Serie A

30ª rodada: enquanto Kean peita o racismo, brigas esquentam no topo e na rabeira da tabela



Se a Itália fosse um país com menos problemas sociais, poderíamos falar apenas de futebol rodada após rodada. Infelizmente, não é assim. Os dias passam e os casos de racismo continuam ocupando as manchetes relacionadas ao esporte na Velha Bota. Dessa vez, o alvo foi o atacante Kean, fenômeno da Juventus e da seleção italiana. Felizmente, o rapaz tem cabeça no lugar, não se deixa intimidar e, o principal: responde aos preconceituosos na bola, com sua enorme qualidade. Mais uma vez, Moise foi fundamental para uma vitória dos bianconeri, que já podem comemorar o título com uma combinação de resultados no fim de semana.

O infame ato da torcida do Cagliari e a vitória da Juventus compuseram o roteiro de uma rodada de meio de semana bastante agitada na Itália. Os tropeços de Napoli, Milan e Lazio chamaram a atenção e acirraram a briga no topo da tabela. Inter, Atalanta e Torino, que se sagraram vitoriosos, agradecem. Na parte de baixo, Udinese, Spal e Empoli conseguiram respirar e o Frosinone ensaia uma reação – tarde demais, talvez. Confira o resumo dos jogos que aconteceram entre terça e quinta.

Cagliari 0-2 Juventus
Bonucci (Bernardeschi), Kean (Bentancur)

Tops: Can e Kean (Juventus) | Flops: Barella e Pisacane (Cagliari)

Na Sardenha, Cagliari e Juventus se enfrentaram em uma partida que ficará marcada por mais um ato repugnante de racismo cometido pela torcida da casa, que já tinha feito o mesmo com Matuidi na temporada passada e voltou a repetir, agora com Kean. O vexame ficou ainda maior por causa das reações de Bonucci e do presidente do Cagliari, Tommaso Giulini, que também atribuíram culpa ao atacante, e de Allegri, que disse que Moise não deveria se afetar pelo extracampo.

Na parte futebolística, a Juventus não fez grande partida, mas também não teve trabalho. Com vários desfalques, Allegri escalou a Juventus no 3-5-2, com Cáceres pelo lado direito da zaga, De Sciglio e Alex Sandro pelos flancos e Bernardeschi e Kean no comando do ataque. Já Maran repetiu o 4-3-1-2 das últimas rodadas, com Barella como organizador e João Pedro atuando no ataque com Pavoletti. Os bianconeri assumiram uma postura reativa desde os primeiros minutos da partida, deixando com que o Cagliari trocasse passes na zona central, sem criar muito perigo. Matuidi acompanhava Ionita e Can acompanhava Barella.

Sem conseguir progredir de maneira efetiva em campo e com pouca criatividade em campo ofensivo, os donos da casa sofreram a cada recuperação de bola da Juventus, com Bernardeschi muito ativo na partida, sendo um terror para seus marcadores. Aos 22 minutosm então, apareceu a letal bola parada da Vecchia Signora. Bernardeschi cobrou escanteio na cabeça de Bonucci, que testou firme para abrir o placar. O time da casa buscou reagir com a força de seus três melhores jogadores, com Pavoletti trabalhando no pivô, Barella tentando ser efetivo em chegadas à área e João Pedro aparecendo bastante para finalizar de curta distância. O time até criou oportunidades de gol, mas acabou finalizando mal.

No segundo tempo a Juventus entregou de vez a bola para o rival, que mesmo tendo em Barella um meia de bastante qualidade no passe, pouco conseguia circular o jogo. Maran tentou aumentar a força ofensiva de sua equipe trocando João Pedro por Cerri, mas o grandalhão formado na Juventus pouco conseguiu fazer. Aos 40 do segundo tempo, aconteceu o gol que fechou a conta. O uruguaio Bentancur recebeu pelo lado direito e cruzou para Kean aparecer na área e marcar pela quarta partida seguida. Com a vitória por 2 a 0 a Juve chegou à quinta vitória seguida contra os rivais da Sardenha, sem sofrer gol em nenhuma delas.

