Serie A

Um título para reaquecer a temporada

Olha só a festa que o Napoli fez com o troféu no calor do Catar (sscnapoli.it)

Com os argentinos Tévez e Higuaín como destaques, Juventus e Napoli faziam a Supercopa Italiana em data diferente do habitual e local também nada usual. Pela primeira vez, a competição foi disputada em dezembro, e por um motivo bem claro: Doha, capital do Catar, cuja oferta endinheirada pela realização do jogo seduziu a Federação Italiana, é quente demais durante o verão do hemisfério norte. Portanto, a partida foi colocada neste dia 22. E, no Oriente Médio, deu Napoli: 1 a 1 no tempo normal, 2 a 2 na prorrogação e 6 a 5 nos pênaltis. Uma vitória que oxigena o restante da temporada e dá sentido ao trabalho de Rafa Benítez, que parece desgastado com o clube.

Nos últimos meses, a falta de bons resultados e um futebol abaixo do esperado evidenciaram que o espanhol pode estar no fim da linha no San Paolo. Quase sempre mostrando impaciência em entrevistas, não tem feito o time render o máximo pelo elenco que tem, e suas últimas modificações no meio-campo, que relegaram Inler ao banco e Hamsík a um papel menos central tem sido questionadas. Aurelio De Laurentiis não tem dado mostras de que renovará o contrato com o técnico, que se encerra em junho de 2015 – nem Benítez declarou que quer ficar. 

Fato é que, para os dois lados, o título da Supercopa veio a calhar. Óbvio que um título nunca chega em hora ruim, mas o impacto deve ser muito positivo. Benítez, um especialista em copas, ganha troféus há quatro temporadas seguidas, e com este feito fica mais tranquilo para tentar colocar o Napoli novamente na Liga dos Campeões – seja via Liga Europa ou Serie A. Motivados com a conquista sobre a Juventus, os jogadores também tiram um peso das costas. E o presidente De Laurentiis já declarou que vai reforçar o time na janela de inverno – Gabbiadini, da Sampdoria, deve ser o primeiro nome a ser anunciado.

O jogo

O Napoli sagrou-se campeão, mas no início da partida a história parecia que seria outra. Na verdade, ao longo de todo o jogo, os azzurri precisaram buscar o empate por duas vezes, e até nos pênaltis precisaram executar uma virada. Logo nos primeiros minutos, a Juventus saiu na frente, com Tévez. David López, Koulibaly e Albiol erraram, em sequência, e o argentino, que não é nada bobo, aproveitou-se para abrir o placar.

A desvantagem no placar obrigou o Napoli a ir para cima. Na melhor chance dos sulistas, Hamsík acertou a trave. Porém, a Juve continuou assustando, e com Tévez bastante livre, quase chegou ao gol duas vezes com o atacante – nas duas oportunidades, Rafael fez boas defesas, já mostrando o que estava por vir.

No segundo tempo, com o resultado ainda favorável, Max Allegri teve uma decisão que influiu no resultado. Sacou Pirlo do time e colocou Pereyra – após o jogo, declarou que precisava de mais proteção à defesa, mas o argentino, emprestado pela Udinese, não é bem este tipo de jogador. Foi a deixa para Higuaín começar a aparecer. O atacante chegou a acertar a trave, depois de tentar encobrir Buffon, e anotou o gol de empate aos 22 do segundo tempo, contando com a má marcação de Chiellini.

A partida acabou ficando truncada, já que Hamsík também fora substituído – sem o eslovaco e Pirlo, os times perderam em ideias. Na prorrogação, um primeiro tempo fraco, mas depois as emoções. Pogba iluminou o seu time com uma bela jogada: driblou dois com um elástico e passou para Tévez, que executou lindo drible de corpo sobre Koulibaly antes de bater no contrapé de Rafael e fazer 2 a 1. Mas a resposta viria com Higuaín. O atacante obrigou Buffon a fazer uma defesaça, e depois reclamou de pênalti não marcado. Mas, mesmo quase caído, no lance seguinte, fez o gol que levou a decisão aos pênaltis.

Na marca da cal, após as primeiras penalidades, desperdiçadas por Jorginho e Tévez, só cobranças com maestria. Até que Mertens perdeu o seu e iniciou uma sequência de desperdícios. No final das contas, nem mesmo as três defesas de Buffon foram suficientes. Rafael, que viu duas bolas irem para fora, fez uma excelente segunda defesa na cobrança de Padoin e se consagrou com a torcida, depois de ser taxado de inexperiente. Sai fortalecido da viagem ao Catar e com a titularidade solidificada.

Juventus 2-2 Napoli (5-6 nos pênaltis)
Local: Estádio Sheik Jassim Bin Hamad, em Doha (Catar)
Árbitro: Paolo Valeri (Itália)

Juventus: Buffon; Lichtsteiner (Padoin), Bonucci, Chiellini, Evra; Marchisio, Pogba, Pirlo (Pereyra); Vidal, Tévez; Llorentte (Morata). Técnico: Massimiliano Allegri.

Napoli: Rafael Cabral; Maggio, Albiol, Koulibaly, Ghoulam; David López (Inler), Gargano; Callejón, Hamsík (Mertens), De Guzmán (Jorginho); Higuaín. Técnico: Rafa Benítez

Gols: Tévez (J; 5′ e 106′) e Higuaín (N; 22′ e 118′)
Pênaltis – Juventus: 

Converteram: Arturo Vidal, Pogba, Marchisio, Morata e Bonucci. Perderam: Tévez, Chiellini, Pereyra e Padoin.
Pênaltis – Napoli:

Converteram: Ghoulam, Albiol, Inler, Híguain, Gargano e Koulibaly. Perderam: Jorginho, Mertens e Callejón.

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