Serie A

21ª rodada: Lazio ajuda e Roma volta a sonhar



Uma das melhores contratações do mercado, Gervinho mantém a Roma viva na briga pelo scudetto (Sky)

Quando pouca gente imaginava que a Juventus iria tropeçar, ela empatou. Avassaladora, a Velha Senhora vinha de sequência de 12 vitórias, mas parou na Lazio, que ajudou a Roma a ter mais esperanças de brigar com a equipe de Turim pelo scudetto desta temporada. Mais atrás, o Napoli começa a perder terreno, e se mantém na terceira posição apenas porque a Fiorentina também não conseguiu vencer seu jogo na rodada. A viola, ao menos, conta com folgada vantagem sobre as outras equipes que estão lutando por uma vaga na Liga Europa, como Inter, Verona, Torino, Parma e Milan, e tem obrigação de ambicionar mais. Acompanhe o resumo da rodada.

Verona 1-3 Roma

De repente, o campeonato se abre. Pelo
menos é esse o sentimento do torcedor romanista. Motivada pelo tropeço
da líder Juventus no sábado contra sua arquirrival Lazio, a Roma
derrotou o Verona fora de casa e cortou para seis pontos a vantagem dos
bianconeri. Já são três vitórias seguidas para a vice-líder, que tenta
repetir o estonteante começo que teve no primeiro turno para alcançar o
scudetto, ainda com um confronto direto a se jogar contra a Juve, na penúltima rodada. Se
alcançar algo semelhante às dez vitórias consecutivas com as quais abriu
o campeonato, o campeonato se tornará bastante interessante. Sem saber o
que é vencer a Roma na Serie A desde 1996, o Verona, que acaba de
perder Jorginho, seu principal meio-campista, para o Napoli, se complica
na busca por uma vaga na Liga Europa, sendo esta sua terceira derrota
seguida. Estacionado nos 32 pontos, os butei caem duas posições com as
vitórias de Parma e Torino, ocupando o oitavo lugar. No entanto, como o objetivo primário é permanecer na elite, não há motivos para preocupação.

Mesmo
tendo dominado as ações no primeiro tempo, a Roma só conseguiu abrir o
placar nos acréscimos. Gervinho fez jogada individual na ponta esquerda e
se viu marcado por três adversários; então cruzou para a área, onde
Ljajic estava para chutar para o gol. Logo aos 4 do segundo tempo, veio
o empate dos anfitriões, com o islandês Hallfredsson, com um chute de
esquerda de fora da área. Mas era a tarde de Gervinho. Aos 15, o
marfinense dominou uma sobra de escanteio dentro da área, “chamou para
dançar” Donati e Rômulo, dos quas se desvencilhou, e bateu rasteiro de
direita, no contrapé de Rafael. E aos 37, com o jogo ainda aberto, o
árbitro Paolo Mazzoleni marcou pênalti inexistente em Torosidis, que
Totti converteu e concluiu a partida. (Thiéres Rabelo)

Lazio 1-1 Juventus
Após a derrota para a Roma, no meio da semana, em jogo válido pela Coppa Italia, a Juve voltou a tropeçar no Estádio Olímpico da capital. Contra a inconstante Lazio, o time de Antonino Conte não fez boa partida e viu sua série de 12 vitórias consecutivas ser interrompida. Buffon foi expulso logo aos 24 minutos do primeiro tempo, depois de derrubar Klose dentro da área, e acabou dificultando as coisas para a Velha Senhora. Candreva abriu o placar na cobrança de pênalti e a Lazio recolheu-se no seu campo para segurar o resultado.

Com um a menos, a Juve passou a jogar em um 4-4-1 que virarva 4-3-2 quando estava com a bola e pouco conseguiu produzir na primeira etapa. Logo no início do segundo tempo, porém, a dupla Tévez-Llorente voltou a aparecer bem e: Tévez recebeu, girou em cima do zagueiro a abriu para Lichtsteiner na direita. O suíço cruzou na área e Llorente cabeceou para o fundo das redes, marcando seu nono gol no campeonato. No restante do tempo, os bianconeri não conseguiram mais agredir e contaram com boas defesas de Storari para segurar o empate, que acabou saindo de bom tamanho para a equipe, depois das lambranças de Buffon. Um tropeço inesperado e que dá mais emoção ao campeonato. A Roma agora está “apenas” seis pontos atrás. (Rodrigo Antonelli)

Napoli 1-1 Chievo
Sem brilho nenhum, o Napoli empatou a segunda partida seguida na Serie A e já vê Juve e Roma ampliarem muito a vantagem na frente, enquanto a Fiorentina se aproxima atrás, de olho na terceira vaga para a Liga dos Campeões. E por pouco o resultado não foi pior para o time de Rafa Benítez. O Chievo foi quem abriu o placar, após boa troca de passes que terminou com gol de Sardo, e conseguiu segurar os napolitanos por quase todo o jogo, mostrando muita organização tática. No Napoli, só Mertens fez partida razoável e procurou espaços para tentar algo.