Empoli 2-1 Napoli
Diego Farias (Bennacer), Di Lorenzo (Bennacer) | Zielinski (Milik)

Tops: Bennacer e Traoré (Empoli) | Flops: Ounas e Koulibaly (Napoli)

Na Toscana, o Empoli precisava desesperadamente da vitória contra o Napoli para respirar na luta contra o rebaixamento. O time visitante entrou em campo com o conforto de uma segunda colocação bastante consolidada e aproveitou para poupar jogadores importantes, pensando na Liga Europa no meio da semana. Os toscanos aproveitaram o relaxamento do adversário e fizeram valer o bom retrospecto nos confrontos no Castellani para chegarem ao quinto jogo de invencibilidade em casa e saírem da zona de descenso.

O Empoli entrou em campo com seu tradicional 3-5-2, com muito peso para Bennacer na saída de bola e no poder de criação no meio-campo e esperando que a velocidade de Diego Farias e o faro de gol de Caputo fossem decisivos. Nessa toada, o jogo começou favorável aos donos da casa, que, aproveitando a falta de entrosamento das peças ofensivas do Napoli, conseguiu ser bastante efetivo nas transições rápidas e deixou a zaga rival desconfortável, precisando correr muito o tempo todo. À frente da área, a cobertura de Allan e Zielinski não funcionou.

Aos 28 minutos da primeira parte, Bennacer avançou pelo centro do campo e tocou para Farias na entrada da área, pelo lado esquerdo. O brasileiro finalizou, a bola desviou em Zielinski e tirou qualquer chance de defesa para Meret. Cinco minutos depois de marcar o primeiro gol, os donos da casa tiveram a oportunidade perfeita para aumentar a vantagem, em jogada construída por Traoré. Farias recebeu passe do marfinense nas costas de Mário Rui, e cruzou para Caputo, que acabou negado por grande defesa de Meret.

Após o susto, o Napoli aumentou a intensidade na partida, ainda que sem muito entendimento nos movimentos no terço final. Em geral, a equipe buscou Milik com o jogo direto e conseguiu o empate, no último lance do primeiro tempo, justo com participação do atacante. Arek ajeitou a bola para Zielinski, que emendou um petardo da entrada da área, sem chances para Provedel.

Depois do intervalo, o Empoli assumiu novamente uma postura agressiva e buscou as jogadas pelas laterais. Bennacer voltou para a segunda parte com muita intensidade nos desarmes e acabou levando o time à frente logo nos primeiros minutos. Aos 50, Pajac desperdiçou a primeira chance de voltar a ter a vantagem no placar, o que aconteceria dois minutos depois. Em cobrança de escanteio, Bennacer colocou na cabeça de Di Lorenzo, que desviou sem chance para o goleiro. Apático, o Napoli não esboçou reação até o apito final.

Icardi retornou ao time da Inter e foi fundamental para a vitória sobre o Genoa (Getty)

Genoa 0-4 Inter
Gagliardini (Asamoah), Icardi (pênalti), Perisic (Icardi), Gagliardini (Perisic)

Tops: Gagliardini e Icardi (Inter) | Flops: Romero e Lerager (Genoa)

Depois de uma derrota desastrosa contra a Lazio na última rodada, a Inter teria um compromisso que costuma ser indigesto: a visita ao Marassi. Assim, a direção da Inter e Spalletti – mesmo contrariado – resolveram pela volta de Icardi ao time titular. O retrospecto negativo recente no Ferraris contra o Genoa (com cinco derrotas e quatro jogos sem marcar) não era o único fator de preocupação para os nerazzurri. Afinal, os grifoni vinham de momento excelente em casa, com quatro jogos sem perder e duas partidas seguidas sem sofrer gol.

Apesar da pressão estar voltada para a equipe de Spalletti, era o Genoa que parecia acuado. Sem conseguir somar saídas efetivas e com a Inter jogando em seu campo, o time da casa logo sofreu o primeiro gol. Asamoah cruzou desde a esquerda e Gagliardini completou para a rede.  A Beneamata continuou firme na partida: concentrada, intensa e com presença de área, devido à volta de Icardi. Para facilitar, encontrou uma equipe espaçada, que parecia apenas observar que os visitantes jogassem. Aos 25, Icardi teve sua primeira chance de marcar em seu retorno, mas finalizou na trave – ainda que frente a frente com Radu.

Contudo, aos 39, o camisa 9 teve outra oportunidade e só foi parado porque Romero não disputou a bola e o derrubou na área: pênalti e vermelho direto para o zagueiro. Icardi cobrou, deslocando o goleiro, e comemorou com os colegas – afastando boatos de que o grupo estaria contra ele. Com um jogador a mais e bastante confortável dentro da partida, o jogo da Inter fluiu com tranquilidade, com Brozovic carimbando todas as jogadas e Nainggolan e Perisic em uma de suas melhores partidas na temporada.

