Serie A

13ª rodada: Por um fio

No último minuto, Pirlo castigou o Torino e deu mais uma vitória à Juve no dérbi de Turim (AP)

Juventus, líder, 11 pontos de vantagem sobre o Napoli, terceiro colocado. Roma, vice-líder, oito. Com apenas 13 rodadas disputadas, juventinos e romanistas vão ampliando seu domínio no campeonato, vencendo seus jogos à força (e com requintes de crueldade, às vezes), enquanto seus adversários tropeçam. A corrida a dois pelo título promete se intensificar nos próximos meses, enquanto a briga pelas outras vagas europeias está cada vez mais acirrada. Acompanhe o resumo da rodada.

Juventus 2-1 Torino
Há tempos o dérbi de Turim não era tão emocionante. Juventus e Torino fizeram um dos jogos mais movimentados da rodada, com decisão apenas no fim, e entreteram por 94 minutos os 39.938 torcedores que estiveram no estádio. Vidal abriu o placar em cobrança de pênalti, ainda aos 15 minutos do primeiro tempo, mas viu o brasileiro Bruno Peres fazer um lindo gol, partindo da sua área de defesa, para empatar aos 22. O Torino até criou boas oportunidades para virar, principalmente pelos lados do campo, mas quem marcou de novo foi a Juve, com belo chute de Pirlo, de fora da área, aos 93 minutos, no último lance do jogo.

O golaço que fez o Juventus Stadium explodir de alegria, porém, castigou um Torino que não merecia a derrota – teve, inclusive, duas boas chances de matar o jogo. O time de Ventura fez, provavelmente, sua melhor partida no campeonato até agora e ainda tinha um a mais em campo pelos últimos 15 minutos, por causa de expulsão de Lichtsteiner. Quem tem motivos de sobra para comemorar é Massimiliano Allegri, que conseguiu dar solidez à Juve e vê seu time ser comparado ao de Antonio Conte, que vencia mesmo quando não jogava bem. Como bem lembrou nosso colaborador Murillo Moret, no ESPN FC, o mundo na última derrota da Juve para o Torino, em 1995, era bem diferente. Com a vitória, a Juve segue três pontos à frente da Roma na tabela e o Torino permanece na 15ª colocação, com 12 pontos. (Rodrigo Antonelli)

Roma 4-2 Inter
No jogo dos únicos clubes com proprietários estrangeiros, ficou mais claro o estágio avançado da Roma, desde 2012 nas mãos de Palotta, sobre a Inter. A equipe romana tem um grupo mais coeso e de maior nível, há dois anos jogando um bom futebol com Garcia. Muito diferente do primeiro ano de presidência de Thohir, que ainda se adapta ao futebol da Itália, e das duas semanas de Mancini como treinador nerazzurro. Superioridade que ficou clara desde o início da partida. Mancini apostou em tirar espaço entre linhas de Totti e Pjanic, mas Garcia e seus jogadores foram bravos em se adaptarem a um novo contexto e explorarem outras fragilidades interistas: as laterais e a defesa a quatro má coordenada. Todos os gols saíram dessa forma.

O primeiro aconteceu com Totti se deslocando pro lado e acionando Maicon, que passou para Ljajic, nas costas da defesa, cruzar para a diagonal mal marcada de Gervinho. O segundo, logo no início do segundo tempo, em distração completa do lado direito, em que Holebas não teve resistência de Guarín e cobertura de Medel, e passou com tranquilidade por Campagnaro e Ranocchia antes de acertar bonito chute. Já o terceiro, novamente pela direita: Totti teve tempo e espaço para se recuperar e, caído, tocar para Pjanic entrar na área e colocar os romanistas na frente do placar pela terceira vez. Isso porque Ranocchia e Osvaldo, em assistências de Kuzmanovic e Dodô, empataram duas vezes a partida. Mas a reação interista não existiu após o primeiro gol de Pjanic. O bósnio ainda decretaria o placar final aos 92, em cobrança de falta magistral. (Arthur Barcelos)

Cagliari 0-4 Fiorentina
A Viola deu uma aula de contra-ataques para trucidar o Cagliari, no Sant’Elia, por 4 a 0. No primeiro tempo, apenas um gol: de Matías Fernandez, cobrando falta. Cragno conseguiu defender a primeira bola parada do chileno, minutos antes, mas deixou a bola passar no lance que resultou no primeiro tento do jogo – Rodríguez, impedido, atrapalhou o arqueiro.

