Seleção italiana

Itália ‘dos jovens’ passa bem pela Finlândia e parece pronta para um próximo passo



Ao encarar a Finlândia em Údine, a Itália tinha diferentes objetivos. Primeiro, aumentar sua invencibilidade em jogos de Eliminatórias da Euro, que era de 30 jogos; conseguir o quarto jogo seguido sem levar gols; aumentar a sequência invicta contra a Finlândia, que dura desde 1912, e – acima de tudo – confirmar uma evolução de desempenho e de entendimento das ideias de Roberto Mancini por parte dos atletas.

Desde que assumiu o comando da Nazionale, em maio de 2018, Mancini tenta equilibrar suas decisões. O técnico marquesão tenta encontrar um meio termo entre convocar nomes de sua confiança e fortalecer o processo de renovação; entre suas convicções enquanto treinador e a busca por potencializar os melhores jogadores da equipe.

No meio de sua jornada, a Itália entrou em campo escalada mais uma vez no 4-2-3-1, com Donnarumma no gol, Bonucci e Chielini na zaga, Piccini e Biraghi nas laterais, Jorginho e Verrati em dupla no centro do campo, e, mais à frente, Kean na esquerda, Barella como trequartista, Bernardeschi na direita e Immobile como centroavante.

O jogo começou muito bom para a Itália, com a torcida jogando junto e Verratti muito ativo. Logo aos 6 minutos, a defesa finlandesa rebateu uma bola para a entrada da área e Barella finalizou com categoria para bater o bom goleiro Hrádecky e abrir o placar. Foi o primeiro gol do meia do Cagliari pela Nazionale.

Ficar em desvantagem tão cedo acabou por mudar o planejamento inicial dos visitantes. Mesmo que limitados tecnicamente, os finlandeses saíram para jogar, deixando o posicionamento mais recuado dos minutos iniciais. Entretanto, o jogo italiano foi soberano graças à qualidade técnica de seu trio de meias. Verratti, Jorginho e Barella somaram muitos passes, trocaram de posição e deixaram o jogo azzurro bem dinâmico e de difícil leitura para os rivais.

Mancini voltou a trabalhar a saída de bola com jogadores. No primeiro tempo, buscando as associações entre Bonucci, Chiellini e Biraghi e, na segunda etapa com as trocas de passes entre Piccini, Bonucci e Chielini. Com esse mecanismo tático e com Verratti em grande noite, a Itália se defendeu através da posse de bola e pouco sofreu com as transições da Finlândia. O time italiano, porém, não criou muito no terço final do campo. Kean foi muito insistente e incisivo, mas conseguiu pouco sucesso sem o apoio efetivo de Immobile, que mais uma vez esteve abaixo do esperado.

Na volta para a segunda etapa, o panorama se manteve, ainda que Bernardeschi tenha crescido na partida. Depois disso, Mancini melhorou a produção no campo de ataque ao orientar Piccini e Biraghi a buscarem mais chegadas à linha de fundo adversária e fazendo Kean e Bernardeschi trabalharem por dentro.

A seleção finlandesa melhorou na metade da segunda parte, quando Lappalainen entrou na partida e conseguiu melhorar a produção ofensiva do time, articulando as jogadas e sendo responsável pelas transições entre o setor defensivo e o ofensivo. A melhora não chegou a resultar em perigo efetivo para a equipe de Mancini, que matou o jogo aos 29 minutos do segundo tempo, quando em sua melhor ação na partida, Immobile tocou para o jovem Kean marcar em sua estreia pela seleção principal e aumentar ainda mais a expectativa em torno de seu futebol.

A partida não teve muita coisa de relevante após o 2 a 0, com exceção da entrada de Quagliarella quando faltavam 10 minutos por jogar. O experiente atacante da Sampdoria, voltou a defender a Squadra Azzurra 3048 dias depois de sua última participação – sua aparição anterior havia sido em novembro de 2010, diante da Romênia. Quagliarella aproveitou os minutos que recebeu para mostrar serviço e por muito pouco não se transformou no jogador mais velho a marcar pela seleção: testou Hrádecky e, num outro lance, viu a bola beliscar o travessão e sair.

No final das contas, a vitória foi importante para a Itália, que já saiu na frente no Grupo J – que ainda tem Bósnia, Grécia, Armênia e Liechtenstein. Mais do que isso, a Nazionale se mostrou forte e em evolução. Mancini está confortável no cargo pela primeira vez desde que assumiu e está pronto para um passo além. Oferecer ainda mais liberdade para Verratti e Jorginho serem os comandantes do time e ditarem o ritmo azzurro.

Itália 2-0 Finlândia

Itália: Donnarumma; Piccini, Bonucci, Chiellini, Biraghi (Spinazzola); Barella, Jorginho, Verratti (Zaniolo); Kean, Immobile (Quagliarella), Bernardeschi. Técnico: Roberto Mancini
Finlândia: Hrádecky; Granlund (Soiri), Toivio, Väisänen, Arajuuri, Pirinen; Lod, Sparv, Kamara, Hämäläinen (Lappalainen); Pukki (Karljalainen). Técnico: Markku Kanerva
Gols: Barella e Kean
Local: Dacia Arena, em Údine, Itália
Árbitro: Orel Grinfeld (Israel)



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