Serie A

Guia da Serie A 2019-20, parte 1



Oba, lá vem ela: a Serie A 2019-20 terá sua primeira rodada nesse sábado, com as partidas entre Parma e Juventus e Fiorentina e Napoli. Dando o pontapé inicial ao aquecimento para a competição, publicamos o nosso tradicional guia da temporada para que vocês, caríssimos leitores, possam estar munidos de informações para a estreia do certame.

Como tem sido habitual, a Juventus é a grande favorita ao título, mas Inter e Napoli dão a impressão de que conseguiram reduzir sensivelmente a distância para uma Velha Senhora cada vez mais preocupada com conquistas internacionais. Milan, Roma e Fiorentina também vem com novidades, enquanto Atalanta, Torino e Lazio apostam na continuidade de seu trabalho.

Até o fechamento do nosso guia, 42 brasileiros estão inscritos para disputar esta edição do Campeonato Italiano, considerando também aqueles que têm dupla nacionalidade. Os jogadores do nosso país estão distribuídos em 18 times: somente Fiorentina e Sampdoria não contam com atletas canarinhos. A Udinese é a equipe com mais representantes verde e amarelos, com cinco.

A Serie A terá transmissão do DAZN, serviço de streaming que começou a funcionar no Brasil no início de 2019 – assine aqui e ganhe um mês grátis. Sempre aos sábados, a RedeTV transmitirá um jogo por rodada, em acordo com a plataforma. Outra opção, de acesso mais limitado, é a Rai International, canal italiano disponível apenas para os assinantes de algumas operadoras de TV fechada (NET, Sky e Vivo), que passará até três partidas a cada jornada. O apaixonado pelo futebol da Velha Bota também poderá acompanhar o campeonato através da Bet365, mediante depósito mínimo de R$ 30 na casa de apostas. Por fim, o DAZN também tem os direitos de transmissão das demais competições do Belpaese (Serie B, Coppa Italia e Supercopa Italiana).

Publicado também na Trivela.

Atalanta

Barrow e Gómez, da Atalanta

Cidade: Bérgamo (Lombardia)
Estádio: Gewiss Stadium (21.300 lugares)
Fundação: 1907
Apelidos: Nerazzurri, La Dea, Orobici
Principais rivais: Brescia, Inter e Milan
Participações na Serie A: 59
Títulos: nenhum (melhor desempenho: 3ª colocação)
Na última temporada: 3ª posição
Objetivo: vaga na Liga Europa
Brasileiros no elenco: Rafael Toloi e Roger Ibañez
Técnico: Gian Piero Gasperini (4ª temporada)
Destaque: Alejandro Gómez
Fique de olho: Ebrima Colley
Principais chegadas: Luis Muriel (a, Fiorentina), Ruslan Malinovskyi (mat, Genk) e Martin Skrtel (z, Fenerbahçe)
Principais saídas: Etrit Berisha (g, Spal), Gianluca Mancini (z, Roma) e Dejan Kulusevski (mat, Parma)
Time-base (3-4-1-2): Gollini; Rafael Toloi, Skrtel, Masiello; Hateboer, De Roon, Freuler, Gosens (Castagne); Gómez; Ilicic (Muriel), Zapata.

Em 2018-19, a Atalanta teve a melhor temporada de sua história, graças ao vice-campeonato da Coppa Italia, a terceira posição na Serie A e a inédita vaga na Champions League. Repetir estes feitos (ou parte deles) seria uma façanha ainda mais estratosférica: por motivos logísticos, de elenco e de acirrada concorrência, a missão bergamasca será mais difícil. A torcida está ciente disso e não exigirá mais do que uma honrosa participação na Liga dos Campeões e uma briga vigorosa por vagas europeias. Além disso, o que vier é lucro, mas pode apostar que o trio formado por Zapata, Gómez e Ilicic continuará dando show.

A Dea começará a temporada com desgaste físico superior ao dos adversários, pois viajará até para atuar como mandante: na UCL, jogará em Milão; no Italiano, mandará duas partidas em Parma devido às obras de requalificação do antigo Atleti Azzurri d’Italia, rebatizado como Gewiss Stadium. Os deslocamentos constantes diminuirão o tempo de treinamentos do elenco, o que pode condicionar a adaptação de Skrtel, Malinovskyi e Muriel, reforços do verão.