Higuaín, Hamsik e Callejon não mostraram nem sombra das boas atuações de outros jogos e apenas assistiram o Chievo dominar o jogo no San Paolo. Higuaín, aliás, perdeu chance incrível de empatar o jogo, dentro de pequena área. Mertens cruzou e o argentino isolou. O gol de empate saiu só aos 43 minutos do segundo tempo, na única falha defensiva da equipe de Verona. César permitiu que Albiol girasse em cima dele e chutasse forte. O gol salvador deixa o Napoli com 44 pontos, 12 atrás da Juve e seis distante da Roma. Menos mal que a Fiorentina também empatou e permanece três pontos atrás. O Chievo vai a 18 e ainda sofre com a proximidade da zona de rebaixamento. (RA)

Fiorentina 3-3 Genoa

Jogo
movimentado e polêmico no Artemio Franchi. Em rodada cheia de erros da
arbitragem, sem dúvidas a atuação de Tommasi e seus assistentes foi
a pior e alterou decisivamente no decorrer do jogo. Falando de
resultados, o empate é péssimo para o time de Montella, que poderia ter
aproveitado o vacilo do Napoli para se igualar aos azzurri. Para o Genoa, ponto que mantém o time no meio da tabela, onde
deverá ficar até o fim do campeonato. Contra o 3-4-3 de Gasperini, Montella mostrou a versatilidade tática de seu time, fazendo o primeiro tempo no 3-5-2 e o segundo no 4-3-3,
com os mesmos jogadores. Com a bola rolando, como sempre acontece em
Florença, o time da casa teve domínio da posse de bola e vantagem
territorial, mas não conseguiu transformar isso em superioridade no
placar, ainda mais sem seus jogadores mais criativos, Valero (um mês
fora) e Rossi (dois meses), e sua principal referência, Gómez (duas
semanas).

A contagem abriu aos 25, após jogada de Gilardino. Antonelli
tirou de Neto e se jogou, mas Tommasi marcou penalidade, convertida pelo atacante da seleção. Cinco minutos depois nova penalidade inexistente:
Ambrosini valorizou puxão de De Maio e caiu na área. Aquilani
empatou. Um minuto depois, o Genoa encaixou contra-ataque e Antonini
aproveitou a desatenção viola para desempatar. Vantagem que, novamente, não durou muito, já que Aquilani voltou a marcar após confusão na área. Motivada
atrás da vitória, a Fiorentina voltou melhor e mais agressiva no
segundo tempo com a mudança tática de Montella e chegou ao gol no
que seria a tripletta de Aquilani, mas um impedimento inexistente foi marcado. O erro não diminuiu o ritmo dos viola, que seguiram em cima e novamente com Aquilani, em passe de Joaquín, viraram, validando a primeira tripletta na carreira do meia italiano.
Com a vantagem, porém, o time da casa tirou o pé e sofreu o empate aos
76, em escanteio que terminou na cabeçada de De Maio. (Arthur Barcelos)

Inter 0-0 Catania
A Inter desta temporada é igual a da última ou ainda pior. Sem tantas lesões quanto as que o antigo técnico Stramaccioni teve de lidar, Mazzarri vai fazendo um trabalho similar ao do antecessor: decepcionante, após um ótimo início. Perdido, o treinador criticou alguns jogadores, como Álvarez e Jonathan, ao dizer que eles não tem experiência para serem líderes técnicos em um time grande. Também criticou a torcida, que pouco compareceu ao estádio, e fez pouco barulho. Disse que era mais fácil jogar fora de casa, porque ao menos. “Parecia uma partida com portões fechados”, disse. Porém, como se empolgar com um time que tem Kuzmanovic como armador no meio-campo? Mazzarri está completamente preso a convicções que se mostram pouco efetivas, e se vê: considerando apenas os últimos nove jogos, a Inter seria antepenúltima no campeonato.

