Seleção italiana

Teste para intercambistas

Alunos que passaram de ano eram apenas risos ao fim do teste, em Londres (Foto: Getty Images)
A temperatura estava baixa, sim, em Londres. A sala de aula
da escola Craven Cottage recebia 26 alunos intercambistas. Eram italianos, que
almejavam passar no teste teórico de Cesare Prandelli, um dos professores mais
respeitados da instituição. A prova final tinha um peso tão grande que deixaria
de recuperação o aluno que não obtivesse média 7. A máxima de que os alunos
mais aplicados são aqueles que sentam na frente… Bom, a turma do fundão terá
de estudar nas férias.
Ranocchia é o típico pagalanxe da turma. Ele acredita que
está no grupo dos populares só porque joga numa equipe boa, mas sempre comete
asneiras e fica de castigo. Quantas vezes o mongolão de 1,95 m teve de se
encontrar com a diretora Cecilia durante seus anos de estudo em Arezzo? No
ensino médio, então, minha nossa. Todo mundo zoava, ele levava a culpa e ainda
se sentia o maioral. Inclusive, nesta segunda-feira, na prova, tentou escrever
Dike, mas não conseguiu. Na sequência, também não teve sucesso ao fazer uma
redação com o tema “Shola Ameobi”. Não conseguiu sair da primeira linha, na qual
grafou “Shola è più veloce di te, Shola è
più veloce di te…*”
.
E o que dizer de Ogbonna, capitão da equipe de luta?
Truculento, também da trupe dos populares. Cresceu à beira da fama até que, por
algum motivo desconhecido, trocou de escola e começou a lutar pela equipe
rival. Ficou mal visto onde usava grená, mas pouco se importou. Queria mais era
lutar, lutar e lutar. Até fora de posição, ele lutava. Esporte era a meta, e
deixou os livros de lado. Angelo se sentou ao lado de Ranocchia e tentou colar.
Não é necessário dizer que também não conseguiu nota suficiente para passar
de ano.
Sirigu, não. Sirigu, mesmo sentando no fundão, sabe que os
estudos são importantes para formar caráter e torná-lo “algo na vida”, como
dizem por aí. Não teve pressa em fazer a prova; errou algumas questões (estava
bem complicado mesmo, o teste), mas conseguiu o Teorema de Onazi e levou meio
ponto na Fórmula de Ogu-Bháskara. Ele nunca esqueceu a fórmula. Inclusive criou
um verso: “bê ao quadrado menos quatro a-cê, é a Nigéria! Menos bê mais ou
menos raiz da Nigéria para a bola não passar”. Porém, escorregou a caneta e
rasurou na parte d’a bola passar.
Pasqual, Motta, Maggio, Parolo e Montolivo tiveram nota suficiente
para passar de ano. Foi aquele 7 que tu até respira mais aliviado ao receber o
teste corrigido pelo professor. O espanto de Prandelli foi mesmo Candreva,
aluno aplicado. Tirou 10 em todas as outras provas no ano, mas fez o teste
final nas coxas e, por pouco, não recebeu nota vermelha.
A galera da frente fez bonito. Se Montolivo tentou colar de
Candreva e foi retirado da sala, Giaccherini, péssimo nas questões da primeira
metade na prova, foi aprovado com louvor porque as questões da segunda metade tinham peso maior. Ele levou um lanche de atum com
Guarapower para revitalizar suas energias durante a prova. A segunda parte foi
impecável. Balotelli, moleque zoeira, fez a prova para passar. Só que diferente
de Candreva, o feijão-com-arroz de Mario basta para uma nota 8.
Giuseppe Rossi perdeu a primeira saída da viagem porque
estava com febre. Ficou no hotel, bebeu um chá e estava a ponto de bala ao
fazer a prova. “Qual a velocidade da bola ao bater na rede”? Correto. “Se a
equipe adversária tem quatro jogadores na defesa, qual é a probabilidade de
conseguir me livrar da marcação e marcar gol”? Também acertou.
Na 50ª prova realizada por Cesare Prandelli, poucos foram os
que ficaram de recuperação. Uma pena. É muito chato estudar nas férias. Destes,
alguns realmente vão passar para fazer uma excursão ao Brasil no meio do ano de
2014. Certamente, outros, preguiçosos, não terão tempo de se debruçar sobre os
livros. Afinal, como em toda escola, em qualquer lugar do mundo, é só uma
prova. “Tenho outra chance mais pra frente”, afirmam. “O professor me dá meio
ponto”.
Atualização: a assessoria de imprensa da escola disse ao
blog que Pirlo, Diamanti e Cerci chegaram depois do horário, fizeram um teste
alternativo e foram aprovados.
 
Ficha técnica
Itália 2-2 Nigéria
Local: Estádio Craven Cottage (Londres, ING)
Árbitro: Martin Atkinson (ING)

Itália: Sirigu, Maggio, Ranocchia, Ogbonna e Pasqual; Montolivo (Pirlo 54′), Thiago Motta (Parolo 53′) e Giaccherini (Poli 76′); Candreva (Cerci 65′); Balotelli e Rossi (Diamanti 53′). T: Cesare Prandelli
Nigéria: Ejide (Enyeama 66′), Kwambe, Egwuekwe, Oboabona e Benjamin; Onazi e Mikel; Oduamadi (Ogu 46′), Dike (Musa 65′) e Moses (Brown 76′); Ameobi (Emenike 65′). T: Stephen Keshi
Gols: Rossi (12′), Dike (35′), Ameobi (39′) e Giaccherini (47′) – Assista os gols aqui.

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*Referência a “Fernando está mais rápido que você, (Massa)”

1 comentário

  • O mais importante e que Cesare Prandelli já tem um time-base. (4-3-1-2):Buffon;Abate,Barzagli,Chiellini,(De Sciglio ou Criscito);Pirlo,De Rossi,(Marchisio,Giaccherini ou Candreva);Montolivo;Rossi,Balotelli. No banco:Sirigu,Bonucci,Verratti,Diamanti….Na minha opnião só falta um reserva para substituir Balotelli, Osvaldo e Gilardino não resolvem nada. E pra vcs o que falta para a ITÁLIA do Prandelli ?

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