Serie A

È gol!, gol!, gol!, gol!, …

Quem acompanha a Serie A em seus canais nativos sabe que os narradores italianos diferem bastante dos brasileiros. Nada daquele grito de gol prolongado ou de grande exaltação. Alguns, porém, tratam de compensar toda e qualquer tranquilidade na transmissão, e se esgoelam na torcida por seu time. É o caso de narradores-torcedores, como Raffaele Auriemma (Napoli), Carlo Zampa (Roma), Carlo Pellegatti (Milan), Claudio Zuliani (Juventus), Guido De Angelis (Lazio) e Roberto Scarpini (Inter).

Esses narradores trabalham nos canais de televisão dos clubes, tal qual o Inter Channel, ou na rádio, ou ainda na Mediaset Premium, que costuma disponibilizar dois tipos de transmissão: a regular e a di colore, em que os cronistas podem (e devem) torcer à vontade. Há, também, figuraças como Marcello Chirico, Cristiano Ruiu e Gian Luca Rossi, mas esse tipo de excentricidade fica para outro post. Curioso é que vêm desses profissionais a grande maioria dos apelidos dados aos atletas, como Ibracadabra; Top Gun (Montella), e Willy Wonka (Seedorf).

É fácil encontrar, na internet, vídeos que demonstrem as reações destes narradores. Carlo Zampa, que já foi locutor do Stadio Olimpico, talvez seja o mais famoso. Em um gol, ele claramente deixa de gritar gol, e passa a berrar com o máximo de potência qualquer coisa que possa exprimir sua explosão. A emoção, claro, também surge nos momentos ruins: como nesse contra-ataque desperdiçado por Julio Baptista, ao que Zampa reage com “Vá embora! Vá embora, Baptista! Eu não quero mais te ver! Vá embora!“.

Raffaele Auriemma, fanático pelo Napoli, não deixa por menos. Ele literalmente distribui apelidos para os jogadores e grita como um general em guerra. O milanista Carlo Pellegatti, por sua vez, abusa da criatividade: não é qualquer um que chamaria Inzaghi de velociraptor e Fabio Capello de Windows 95. Guido De Angelis, laziale, e Roberto Scarpini, interista, são outros notáveis. O segundo já foi dj, e agora chama atenção pelo inconfundível “É gol! É gol! É gol!“.

Outro fato bastante engraçado (e igualmente sádico) é observar as reações deste tipo de narrador em partidas adversas. Como Zampa frente a um gol da Lazio, e De Angelis, da Roma. Ficam arrasados, desorientados. Se algum dia qualquer um destes narradores infartar, não será difícil descobrir por quê. Fato é que eles fazem parte de uma cultura futebolística implacavelmente apaixonada.

1 comentário

  • Parabéns pelo post!
    Acho que aqui no Brasil seria muito mais interessante se as tvs e as rádios colocassem narradores que assumam o seu time e o defendam. Essa hipocrisia de todo narrador, comentarista e repórter ser imparcial (ou isento) já está enchendo o saco.
    Eu quero alguém que me represente no microfone, que sinta as angustias quando o time está perdendo, berre quando o time fizer um gol.
    Uma grande narração do Zampa é essa:
    http://www.youtube.com/watch?v=xGAiQQUnpgk

    Abraço!

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