Serie A

Guia da Serie A 2019-20, parte 2



Na última terça, publicamos a primeira parte do nosso tradicional Guia da Serie A 2019-20. Agora, faltando dois dias para a primeira rodada da competição, a Calciopédia traz o derradeiro segmento do especial, com todas as informações sobre times como Milan, Napoli, Roma e Torino.

Como tem sido habitual, a Juventus é a grande favorita ao título, mas Inter e Napoli dão a impressão de que conseguiram reduzir sensivelmente a distância para uma Velha Senhora cada vez mais preocupada com conquistas internacionais. Milan, Roma e Fiorentina também vem com novidades, enquanto Atalanta, Torino e Lazio apostam na continuidade de seu trabalho.

Até o fechamento do nosso guia, 42 brasileiros estão inscritos para disputar esta edição do Campeonato Italiano, considerando também aqueles que têm dupla nacionalidade. Os jogadores do nosso país estão distribuídos em 18 times: somente Fiorentina e Sampdoria não contam com atletas canarinhos. A Udinese é a equipe com mais representantes verde e amarelos, com cinco.

A Serie A terá transmissão do DAZN, serviço de streaming que começou a funcionar no Brasil no início de 2019 – assine aqui e ganhe um mês grátis. Sempre aos sábados, a RedeTV transmitirá um jogo por rodada, em acordo com a plataforma. Outra opção, de acesso mais limitado, é a Rai International, canal italiano disponível apenas para os assinantes de algumas operadoras de TV fechada (NET, Sky e Vivo), que passará até três partidas a cada jornada. O apaixonado pelo futebol da Velha Bota também poderá acompanhar o campeonato através da Bet365, mediante depósito mínimo de R$ 30 na casa de apostas. Por fim, o DAZN também tem os direitos de transmissão das demais competições do Belpaese (Serie B, Coppa Italia e Supercopa Italiana).

Sem mais delongas, confira as análises das equipes a seguir.

Publicado também na Trivela.

Milan

Piatek, do Milan

Cidade: Milão (Lombardia)
Estádio: Giuseppe Meazza (80.018 lugares)
Fundação: 1899
Apelidos: Rossoneri, Diavolo
Principais rivais: Inter e Juventus
Participações na Serie A: 86
Títulos: 18
Na última temporada: 5ª posição
Objetivo: vaga na Liga dos Campeões
Brasileiros no elenco: Léo Duarte e Lucas Paquetá
Técnico: Marco Giampaolo (1ª temporada)
Destaque: Krzysztof Piatek
Fique de olho: Matteo Gabbia
Principais chegadas: Ismaël Bennacer (m, Empoli), Léo Duarte (z, Flamengo) e Rafael Leão (a, Lille)
Principais saídas: Cristián Zapata (z, Genoa), Tiemoué Bakayoko (v, Chelsea) e Patrick Cutrone (a, Wolverhampton)
Time-base (4-3-3): Donnarumma; Calabria (Conti), Léo Duarte, Romagnoli, Hernandez (Rodríguez); Kessié (Krunic), Bennacer, Lucas Paquetá; Suso (Çalhanoglu); Rafael Leão, Piatek.

A troca no comando técnico e o acordo com a Uefa, com o intuito de evitar futuras sanções relativas ao Fair Play Financeiro, indicam um novo marco zero no Milan. Prometendo fazer negócios com maior responsabilidade financeira e ficar de olho em promessas que entreguem um futebol vistoso, a diretoria rossonera montou um elenco interessante e escolheu um técnico que, apesar de nunca ter conquistado títulos, tem a filosofia de jogo almejada pelos chefes. Giampaolo era um dos melhores nomes disponíveis no mercado desde que se desvinculou da Sampdoria.