Para o defensor eslovaco, mais físico, a adaptação pode demorar mais e, por isso, não seria de estranhar se Palomino e o brasileiro Ibañez ganhassem minutos como substitutos de Mancini. O futebol proposto por Gasperini é vistoso, mas exige concentração e intensidade durante 90 minutos. A manutenção de quase todo o elenco será um facilitador para o técnico.

Bologna

Orsolini, do Bologna

Cidade: Bolonha (Emília-Romanha)
Estádio: Renato Dall’Ara (36.462 lugares)
Fundação: 1909
Apelidos: Rossoblù, Felsinei, Petroniani, Veltri
Principais rivais: Cesena e Fiorentina
Participações na Serie A: 73
Títulos: sete
Na última temporada: 10ª posição
Objetivo: meio da tabela
Brasileiros no elenco: Angelo da Costa, Caio Vinícius e Danilo
Técnico: Sinisa Mihajlovic (2ª temporada)
Destaque: Riccardo Orsolini
Fique de olho: Andreas Skov Olsen
Principais chegadas: Stefano Denswil (z, Club Brugge), Andreas Skov Olsen (a, Nordsjaelland) e Takehiro Tomiyasu (z, Sint-Truiden)
Principais saídas: Lyanco (z, Torino), Filip Helander (z, Glasgow Rangers) e Erick Pulgar (v, Fiorentina)
Time-base (4-2-3-1): Skorupski; Tomiyasu, Danilo, Denswil, Dijks; Poli, Dzemaili; Orsolini, Soriano, Sansone; Palacio (Santander).

A excelente campanha no returno da última Serie A e a contratação de Walter Sabatini como coordenador da área técnica deixaram o torcedor do Bologna animado para o campeonato de 2018-19. O clube, que busca se restabelecer como uma força entre os médios, fez um mercado interessante e com contratações criativas – marca de Sabatini. Na janela, fechou com atletas promissores, como Tomiyasu e Skov Olsen, e ainda manteve Orsolini, Soriano e Sansone.

No entanto, as últimas semanas reservaram dois baques. Um esportivo, na venda de Pulgar à Fiorentina, e um humano, na notícia de que o comandante Mihajlovic precisaria enfrentar um duro tratamento para curar-se da leucemia. O estado de saúde de Sinisa não chegou a comprometer o calendário da preparação física rossoblù, mas a revelação da gravidade da doença mexeu com os jogadores. Para o bem ou para o mal, há uma tensão anímica no elenco, que deixa uma incógnita no ar. Experiente e casca grossa, Miha certamente já encontrou alternativas para tranquilizar os jogadores e fazê-los pensar só no futebol – até como forma de terapia para si mesmo, embora ele não vá ficar à beira do campo na reta inicial da temporada.

No papel, o grupo bolonhês é o melhor formado na gestão do presidente Joey Saputo e, adaptado ao estilo agressivo de seu professor, dificilmente correrá algum risco de rebaixamento. Além disso, a diretoria deve acertar com pelo menos um reforço para suprir a falta de Pulgar e manter a qualidade no meio-campo.

Brescia

Balotelli, do Brescia

Cidade: Bréscia (Lombardia)
Estádio: Mario Rigamonti (16.743 lugares)
Fundação: 1911
Apelidos: Biancazzurri, Leonessa, Rondinelle
Principais rivais: Atalanta e Verona
Participações na Serie A: 23
Títulos: nenhum (melhor desempenho: 8ª colocação)
Na última temporada: campeão da Serie B; promovido
Objetivo: escapar do rebaixamento
Brasileiros no elenco: Felipe Curcio
Técnico: Eugenio Corini (2ª temporada)
Destaque: Mario Balotelli
Fique de olho: Nikolas Spalek
Principais chegadas: Mario Balotelli (a, Marseille), Jesse Joronen (g, Kobenhavn) e Jaromir Zmrhal (m, Slavia Praga)
Principais saídas: Simone Romagnoli (z, Empoli), Alejandro Rodríguez (a, Chievo) e Luca Tremolada (mat, Virtus Entella)
Time-base (4-3-1-2): Joronen; Sabelli, Magnani, Chancellor (Cistana), Martella; Bisoli, Tonali, Dessena (Zmrhal); Spalek; Donnarumma, Balotelli (Torregrossa).

