Liga Europa

Segunda rodada da Liga Europa foi positiva para a Itália, mas o Milan assustou sua torcida

A quinta-feira começou com uma bomba no futebol europeu: Carlo Ancelotti foi demitido pelo Bayern de Munique. A queda de Don Carletto agitou os bastidores do Milan, uma vez que o gabaritado treinador é um ídolo dos rossoneri e que Montella vem sendo questionado pelas atuações da equipe e por resultados negativos, como a goleada sofrida diante da Lazio e a derrota contra a Sampdoria, no domingo. Se a sombra de Ancelotti já é grande por si só, ficou perto de aumentar por causa de um tropeço que o Milan ensaiou protagonizar contra o Rijeka.

Atual campeão da liga croata e da copa local, o Rijeka é quase um time italiano… da Serie B. A cidade homônima em que o clube foi fundado fica a apenas 75 quilômetros de Trieste, cidade da Itália que faz fronteira com a Eslovênia, e o sócio-majoritário é Gabriele Volpi, empresário nascido perto de Gênova e naturalizado italiano. Volpi é o mesmo investidor à frente da Pro Recco, um dos times mais fortes e tradicionais do polo aquático da Bota e da Europa, e também é o presidente do Spezia, que atua na segundona da Velha Bota. Não é coincidência que oito atletas dos brancos já tenham jogado na Itália – somente três deles na elite, sem destaque algum. Portanto, o Milan enfrentava uma equipe muito inferior tecnicamente e tinha a obrigação de vencer no San Siro.

O Diavolo fez um primeiro tempo bastante tranquilo, embalado por mais um gol do português André Silva. Foi o sexto gol do atacante pelo Milan, e todos foram marcados na Europa League – na Serie A ele tem sido pouco utilizado e só realizou duas partidas. Pouco depois do intervalo, Musacchio apareceu na área e completou um passe meio sem querer de Bonucci para fazer o segundo. Fácil demais, até então.

Nos cinco minutos finais da partida, o que era certeza se tornou dúvida envolta em drama. Tudo começou com uma falha de marcação de Bonucci, que perdeu na velocidade para Acosty, meia-atacante revelado pela Fiorentina e cedido pelo Crotone. O ganês percorreu meio campo sozinho e chegou a quase perder o gol por adiantar demais a bola, mas levou sorte na dividida com Donnarumma e viu a pelota morrer no fundo das redes. Aos 89, Romagnoli fez ainda pior que seu companheiro e cometeu um pênalti desnecessário e infantil, ao tentar proteger uma bola que saía pela linha de fundo. Elez, ex-Lazio e Grosseto, cobrou bem e empatou.

Àquele momento, a cabeça de Montella estava a milímetros de distância do fio da guilhotina. Embora falhas individuais tenham motivado o inacreditável empate do Rijeka, a diretoria já havia avisado publicamente que um tropeço não seria aceito. Nos acréscimos, a cavalaria salvou a pele do técnico: Borini achou Cutrone na área com um lindo passe por elevação e a joia da base rossonera só tirou do goleiro Sluga. Para o delírio do Aeroplanino, que explodiu em alegria no banco de reservas.

Com duas vitórias, o Milan lidera o Grupo D. O AEK Atenas vem logo atrás, com quatro pontos. Austria Viena (1) e Rijeka (0) caminham para a eliminação.

Fekir disse que não conhecia Papu Gómez: e agora, conhece? (EPA)

Enquanto o Milan sofria contra o Rijeka, a Atalanta se superava mais uma vez. Após trucidar o Everton na Itália, a equipe de Bérgamo viajou até a França para enfrentar o Lyon, no primeiro confronto com times “transalpinos” de sua história. O empate por 1 a 1 arrancado no Groupama Stadium mostrou que os comandados de Gasperini estão lidando muito bem com o “grupo da morte” da competição.

O OL vem de resultados contestáveis, é apenas o sétimo colocado na Ligue 1 e não tem grande retrospecto caseiro contra equipes italianas. Havia aspectos favoráveis à Atalanta e a Dea não se incomodava em defender: Palomino (substituto do lesionado Rafael Tolói) e Caldara eram praticamente perfeitos no posicionamento e nos desarmes. Apesar de estarem retraídos, foram os bergamascos que quase chegaram ao gol primeiro, mas Hateboer perdeu chance incrível, desperdiçando o preciso passe de Spinazzola.

Aos 45, ducha de água fria para os atalantinos. Fekir venceu o mesmo Hateboer e cruzou para Traoré finalizar de letra. Berisha fez boa defesa, mas o jogador natural de Burkina Faso estava atento ao rebote e abriu o placar para o Lyon. Com seu time atrás no placar, Gasperini decidiu sacar o apagado Cristante e dar espaço ao belga Castagne, deixando o 3-5-2 de lado e propondo seu habitual 3-4-3.

12 minutos após o intervalo, a mudança tática fez efeito. Caldara voltou a aparecer, mas desta vez no ataque: liberado pelos alas, o zagueiro ultrapassou a linha central, em raro avanço ao campo adversário, e sofreu falta na entrada da área. O encarregado da cobrança foi Papu Gómez, que Fekir, capitão do Lyon, declarou não conhecer, em coletiva que antecedeu o jogo. Há forma melhor de ser apresentado ao camisa 10 argentino do que presenciá-lo marcar seu primeiro gol de falta com a camisa da Atalanta?

Depois do empate, a Atalanta voltou a sofrer com a pressão do time treinado por Bruno Génésio. No entanto, Caldara foi perfeito sobre Mariano e bloqueou todas as finalizações que pode. O volante Ndombele também obrigou Berisha a fazer uma excelente defesa, na reta final da partida. No fim das contas, a Atalanta conseguiu segurar o resultado e chegou ao sexto jogo consecutivo de invencibilidade.

Invicta na Liga Europa, a Atalanta lidera o Grupo E, com quatro pontos. Apollon Limassol e Lyon vem logo atrás, com dois pontos, enquanto o Everton é o lanterna, com um.

Caicedo fez boa partida e marcou um gol no Olímpico (Bartoletti)

Antes de Milan e Atalanta entrarem em campo, a Lazio recebeu os belgas do Zulte Waregem em um Olímpico vazio. A torcida foi vetada porque os celestes cumprem punição por ofensas raciais proferidas por grupos ultra a Costa Nhamoinesu, do Sparta Praga, na edição 2015-16 da Liga Europa. Sem a festa nas arquibancadas, a partida contra o terceiro colocado da Jupiler League não chegou a esquentar.

Logo no primeiro tempo, o equatoriano Caicedo aproveitou uma bola alçada e a assistência de Marusic para abrir o placar. O montenegrino, aliás, era um dos três jogadores da Lazio que entraram em campo e já conheciam bem o adversário: além dele, Lukaku e Milinkovic-Savic tiveram passagens pela primeira divisão da Bélgica.

Atrás no placar, o Zulte voltou focado em buscar o empate no segundo tempo, tentando se inspirar na façanha do KSV Waregem – um dos clubes que se fundiram para formar a nova agremiação, em 2001 –, que em 1986-87 eliminou o poderoso Milan na antiga Copa Uefa. O goleiro Strakosha precisou aparecer duas vezes para manter a Lazio na frente e somente aos 89, Immobile esfriou a pressão belga. Após um contra-ataque, o camisa 17 deslocou o goleiro Leali (italiano, emprestado pela Juventus) e deu números finais à partida. Para os romanos, céu de brigadeiro no Grupo K: seis pontos e segundo lugar na chave, já que o Nice tem vantagem no saldo de gols.

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