O seu estilo envolvente de futebol encontra, no meio-campo, peças adequadas para o que pretende produzir. Kessié é um jogador técnico, de força e muito dinamismo, assim como Krunic e Lucas Paquetá – embora o bósnio e o brasileiro se sobressaiam na qualidade individual. Os três também costumam apoiar muito o ataque, fator fundamental para que o setor funcione à feição do que propõe seu treinador. Mais atrás, Bennacer, o melhor jogador da última Copa Africana de Nações, será o distribuidor de bolas que Biglia não conseguiu ser desde que aportou na Lombardia.

Além de ter feito um mercado satisfatório, o Diavolo manteve os líderes do elenco, que são capazes de garantir pontos, como Donnarumma e Romagnoli. No centro da zaga, o capitão terá a companhia de Léo Duarte, que larga na frente de Musacchio por um posto entre os titulares. Suso e Piatek também ficaram, mas terão suas funções reexaminadas. Ninguém discute a qualidade técnica da dupla, mas sua utilização por parte de Giampaolo. O espanhol atuou centralizado poucas vezes na carreira, enquanto o polonês é um finalizador nato, que não sai tanto da área, como prefere o técnico. O confronto de estilos pode fazer o início da trajetória mais árduo e demandar ajustes, mas isso não deve preocupar tanto os milanistas. Ter foco total na Serie A no primeiro semestre (a equipe entra na Coppa Italia em janeiro) é uma vantagem sobre os outros times que almejam a quarta vaga na Liga dos Campeões.

Napoli

Insigne, do Napoli

Cidade: Nápoles (Campânia)
Estádio: San Paolo (60.240 lugares)
Fundação: 1926
Apelidos: Azzurri, Partenopei
Principais rivais: Verona, Juventus, Inter e Milan
Participações na Serie A: 74
Títulos: dois
Na última temporada: 2ª posição
Objetivo: vaga na Liga dos Campeões
Brasileiros no elenco: Allan
Técnico: Carlo Ancelotti (2ª temporada)
Destaque: Lorenzo Insigne
Fique de olho: Gianluca Gaetano
Principais chegadas: Giovanni Di Lorenzo (ld, Empoli), Kostas Manolas (z, Roma) e Hirving Lozano (a, PSV)
Principais saídas: Amadou Diawara (v, Roma) e Raúl Albiol (z, Villarreal)
Time-base (4-4-2): Meret; Di Lorenzo, Manolas, Koulibaly, Ghoulam; Callejón, Allan, Ruiz, Zielinski; Mertens (Lozano), Insigne.

Após quatro vice-campeonatos em sete anos e sete classificações à Liga dos Campeões em nove temporadas, o Napoli não pode mais ser considerado como um outsider. Os azzurri souberam aproveitar o vácuo deixado pela dupla de Milão durante seu período de crise e, com um projeto mais consistente do que o da Roma, conseguiram se estabilizar como os principais adversários da Juventus no período. Para 2019-20, em que pese o fato de a Inter ter se reforçado bastante, o time da Campânia mantém esse status.

O Napoli conserva tal posição por uma série de fatores. Por exemplo, a continuidade do modelo de gestão, o entrosamento de suas peças-chave, o nível dos reforços contratados e a presença de Ancelotti no banco de reservas. O presidente De Laurentiis resistiu às investidas por jogadores valorizados, como Koulibaly e Insigne, e ainda tomou um atleta importante de um rival – Manolas, da Roma. O clube também mostrou ambição ao fechar com Lozano e sondar Icardi. São sinais de que, além de projetar um acirramento das disputas domésticas, a equipe napolitana almeja ir mais longe na UCL.

Ancelotti deve começar a temporada com o 4-4-2 que deu certo no ano anterior, tendo Allan e Fabián Ruiz como referências no centro do gramado. A dupla será fulcral para o desempenho partenopeo e deve estar em campo mesmo quando Don Carletto experimentar outros modelos táticos, já que os reforços lhe permitem confortavelmente adotar o 4-2-3-1, o 4-3-3 ou o 3-5-2 em determinadas situações. No último Italianão, o Napoli teve o segundo melhor ataque, mas – por incrível que possa parecer –, também demonstrou alguma dificuldade de concretizar as muitas chances criadas. Se corrigir isso (e não falta capacidade à equipe), pode incomodar mais ainda a Velha Senhora.