Sem dúvidas, entre os times que vieram da segunda divisão, o Brescia é aquele que tem o maior potencial de surpreender e garantir a permanência na elite. O presidente Massimo Cellino, ex-Cagliari, seguiu a receita do falecido cartola Gino Corioni e fortaleceu o elenco da equipe campeã da última Serie B, que há oito anos não frequentava a principal categoria local.

Bréscia, que já foi casa de Hagi, Roberto Baggio e Guardiola, voltará a abrigar Balotelli, que se criou nas ruas da cidade lombarda. O atacante será a estrela da formação biancazzurra, que já contava com um grupo repleto de peças interessantes, como os veteranos Gastaldello e Dessena, além do agudo lateral Martella, dos habilidosos meias Tonali e Spalek e sos prolíficos Donnarumma e Torregrossa.

O time bresciano ainda foi abastecido com atletas de qualidade e rodagem internacional, como Joronen, Chancellor, Zmrhal e, claro, Balotelli – nos próximos dias, a contratação de Marchisio também pode ser concretizada. Nas mãos de Corini, treinador que privilegia um jogo propositivo, o Brescia tem potencial para complicar a vida dos grandes.

Cagliari

Nainggolan, do Cagliari

Cidade: Cagliari (Sardenha)
Estádio: Sardegna Arena (16.416 lugares)
Fundação: 1920
Apelidos: Rossoblù, Casteddu, Isolani
Principais rivais: Sassari Torres
Participações na Serie A: 40
Títulos: um
Na última temporada: 15ª posição
Objetivo: meio da tabela
Brasileiros no elenco: Rafael e João Pedro
Técnico: Rolando Maran (2ª temporada)
Destaque: Radja Nainggolan
Fique de olho: Sebastian Walukiewicz
Principais chegadas: Radja Nainggolan (m, Inter), Nahitan Nández (m, Boca Juniors) e Marko Rog (m, Sevilla)
Principais saídas: Darijo Srna (ld, encerrou carreira), Simone Padoin (m, sem clube) e Nicolò Barella (m, Inter)
Time-base (4-3-1-2): Cragno; Mattiello, Ceppitelli (Romagna), Pisacane (Klavan), Pellegrini; Nández, Rog, Nainggolan; Birsa; Pavoletti, João Pedro.

Desde que o presidente Tommaso Giulini adquiriu o Cagliari, em 2014, a torcida aguardava um prometido salto de qualidade. Em anos anteriores, a diretoria fez alguns investimentos e conseguiu manter seus principais jogadores, mas não traduziu essas movimentações em resultados expressivos. Ao que tudo indica, o momento da virada chegou.

O técnico Maran terá à disposição um grupo melhor do que o da última temporada e, como é especialista em montar times compactos e muito sólidos, deve manter os casteddu em situação confortável na tabela. A disputa por vagas europeias terá concorrência acirrada, mas não seria um absurdo imaginar que o Cagliari possa correr por fora nessa contenda. Afinal, o clube agiu de forma inteligente no mercado, trazendo Pellegrini de volta e segurando Cragno e Pavoletti. O clube só negociou Barella porque a proposta foi boa e o jogador queria ir para a Inter, time para o qual torce.

Ademais, os sardos já tinham Nández engatilhado e usaram os recursos obtidos com a venda de sua joia para contratar Rog e Nainggolan. O setor, que é o melhor do elenco, ainda foi encorpado com o retorno de empréstimo do jovem Colombatto e a chegada de Oliva, acertado desde janeiro. Defesa e ataque também ganharam mais profundidade com o retorno de jovens que estavam emprestados, embora uma contratação pontual para cada um dos departamentos possa dar mais tranquilidade ao trabalho do treinador.

