Serie A

14ª rodada: Aproveitando os tropeços

Stankovic, Motta e Cambiasso devolvem sorriso à Inter: scudetto possível? (Reuters)

Se os jogos de sábado já foram bons para os times que queriam se aproximar da ponta da tabela, o domingo foi ainda melhor. Pelo menos para Inter e Palermo, que aproveitaram os tropeços de Milan, Lazio, Juventus e Napoli para se inserirem com mais força na ponta da tabela. No caso do Palermo, a rodada foi ainda mais positiva, já que a vitória no confronto direto contra a Roma foi conseguida com bastante superioridade. No caso da Inter, o resultado foi importante pois pode significar uma mudança nos rumos da temporada interista, pouco antes do decisivo jogo contra a Lazio e da viagem para o Mundial de Clubes. Confira o resumo dos jogos de domingo.

Inter 5-2 Parma
Um mês depois, a Inter voltou a vencer na Serie A. Dois meses depois, voltou a vencer em casa. E de goleada, mesmo sem Milito e Eto’o. O placar pode até indicar facilidade para vencer o jogo, mas não foi bem o que aconteceu. Na verdade, o Parma poderia ter saído do Giuseppe Meazza com melhor sorte: chutou mais vezes no gol (sete, contra seis da Inter), graças à boa atuação de Giovinco e ao instinto matador de Crespo, que marcou os dois gols e ainda acertou a trave, aproveitando a péssima atuação de um Materazzi cada vez mais próximo do fim da carreira.

Por outro lado, a Inter deu mostras de que a mentalidade vencedora ainda está presente: o time não se intimidou após o Parma ter saído na frente e logo virou o jogo para 3 a 1, com três assistências de Biabiany e dois lances de sorte de Stankovic. Depois, soube aguentar a pressão e, após uma boa mexida tática de Benítez no time, chegou aos gols de Thiago Motta e Stankovic, pela terceira vez. Se a vitória do domingo não foi tão tranquila, somada à classificação na Liga dos Campeões contra o Twente, serve para tirar alguma pressão do time em um momento crucial da temporada nerazzurra, com o Mundial de Clubes tão próximo. A recuperação da forma do meio-campo e dos jogadores lesionados será fundamental para o time em janeiro.

Palermo 3-1 Roma
Josip Ilicic. Em meados de 2010, quase ninguém conhecia este nome. O esloveno, que não foi convocado para a Copa pelo técnico Matjaž Kek, já pode ser considerado o principal reforço contratado pelo ex-diretor esportivo Walter Sabatini, após uma assistência e um gol contra a Roma – alcançando seis na temporada. Outro reforço foi o retorno de Miccoli aos gramados. O Romário do Salento marcou seu sétimo gol contra a equipe capitolina e, juntamente com Pastore e Ilicic, forma um tridente de respeito para o ataque da equipe rosanero, que persegue a classificação para a LC, com os mesmos 23 pontos que a Inter.

Se no duelo entre Pastore e Ménez, quem brilhou foi Ilicic, muito se deve também ao apoio vindo de trás. A ótima exibição da dupla Nocerino e Migliaccio foi fundamental para que o time da casa dominasse o meio-campo romanista, que contava com Fábio Simplício, que deixou o Palermo brigado com o presidente Maurizio Zamparini e cuja má atuação deve ter satisfeito o manda-chuva do time siciliano. Na Roma, muito sentida a ausência de Vucinic, cada vez mais fundamental na equipe de Claudio Ranieri. Com o momento nem um pouco brilhante pelo que passam De Rossi e Totti, as esperanças da Roma passam pelos pés voluntariosos do montenegrino.


Lazio 1-1 Catania

Na partida contra o Catania, ficou evidente que falta à Lazio um homem de área capaz de chamar o jogo para si. O muro montado pelo técnico Giampaolo frente ao goleiro Andújar dificultou a vida da Lazio, que viu um atacante já muito móvel como Zárate ter de sair de seu isolamento no comando do ataque para atuar na entrada da área. Não foi de surpreender que o gol de Hernanes e todas as chances dos biancocelesti no jogo tenham surgido a partir de chutes de fora da área, principalmente com o próprio atacante argentino. Zárate, a propósito, foi um dos melhores em campo e obrigou seu compatriota Andújar a fazer boas defesas.

Porém, a tarde era da defesa rossoazzurra: além de barrar a Lazio, foi o zagueiro Silvestre, em excelente temporada, que fez o gol que abriu o placar. O Catania ainda poderia ter saído com a vitória, se não tivesse desperdiçado um contra-ataque fulminante no último lance do jogo. De qualquer forma, os 18 pontos conseguidos até aqui são uma ótima marca para um Catania que dificilmente correrá tantos riscos de rebaixamento.

