Serie A

12ª rodada: Juventus e Inter vencem no fim e seguem firmes na disputa pelo scudetto



Rodada após rodada, a briga pelo título italiano vai se afunilando. Com vitórias magras neste fim de semana, Juventus e Inter continuam somando pontos e vão se distanciando dos adversários. Respectivamente, já são oito e sete pontos de vantagem sobre Lazio e Cagliari, que dividem a terceira posição – e de forma surpreendente. Enquanto a disputa pelo scudetto ganha um formato mais definido, o embate por vagas europeias está mais acirrado após os tropeços de Roma, Napoli e Atalanta. Confira tudo no resumo da jornada.

Os jogaços

Liderado por Nainggolan, Cagliari teve grande atuação e goleou a Fiorentina (Getty)

Cagliari 5-2 Fiorentina

Gols e assistências: Rog (Nainggolan), Pisacane (Cigarini), Simeone (Nainggolan), João Pedro (Nainggolan) e Nainggolan (Cigarini); Vlahovic (Dalbert) e Vlahovic
Tops: Nainggolan e Rog (Cagliari)
Flops: Badelj e Cáceres (Fiorentina)

No duelo que abriu o domingo de futebol na Itália, o Cagliari recebeu a Fiorentina na Sardegna Arena e venceu com muita autoridade para chegar à terceira posição na tabela. O time treinado por Maran vem realizando um campeonato incrível e parece cada vez melhor encaixado em termos coletivos, com um jogo bastante direto, muita força para a transição ofensiva e tendo Nainggolan como grande destaque individual. Já a Fiorentina de Montella começou o campeonato oscilando, encontrou uma boa sequência através do bom encaixe de Chiesa e Ribéry como dupla de ataque, mas novamente volta a apresentar falhas.

Desde os primeiros minutos, o Cagliari pareceu estar em uma rotação acima da Viola: o time sardo teve muita intensidade, vitalidade e venceu a maioria das divididas. Os donos da casa conseguiam pressionar a saída de bola rival, roubavam a bola com tranquilidade e depois aceleravam, aproveitando um trabalho muito ruim de recomposição do time de Montella. Foi dessa maneira que os casteddu começaram a construir sua goleada, sempre com Nainggolan como protagonista, direcionando as transições. No segundo tempo, o cenário se manteve o mesmo e a Fiorentina só conseguiu reagir na metade final do duelo, quando era tarde demais.

O primeiro gol da partida foi marcado por Rog, aos 16 minutos, após linda construção coletiva, que terminou com Nainggolan rolando para o meio-campista finalizar sem chances para o goleiro. Dez minutos depois do primeiro tento, a bola parada ofensiva do Cagliari entrou em ação, com Cigarini cobrando escanteio com perfeição na cabeça de Pisacane, que anotou o segundo. Aos 34, a Fiorentina saiu jogando errado, o Cagliari acelerou pela direita com Nainggolan e Drągowski impediu o gol no primeiro momento. Contudo, a bola sobrou nos pés do camisa 4 do Cagliari, que só rolou para Simeone, de letra, completar – o argentino até chorou e não comemorou contra sua antiga equipe.

No início do segundo tempo, a Fiorentina cometeu outro erro na zona central do campo e ofereceu um contra-ataque em três contra três para os mandantes. Nainggolan roubou a bola de Badelj, avançou e achou um belo passe com a passe externa do pé para o brasileiro João Pedro marcar o 4 a 0. Aos 65 de jogo, Nainggolan recebeu de Cigarini pelo lado direito, ajeitou a bola e mandou um petardo no ângulo direito do gol defendido por Drągowski, fazendo 5 a 0 e completando a melhor exibição individual do campeonato. Com enorme vantagem no placar, o Cagliari diminuiu bastante sua intensidade e permitiu que Vlahovic descontasse – o segundo dos gols foi bastante bonito.

Juventus 1-0 Milan

Gol e assistência: Dybala (Higuaín)
Tops: Dybala (Juventus) e Lucas Paquetá (Milan)
Flops: Bernardeschi (Juventus) e Rafael Leão (Milan)

No jogo mais importante da rodada, Juventus e Milan se enfrentaram no Allianz Stadium e, por pouco, deu o de sempre: pela nona vez em nove jogos de Serie A no estádio, a dona da casa bateu os rossoneri. O Diavolo até apresentou evolução e incomodou a Velha Senhora, mas Dybala foi o carrasco de sempre, fez seu sétimo gol contra o rival na competição e manteve a liderança bianconera.