Foi com Perisic que a Inter marcou o terceiro. Aos 54, o croata recebeu lindo passe de Icardi e finalizou na saída de Radu. O resto do jogo foi apenas protocolar para a Inter, que abaixou a intensidade e usou a posse de bola para se defender. Ainda assim, Gagliardini subiu mais alto do que a defesa adversária e guardou sua segunda doppietta contra os rossoblù na temporada – a outra ocorreu no 5 a 0 do primeiro turno. Com mais um triunfo sobre o Genoa, a Inter voltou a vencer os dois times genoveses nos quatro duelos da temporada pela primeira vez desde 1964-65. E, mais importante para Spalletti e companhia: manteve o terceiro posto e abriu vantagem sobre o Milan.

Milan 1-1 Udinese
Piatek | Lasagna (Fofana)

Tops: Çalhanoglu (Milan) e Fofana (Udinese) | Flops: Biglia (Milan) e De Maio (Udinese)

Quase 50 mil torcedores rossoneri compareceram ao San Siro na expectativa de uma boa exibição do Milan e uma vitória que afastasse a imagem negativa deixada nas derrotas frente a Inter e Sampdoria. Já a Udinese viajou até Milão buscando confirmar sua melhora dentro da competição, – afinal, os bianconeri vinham de três vitórias em cinco jogos. Os friulanos não venceram novamente, mas somaram um ponto importantíssimo na luta pela permanência na elite, ao passo em que o Diavolo manteve a quarta posição, mas se vê cada vez mais pressionado.

Como Suso está bem abaixo do seu melhor nível nessa segunda metade da temporada, Gattuso resolveu trocar o esquema do time: deixou o 4-3-3 e optou pelo 4-3-1-2, com Lucas Paquetá como trequartista e Cutrone como companheiro de Piatek no ataque. O brasileiro até apareceu bem na função, mas não pode atuar por 90 minutos. Foi um dos lesionados da noite no Meazza e, assim como Donnarumma (o outro que se machucou), perderá o duelo contra a Juventus no final de semana.

Após os 15 minutos iniciais o jogo cresceu em ritmo e intensidade, com o Diavolo mapeando bem as ações defensivas da linha de cinco defensores dos visitantes e trabalhando melhor a dinâmica entre Cutrone e Piatek. O prata da casa passou a cair pelo lado esquerdo e virou alvo para os passes de Çalhanoglu. A preocupação visitante com o jogo lateral rossonero gerou maior espaço para Paquetá pela zona central e o menino correspondeu mais uma vez. Primeiro, finalizou com bastante perigo ao goleiro Musso e depois colocou a bola na medida para Cutrone testar o arqueiro rival. Aos 41, porém, Paquetá teve de dar lugar a Castillejo.

Mesmo com o baque, o Milan marcou o primeiro no finalzinho da primeira parte. Cutrone cruzou na medida para Piatek cabecear e, no rebote de Musso, o próprio polaco completou. Castillejo não rendeu bem na função exercida por Paquetá e o ritmo ofensivo rossonero caiu bastante na etapa final. Ainda que Çalhanoglu aparecesse bem na partida, Biglia estava perdido na cobertura dos espaços e Bakayoko apresentava lentidão na transição defensiva.

Sentindo o momento do jogo virar, Tudor colocou Okaka no lugar de Ter Avest e deslocou Pussetto para jogar como ala pelo lado direito, o que acabou deixando o time mais ofensivo e perigoso. Aos 63, Piatek quase marcou numa falha de Musso em cobrança de escanteio, mas o contragolpe friulano foi mortal. Em menos de 10 segundos, Okaka atravessou a linha central e tocou para Fofana, que arrancou em alta velocidade e só teve o trabalho de rolar no meio da área, onde Lasagna estava para marcar o gol de empate. O atacante chegou ao quarto gol em seu quinto jogo de Serie A em San Siro. A Udinese ainda flertou com a virada, mas o próprio Lasagna perdeu uma chance clara – menos significativa, porém, que a De Maio, que subiu sozinho e cabeceou para fora.