Udinese 3-1 Napoli

7 de fevereiro de 2010: a Udinese batia o Napoli no Friuli por 3 a 1, com uma tripletta de Antonio Di Natale, torcedor declarado do clube napolitano. Quase dez meses depois, o filme se repetiu, com mais um show do eterno atacante bianconero, que começou o campeonato devagar, mas já é vice-artilheiro da Serie A, com 8 gols – depois dos seis gols marcados contra Lecce e Napoli. Após um golaço de fora da área, o atacante de Nápoles marcou até um gol olímpico, contando com a colaboração de Hamsík – outro nome do jogo.

O eslovaco logo tratou de se redimir, com uma bomba de fora da área, mas esbarrou em ótima defesa de Handanovic, em cobrança de pênalti. Apesar das boas atuações de Armero e Isla pelas laterais, por pouco o Napoli não empatou: fora o pênalti desperdiçado por Hamsík, Cavani também perdeu uma chance incrível, estacionando o Napoli na zona de classificação para a LC. Melhor para a Udinese, que após prometer uma temporada de dificuldades, é uma das surpresas da Serie A. Méritos para o técnico Francesco Guidolin, em seu segundo bom trabalho consecutivo.

Cagliari 3-2 Lecce
As primeiras partidas de Donadoni pelo Cagliari não poderiam ser melhores: apesar da eliminação na desvalorizada Coppa Italia, o ex-técnico da seleção italiana já conseguiu duas vitórias frente ao time sardo – o mesmo número que Bisoli havia conseguido em 12 jogos. – e chega a confortáveis 17 pontos. Donadoni mantém a espinha dorsal do time, que joga junta há cerca de três anos, e os protagonistas ainda são os mesmos: Cossu e Matri. O artilheiro rossoblù, com oito gols no campeonato, marcou mais dois neste domingo (em lances à Milito, em boa fase), chama a atenção de outros clubes italianos e, de acordo com o presidente Massimo Cellino, fica no clube pelo menos até junho. No Lecce, não bastou uma tentativa de reação a partir de dois gols originados a partir de falhas da defesa do time da casa. A defesa segue como a pior do campeonato (28 gols sofridos em 14 rodadas) e uma série de maus resultados (cinco jogos sem vitória e apenas um ponto conquistado fora de casa) fizeram De Canio entregar o cargo, embora a diretoria confirme sua permanência como técnico há mais tempo no cargo na Serie A.

Brescia 0-0 Genoa

Se a partida entre Bologna e Chievo foi adiada pela nevasca que se abateu sobre a cidade emiliana, não teria sido de mau tom ter feito o mesmo em Brescia.Os dois times lutaram muito e até tentaram realizar um bom jogo para um público bastante reduzido, em decorrência da nevasca. No lamaçal nevado, foi o Brescia quem chegou mais perto da vitória, sempre com o bomber Caracciolo. Não fossem as intervenções precisas de Eduardo e uma bola salva por Mesto em cima da linha, as andorinhas teriam confirmado a primeira vitória na Serie A desde a já longínqua 4ª rodada.

Bari 1-1 Cesena
Fraca tecnicamente, a partida disputa no San Nicola só serviu para manter os dois times na zona de rebaixamento. Depois de um primeiro tempo muito pouco movimentado, o segundo tempo ganhou em emoção, sobretudo após o gol de pênalti marcado pelo Cesena, com Colucci, logo respondido por Caputo, que se antecipou à defesa bianconera. A impressão que dá é que se o Bari tivesse menos desfalques, teria mais condições de subir na tabela. A entrada de Rivas, que estava fora há muito tempo, foi apenas uma amostra que o time pode melhorar. No caso do Cesena, Ficcadenti poderia usar um pouco melhor o elenco que tem à disposição, recheado de jovens promessas e que não tiveram chances na Serie A. Outro que pode ajudar é o experiente atacante Budan, que estava fora por causa de uma séria lesão e estreou pelo clube romanholo neste domingo, quase conseguindo levar seu time à vitória.

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Seleção da 14ª rodada
Handanovic (Udinese); Balzaretti (Palermo), Silvestre (Catania), Camporese (Fiorentina), Vargas (Fiorentina); Stankovic (Inter), Ilicic (Palermo); Biabiany (Inter), Di Natale (Udinese), Robinho (Milan); Matri (Cagliari). Técnico: Marco Giampaolo (Catania).

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