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Ezio Loik, o motorzinho do Grande Torino

Ezio Loik foi um dos pilares do Grande Torino dos anos 40. O ambidestro meio-campista não era veloz, mas pensava mais rápido que outros e assim colocava velocidade no jogo de suas equipes. Forte fisicamente, Loik dificilmente permitia que os adversários lhe tomassem a bola e também ajudava na marcação em frente à defesa. O “Elefante” (apelido dado pelo seu jeito de se mover em campo) só jogou na Itália, e além de ter ajudado a construir a melhor fase da história dos granata, defendeu Fiumana, Milan e Venezia. Porém, ele teve sua carreira abreviada jutamente com os companheiros de Torino, no Desastre de Superga, em 1949, que provavelmente mudou o rumo do futebol mundial.

Nascido na cidade portuária de Fiume (hoje Rijeka, pertencente à Croácia), Loik teve uma infância muito difícil, pois sua família passava dificuldades financeiras. O futebol mudou sua vida: ganhou dinheiro, mas a ascensão na vida jamais influenciou a sua forma de agir. Ele seguiu levando a vida com humildade e não poupando esforços dentro de campo.

Loik começou muito cedo no futebol e passou por duas equipes de sua cidade natal. Primeiro jogou pelo Leonida Fiume, mas se profissionalizou no Fiumana, aos 17 anos. Ficou lá apenas um ano, pois o bom desempenho na Serie C de 1936-37 chamou a atenção do Milan, que o contratou. Foram três anos vestindo rossonero, tempo em que foi reserva e que serviu para ganhar experiência, disputando a Serie A.

O Venezia foi o destino do meia, e no mesmo ano de sua chegada, o time também contratou Valentino Mazzola, com quem compôs dupla perfeita, que em 1942 se transferiu para o Torino. Antes de deixarem o Vêneto, os dois fizeram história. Juntos, eles lideraram a equipe ao título da Coppa Italia de 1940-41, até hoje a conquista mais importante da história veneziana. Um ano depois, o Venezia conseguiu brigar pelo scudetto e acabou a Serie A na terceira colocação, na melhor temporada da história do clube.

Depois da participação ativa na era de ouro lagunari, os bons desempenhos levaram ambos ao Torino em 1942-43. Na temporada de estreia, os granata foram campeões da Coppa Italia e da Serie A, tornando-se o primeiro time a conseguir os dois títulos em um único ano. Na Coppa, um passeio: foram cinco vitórias nos cinco jogos disputados, incluindo uma goleada por 4 a 0 sobre o Venezia. No campeonato, o Torino travou uma disputa acirrada com o Livorno e só conquistou o scudetto na última rodada, contra o Bari, graças a um gol de Mazzola.

A caminhada da lendária equipe teve uma breve interrupção por causa da Segunda Guerra Mundial, que impediu a realização de duas Copas do Mundo e de dois campeonatos italianos – estes, entre 1943 e 1945. Com a volta às atividades na Bota, ao fim do conflito, o Toro foi novamente campeão, em um campeonato que foi dividido em dois grupos, um no norte e outro no sul, que depois disputariam uma fase final. Em 1945-46, Loik, o “motorzinho” da equipe, teve grande destaque ao marcar 16 gols no total e ter sido, ao lado de Mazzola, vice-artilheiro do time, atrás apenas do atacante Guglielmo Gabetto.

Os granata seguiam com a mesma equipe e a eficiência dentro de campo também era igual. Em 1947, a equipe de Turim chegou ao terceiro título consecutivo, com dez pontos de vantagem para a rival Juventus, vice-campeã. No ano seguinte, o Torino chegou a mais um scudetto com superioridade absoluta sobre os adversários. Naquela ocasião, o vice foi o Milan, que ficou a 16 pontos do Toro, em uma época que uma vitória valia apenas dois pontos.

O domínio era incrível. O ataque, devastante, marcou 125 gols no campeonato e a defesa sofreu apenas 33, em 40 jogos. Assim o título foi conquistado com cinco rodadas de antecipação. Na temporada seguinte, em 1948-49, o time iria em busca do pentacampeonato, para empatar em número de títulos consecutivos que a rival Juventus tinha conseguido na década de 30, durante seu Quinquennio d’Oro.

O time era líder do campeonato até que, dia 5 de maio, em voo de volta de Lisboa, onde havia perdido para o Benfica por 4 a 3, o avião colidiu com a basílica de Superga, já na chegada a Turim, matando todos os tripulantes. Mesmo com a tragédia, o Torino sagrou-se pentacampeão naquele ano, escalando a equipe Primavera nos últimos jogos – assim como suas adversárias, Fiorentina, Genoa, Palermo e Sampdoria.

Com o ótimo desempenho que teve no Torino, Loik era um dos jogadores selecionáveis. A guerra, porém, atrapalhou a sua carreira na Squadra Azurra, que pouco se reunia à época, em meio a inexistência de torneios internacionais. Ao todo, o “Elefante” disputou nove jogos pela Nazionale e marcou quatro gols. Com certeza, Loik seria um dos italianos que estaria no Brasil para a Copa de 1950, caso não estivesse no desastre aéreo de Superga, que abreviou sua vida aos 29 anos e deu fim ao Grande Torino. A equipe granata, órfã de seus ídolos, só voltaria a comemorar a conquista de uma Serie A, a última de sua história, quase 30 anos depois.

Ezio Loik
Nascimento: 26 de setembro de 1919, em Fiume, Itália
Posição: Meio-campista
Clubes: Fiumana (1936-37), Milan (1937-40), Venezia (1940-42) e Torino (1942-49)
Títulos: 5 Serie A (1942-43, 1945-46, 1946-47, 1947-48 e 1948-49) e 2 Coppa Italia (1940-41 e 1942-43)
Seleção italiana: 9 jogos e 4 gols

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