Serie A

5ª rodada: A metamorfose de dois times

Um dos símbolos da transformação da Inter, brasileiro Jonathan tem tido destaque no time (LaPresse)

O Napoli contratou um time novo e um atacante de nível mundial. A Juventus mexeu pouco, mas trouxe um craque incontestável. Porém, os destaques da Serie A até agora são dois times que, até poucos meses atrás, estavam completamente desacreditados, quase no fundo do poço. A Roma, vice-campeã da Coppa Italia, 6ª colocada no campeonato, e terceira pior defesa do campeonato, e a Inter, 9ª colocada, e segunda pior defesa. Ambas fora de qualquer competição europeia. Hoje, os romanistas estão com 100% de aproveitamento e sofreram apenas um gol, marcando 12. A Inter vem logo atrás, com 13 pontos, dois gols sofridos, mas 15 marcados. Os números, friamente, poderiam até dizer pouco, mas eles estão sendo construídos por duas equipes que tem uma postura claramente diferente – dois times com vontade de apagar o vexame de 2012-13. E que não dão sinais de que irão arrefecer.

Inter 2-1 Fiorentina

A Inter vem embalada. São quatro vitórias e um empate, uma goleada histórica no caminho, e a invencibilidade no papel, mesmo enfrentando Juventus e Fiorentina. Com uma tabela complicada na reta inicial do campeonato, a equipe de Walter Mazzarri pode comemorar: a forma segura de jogar deste time só se compara, nos tempos recentes, à do time comandado por José Mourinho. Com Leonardo e Stramaccioni, o time viveu bons momentos, mas pecava demais na defesa e não oferecia regularidade. O time de Leonardo tinha um excelente ataque, e se valia de Sneijder e Eto’o, embora fosse inseguro na defesa; e a equipe de Stramaccioni, mesmo quando chegou na 11ª rodada do último campeonato e venceu a Juventus, já havia sofrido derrotas em casa para Siena e Roma. Desta vez, a defesa está bem montada, o ataque é mortal, e a vontade é outra. O time cresce em grandes jogos e se impõe nos menores. Fisicamente, está inteiro: até agora, não houve qualquer lesão.

Contra a Fiorentina, a Inter fez um ótimo primeiro tempo, em que Álvarez foi destaque. A Fiorentina buscava os contra-golpes, e Joaquín e Rossi davam algum trabalho para o trio de zagueiros e Handanovic. Em um momento em que a Inter estagnou, já que Guarín e Taïder assumiram mais responsabilidades, mas estavam mal no jogo, Juan cometeu pênalti bobo sobre Joaquín. Handanovic adivinhou o canto, mas não defendeu a cobrança de Rossi, que chegou ao sexto gol em seis jogos com a camisa viola – 5 no campeonato, do qual é artilheiro. Mas Mazzarri tirou Guarín (que ironizou a torcida, mas se desculpou após o jogo), e Taïder, inserindo Kovacic e Icardi. A profundidade que faltava com Palacio apareceu e o time empatou, após cobrança de escanteio, com voleio de Cambiasso. Pouco depois, uma jogada simbólica do momento metamorfoseado da Inter: Álvarez fez ótima jogada e passou para Jonathan, que se livrou de Fernández e encheu o pé para virar. Dois dos mais criticados jogadores do elenco, que cresceram muito com o novo técnico, viraram o jogo. Ainda havia espaço para mais, mas a Beneamata perdeu outras três chances, em seguida. (Nelson Oliveira)

Sampdoria 0-2 Roma

Depois de anos, a Roma reencontra a liderança isolada da Serie A. Em uma dura batalha no Marassi, os comandados de Rudi Garcia derrotaram a Sampdoria por 2 a 0, estabelecendo o recorde do clube de cinco vitórias na abertura do campeonato – é o melhor início de campeonato desde a temporada 2005-2006, quando a Juventus venceu nove partidas seguidas. É a primeira vez desde a temporada 2009-2010 que os giallorossi estão isolados na liderança, sendo a última vez quando derrotaram a Lazio por 2 a 1 em um dérbi válido pela 33ª rodada daquele campeonato. A Samp segue sem vencer e já chega à zona de rebaixamento, com apenas dois pontos em cinco partidas. O trabalho de Delio Rossi começa a ser contestado e a crise apenas cresce. Como de costume, voltam a surgir boatos da volta de Cassano ao clube, na janela de inverno.    