Em campo, a Inter criou pouco contra o lanterna do campeonato, que tem o pior ataque e a segunda pior defesa. Nas poucas chances que teve, um Milito e um Palacio irreconhecíveis desperdiçaram. A melancolia e os momentos de tensão se veem dentro de campo, uma vez que mesmo quando tem a bola, a Beneamata não tem poder de penetração, e é previsível. Sem a bola, o time desmancha, e sofre muito. As melhores chances do jogo foram do Catania, com Lodi, Rinaudo e sobretudo com Bergessio, ambas no segundo tempo. Apesar da posição, é nítido que os etnei tem futebol para mais, e estão vivos na briga pela permanência. Por outro lado, isto não justifica a péssima partida nerazzurra. O cenário na semana em que a Inter enfrenta a rival Juventus, em Turim, é um dos piores possíveis. Considerando, ainda, que Cambiasso, machucado, deve desfalcar a equipe. (Nelson Oliveira)

Cagliari 1-2 Milan
Seedorf ainda tem muito o que acertar no Milan, mas ao menos tem conseguido vitórias no comando do Diavolo. Apesar da derrota no meio da semana para a Udinese, que tirou a chance de os milanistas conquistarem o título da Coppa Italia, o início do ex-jogador holandês é positivo. Na Serie A, são duas vitórias, que levaram o Milan para a 9ª posição, com 28 pontos, cinco atrás da Inter, que abre a zona de classificação à Liga Europa. Considerando o atual retrospecto de ambos os times, as chances de os rossoneri ultrapassarem a rival são boas. A virada foi uma prova de que os ventos mudaram em Milanello, e quem foi penalizado foi o Cagliari, que fez boa partida e merecia melhor sorte. Atualmente, os sardos tem 21 pontos, e veem a zona de rebaixamento um pouco mais perto.

A atuação do Milan não foi das melhores. Boa parte dos jogadores rubro-negros atuaram abaixo de suas capacidades, e isso se verificou sobretudo na construção das jogadas, que aconteceram com lentidão, por causa do desempenho negativo de Honda, Kaká, Montolivo, De Jong e Robinho. Balotelli tentava muito sozinho, mas tudo o que havia feito era perder um gol feito, aos 9 do segundo tempo. Antes, Amelia – substituto de um gripado Abbiati –, cometeu erro na saída de bola, e Sau aproveitou para abrir o placar. No final do jogo, quando a vitória cagliaritana parecia próxima, Cabrera colocou a mão na bola fora da área. Balotelli cobrou bem e, contando com a ajuda do forte vento, empatou, aos 42 – porém, se excedeu nas comemorações e levou um cartão que o tira da partida contra o Torino, confronto direto por vaga europeia. Nos acréscimos, um oportunista Pazzini, que havia dado profundidade ao time de Milão, aproveitou escanteio e virou o jogo, dando importantes pontos a seu time. (NO)

Parma 1-0 Udinese
Bastou uma simples vitória, coincidindo com tropeços de rivais
diretos, para que o Parma entrasse na zona de briga pela Liga Europa. Graças a um gol de
Amauri, a sofrida, mas merecida vitória, foi a quarta seguida dos crociati, que
somam dez jogos sem derrotas consecutivos, empolgando a todos no Ennio Tardini, e
dessa vez sem tweet polêmico da esposa de Cassano. Por outro lado, a Udinese
chegou à sua quarta derrota seguida, se aproximando da zona de rebaixamento, mas
seguem vivos na Coppa Italia.
Com Biabiany no banco (devido a propostas do Guangzhou, da China),
Donadoni adotou o 4-4-2, com variações para o 3-5-2, tendo Marchionni como um
falso defensor. O time do Parma foi melhor durante boa parte da primeira etapa,
criando boas chances e obrigando Brkic a fazer grandes defesas. O gol saiu aos
25 minutos, com Amauri apenas escorando cruzamento de Cassano, após falha do
goleiro bianconero. Sem Di Natale (que só entrou no final do jogo), a Udinese tentou,
mas pouco fez. O Parma ainda teve boas oportunidades para aumentar o marcador,
mas penou na hora de finalizar. (Caio Dellagiustina)
Torino 1-0 Atalanta
Embalado por uma boa sequência de resultados (apenas uma
derrota nos últimos oito jogos), o Torino recebeu a Atalanta, que, após um pífio
final de primeiro turno, vinha de duas vitórias consecutivas na Serie A. Em
relação ao último jogo, Ventura fez de El Kaddouri o trequartista, enquanto
Colantuono ousou em começar com Denis e Moralez no banco, preteridos por Livaja
e Brienza. Mas as alterações parecem não ter surtido efeitos, afinal na
primeira etapa, com exceção do gol anulado de Cerci, houve poucas emoções e as
defesas se sobressaindo.