Parma

Gervinho, do Parma

Cidade: Parma (Emília-Romanha)
Estádio: Ennio Tardini (27.906 lugares)
Fundação: 1913
Apelidos: Gialloblù, Crociati e Ducali
Principais rivais: Bologna e Reggiana
Participações na Serie A: 26
Títulos da Serie A: nenhum (melhor desempenho: 2ª colocação)
Na última temporada: 14ª posição
Objetivo: escapar do rebaixamento
Brasileiros no elenco: Hernani
Técnico: Roberto D’Aversa (4ª temporada)
Destaque: Gervinho
Fique de olho: Dejan Kulusevski
Principais chegadas: Hernani (m, Zenit), Yann Karamoh (a, Bordeaux) e Andreas Cornelius (a, Bordeaux)
Principais saídas: Alessandro Bastoni (z, Inter), Federico Dimarco (le, Inter) e Leo Stulac (m, Empoli)
Time-base (4-3-3): Sepe; Laurini, Iacoponi, Bruno Alves, Gagliolo; Hernani, Grassi (Brugman), Kucka; Karamoh, Inglese, Gervinho.

O Parma mostrou que é duro de ser derrubado, depois de superar a falência e conquistar, em quatro anos, três acessos consecutivos, o retorno à Serie A e a permanência na elite. Responsável por conduzir a equipe nessa trajetória desde 2016, o técnico D’Aversa garantiu, merecidamente, mais uma temporada no cargo, e terá praticamente o mesmo elenco à disposição, com bons reforços pontuais.

A expectativa da torcida crociata é de mais uma salvezza conquistada com certa tranquilidade. O meio-campo ganhou qualidade e pegada com as chegadas de Brugman, regista uruguaio, e do brasileiro Hernani, ex-Athletico, que deve ser um dos motorzinhos do time, juntamente ao dinâmico Kucka. Mais à frente, o Parma terá dois pontas de extrema velocidade. Em 2018-19, Gervinho foi o grande nome da equipe ao puxar e concluir diversos contra-ataques, e agora terá Karamoh para lhe fazer companhia na missão. A dupla de origem marfinense criará as jogadas para a definição de Inglese, que ganhou a sombra do grandalhão Cornelius – bem superior a Ceravolo.

Embora a situação do ataque e do meio-campo esteja bem resolvida, a defesa ainda inspira certa desconfiança, o que pode ocasionar dores de cabeça desnecessárias na torcida. Podemos concordar que Sepe não seja um goleiro muito técnico, mas é indiscutível que ele vem cumprindo o seu papel na meta parmense. O que alarma mesmo os ducali é a linha de defensores: dentre as peças disponíveis, apenas Dermaku tem menos de 30 anos. Bruno Alves se torna um jogador especial quando atua na Itália – fez duas temporadas impecáveis no país –, mas beira as quatro décadas de vida. Depositar tanta confiança num quarentão é temerário, sobretudo quando o restante do setor não tem o mesmo nível.

Roma

Dzeko, da Roma

Cidade: Roma (Lácio)
Estádio: Olímpico (68.530 lugares)
Fundação: 1927
Apelidos: Capitolinos, Giallorossi, Lupi, A Maggica
Principais rivais: Lazio e Juventus
Participações na Serie A: 87
Títulos: três
Na última temporada: 6ª posição
Objetivo: vaga na Liga dos Campeões
Brasileiros no elenco: Daniel Fuzato e Juan Jesus
Técnico: Paulo Fonseca (1ª temporada)
Destaque: Edin Dzeko
Fique de olho: Mert Çetin
Principais chegadas: Pau López (g, Betis), Gianluca Mancini (z, Atalanta) e Jordan Veretout (m, Fiorentina)
Principais saídas: Daniele De Rossi (m, Boca Juniors), Kostas Manolas (z, Napoli) e Stephan El Shaarawy (a, Shanghai Shenhua)
Time-base (4-2-3-1): Pau López; Florenzi, Mancini, Fazio, Spinazzola (Kolarov); Pellegrini (Cristante), Veretout (Diawara); Ünder, Zaniolo, Kluivert; Dzeko.