Fiorentina

Chiesa, da Fiorentina

Cidade: Florença (Toscana)
Estádio: Artemio Franchi (43.147 lugares)
Fundação: 1926
Apelidos: Viola, Gigliati
Principais rivais: Juventus, Roma e Bologna
Participações na Serie A: 83
Títulos: dois
Na última temporada: 16ª posição
Objetivo: vaga na Liga Europa
Brasileiros no elenco: nenhum
Técnico: Vincenzo Montella (2ª temporada)
Destaque: Federico Chiesa
Fique de olho: Riccardo Sottil
Principais chegadas: Kevin-Prince Boateng (a, Barcelona), Milan Badelj (v, Lazio) e Erick Pulgar (v, Bologna)
Principais saídas: Luis Muriel (a, Atalanta), Jordan Veretout (m, Roma) e Vitor Hugo (z, Palmeiras)
Time-base (4-3-3): Dragowski; Lirola, Milenkovic, Pezzella, Biraghi; Pulgar, Badelj, Benassi; Chiesa, Boateng (Simeone), Sottil.

A temporada 2019-20 surge como oportunidade de virar a página para a Fiorentina. A equipe violeta vem de uma campanha ruim, na qual teve returno claudicante e chegou a flertar com o rebaixamento, mas a expectativa em Florença é de que um perrengue como esse seja coisa do passado. Isso porque, em junho, a família Della Valle cedeu ao desgaste com a torcida e aceitou vender a agremiação para Rocco Commisso – magnata ítalo-americano que comanda o New York Cosmos e a Mediacom, empresa do ramo de telecomunicações. A nova gestão demorou para tomar suas primeiras atitudes no mercado, mas entregou bons reforços para Montella.

O treinador, que permanece na Toscana a despeito de não ter vencido nenhuma partida desde que retornou ao clube, em abril, recebeu reforços interessantes o suficiente para projetar um time competitivo. Além de jovens prospectos, já integrados ao elenco principal, o clube buscou Boateng, Lirola, Pulgar e Badelj – o capitão do time retorna após um ano na Lazio. A direção também preferiu negociar o inconstante goleiro Lafont e dar uma oportunidade a Dragowski, que teve meses excelentes na meta do Empoli.

A melhor notícia para os gigliati, contudo, foi a permanência de Chiesa no Artemio Franchi por pelo menos mais um ano. O ponta da seleção italiana acreditou na ambição do projeto – a negociação pela contratação de Franck Ribéry é uma amostra disso – e vislumbra que a Fiorentina, reestruturada, tem boas chances de brigar por uma vaga em competições europeias.

Genoa

Schöne, do Genoa

Cidade: Gênova (Ligúria)
Estádio: Luigi Ferraris (36.599 lugares)
Fundação: 1893
Apelidos: Grifone, Grifo, Rossoblù, Vecchio Balordo
Principal rival: Sampdoria
Participações na Serie A: 53
Títulos: nove
Na última temporada: 17ª posição
Objetivo: meio da tabela
Brasileiros no elenco: Jandrei, Nicholas Rizzo, Rômulo e Sandro
Técnico: Aurelio Andreazzoli (1ª temporada)
Destaque: Lasse Schöne
Fique de olho: Nicholas Rizzo
Principais chegadas: Andrea Pinamonti (a, Frosinone), Cristián Zapata (z, Milan) e Lasse Schöne (m, Ajax)
Principais saídas: Daniel Bessa (m, Verona), Darko Lazovic (mat, Verona) e Ervin Zukanovic (z, Al-Ahli)
Time-base (3-5-2): Radu; Zapata (Biraschi), Romero, Criscito; Rômulo, Lerager (Sturaro), Schöne, Saponara, Barreca; Pinamonti, Kouamé.

A torcida do Genoa não aguenta mais sofrer com campanhas em que o time briga contra o rebaixamento. O desgaste com os torcedores fez com que o presidente Enrico Preziosi decidisse mudar a rota de sua gestão: trocou Cesare Prandelli por Andreazzoli, que teve trabalho elogiado no Empoli, e, principalmente, manteve Radu, Romero e Kouamé no Marassi por pelo menos mais um ano.