Na segunda etapa, um novo jogo. Com Denis entrando na
Atalanta e Brighi no Torino, os dois times criaram suas oportunidades. Os bergamascos
tentaram primeiro, com Denis, mas quem chegou ao gol foi o time granata, através de pênalti absurdamente mal marcado sobre Cerci. Na cobrança, o próprio
Cerci converteu. Os nerazzurri se lançaram ao ataque, mas foi o Toro que teve a chance de ampliar. Nova penalidade, dessa vez perdida por Immobile, que bateu mal e atrasou para Consigli. Com o resultado, o Toro fica a um ponto da zona de
Liga Europa, e a Atalanta se mantém no meio da tabela. (CD)

Livorno 3-1 Sassuolo

Início
eletrizante de Domenico Di Carlo no comando do Livorno, substituindo
Davide Nicola. O Livorno, que conta com vários jogadores emprestados pela Inter, utilizou a força nerazzurra para chegar a seus gols – com um quarto do jogo transcorrido, o time toscano já ganhava por 3 a 0. Em cruzamento
de Benassi, Greco abriu o marcador aos 4. Aos 11, jogada de Mbaye e
passe para Paulinho chutar de fora da área e marcar seu sétimo gol na
Serie A. Aos 26, Emeghara puxou contra-ataque e abriu para Benassi
finalizar no canto de Pegolo, que nada pegou nos 90 minutos, já que
estas foram as únicas três finalizações no gol dos amaranto, que tiraram o pé após a vantagem.

Ainda
no primeiro tempo, o irregular e promissor Bardi derrubou Sansone na
área e Berardi converteu penalidade. Mais uma vez observado por
Prandelli, presente no estádio, a sensação Berardi, aliás, deu trabalho
para o Livorno, e foi responsável por sete finalizações. Quem também jogou uma boa partida foi o estreante Sansone – apenas o outro jovem, Zaza, destoou no trio de ataque neroverde.
Prandelli também deve ter admirado as partidas do sub-21 Antei e do
sub-19 Benassi. A vitória não tira o Livorno da zona de rebaixamento,
mas dá um novo gás após dez jogos (nove derrotas) e dois meses sem
vencer, o que valeu uma grande contestação dos torcedores antes do jogo. Resultado ruim para o Sassuolo, também na zona de descenso, e
que deve fazer Eusebio Di Francesco sair do comando técnico. (AB)

Sampdoria 1-1 Bologna

Em
um resultado que pouco interessou para os dois times, Sampdoria e
Bologna empataram por 1 a 1 em Gênova, com o gol de empate dos
visitantes vindo aos 45 do segundo tempo. A briga dos dois clubes pela
salvezza não teve prejuízos muito grandes, pois apenas um dos últimos
sete colocados venceu na rodada. A Samp chega aos 22 pontos e permanece
na 13ª posição, cinco pontos à frente da zona de rebaixamento. Na
próxima rodada, o time blucerchiato faz o Derby della Lanterna contra o
Genoa, em um jogo-chave do segundo turno. O Bologna, que ainda não
perdeu com Davide Ballardini no comando técnico, também não teve a
posição alterada, chegando aos 18 pontos, na 16ª colocação, o primeiro
time fora da zona da degola.

Sem serem incisivos, os
dois times gastaram o primeiro tempo apenas se estudando. A Samp, porém,
foi quem ficou a maior parte do tempo com a bola e quem mais rondou a
área adversária. O Bologna praticamente não conseguiu chegar à meta dos
genoveses. No segundo tempo, a Samp começou a se lançar com mais ímpeto à
busca do gol e conseguiu furar o bloqueio bolonhês aos 17, após jogada
individual do brasileiro Éder na ponta direita, que cruzou para a área, onde Gabbiadini estava para conferir e
marcar contra seu ex-clube. Quando tudo parecia decidido,
em um lance fortuito, o grego Christodoulopoulos puxou contra-ataque
aos 45, com a defesa doriana desarrumada, e foi derrubado por Costa na
área: pênalti claro. O capitão Diamanti cobrou no canto direito e
empatou. (TR)

Relembre a 20ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

Seleção da rodada
Storari (Juventus); Rolín (Catania), Paletta (Parma), Glik (Torino), Antonini (Catania); Biglia (Lazio), Aquilani (Fiorentina), Benassi (Livorno); Gervinho (Roma), Paulinho (Livorno), Pazzini (Milan). Técnico: Rudi Garcia (Roma).



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