A Roma demorou para acertar o rumo na janela de transferência e, por isso, parte em desvantagem em relação a seus principais concorrentes por vagas europeias. Nesse verão, o time perdeu De Rossi em campo e Francesco Totti nos bastidores, além de Manolas, pilar da defesa, e El Shaarawy, seu artilheiro em 2018-19. Além disso, passou meses na iminência de ver Dzeko partir para a Inter. A equipe correu o risco real de ficar praticamente acéfala, contando somente com três jogadores com respaldo nos vestiários – Florenzi, Pellegrini e Kolarov. Tudo indicava que Paulo Fonseca, novato na Itália, teria um trabalho hercúleo pela frente.

Na última semana, porém, o panorama mudou sensivelmente. A diretoria tirou da cartola as renovações de contrato de Dzeko, Zaniolo e Ünder – além de Fazio, mas essa não é lá uma notícia tão boa –, se livrou de N’Zonzi e começou a se mexer para preencher lacunas no grupo. Antes e depois disso, a Roma fechou com três jogadores de seleção italiana: Mancini é um zagueiro para dominar o centro da defesa giallorossa por anos e as chegadas de Spinazzola e Zappacosta oferecem ao treinador a possibilidade de rodar o elenco e testar formações diferentes. No gol, Pau López aporta para solucionar problemas causados pelas sucessivas falhas de Olsen.

A temporada 2019-20 será de afirmação para Zaniolo e, sobretudo, para Kluivert, que não conseguiu evoluir em seu primeiro ano na Cidade Eterna. Juntamente a Ünder, formarão o trio de jovens que apoiará o vice-capitão Dzeko e devem ser um dos pontos altos do esquema ofensivo de Fonseca. Contudo, convém observar ainda a participação de Pellegrini e Veretout. Os dois são bons controladores de ritmo de bola e serão muito importantes para que o técnico português consiga colocar suas ideias em prática.

Sampdoria

Quagliarella, da Sampdoria

Cidade: Gênova (Ligúria)
Estádio: Luigi Ferraris (36.599 lugares)
Fundação: 1946
Apelidos: Blucerchiati, Doria, Samp
Principal rival: Genoa
Participações na Serie A: 63
Títulos: um
Na última temporada: 9ª posição
Objetivo: vaga na Liga Europa
Brasileiros no elenco: nenhum
Técnico: Eusebio Di Francesco (1ª temporada)
Destaque: Fabio Quagliarella
Fique de olho: Gonzalo Maroni
Principais chegadas: Jeison Murillo (z, Barcelona), Fabio Depaoli (ld, Chievo) e Gonzalo Maroni (mat, Talleres)
Principais saídas: Joachim Andersen (z, Lyon), Dennis Praet (m, Leicester) e Grégoire Defrel (a, Roma)
Time-base (4-3-3): Audero; Bereszynski (Depaoli), Murillo, Colley, Murru; Barreto (Jankto), Ekdal, Linetty; Gabbiadini (Ramírez), Quagliarella, Caprari.

A envolvente Sampdoria dos últimos anos deve continuar a agradar aqueles que gostam de futebol ofensivo e a incomodar os gigantes italianos. No entanto, a chefia mudou: Giampaolo foi “promovido” por seu belo triênio na Ligúria e partiu para o Milan, abrindo espaço para que Di Francesco possa se reinventar no Marassi. Diversos mecanismos de jogo serão executados de forma similar, mas os blucerchiati deixarão de priorizar as jogadas criadas pelo centro e atuarão mais pelos lados.