Sarri escalou a Juventus no 4-3-1-2 mais uma vez, optando por Bernardeschi como homem de ligação e deixando Dybala no banco. Já Pioli buscou soluções coletivas para melhorar o desempenho de sua equipe, deixando o 4-3-3 para jogar no 4-3-2-1, com Suso e Çalhanoglu construindo muito por dentro.

O jogo começou com o Milan trabalhando muito para tirar o encaixe de Pjanic na saída de bola – para tento, Piatek teve uma participação importante, pressionando o camisa 5 da Juventus. Sem poder circular a bola de um lado a outro e sem contar com os apoios constantes para triangulações – como é costumeiro nessa equipe montada por Sarri –, a Juventus insistiu muito no jogo pelo lado direito, com Cuadrado e Bentancur atacando bastante as costas de Krunic. Como resposta, o Milan soube utilizar Hernandez como uma arma ofensiva pelo lado esquerdo, obrigando a Juve a ter uma maior precaução com as subidas pelo setor.

O jogo foi muito parelho por 25 minutos, período em que as duas equipes conseguiram anular o melhor de sua rival. O que mudou na parte final do primeiro tempo foi que Lucas Paquetá e Çalhanoglu começaram a ter muita liberdade para transitar pelo centro do campo, enquanto Bennacer mostrava a habitual competência em achar os companheiros na entrelinha rival. Seguindo essa fórmula, o Milan teve minutos de excelente nível. Piatek desperdiçou a melhor oportunidade quando errou um cabeceio após cruzamento.

No começo do segundo tempo, Cristiano Ronaldo sentiu novamente uma lesão no joelho e pediu para ser substituído. Dybala entrou em seu lugar e o jogo da Juventus acabou melhorando, já que o craque português claramente não estava se movimentando como gostaria e, por isso, a defesa do Milan conseguia um melhor ajuste defensivo. A Vecchia Signora cresceu com a movimentação de Dybala e o trabalho de pivô de Higuaín: conectando passes no campo ofensivo, passou a ter a superioridade na partida. Aos 77 minutos, após uma bela troca de passes bianconera, La Joya deu um drible desconcertante em Romagnoli e marcou o golaço que definiu o clássico.

O Milan deixou Turim com um gosto amargo na boca. Afinal, a equipe divide a 13ª posição com o Sassuolo e está apenas quatro pontos acima da zona de rebaixamento. Apesar disso, o time de Pioli não jogou mal: na verdade, teve sua atuação mais sólida na temporada. O técnico, aliás, recebeu fortes sinais, como diria o outro: Bennacer, Paquetá e Çalhanoglu precisam ser a base de construção do meio-campo.

Olho no lance

Barella marcou um golaço no final e manteve a Inter encostada na Juventus (AFP/Getty)

Inter 2-1 Verona

Gols e assistências: Vecino (Lazaro) e Barella; Verre (pênalti)
Tops: Barella e Bastoni (Inter)
Flops: Salcedo e Günter (Verona)

Depois de abrir 2 a 0 e permitir a virada do Borussia Dortmund no meio de semana, em partida válida pela Liga dos Campeões, a Inter não tinha muito tempo para se lamentar e recebeu o organizado time do Hellas Verona no San Siro. Conte novamente utilizou o jovem Bastoni como titular na Serie A e deu uma oportunidade para Lazaro jogar 90 minutos. Por sua vez, Juric não pode contar com Miguel Veloso, seu melhor jogador e peça fundamental para o funcionamento coletivo de sua equipe.

Desde o início do jogo, os nerazzurri assumiram o controle das ações e construíram suas jogadas desde os primeiros metros do campo, atraindo os gialloblù a pressionar a saída de bola e se safando através das conduções de Barella. Posteriormente, a equipe de Conte passou a acionar Lazaro e Biraghi pelos flancos, buscando muito a linha de fundo e, dessa maneira, alimentando Lukaku e Lautaro no comando do ataque. O jogo da Inter foi bem desenvolvido durante todo o primeiro tempo, mesmo com o gol sofrido no começo do duelo, depois que Handanovic derrubou Zaccagni e Verre converteu a penalidade.