Zaniolo marcou, mas a Roma ficou apenas no empate contra a Fiorentina (Getty)

Roma 2-2 Fiorentina
Zaniolo (Kluivert), Perotti (Kluivert) | Pezzella (Biraghi), Gerson

Tops: Kluivert (Roma) e Biraghi (Fiorentina) | Flops: Juan Jesus (Roma) e Milenkovic (Fiorentina)

Com um público de pouco mais de 30 mil pessoas presentes no Olímpico, a Roma entrou em campo pressionada pelos resultados recentes, a ameaça real de ficar fora da próxima Liga dos Campeões e, principalmente, pelo desempenho que não convence o torcedor. Do outro lado, a agradável, mas irregular Fiorentina de Pioli: uma equipe imprevisível dentro das partidas e cada vez mais distante de uma vaga em competições europeias.

Nesse cenário, a Fiorentina saiu na frente. Aos 12 minutos, Pezzella abriu o placar após cruzamento de Biraghi, deixando o clima no estádio ainda mais tenso. No entanto, a viola voltou a perder a concentração após momentos de euforia e sofreu o empate apenas dois minutos depois. Kluivert foi lançado nas costas de Vitor Hugo e cruzou na cabeça de Zaniolo, que ganhou de Pezzella e empatou a partida. O restante do primeiro tempo se resumiu em ações pela esquerda: Kolarov e Perotti forçando o jogo em cima de Milenkovic e Biraghi e Muriel pressionando Santon.

O panorama do jogo voltou o mesmo para o segundo tempo e os gols não demoraram a sair. Aos 51, Biraghi tentou passar para Benassi, mas ele não conseguiu dominar. A bola sobrou na medida para Gerson, que finalizou e contou com o desvio na defesa e marcar o segundo gol violeta – emprestado pela Roma, o brasileiro não comemorou o gol. Outra vez, porém, a Fiorentina não soube trabalhar a vantagem no placar e permitiu o empate poucos minutos depois. Kluivert apareceu outra vez pela direita para cruzar para o lado contrário, onde Perotti era acompanhado à distância por Milenkovic. O argentino acertou um belo chute de primeira e marcou pela terceira rodada seguida. Com o resultado, a Roma se encontra em sétimo lugar no campeonato, quatro pontos atrás da zona de classificação para a Liga dos Campeões.

Atalanta 4-1 Bologna
Ilicic (Mancini), Ilicic (De Roon), Hateboer (Ilicic), Zapata (Freuler) | Orsolini

Tops: Ilicic e Hateboer (Atalanta) | Flops: Krejci e Lyanco (Bologna)

Com a Atalanta é assim: perdeu os 15 minutos iniciais, perdeu o show. O time de Gasperini aproveitou os improvisos feitos por Mihajlovic e construiu a goleada sobre o Bologna em apenas 15 minutos: os quatro gols foram marcados com a velocidade de um raio e constituíram um recorde. Desde 1932 uma equipe não anotava tantas vezes em tão pouco tempo de jogo. Com o melhor ataque do campeonato, os nerazzurri encostaram no Milan: estão a apenas um ponto da zona Champions.

A estrada de tijolos dourados que levava até depois do arco-íris estava do lado esquerdo da defesa do Bologna. Por lá, Mihajlovic testou o ponta Krejci como lateral, e não deu muito certo. O checo foi simplesmente engolido por Ilicic, auxiliado por Hateboer – Lyanco, que poderia ajudar o colega na nova função, também ficou vendido. O craque esloveno começou marcando um golaço de canhota, aos 3 minutos, e aos 5 anotou sua doppietta com uma finalização de direita. Depois deixou Hateboer cara a cara com Skorupski: 3 a 0, sem choro nem vela.

Aos 15, por fim, algo aconteceu do lado oposto. Freuler lançou Zapata em profundidade e o colombiano não tomou conhecimento de González: ganhou na corrida, entortou o costarriquenho e fulminou Skorupski, marcando o quarto. Assustado, o mistão do Bologna se resignou com a derrota e a volta para a zona de rebaixamento: não reagiu, e nem poderia, já que jogadores sem ritmo de jogo, como Falcinelli e Donsah, estavam em campo. Gasperini se deu ao luxo de sacar Gómez no intervalo e a Atalanta controlou a partida em ritmo de treino. Já no final, Orsolini cobrou uma falta lateral diretamente no gol e Gollini, desatento, deixou a bola entrar.