Na etapa final, Fernández, Gómez e Cuadrado, somente em contra-ataques, definiram o resultado final da partida. O alemão ficou bastante emocionado – e aliviado – ao balançar a rede, aos 69. Ele avançou com a bola dominada desde a linha do meio de campo e tocou na saída de Cragno, acabando com o jejum de oito meses sem marcar gols. Enquanto a Fiorentina se mantém na briga por competições europeias, o Cagliari continua na parte de baixo da tabela. (Murillo Moret)

Sampdoria 1-1 Napoli

No último jogo da 13ª rodada, Sampdoria e Napoli fizeram uma partida que definiria quem ficaria com a terceira posição. Durante toda a partida foi o time da casa, treinado por Mihajlovic, quem esteve mais perto de vencer, mas, no final, foram os azzurri que acabaram mantendo a sua colocação original, graças a um gol de empate nos acréscimos. Dessa forma, a Samp voltou a perder pontos no segundo tempo, o que já havia acontecido contra Inter (derrota) e Cagliari (empate). Se tivessem somado os pontos perdidos por detalhes, os dorianos estariam com cinco pontos a mais, confortáveis no terceiro posto, pouco atrás da Roma.

Há dez jogos o Napoli não perde, mas ficou muito perto disto. Na primeira etapa, apesar das poucas chances claras de gol, os blucerchiati foram amplamente superiores. Porém foi o Napoli que chegou mais perto do gol – Rizzo cometeu pênalti em Albiol, mas Gianluca Rocchi não marcou. No segundo tempo, Éder bateu bem de fora da área e abriu o placar. O mesmo Éder forçou a expulsão de Koulibaly, por soma de cartões amarelos. No entanto, aos 93 minutos, Duván Zapata subiu mais alto que a defesa doriana e testou para as redes um cruzamento de Ghoulam. (Nelson Oliveira)

Milan 2-0 Udinese
Longe de realizarem uma grande partida, Milan e Udinese acabaram sendo protagonistas dos lances mais polêmicos do final de semana. No primeiro tempo, Rami cabeceou forte, Karnezis defendeu, mas a bola pareceu ter ultrapassado a linha inteiramente – depois, tira-teimas feitos pelas TVs italianas mostraram que a bola poderia estar com uma pequena parte sobre a linha, o que tornaria o lance legal. No fim das contas, o árbitro Valeri não deu o gol em um lance que só a tecnologia poderia elucidar. Porém, pareceu condicionado depois e prejudicou a Udinese com decisões erradas.

Primeiro, já no segundo tempo, deu pênalti de Domizzi sobre Honda, expulsando o defensor pela clara ocasião de gol. Seria tudo bem, caso o japonês não tivesse dominado a bola com o braço antes de ser derrubado. Depois, Valeri poderia ter marcado pênalti de Armero sobre Badu, mas deixou o lance seguir. Quem nada teve a ver com isso foi Ménez, que converteu a penalidade para o Milan e depois marcou o segundo – já são sete na Serie A. O francês, melhor rossonero na temporada, definiu a partida e levou o Milan à sexta posição, com 21 pontos. A Udinese é a nona, com 18. (NO)

Cesena 0-3 Genoa
Cinco vitórias e três empates nos últimos oito jogos e o Genoa agora briga na parte de cima da tabela. A equipe dormiu na terceira colocação, mas o empate entre Sampdoria e Napoli, derrubou a equipe para a quarta, com os napolitanos à frente. No Dino Manuzzi, a equipe não tomou conhecimento do vice-lanterna Cesena e venceu, com tranquilidade, por 3 a 0, quebrando a série de dois empates seguidos. Matri abriu o caminho logo aos cinco minutos, recebendo livre na entrada da área e tocando na saída de Leali.

Três minutos depois, Antonelli recebeu belo passe de calcanhar de Matri e teve o trabalho de apenas completar ao gol. Após um pênalti desperdiçado pelo ex-atacante do Milan, o Genoa chegou ao terceiro gol, ainda no primeiro tempo. Após chute de Burdisso, a bola desviou em Volta e atrapalhou o goleiro bianconero. O Cesena demorou a entrar no jogo e, na melhor chance que teve, Cascione desperdiçou uma penalidade, consolidando mais uma derrota. (Caio Dellagiustina)

Chievo 0-0 Lazio
A Lei do ex existe também quando o atleta joga no gol. A Lazio não passou de um empate sem gols no Marc’Antonio Bentegodi contra o Chievo porque o ex-goleiro da equipe, Bizzarri, defendeu tudo e mais um pouco. A primeira intervenção do goleiro de 37 anos aconteceu em um chute de longa distância de De Vrij. Candreva, ainda no primeiro tempo, parou em boa defesa do arqueiro.