A mudança de paradigma tático pesará na contribuição ofensiva dos meio-campistas na medida em que Praet não está mais à disposição. O belga fazia de tudo no setor, sendo capaz de pensar e acelerar o jogo, além de aparecer para finalizar. Caso a Samp não vá ao mercado para buscar uma peça similar, Linetty e Ekdal terão de se desdobrar nessa função e, talvez, o futebol vertical de Jankto ganhe mais espaço – ainda que o checo não tenha ido bem no seu primeiro ano em Gênova. Outro que terá que se readaptar é Ramírez, que deixará sua zona de conforto pelo centro para cair pelas pontas, como já fez quando atuava pelo Bologna.

No novo esquema doriano, o ponta Maroni deve ganhar espaço, assim como Caprari. O jovem integrante da seleção olímpica argentina será uma das apostas da Samp na temporada – como o alemão Chabot e o norueguês Thorsby, provenientes do futebol holandês – e pode complementar a experiência de Quagliarella. O artilheiro do último campeonato dificilmente repetirá esta façanha (vale lembrar que, até então, nunca chegara nem perto de ser o goleador da competição), mas continua sendo o grande definidor da equipe e a peça que definirá os seus rumos – a observar, ainda, a adequação de Murillo como substituto de Andersen. Novamente, a Sampdoria corre por fora na disputa por vaga na Liga Europa, sabendo que o mais provável é que conclua o Italiano dignamente, mas no meio da tabela.

Sassuolo

Berardi e Caputo, do Sassuolo

Cidade: Sassuolo (Emília-Romanha)
Estádio: Mapei Stadium – Città del Tricolore (21.525 lugares)
Fundação: 1920
Apelidos: Neroverdi, Sasòl
Principal rival: Modena
Participações na Serie A: 7
Títulos: nenhum (melhor desempenho: 6ª colocação)
Na última temporada: 11ª posição
Objetivo: meio da tabela
Brasileiros no elenco: Rogério e Marlon
Técnico: Roberto De Zerbi (2ª temporada)
Destaque: Domenico Berardi
Fique de olho: Andrew Gravillon
Principais chegadas: Hamed Traorè (m, Empoli), Pedro Obiang (m, West Ham) e Francesco Caputo (a, Empoli)
Principais saídas: Pol Lirola (ld, Fiorentina), Stefano Sensi (m, Inter) e Merih Demiral (z, Juventus)
Time-base (4-3-3): Consigli; Toljan, Ferrari, Marlon (Peluso), Rogério; Traorè, Obiang (Magnanelli), Duncan (Locatelli); Berardi, Caputo, Boga.

No último campeonato, De Zerbi foi elogiado por rapidamente ter conseguido implantar sua filosofia de futebol no Sassuolo, mas nem tanto pelos resultados obtidos – após uma bom início de temporada, seu time perdeu um pouco de ritmo. Em seu segundo ano na Emília-Romanha, com um elenco mais qualificado, a tendência é que o técnico possa fazer os neroverdi incomodarem mais. Contudo, alcançar novamente a classificação para a Liga Europa está fora de questão, a princípio: terminar o certame entre os 10 primeiros colocados é um objetivo mais concreto.

O elenco perdeu algumas peças importantes, como Lirola, Demiral, Sensi, Magnani e Di Francesco, mas a diretoria o reforçou com apostas, como Gravillon e Traorè; nomes vindo do exterior, como Toljan e o repatriado Obiang; e ainda fez bem ao buscar Caputo no Empoli. O atacante, que realizou 16 gols na última temporada, será o finalizador que faltou ao time emiliano em 2018-19. O tridente formado por Ciccio, Berardi e Boga será um dos mais interessantes de se assistir no campeonato, pela movimentação que irá proporcionar.