A diretoria também adotou uma postura agressiva no mercado e buscou jovens que não teriam espaço em seus antigos clubes, como Barreca, Cassata e Pinamonti. Os rossoblù ainda asseguraram experiência ao repatriarem Rômulo, convencerem Zapata a ir para a Ligúria e, sobretudo, tirarem Schöne do Ajax, semifinalista europeu. O dinamarquês chega com o status de estrela da companhia e será o motorzinho de um meio-campo bastante aguerrido, mas que também tem qualidade nos pés. Andreazzoli pretende repetir conceitos que executou no Empoli e, para tanto, fará de Schöne o seu Bennacer e de Saponara o seu Krunic.

No ataque, Kouamé será o atacante de movimentação que o treinador gosta, mas com mais velocidade do que Diego Farias, que esteve a serviço do toscano no ano passado. Pinamonti, por sua vez, buscará dar sequência ao bom futebol mostrado no Frosinone e no Mundial Sub-20, e garantir a cota de gols que Piatek marcou no último campeonato. Por fim, a boa defesa dos grifoni continua a mesma e pode garantir pontinhos vitais para os lígures. A tendência é que o Genoa possa fazer um certame bastante tranquilo – isso se Preziosi não desmontar o elenco em janeiro, como é de seu costume.

Inter

Lukaku, da Inter

Cidade: Milão (Lombardia)
Estádio: Giuseppe Meazza (80.018 lugares)
Fundação: 1908
Apelidos: Nerazzurri, Beneamata, Biscione
Principais rivais: Milan e Juventus
Participações na Serie A: 88
Títulos: 18
Na última temporada: 4ª posição
Objetivo: vaga na Liga dos Campeões
Brasileiros no elenco: Dalbert
Técnico: Antonio Conte (1ª temporada)
Destaque: Romelu Lukaku
Fique de olho: Sebastiano Esposito
Principais chegadas: Diego Godín (z, Atlético de Madrid), Nicolò Barella (m, Cagliari) e Romelu Lukaku (a, Manchester United)
Principais saídas: Miranda (z, Jiangsu Suning), Radja Nainggolan (m, Cagliari) e Ivan Perisic (a, Bayern Munique)
Time-base (3-5-2): Handanovic; Godín, De Vrij, Skriniar; Candreva (Lazaro), Sensi, Brozovic, Barella, Asamoah; Lukaku, Martínez.

Se alguém achava que a Suning estava tímida desde que adquiriu a Inter, essa impressão ficou para trás com as operações de mercado feitas pela diretoria neste verão europeu. A segunda participação consecutiva na Champions League após uma ausência de seis edições impulsionou a agremiação, que reforçou o elenco com o mercado mais caro de sua história. Entre os mais de 200 milhões de euros investidos, 75 foram direcionados para Lukaku e 49 a Barella, os dois jogadores que mais custaram aos cofres do clube desde sua fundação.

Outras diretrizes de Giuseppe Marotta nesta janela incluíram negócios low-cost, como o acerto por Godín e o iminente trato por Alexis Sánchez, e a italianização do elenco: além de Barella, Sensi foi contratado, Bastoni foi integrado após empréstimo ao Parma e Biraghi ainda pode aportar em Milão. A Inter está fazendo o possível para reduzir a distância que a Juventus construiu sobre suas adversárias e isso não inclui apenas gastança no mercado. Conte está recebendo as peças que pediu insistentemente e também está vendo os jogadores com os quais não quer trabalhar serem negociados: Nainggolan e Perisic já foram embora e a diretoria está buscando uma solução para Icardi.

Embora o treinador tenha passado parte da pré-temporada sem atacantes para trabalhar, o elenco da Beneamata já demonstra ter assimilado as ideias do novo comandante. Pode ser cedo para brigar cabeça a cabeça pelo scudetto com a Juventus, mas ao menos a equipe se credencia a uma nova classificação para a Liga dos Campeões, além de ter elenco para ir mais longe nas copas.