Mais uma vez, Ilicic mostrou porque é um dos jogadores mais decisivos da Serie A (Getty)

Spal 1-0 Lazio
Petagna (pênalti)

Tops: Lazzari e Viviano (Spal) | Flops: Patric e Marusic (Lazio)

O jogo em Ferrara prometia. Spal e Lazio chegaram ao duelo com duas vitórias seguidas no campeonato e buscavam um terceiro triunfo, por diferentes razões: os spallini para espantar o fantasma do rebaixamento; os laziali para continuar tentando voltar à Liga dos Campeões. O clima era maravilhoso, porém o empate, que se desenhava até os minutos finais, nem tanto. O gol achado pelos spallini foi motivo de muita festa: os estensi chegaram à sua terceira vitória seguida na competição, o que não acontecia desde 1968.

As duas equipes atuaram no 3-5-2, mas com conceitos bem diferentes. O esquema da Spal busca a saída curta com os alas ou a ligação direta com Petagna ou Floccari. Seu jogo para muito pouco no físico e combativo meio-campo: é um time que sempre está pronto para um cruzamento lateral, principalmente com Lazzari, pelo lado direito. Já a Lazio privilegia a qualidade técnica dos seus meias, jogadas trabalhadas por dentro e os apoios dos laterais no terço final, já em condições de vantagem numérica. Immobile também não é um jogador que se apoia tanto na força física.

O duelo de estilos começou em ritmo morno, com as equipes se estudando antes de assumir um risco maior – tanto é que na primeira parte houve apenas uma chance clara de gol para cada lado. Precisando da vitória, as equipes abriram um pouco mais seus esquemas na segunda parte, mas sem aumentar ritmo e intensidade. Lucas Leiva teve uma boa oportunidade frente a Viviano, mas não conseguiu finalizar como gostaria. Os donos da casa responderam com Fares batendo firme de dentro da área, mas em cima de Strakosha.

O jogo caminhava para um empate sem gols, até que, aos 89, Patric derrubou Cionek na entrada da área, em um lance que gerou revolta entre os jogadores da Lazio. O árbitro Guida consultou o VAR e confirmou o pênalti. Petagna cobrou firme, no centro do gol e garantiu a vitória para sua equipe. Com 35 pontos, a Spal vai se afastando da zona de rebaixamento, enquanto a equipe romana se lamenta por não ter conseguido encostar no Milan.

Torino 2-1 Sampdoria
Belotti (De Silvestri), Belotti | Gabbiadini (Defrel)

Tops: Belotti e Izzo (Torino) | Flops: Praet e Murru (Sampdoria)

O duelo entre Torino e Sampdoria colocou frente a frente duas das melhores equipes da temporada na Itália: à sua maneira, cada uma delas tem superado a expectativa inicial e continua alimentando o sonho de uma vaga europeia. Como bateu a Samp nos dois jogos da temporada pela primeira vez desde 1977, o Toro parece mais vivo na busca pelo objetivo.

O Torino de Mazzarri continua consistente na defesa – a quarta melhor do campeonato, com apenas 28 gols sofridos – e conseguiu neutralizar Quagliarella, que lidera o quarto melhor ataque da temporada, com 51 gols. Dessa vez, porém, foi Belotti quem cantou de galo, numa partida dominada desde o início pelos donos da casa. O Toro atacou bem pelos flancos e levou muito perigo com os cruzamentos laterais. Numa das constantes subidas de De Silvestri saiu o primeiro gol, aos 33 minutos: Belotti subiu bem e encobriu Audero com linda cabeçada. O gol foi uma injeção de confiança para o Toro, que chegou ao segundo gol antes do intervalo, numa jogada individual de Belotti. O capitão grená chegou ao sétimo tento contra os dorianos.

Na volta do intervalo, Belotti passou perto de marcar sua tripletta, mas a bola passou a esquerda do gol de Audero. O jogo estava bem controlado, mas o cansaço dos mandantes e a boa entrada de Defrel na partida, aos 60 minutos, ofereceram novo ânimo à Sampdoria, que foi em busca da reação. Gabbiadini teve uma boa chance ao completar um cruzamento vindo da direita, mas Sirigu fez boa defesa. Quando faltavam 10 minutos por jogar, Defrel ajeitou para o mesmo Gabbiadini finalizar de longe e descontar.

Belotti reencontrou os gols e é um dos trunfos do Torino na luta por vaga europeia (LaPresse)

Frosinone 3-2 Parma
Pinamonti (Valzania), Valzania (Pinamonti), Ciofani (pênalti) | Barillà, Ceravolo (pênalti)

Tops: Valzania (Frosinone) e Barillà (Parma) | Flops: Sammarco (Frosinone) e Gobbi (Parma)

Se o duelo entre Frosinone e Parma no primeiro turno foi um dos piores da temporada – um 0 a 0 com apenas dois chutes na direção do gol –, o desta quarta não economizou em emoção. O momento ascendente vivido pelo Frosinone e a queda brusca de desempenho do Parma em 2019 desenhavam um duelo aberto e de muitos gols, o que acabou se confirmando.