Mais atrás, o Sassuolo construiu outro triunvirato interessante. Quando jogarem juntos, Traorè, Obiang e Duncan potencializarão suas características – muito similares entre si. Os três africanos (respectivamente, senegalês, equato-guineense e ganês) são “todocampistas” muito dinâmicos e técnicos, além de finalizarem bem de média e longa distância. Serão os pulmões do time e a chave de seu sucesso.

Spal

Petagna, da Spal

Cidade: Ferrara (Emília-Romanha)
Estádio: Paolo Mazza (16.134 lugares)
Fundação: 1907
Apelidos: Spallini, Biancazzurri, Estensi
Principais rivais: Bologna, Reggiana e Modena
Participações na Serie A: 19
Títulos: nenhum (melhor desempenho: 5ª colocação)
Na última temporada: 13ª posição
Objetivo: escapar do rebaixamento
Brasileiros no elenco: Felipe, Igor, Thiago Cionek e Gabriel Strefezza
Técnico: Leonardo Semplici (6ª temporada)
Destaque: Andrea Petagna
Fique de olho: Gabriele Moncini
Principais chegadas: Etrit Berisha (g, Atalanta), Federico Di Francesco (a, Sassuolo) e Gabriele Moncini (a, Cittadella)
Principais saídas: Kevin Bonifazi (z, Torino), Manuel Lazzari (ld, Lazio) e Mirco Antenucci (a, Bari)
Time-base (3-5-2): Berisha; Thiago Cionek, Vicari, Felipe; D’Alessandro, Murgia, Missiroli, Kurtic, Fares (Di Francesco); Petagna, Floccari.

O sexto ano de trabalho do técnico mais longevo da Serie A começará com um desafio e tanto: a Spal não contará mais com Lazzari, seu principal jogador, que foi vendido à Lazio. Embora Petagna tenha sido o goleador da equipe no último ano e Antenucci tenha colaborado com tentos, passes açucarados e experiência, era dos pés do ala destro que saíam quase todas as jogadas perigosas dos estensi.

D’Alessandro e Di Francesco deverão honrar o legado do novo reforço laziale, mas em suas carreiras nunca chegaram perto dos números que Lazzari obteve em 2018-19 – foram oito assistências, geralmente oriundas de cruzamentos. Foi graças ao ala que Petagna se consagrou e teve a temporada mais prolífica da carreira, por exemplo. O caminho para o sucesso spallino continuará vindo dos flancos, mas pode se deslocar para a esquerda: adaptado ao time, Fares também teve bom desempenho no último ano e ganha protagonismo. O mesmo vale para o esloveno Kurtic, importante no esquema de Semplici.

Como apontamos, a solução que envolve o vácuo deixado por Lazzari será o fiel da balança da temporada da Spal, mas vale salientar que os estensi largam na frente de pelo menos quatro concorrentes pela permanência na elite. Entre os fatores que pesam nessa corrida, estão a solidez da equipe, que é entrosada e sabe se defender muito bem. Por isso, vende derrotas a um preço muito caro e costuma empatar muito – consequentemente, soma pontos. Contudo, detalhes importam e qualquer deslize importa e qualquer bola que deixe de estufar o barbante pode vir a fazer falta. Pelos lados do Paolo Mazza, o pessoal está atento a isso.

Torino

Belotti, do Torino

Cidade: Turim (Piemonte)
Estádio: Olímpico Grande Torino (28.177 lugares)
Fundação: 1906
Apelidos: Toro, Granata
Principal rival: Juventus
Participações na Serie A: 76
Títulos: sete
Na última temporada: 7ª posição
Objetivo: vaga na Liga Europa
Brasileiros no elenco: Lyanco e Bremer
Técnico: Walter Mazzarri (3ª temporada)
Destaque: Andrea Belotti
Fique de olho: Vincenzo Millico
Principais chegadas: Lyanco (z, Bologna) e Kevin Bonifazi (z, Spal)
Principais saídas: Emiliano Moretti (z, encerrou carreira), Salvador Ichazo (g, sem clube) e Vitalie Damascan (a, Fortuna Sittard)
Time-base (3-4-2-1): Sirigu; Izzo, Nkoulou, Lyanco (Djidji); De Silvestri, Baselli, Rincón, Ansaldi; Falque, Berenguer (Meïté); Belotti.

