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A despedida de quem não chegou

Adriano em campo pela Roma: cena rara, bem rara (Getty Images)

A aventura de Adriano na Serie A chegou ao fim. Depois de meia temporada alternando entre ausências por lesão e sumiços injustificados, o jogador entrou em acordo com a diretoria romanista e já não cumpre mais seu contrato, o qual originalmente só expiraria em três anos. Se em seu retorno à Itália o atacante declarou que tinha algo a provar ao país, seu insucesso frustra de vez a esperança de vê-lo atingir um alto nível de futebol e constância na Europa. A passagem pela Roma foi, grosso modo, uma grande perda de tempo a todos, e Adriano se despede da mesma maneira com que chegou: distante mentalmente e muito acima do peso.

Falar de seus problemas de comportamento e outros desajustes faz chover no molhado (vale lembrar dos mais recentes aqui), mas o fato mais curioso da passagem de Adriano é bem claro: em todo o momento como jogador da Roma, ele nunca pareceu, de fato, um jogador da Roma. Quando não lesionado, o brasileiro esteve gordo ou com problemas extracampo, sem, em momento algum, mostrar-se opção real ao elenco. Ao clube não houve a opção de contar com o brasileiro, e os giallorossi desde sempre se acostumaram com a ideia de não tê-lo disponível. Com a chegada de Borriello no último dia do mercado de verão, Adriano se tornou um figurante ao passo que caprichava na meta de ser caricatura de si próprio.

Desacreditado, desorientado e perdido, o atacante não demonstrou qualquer motivação em recompor sua imagem negativa no futebol, bem como em se reerguer ante todos os julgamentos a que é frequentemente submetido. Adriano não parece alguém tão mal-intencionado quanto costumam pregar – desde a morte de seu pai, a impressão mais forte é a de irresponsabilidade guiada por melancolia profunda -, mas seu caso ficou simplesmente indefensável, como esbravejou Gian Paolo Montali, diretor do clube.

Em breve de volta ao Brasil, a situação de Adriano é melancólica: um atleta de potencial inquestionável preso à incapacidade de gerir seus problemas pessoais. Quem lhe deu dez mil reais por minuto foi a Roma, mas poderia ter sido qualquer outro clube europeu: dificilmente o panorama mudaria. Adriano, jogador de credibilidade definhada, fecha seu ciclo derrotista de maneira deprimente, esculpindo com talhadas pesadas a sua imagem de problemático. Uma perda a todos.

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