Na segunda etapa, Mauri, de voleio, foi negado com uma defesa incrível em cima da linha. No último minuto do jogo, De Vrij cabeceou, após bola alçada na área do Chievo, e Bizzarri fez outra defesa crucial para salvar o Ceo. A equipe da casa, que permanece na 18ª colocação, teve apenas uma boa chance na partida, com Izco. O time aumentou a série sem derrotas para quatro partidas, porém, mostrou menos criatividade em comparação às últimas rodadas. Já os romanos ficaram estacionados no pelotão que briga por vagas europeias. (MM)

Sassuolo 2-1 Verona

Bravo Sassuolo. Depois do início ruim – muito por causa da tabela complicada, porém –, o time de Di Francesco se recupera no campeonato. Da zona de rebaixamento para a parte de cima da tabela, à frente de Verona, Inter e Udinese, próximo de Milan, Lazio e Fiorentina. Com a virada sobre o Hellas em casa, são sete jogos sem derrotas e a quarta vitória nesse período. O Verona, por outro lado, teve bom e surpreendente início, mas as fragilidades do elenco e uma sequência difícil derrubaram um pouco o time de Mandorlini, que está quatro pontos na frente do Chievo, primeiro time na zona de rebaixamento.

Falando do jogo, uma boa exibição do time da casa. Depois do gol cedo dos visitantes, com Moras antecipando no primeiro pau o escanteio do compatriota Lazaros, os neroverdi reagiram imediatamente, pressionando em busca da vitória. Os gols, contudo, só saíram na segunda etapa, mas em boas jogadas trabalhadas. O primeiro, aos 50, com Berardi passando para Sansone acertar bonito chute de três dedos na meia-lua da área, marcando seu primeiro gol no campeonato. O segundo, aos 77, novamente começou com Berardi, que passou para Peluso na ponta esquerda. O lateral se acertou para cruzar, Floro Flores desviar e Taïder empurrar para o gol no segundo pau. (AB)

Palermo 2-1 ParmaO Parma se afunda cada vez mais na última colocação do campeonato. No domingo, o time somou sua terceira derrota seguida e, encalhado com seis pontos, já vê a primeira equipe fora da zona de rebaixamento – o Cagliari – cinco pontos distante. O algoz da vez foi o Palermo, que chega ao quinto jogo sem perder e continua subindo na classificação. Nessa rodada, os rosanero subiram mais uma posição na tabela, chegando à 12ª colocação, com 17 pontos, apenas quatro atrás do Milan, que ocupa lugar na zona de classificação para a Liga Europa.

A vitória palermitana, porém, não foi fácil. Os donos da casa começaram sofrendo pressão do Parma e quase levaram o gol, antes de conseguiram abrir o placar, com Dybala, aos 37 minutos de jogo. A vantagem durou pouco, no entanto: quatro minutos depois, Palladino recebeu lançamento de Cassano em boa jogada de contra-ataque do Parma e igualou o marcador. O gol da vitória do Palermo só viria depois de sofrer muita pressão durante toda a etapa final. Barreto acertou bela cobrança de falta no ângulo do goleiro Iacobucci e deu a vitória aos donos da casa. (RA)

Empoli 0-0 Atalanta
Num jogo de duas equipes na parte de baixo da tabela, Empoli e Atalanta não saíram do zero. Foram os bergamascos que criaram a primeira oportunidade do jogo: Denis completou cruzamento de Moralez, mas viu a bola sair próximo ao gol de Sepe. Os empoleses responderam rápido e Verdi acertou a trave, após grande defesa de Sportiello.

Pior ataque da competição, com apenas cinco gols, a Atalanta praticamente não atacou e pensou em se defender. Por outro lado, Maccarone, Verdi e Tavano criavam chances, sempre sem muito perigo. Quando exigido, o goleiro nerazzurro trabalhou bem e contou com a sorte quando a bola de Maccarone desviou em Stendardo e saiu rente à trave. Com apenas duas vitórias, a Atalanta se aproxima da zona de rebaixamento, enquanto o Empoli, mesmo com o empate, deu um salto na tabela, chegando à 13ª colocação. (CD)

Relembre a 12ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

Seleção da rodada

Bizzarri (Chievo); Bruno Peres (Torino), Stendardo (Atalanta), Savic (Fiorentina), Holebas (Roma); Bertolacci (Genoa), Mati Fernández (Fiorentina), Pirlo (Juventus), Pjanic (Roma); Matri (Genoa), Ménez (Milan). Técnico: Gian Piero Gasperini (Genoa).

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