Juventus

Ronaldo, da Juventus

Cidade: Turim (Piemonte)
Estádio: Allianz Stadium (41.507 lugares)
Fundação: 1897
Apelidos: Bianconeri, Zebras e Velha Senhora
Principais rivais: Torino e Inter
Participações na Serie A: 87
Títulos: 35
Na última temporada: campeã
Objetivo: título
Brasileiros no elenco: Alex Sandro, Danilo e Douglas Costa
Técnico: Maurizio Sarri (1ª temporada)
Destaque: Cristiano Ronaldo
Fique de olho: Hans Nicolussi Caviglia
Principais chegadas: Gianluigi Buffon (g, Paris Saint-Germain), Aaron Ramsey (m, Arsenal) e Matthijs De Ligt (z, Ajax)
Principais saídas: Leonardo Spinazzola (le, Roma), Moise Kean (a, Everton) e João Cancelo (ld, Manchester City)
Time-base (4-3-3): Szczesny; Danilo (De Sciglio), De Ligt, Chiellini (Bonucci), Alex Sandro; Ramsey, Pjanic, Rabiot (Can); Douglas Costa, Mandzukic, Ronaldo.

Depois do octacampeonato nacional e da decepção na Champions League, a Juventus vem repaginada para a temporada 2019-20. Massimiliano Allegri optou por deixar o clube e a diretoria bianconera respondeu com uma escolha revolucionária. Não havia nome mais controvertido para sucedê-lo do que o de Sarri, um napolitano falastrão que não gosta de usar terno e para quem vencer não é tudo o que importa. Alguns contrastes entre técnico e dirigentes vieram à tona nos primeiros meses de trabalho, mas nada que pudesse ter atrapalhado a pré-temporada.

Embora parte da torcida tenha contestado tanto a contratação de Sarri quanto as vendas de Kean e Cancelo – e ainda se oponha a uma eventual saída de Dybala –, a Juventus está com um elenco mais qualificado que o da última temporada. De Ligt, em que pese a necessidade de adaptação, é um ganho considerável em relação a Bonucci, que não vive grande momento, e oferecerá maior qualidade na saída de bola, fator que pode ser amplificado em jogos em que Chiellini for poupado. No setor, o jovem Demiral mantém o estilo de potência física de Barzagli e Danilo, embora menos brilhante, é mais regular do que seu antecessor. E o retorno de Buffon, para revezar com Szczesny até se aposentar, dispensa comentários.

O meio-campo ganhou profundidade e qualidade com as aquisições gratuitas de Ramsey e Rabiot, e Ronaldo tende a ter um time ainda mais criativo em seu auxílio. Prestes a completar 35 anos, o craque português terá mais uma oportunidade para fazer com que a obsessão da Juventus – o título europeu – se torne realidade. O favoritismo para um inédito e espetacular eneacampeonato nacional não anima a torcida de forma proporcional ao que o feito significa. Por isso, a Velha Senhora tem o dever de, no mínimo, ser semifinalista continental.

Lazio

Immobile, da Lazio

Cidade: Roma (Lácio)
Estádio: Olímpico (70.634 lugares)
Fundação: 1900
Apelidos: Capitolinos, Biancocelesti, Biancazzurri, Aquile, Aquilotti
Principal rival: Roma
Participações na Serie A: 77
Títulos: dois
Na última temporada: 8ª posição
Objetivo: vaga na Liga Europa
Brasileiros no elenco: Wallace, Luiz Felipe e Lucas Leiva
Técnico: Simone Inzaghi (5ª temporada)
Destaque: Ciro Immobile
Fique de olho: Bobby Adekanye
Principais chegadas: Denis Vavro (z, Kobenhavn), Manuel Lazzari (ld, Spal) e Jony (mat, Alavés)
Principais saídas: Rômulo (m, Genoa), Dusan Basta (ld, sem clube) e Milan Badelj (v, Fiorentina)
Time-base (3-5-1-1): Strakosha; Vavro, Acerbi, Luiz Felipe (Radu); Lazzari, Milinkovic-Savic, Lucas Leiva, Luis Alberto (Parolo), Lulic; Correa; Immobile.

A Lazio venceu a Coppa Italia, mas o desempenho aquém do esperado no Campeonato Italiano e na Europa League pareciam indicar fim de ciclo para Inzaghi. O treinador chegou a ser sondado pela Juve, mas renovou com a equipe romana e dará prosseguimento a seu trabalho na capital – que é ótimo, apesar da queda de rendimento de 2018-19. Dessa vez, embora o elenco tenha melhorado em relação à última temporada, Simone terá um desafio mais complexo para fazer com que seu time consiga vaga em competições europeias.