Querendo dar uma resposta a seu fiel público, a Samp foi à carga na primeira metade da partida. Os blucerchiati criaram boas chances no primeiro tempo, mas esbarraram no firme sistema defensivo romanista. A melhor chance foi do jovem talento Gabbiadini, um dos poucos brios da equipe na temporada, que chutou rasteiro forte aos 31, mas De Sanctis conseguiu mandar para escanteio. Para a Roma, as coisas pareciam perdidas aos 10 do segundo tempo, quando Garcia foi expulso por aplaudir ironicamente a arbitragem. Mas, logo depois, Benatia e Strootman fizeram uma tabela genial e o zagueiro conseguiu invadir a área no meio da zaga. Ele foi derrubado por Gastaldello – pênalti –, mas, caído no chão, chutou no canto de Júnior Costa e abriu o placar. Com o adversário ferido, os visitantes ampliaram aos 43, quando Gervinho recebeu dentro da área passe de Totti em contra-ataque e, tranquilamente, mandou para as redes, sem chance para o goleiro brasileiro. (Thiéres Rabelo)

Chievo 1-2 Juventus

A Juventus não é mais a mesma. Se na temproada passada, as vitórias vinham com facilidade e o caminho até o scudetto era apenas uma questão de tempo, neste campeonato a Velha Senhora não inspira tanta confiança. Pela quarta vez seguida, o time de Antonio Conte saiu atrás no placar e teve que se recuperar. A equipe continua invicta (13 pontos, na 3ª colocação), é verdade, mas passa por dificuldades em quase todo jogo. De novo com time misto, a Juve fez um péssimo primeiro tempo contra o Chievo e saiu atrás no placar, após gol de Théréau.  

No segundo tempo, os bianconeri voltaram mais atentos e empataram logo no início: Pogba cruzou e Quagliarella tentou três vezes antes de conseguir balançar as redes. Pouco depois, o bandeirinha Preti anulou um gol legítimo dos donos da casa, assinalando impedimento inexistente de Paloschi. O erro crasso indignou e tirou um pouco da atenção dos jogadores do Chievo, que, aos 20 minutos, levaram o gol da virada. Pogba, o melhor jogador em campo, cruzou e Bernardini empurrou para o próprio gol. A vitória deixa a Juve na terceira colocação e mantém o Chievo em situação delicada, com apenas quatro pontos. Ao final do jogo, o presidente do Chievo, Igor Campedelli (interista declarado), foi aos vestiários consolar o bandeira e o árbitro pelo erro. A atitude foi amplamente elogiada pelo presidente da Associação Italiana de Árbitros. (Rodrigo Antonelli)

Napoli-Sassuolo 1-1
San Paolo lotado, sequência de
cinco vitórias na temporada e confronto entre o melhor ataque e a pior defesa
do campeonato. O Napoli tinha tudo para, assim como a Inter, massacrar o
Sassuolo, porém não passou de um xoxo empate com o lanterna, não conseguiu
superar a defesa neroverde e ainda levou sufoco atrás, o que pareceu ter
deixado Benítez bastante irritado. Foram 72% de posse de bola, 19 finalizações
e 21 dribles certos contra 6. O time da casa realmente foi superior, mas o dia
ruim de Higuaín e Hamsík prejudicou todo o desempenho do time.

Dos 19 chutes,
apenas 8 foram no alvo – de se destacar o desempenho de Pegolo, muito mais confiável
que Pomini e Rosati -, sendo que 5 foram efetuados por Inler e o único gol foi
marcado por Dzemaili, em potente chute de fora da área. Convém lembrar que os suíços são os volantes do
4-2-3-1 de Rafa, que efetuou um grande rodízio e mexeu muito no time. O gol cedo não abateu o time visitante, que apelava para o 3-5-2
(5-3-2 na pratica) após os 15 gols sofridos em 4 jogos. O time emiliano logo empatou com
belo gol de Zaza, em assistência de Kurtic. Na base de contra-ataques, o
Sassuolo também colocou Reina para trabalhar e teve número próximo de finalizações
(17 ao todo, 6 no alvo). Com um mês movimentado com dois jogos pela Champions,
o time de Benítez enfrentará o Genoa na Ligúria, enquanto o Sassuolo receberá a
Lazio em Reggio Emilia. (Arthur Barcelos)

