm a bola rolando (os outrs haviam sido de pênalti), as andorinhas acumularam sua quarta derrota consecutiva. Neste momento, difícil apontar um técnico tão ameaçado e, dias antes de enfrentar o Napoli, Iachini pode ser o primeiro técnico demitido na Serie A.

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Seleção da 8ª rodada
Viviano (Bologna); Oddo (Milan), Lúcio (Inter), Gastaldello (Sampdoria), Pasquale (Udinese); Mauri (Lazio), Donadel (Fiorentina), Pizarro (Roma); Coutinho (Inter), Floccari (Lazio), Di Michele (Lecce). Técnico: Massimiliano Allegri (Milan).

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