Na volta para o segundo tempo, Juric trocou Zaccagni por Tutino, deixando o Hellas ainda mais forte fisicamente para bloquear as progressões da Inter e visando forçar o jogo dos mandantes pelo centro do campo. A ideia até deu certo por 15 ou 20 minutos, mas Conte respondeu bem ao colocar Candreva em campo, como ala pelo lado esquerdo, e ganhando o drible por dentro naquele setor, ao invés da busca pela linha de fundo. Dessa maneira, a Inter superou completamente o sistema defensivo rival e trabalhou bem até chegar até a virada.

O empate da Beneamata aconteceu aos 65 minutos, com Lazaro chegando até a linha de fundo pelo corredor direito e cruzando na medida para Vecino testar para o fundo da rede. Quando faltavam sete minutos por jogar no San Siro, Barella recebeu a bola pelo lado esquerdo do campo, avançou por dentro e finalizou de maneira espetacular no canto superior esquerdo de Silvestri, marcando um golaço e dando a vitória para sua equipe. Um tento inesquecível para manter a Inter firme na briga pelo scudetto e uma resposta aos comentários ácidos que Conte soltou durante a semana.

Lazio 4-2 Lecce

Gols e assistências: Correa (Luis Alberto), Milinkovic-Savic (Acerbi), Immobile (pênalti) e Correa (Immobile); Lapadula (Rossettini), La Mantia (Petriccione)
Tops: Correa e Immobile (Lazio)
Flops: Calderoni e Meccariello (Lecce)

Em duelo que aconteceu no Olímpico, Lazio e Lecce entregaram uma partida muito divertida e aberta, mas que ficou muito marcada pela falta de consistência das duas equipes quando defendiam sua área. Inzaghi escalou seu time com força máxima, dentro do mesmo 3-5-2 que permeia o seu trabalho, e apostou muito na transição ofensiva para ferir o adversário. Já Liverani, que fez carreira como jogador na Lazio, manteve o conhecido 4-3-1-2 do Lecce, mas realizou pequenos ajustes, buscando maior intensidade nos movimentos defensivos.

Os times duelaram com muito ímpeto ofensivo, jogando com poucos toques, conduções longas e muita velocidade. Nesse cenário franco, de “trocação”, a qualidade individual bastante superior da Lazio se fez valer e o time conseguiu alcançar a terceira posição, ao lado do Cagliari. Luis Alberto direcionava as ações e contava com uma excelente participação de Correa e Milinkovic-Savic nas infiltrações. Contudo, embora seja inferior tecnicamente, o Lecce também soube ferir os mandantes: atacou de maneira agrupada e levou muito perigo ao gol defendido por Strakosha.

O primeiro gol aconteceu aos 30 minutos, quando Luis Alberto recebeu por dentro, cercado por cinco marcadores e ainda assim encontrou um lindo passe, deixando Correa na boa para abrir o marcador. Dez minutos depois do tento marcado pelo argentino, o Lecce chegou com força pelo lado esquerdo e Rossettini cruzou na medida para Lapadula, que venceu Acerbi empatou. No segundo tempo, o zagueiro se redimiu e encontrou um belo lançamento para Milinkovic-Savic se antecipar a Calderoni e tocar para o gol.

Cinco minutos depois, o sérvio cometeu pênalti sobre Mancosu. Estranhamente, Babacar cobrou – e não Mancosu, que converteu os quatro que bateu neste campeonato. Strakosha defendeu e, no rebote, Lapadula marcou – contudo, o atacante invadiu a grande área antes da cobrança ser realizada e o gol foi anulado. Aos 77, Milinkovic-Savic voltou a aparecer com destaque, participando no lance que resultou no pênalti cometido por Calderoni. Immobile cobrou, marcou seu 14º gol no campeonato e ainda apareceu outra vez com assistência para Correa guardar sua doppietta. Ainda houve tempo para La Mantia descontar. Ufa.