Bologna 3-3 Milan

sem Kaká, lesionado, e agora sem Balotelli (suspenso por
três jogos devido a expulsão após o final do jogo ante o Napoli), o
Milan foi
até o Renato Dall’Ara para encarar o Bologna. Vivendo mais um péssimo
início de
temporada, com apenas 3 vitórias em oito jogos (sendo duas pela
Champions
League), os três pontos eram necessários para melhorar a situação no campeonato.
Para o time bolonhês, a vitória era mais que fundamental, afinal com
apenas dois pontos, a equipe de Stefano Pioli beira a zona de
rebaixamento. O empate acabou sendo ruim para os dois times, uma vez que o Bologna se manteve na parte baixa e o Milan fica cada vez mais longe do topo da tabela, com míseros 5 pontos, na 12ª colocação.
Com Robinho na vaga de Balotelli, o Milan conseguiu ter um
ritmo de jogo diferente do apresentado em confrontos anteriores e o gol não
demorou a sair, com Poli, aos 12. Mas, se o ataque funcionou mesmo sem o
camisa 45, não se pode dizer o mesmo da defesa, que continua o ponto fraco da
equipe. Após lançamento longo da defesa, Cristaldo, com um sutil toque de cabeça,
desestruturou toda a defesa milanista e deixou Laxalt com caminho livre para
avançar e empatar o jogo. E o jogador emprestado pela Inter marcou também o segundo, no
início da etapa final, aproveitando cruzamento de Lazaros. Atordoado, o Milan
não se achou mais na partida e acabou levando o terceiro. Cristaldo se infiltrou entre Zapata e Méxes e completou cruzamento de
Diamanti. A derrota já era dada como certa, mas em nos minutos finais o Milan igualou
o placar, com Robinho e Abate. Não fossem os gols desperdiçados por Matri… (Caio
Dellagiustina)

Lazio 3-1 Catania
Mesmo desfalcada, a Lazio conseguiu bater o Catania,
por 3 a 1, após a derrota no clássico em Roma. Sem Klose, Radu, Biava,
Konko, Biglia, Novaretti, Dias e Mauri (suspensos, os dois últimos), a
equipe treinada por Vladimir Petkovic mostrou aos seus torcedores, no
Olímpico, que faria bonito na tarde da última quarta-feira – com uma
ajuda do goleiro adversário. Logo aos 4 minutos, Andújar cochilou na
falta de Candreva e Ederson estufou a rede. No lance seguinte, Cana
rebateu e a bola sobrou para Barrientos passar por Marchetti e empatar o
jogo. Ainda no primeiro tempo, Lulic marcou o segundo gol da Lazio na partida ao aproveitar um
passe errado do volante Guarente.

O Catania quase empatou o confronto
novamente com uma bicicleta de Almirón, mas para a tristeza do meio-campista, a
bola explodiu na trave. O jogo praticamente foi decidido com a expulsão
de Bellusci, que recebeu o segundo cartão amarelo ao cometer falta em
Onazi. Hernanes, raivoso por ter perdido a titularidade para Ederson, entrou bem em campo e ainda deixou sua marca antes do minuto final. Na próxima
rodada, o Catania recebe o Chievo, que ainda não venceu fora de casa; a
Lazio joga contra o Sassuolo.  (Murillo Moret)

Parma 4-3 Atalanta 
Parma e Atalanta fizeram um dos melhores jogos da rodada, no Ennio Tardini, com belas jogadas, muitos gols, boa qualidade técnica e até um expulso. Os donos da casa saíram na frente, com gol de Mesbah, mas deixaram a Atalanta empatar menos de um minuto depois, com Bonaventura. Nos 15 minutos seguintes, foi um festival de gols: Parolo balançou as redes duas vezes e Rosi uma para fazer 4 a 1 para o Parma, e Denis deixou o dele para diminuir para 4 a 2. Destaque para os dois belos gols de Parolo e a boa partida de Antonio Cassano. 