O Torino de 2019-20 é praticamente uma cópia do que entrou em campo na temporada anterior. Que Mazzarri é adepto da continuidade e não gosta de rodízio no elenco já se sabia desde os tempos de Reggina, mas o toscano potencializou tais métodos de gestão no Piemonte. O comandante só perdeu um zagueiro veterano, o goleiro reserva e uma promessa que mal jogou no ano anterior, e não exigiu reforços à diretoria. Só chegaram ao Olímpico dois zagueiros, que retornaram de empréstimos frutíferos.

Com o mesmo elenco e a mesma filosofia, é de se esperar que o rendimento dos grenás seja parecido. A equipe que mais empatou na última temporada tem uma defesa rígida, que pode melhorar ainda mais com a inserção de Lyanco, que reencontrou seu futebol em Bolonha. Liderada pelo goleiro Sirigu, a ótima zaga conta com Izzo e Nkoulou no ápice de suas carreiras e é protegida por mastins de meio-campo e laterais muito voluntariosos.

Do outro lado do campo, Mazzarri deve manter dois jogadores de movimentação em apoio a Belotti e, em algumas ocasiões, optar por Zaza como parceiro de ataque do capitão. O camisa 9 granata reencontrou o caminho dos gols (marcou 15 no ano passado) e já balançou as redes quatro vezes em quatro jogos da fase preliminar da Liga Europa. Cada vez mais distante da lesão no joelho que comprometeu seu rendimento em 2017-18, Il Gallo inicia a sua trajetória como um dos favoritos ao posto de goleador italiano da temporada. Em ano de Eurocopa, bons auspícios para ele e Roberto Mancini.

Udinese

De Paul, da Udinese

Cidade: Údine (Friul-Veneza Júlia)
Estádio: Friuli – Dacia Arena (25.144 lugares)
Fundação: 1896
Apelidos: Bianconeri, Friulani e Zebrette
Principais rivais: Venezia e Triestina
Participações na Serie A: 47
Títulos: nenhum (melhor desempenho: vice-campeã)
Na última temporada: 12ª posição
Objetivo: escapar do rebaixamento
Brasileiros no elenco: Nícolas, Samir, Rodrigo Becão, Walace e Ryder Matos
Técnico: Igor Tudor (2ª temporada)
Destaque: Rodrigo De Paul
Fique de olho: Petar Micin
Principais chegadas: Ilija Nestorovski (a, Palermo), Rodrigo Becão (z, CSKA Moscou) e Walace (v, Hannover 96)
Principais saídas: Stefano Okaka (a, Watford), Marvin Zeegelaar (le, Watford) e Valon Behrami (v, Sion)
Time-base (4-3-1-2): Musso; Larsen, Ekong, Rodrigo Becão (Nuytinck), Samir; Fofana (Walace), Mandragora, Barák; De Paul; Pussetto, Lasagna.

Tudor salvou a Udinese do rebaixamento em 2018 e 2019: somando as duas passagens pelo Friuli, sempre no final das temporadas, o técnico fez 14 jogos e venceu sete. O assombroso aproveitamento fez com que a diretoria desse ao croata a chance de iniciar, pela primeira vez, uma campanha à frente dos bianconeri, com direito a preparação e planejamento feitos de acordo com seus desejos. O bombeiro será submetido a uma nova prova de fogo.