Parma 2-0 Roma

Gols e assistências: Sprocati (Gagliolo) e Cornelius (Hernani)
Tops: Kulusevski e Hernani (Parma)
Flops: Dzeko e Santon (Roma)

No Ennio Tardini, Parma e Roma realizaram um duelo bastante interessante, no qual foram colocadas frente a frentes ideias de jogo e desenvolvimento coletivo bem diferentes. Enquanto o Parma de D’Aversa é a quarta equipe que menos fica com a bola em seus pés na Serie A com média de apenas 42,6% do tempo, a Roma de Fonseca é a oitava no quesito, com 53,4%. Contudo, embora a execução e – principalmente – a proposta de jogo sejam bastante diferentes, as duas equipes entraram em campo com o mesmo sistema de jogo, o 4-3-3.

Desde os primeiros minutos a equipe da capital controlou a posse de bola e trabalhou sua construção ofensiva de maneira bastante equilibrada. Mancini outra vez demonstrou qualidade jogando como primeiro homem de meio-campo e Kluivert está cada vez mais encaixado como principal peça de criação ofensiva da equipe. Já o Parma fez o seu jogo habitual, esperando com linhas recuadas, evitando ser muito agressivo na busca pelos desarmes e esperando o momento mais adequado para acelerar as jogadas. Nesse sentido, Kulusevski e Hernani foram perfeitos na execução.

No primeiro tempo, a proposta da Roma teve melhor resultado. A Loba soube circular a bola, encontrou espaços no sistema defensivo rival e levou muito perigo ao gol defendido por Sepe. Na etapa final, o goleiro ainda contribuiu com duas boas defesas, embora tenha ficado como passageiro num chute de Kolarov, que acertou a trave.

Na segunda parte do jogo, o Parma também conseguiu ajustar suas linhas de marcação, evitou muito bem as progressões dos visitantes e viu o cenário ficar à sua feição quando, aos 68 minutos, Sprocati recebeu cruzamento vindo do lado esquerdo, dominou e girou para finalizar no canto direito de Pau López, fazendo 1 a 0. A Roma tentou sair em busca do empate e Ünder levou muito perigo à meta rival com chutes de fora da área. No entanto, se abrindo em busca do empate, os giallorossi sofreram um revés já aos 93. Hernani antecipou um passe que buscava Diawara, conduziu a partir do meio-campo e rolou para Cornelius definir o placar. Com o resultado, os crociati subiram para a oitava posição e os romanistas ficam no quinto lugar, empatados com a Atalanta.

Os outros jogos

Correa e Immobile comandaram o pirotécnico triunfo da Lazio sobre o Lecce (Getty)

Napoli 0-0 Genoa

Tops: Radu e Agudelo (Genoa)
Flops: Llorente e Insigne (Napoli)

Depois de viver uma semana conturbada, com muitos problemas extracampo, o Napoli recebeu o Genoa no San Paolo, na última partida realizada no sábado, e se afastou da zona Champions: agora são cinco pontos distante da quarta posição. Ancelotti manteve as ideias que vem permeando o seu trabalho, escalando a equipe no 4-4-2 e optando por Zielinski e Ruiz como dupla de volantes. Já Thiago Motta ainda está começando a desenvolver o seu projeto, mas já demonstra muita coragem ao mudar a concepção de futebol de sua equipe, buscar o 4-3-3 como sistema-base e colocar em prática elementos de um jogo posicional.

O Napoli começou forçando muito as jogadas pelo lado esquerdo, através da dobradinha entre Insigne e Mertens. Os partenopei entregaram a posse de bola ao Genoa, fecharam bem os espaços no meio-campo e aceleraravam a cada recuperação, tendo espaço para atacar as costas dos laterais rivais. A ideia funcionou por 25 minutos, já que a equipe obteve um bom volume de jogo e causou problemas às tentativas de saída de bola mais curta dos rossoblù. Contudo, conforme os minutos foram passando, a equipe visitante foi ficando confortável em campo, realmente assumiu o controle da posse de bola e começou a causar problemas para o sistema defensivo do Napoli.

Motta está trabalhando ideias muitos claras com sua equipe: saída de bola com três jogadores, com Schöne afundando entre os zagueiros e laterais que avançam até a altura do meio-campo e se posicionam muito abertos para gerar amplitude. Cassata e Lerager funcionam como meias que sustentam a construção ao encostarem nos laterais e proporcionarem dobradinhas e muita liberdade para Pandev e Agudelo circularem por todo o campo ofensivo e oferecerem dinamismo e municiarem seu centroavante. Mesmo que falte muita coisa para ajustar no Genoa, obter 58% de posse de bola jogando no San Paolo não é tarefa simples para nenhuma equipe do mundo.