Na volta do intervalo, Amauri foi expulso logo no início e o time de Roberto Donadoni teve que se portar de maneira mais cautelosa. A Atalanta foi para cima, mas não conseguia furar o bloqueio dos crociati. O gol só saiu aos 35 minutos da etapa final, com Livaja. Donadoni respira um pouco com a primeira vitória do Parma no campeonato, mas já começa a pensar no difícil jogo contra a Fiorentina, no fim de semana. A Atalanta, por sua vez, chega à terceira derrota consecutiva e está cada vez mais perto da zona de rebaixamento. (RA)
 
Udinese 1-0 Genoa
Deve ser muito complicado ser goleiro de time desfavorecido técnica e taticamente. Não importa ser bom se, ao final da partida, você vê o telão e lá consta que sua equipe perdeu novamente. É a situação de Perin, que mais uma vez viu o Genoa perder um jogo. Desta vez, seu time foi engolido pela Udinese, no Friuli, e foi derrotado por 1 a 0 – a terceira derrota em cinco partidas da Serie A 2013-14. A equipe visitante teve uma chance de gol no primeiro tempo inteiro, com Konaté, que parou em defesa de Kelava. Enquanto isso, no outro gol, Perin se virava para bloquear os remates de Maicosuel, Di Natale, Pereyra e Heurtaux. Allan, no meio-campo, comandava as ações.

Calaiò, na etapa final, desviou cobrança de falta de Di Natale de cabeça, enganando o goleiro do seu time. Perin, desta vez, nada pode fazer. O Genoa até melhorou após a desvantagem no placar, com um chute potente, mas pra fora, de Antonini; na sequência, nos acréscimos, o arqueiro ainda pegou a finalização de Muriel. A Udinese chegou a 20 jogos de invencibilidade em casa, mas ainda precisa jogar mais se quiser repetir as temporadas anteriores. (MM)

Torino-Verona 2-2
Quatro gols em Turim, porém um
jogo não muito movimentado entre Torino e Verona, que deverão ficar no meio da
tabela, mas que prometem serem pedra no sapato dos grandes – o Milan que o
diga. Foram pouco mais de 15 finalizações ao todo, com 9 defesas dos goleiros e
gols que saíram em falhas das defesas – dois em pênaltis bobos. De destaque
apenas o desempenho de Bellomo como regista e outro bom desempenho de Jorginho
e Rômulo no time de Mandorlini, o que não serviu de muito para dar emoção ao
jogo.

Cerci colocou o time de Ventura
na frente do placar em boa cobrança de pênalti, após o estreante González colocar
a mão na bola. Pouco antes do primeiro tempo acabar, Toni recebeu, livre,
dentro da área e ajeitou para Juanito (ou Gomez Taleb, como preferir) igualar o
placar. Seguindo a tônica de falhas defensivas, a defesa gialloblù se embolou
logo após a volta do intervalo e Cerci (sempre ele) marcou seu quinto gol no
campeonato. 15 minutos depois, contudo, novo pênalti, agora cometido por Rodríguez
sobre Toni. Na cobrança, Jorginho converteu e definiu o placar final. (AB)
Livorno 1-1 Cagliari
Um tempo para cada time e um resultado que foi bem digerido pelos dois lados. Livorno e Cagliari fizeram pouco para vencer, mas conseguiram um pontinho que ajuda os dois times na caminhada para a salvezza.

No primeiro tempo, o Livorno foi melhor e chegou ao gol após uma jogada bem trabalhada no ataque. Uma triangulação entre Paulinho, Emeghara e Luci acabou resultando no gol do meio-campista, capitão da equipe. Emeghara até poderia ter feito mais um, mas teve gol bem anulado. Ibarbo, que errou tudo no primeiro tempo, acertou no segundo e até fez gol, após passe do brasileiro Nenê. Após o intervalo, a defesa do Livorno teve trabalho contra os sardos, mas jogou bem de novo, com destaque para Bardi, melhor goleiro da competição até o momento.

Relembre a 4ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

Seleção da rodada
Handanovic (Inter); Jonathan (Inter), Acerbi (Sassuolo), Benatia (Roma), Allan (Udinese); Laxalt (Bologna), Parolo (Parma), Pjanic (Roma); Álvarez (Inter); Cerci (Torino), Cassano (Parma). Técnico: Walter Mazzarri (Inter).

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