A trajetória do clube em 2019-20 parecia destinada a ser marcada pelo divórcio com seu camisa 10, De Paul, mas o argentino continua no elenco. Destaque da última campanha, artilheiro e líder de assistências dos friulanos, Rodrigo poderá dividir a responsabilidade com o checo Barák, que superou os problemas físicos que o tiraram de combate durante todo o ano passado. A criatividade da dupla, os bons momentos de Pussetto e os gols de Lasagna e Nestorovski serão as grandes armas ofensivas que a Udinese terá de se valer para escapar mais uma vez do rebaixamento. Na defesa, o goleiro Musso é o maior destaque, ao passo em que se imagina que Samir e Rodrigo Becão possam fazer uma boa parceria pelo lado esquerdo do setor.

O time de Údine tem boas peças no onze inicial, mas peca por dois fatores. Vários desses titulares não tiveram bom rendimento recente (casos de Fofana, Mandragora e Lasagna, por exemplo) e o cobertor é curto, em termos qualitativos: é baixo o número de jogadores que começam na reserva e têm nível similar ao daqueles que têm a preferência do treinador. Num campeonato longo, isso pode vir a ser um problema na luta dos bianconeri pela permanência.

Verona

Pazzini, do Verona

Cidade: Verona (Vêneto)
Estádio: Marcantonio Bentegodi (39.211 lugares)
Fundação: 1903
Apelidos: Mastini, Scaligeri, Butei, Gialloblù
Principais rivais: Vicenza, Napoli e Milan
Participações na Serie A: 29
Títulos: um
Na última temporada: 5ª colocado da Serie B; promovido após playoffs
Objetivo: escapar do rebaixamento
Brasileiros no elenco: Alan Empereur, Lucas Felippe e Daniel Bessa
Técnico: Ivan Juric (1ª temporada)
Destaque: Giampaolo Pazzini
Fique de olho: Marash Kumbulla
Principais chegadas: Daniel Bessa (m, Genoa), Amir Rrahmani (z, Dinamo Zagreb) e Salvatore Bocchetti (z, Spartak Moscou)
Principais saídas: Santiago Colombatto (v, Cagliari), Ryder Matos (a, Udinese) e Karim Laribi (m, Empoli)
Time-base (3-4-2-1): Silvestri; Günter (Kumbulla), Rrahmani, Bocchetti; Faraoni (Adjapong), Badu, Miguel Veloso (Verre), Vitale; Lazovic, Zaccagni (Daniel Bessa); Pazzini (Di Carmine).

O último time analisado no guia é o maior candidato a ocupar a lanterna de ponta a ponta e a ser o grande ioiô da temporada. A bem da verdade, o Verona vem caindo pelas tabelas desde que decepcionou na última Serie B. A equipe tinha um dos melhores elencos da categoria, mas por pouco não ficou fora dos playoffs de acesso. O Hellas conseguiu a vaga no mata-mata por dois pontos e, na fase eliminatória, passou pelos adversários a fórceps, com vitórias obtidas por gols nos finais dos jogos. Nessa sequência, Pazzini e Di Carmine foram os heróis. Mas a custo de quê?

No retorno à elite, o Verona errou em profusão nas suas operações de mercado. Para começar, a diretoria entregou o time a Juric, técnico que tem apenas nove vitórias em 51 partidas da primeira divisão. Depois, permitiu que o croata cooptasse uma penca de refugos que treinou no Genoa: o envelhecido Miguel Veloso, o zagueiro Günter, o ponta Lazovic e o meia Daniel Bessa, que retornou de empréstimo e pode ser negociado com um time melhor.

No mais, a diretoria repatriou o zagueiro Bocchetti, apostou no kosovar Rrahmani e em nomes pouco badalados, como Adjapong e Verre – sem falar em Badu, volante que só fez três jogos na última temporada. Um mercado paupérrimo. Para não dizer que não falamos das flores, o coreano Lee Seung-woo se junta a Di Carmine e Pazzini como peças que podem tentar algo diferente na melancolia veronesa. Os três serão os referenciais técnicos do próximo treinador, uma vez que Juric já conseguiu ser eliminado da Coppa Italia pela Cremonese e tem um curtíssimo prazo de validade.



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