Como a partida colocava frente a frente as duas equipes com a menor média de posse de bola da Serie A, o jogo parou pouco no meio-campo e foi bastante pautado nas transições e nos cruzamentos laterais. O primeiro gol, aos 12 minutos, saiu assim. Valzania cruzou para o meio da área e o menino Pinamonti chegou batendo para abrir o placar. Foi o quinto tento do jovem no campeonato – a melhor marca entre os jogadores com menos de 20 anos de idade.

A vantagem do Frosinone não durou muito tempo, contudo. Seis minutos depois, Gagliolo chutou torto, mas a bola desviou em Barillà e entrou. Após empatar a partida, o Parma conseguiu uma sequência interessante de jogadas nos minutos seguintes, aproveitando o nervosismo dos jogadores do Frosinone. Mesmo mais confortável, o Parma continuava defendendo muito mal a ligação direta do Frosinone com Pinamonti, o que acabou criando o segundo gol dos mandantes no jogo. O atacante criado na Inter trabalhou de costas para o gol e ajeitou para Valzania finalizar com classe, no canto superior direito de Sepe.

Schiappacasse é um dos nomes da nova geração no Uruguai e tem talento, mas até o momento vem sendo nulo na carreira profissional. Completamente apagado no primeiro tempo, deu lugar a Ceravolo no segundo tempo. Minutos depois de sua entrada, o atacante aproveitou um pênalti bobo do experiente Sammarco para converter e anotar o seu primeiro gol na Serie A desde maio de 2010.

O Frosinone, porém, fez o Parma provar do mesmo veneno no final. Quando tudo parecia caminhar para o empate, aos 93 o veterano Gobbi cometeu pênalti infantil sobre Paganini, que estava de costas para o gol, na lateral da área. Depois de o VAR demorar eternos 10 minutos revisando o lance, Ciofani converteu a cobrança e decretou o fim do jejum: os ciociari não venciam em casa pela elite desde março de 2016. O Frosinone era a única equipe das cinco grandes ligas que ainda não tinha vencido como mandante na temporada.

Sassuolo 4-0 Chievo
Demiral (Lirola), Demiral (Locatelli), Locatelli (Lirola), Berardi (Babacar)

Tops: Demiral e Lirola (Sassuolo) | Flops: Bani e Cesar (Chievo)

O Sassuolo não vencia desde janeiro e se livrou do jejum com grande estilo. O Chievo até tem sido um cachorro morto nessa temporada, mas habitualmente complica a vida dos neroverdi em Reggio Emilia: tanto é que, em cinco confrontos em casa, o Sasòl só havia conquistado um triunfo e marcado três gols. A goleada e a ótima atuação coletiva afastaram o incômodo com os gialloblù e também deixaram o time mais longe da zona de rebaixamento, que vinha se aproximando. Os veroneses, por sua vez, só estão esperando a confirmação matemática do retorno à Serie B.

O triunfo do Sassuolo teve dois gols em cada tempo. Na etapa inicial, o zagueiro turco Demiral mostrou porque vem agradando De Zerbi e foi titular pelo sexto jogo seguido. Implacável na bola aérea, ele anotou uma doppietta com duas testadas fulminantes – a primeira delas, a mais bonita. Os neroverdi continuaram apostando nas subidas de Lirola pelo lado direito e chegaram ao terceiro gol assim, logo na saída da segunda etapa. O espanhol avançou muito bem e cruzou no espaço vazio, onde Locatelli apareceu livre de marcação para ampliar. Berardi, com finalização no contrapé de Sorrentino, ainda ampliou. Por incrível que pareça, o Chievo também foi perigoso e exigiu bastante de Consigli, que fez três defesas difíceis – a principal numa cobrança de pênalti de Giaccherini, no final.

Seleção da rodada
Consigli (Sassuolo); Lazzari (Spal), Demiral (Sassuolo), Izzo (Torino), Lirola (Sassuolo); Traoré (Empoli), Bennacer (Empoli), Gagliardini (Inter); Ilicic (Atalanta); Icardi (Inter), Belotti (Torino). Técnico: Gian Piero Gasperini (Atalanta).



Deixe um comentário