Sim, Milinkovic-Savic permaneceu e a espinha dorsal, formada por Strakosha, Acerbi, Lucas Leiva, Luis Alberto e Immobile segue intacta em Roma. Sim, Lazzari é um reforços mais interessantes da janela e Vavro reconstitui uma defesa que vinha falhando pelo lado direito. Contudo, os adversários estão mais estruturados e têm elencos mais profundos que em edições passadas do certame. Desde 2016, quando Inzaghi assumiu, esta temporada será aquela em que a Lazio interpretará mais fielmente o papel de outsider.

O pico de rendimento do time celeste será medido pelo desempenho de três peças que não fizeram uma boa Serie A. Milinkovic-Savic, Luis Alberto e Immobile entregaram um total de 28 gols a menos do que em 2017-18, o que comprometeu a última campanha dos aquilotti. Com Lazzari, o peso da criação tende a recair menos no sérvio e no espanhol, e o atacante italiano terá mais uma fonte de abastecimento, o que gera algum otimismo. Contudo, isso será suficiente para conseguir o bicampeonato da copa e encantar na Itália e na Europa?

Lecce

Lapadula, do Lecce

Cidade: Lecce (Apúlia)
Estádio: Via del Mare (40.670 lugares; 32.000 liberados atualmente)
Fundação: 1908
Apelidos: Giallorossi, Salentini, Lupi
Principal rival: Bari
Participações na Serie A: 16
Títulos: nenhum (melhor desempenho: 9ª colocação)
Na última temporada: vice-campeão da Serie B; promovido
Objetivo: escapar do rebaixamento
Brasileiros no elenco: Gabriel e Diego Farias
Técnico: Fabio Liverani (3ª temporada)
Destaque: Gianluca Lapadula
Fique de olho: Brayan Vera
Principais chegadas: Romario Benzar (ld, Steaua Bucareste), Diego Farias (a, Empoli) e Gianluca Lapadula (a, Genoa)
Principais saídas: Lorenzo Venuti (ld, Fiorentina), Simone Palombi (a, Cremonese) e Marco Tumminello (a, Atalanta)
Time-base (4-3-1-2): Gabriel; Benzar, Lucioni, Rossettini, Dell’Orco (Calderoni); Petriccione, Tachtsidis, Shakhov; Mancosu; Lapadula, Diego Farias (La Mantia).

Ausente da elite desde o rebaixamento de 2012, o Lecce se dará por satisfeito se conseguir a façanha de permanecer na Serie A. Com boa vontade, o elenco ainda tem cara de time de segunda divisão: boa parte dos jogadores disputou a terceirona com os lupi em 2016-17 e conquistaram dois acessos consecutivos. A equipe é aguerrida, mas terá que lutar muito para surpreender equipes mais gabaritadas e/ou com longas sequências na máxima categoria.

A grande aposta dos salentinos para contrariar as expectativas é a continuidade do trabalho de Liverani. Em seu terceiro ano de casa, o ex-jogador da Lazio (único técnico negro da elite italiana) propõe um futebol ofensivo, mas dificilmente poderá colocar sua filosofia em prática contra os principais adversários. Afinal, o elenco é frágil e nem sempre Davi vence Golias.

Para a campanha na Serie A, o diretor esportivo Mauro Meluso tem apostado em nomes mais rodados na Itália, como Rossettini, Gabriel, Rispoli e Dell’Orco, além dos atacantes Diego Farias e Lapadula, destaques do time juntamente a La Mantia e Falco, que fizeram boa segundona. O cartola também pescou reforços em mercados mais alternativos: Benzar vem da Romênia e o ucraniano Shakhov vem da Grécia, onde foi reserva na campanha do título nacional do Paok. Para coroar a janela esquisitona, o Lecce ainda pode ir atrás de Eric Maxim Choupo-Moting, do PSG, após desistir de Burak Yilmaz. Pouco, muito pouco.



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