O segundo tempo do Napoli foi bastante confuso. A equipe sofreu para voltar as boas ideias do começo de partida e sentiu o peso da pressão imposta pela semana conturbada e pela ansiedade do torcedor nas arquibancadas. Pouco a pouco, por causa das trocas realizadas por Ancelotti e da queda física dos visitantes, o jogo foi encaixando e a equipe criou chances para chegar o gol, o que acabou não acontecendo graças às boas intervenções de Radu. A melhor chance do Napoli no jogo aconteceu em cabeçada de Elmas, mas o romeno foi buscar a bola em seu canto inferior. Já a melhor chance do Genoa se deu com Pinamonti, que recebeu cruzamento de Agudelo pelo lado esquerdo e finalizou com força. Koulibaly bloqueou a bola em cima da linha e impediu o gol.

Brescia 0-4 Torino

Gols e assistências: Belotti (pênalti), Belotti (pênalti), Berenguer (Laxalt) e Berenguer
Tops: Belotti e Berenguer (Torino)
Flops: Magnani e Mateju (Brescia)

No Mario Rigamonti, Brescia e Torino abriram o sábado com um duelo que colocou frente a frente duas equipes que viviam um momento ruim. Enquanto os donos da casa vinham de três derrotas seguidas no campeonato, os visitantes não venciam uma partida desde a terceira rodada do campeonato. Em sua estreia no comando dos biancoazzurri, Grosso não realizou mudanças no sistema de jogo ou na escalação da equipe, que vinha sendo treinada por Corini. Já Mazzarri, que buscou alternativas nas últimas rodadas e utilizou formação com linha de quatro na defesa, voltou ao 3-5-2 que norteou toda a construção do seu trabalho.

O jogo começou muito truncado, com as duas equipes se anulando e com pouca continuidade no meio-campo. O Brescia buscava bloquear a saída do Torino com alas, mas esbarrava na falta de intensidade de sua dupla de ataque para realizar o trabalho defensivo, enquanto o Torino até conseguia chegar ao campo de ataque com as progressões de Aina e Ansaldi, mas encontrava problemas para trocar passes na zona mais avançada do campo e oferecia muito pouco a Belotti, em termos de finalizações.

O jogo foi desbloqueado para o Toro devido aos – abundantes – erros individuais do Brescia. Primeiro foi Magnani que colocou a mão na bola, após cobrança de falta de Verdi: pênalti marcado e gol de Belotti aos 17 minutos. Aos 26, Lukic progrediu pelo lado esquerdo e encontrou Belotti no comando do ataque, o camisa 9 girou e finalizou para o gol. Dessa vez foi Mateju quem usou o braço para cometer novo pênalti, também convertido por Belotti. O jogo já tinha ficado bastante complicado para o Brescia com os dois gols sofridos e desandou de vez quando faltavam quatro minutos para o intervalo. Mateju derrubou Belotti na entrada da grande área, recebeu o segundo amarelo e foi expulso.

Com o Brescia precisando atacar e buscar dar uma resposta ao seu torcedor, o Torino encontrou o cenário ideal para aumentar o placar no segundo tempo – principalmente com Magnani saindo para errar nos botes e deixando Cistana exposto. Aos 75, Laxalt progrediu pelo lado esquerdo e achou Berenguer no centro da área; o espanhol dominou, girou e bateu sem chances para Joronen. Cinco minutos depois, Meïté encontrou Berenguer pelo centro do campo e o camisa 21 disparou, deixou Bisoli no chão e bateu na saída do goleiro para definir o 4 a 0. Os brescianos ficam na lanterna do campeonato e os grenás sobem para a 11ª posição.

Sassuolo 3-1 Bologna

Gols e assistências: Caputo (Djuricic), Boga (Kyriakopoulos) e Caputo; Orsolini
Tops: Caputo e Magnanelli (Sassuolo)
Flops: Bani e Mbaye (Bologna)

No duelo que abriu a 12º rodada do campeonato, Sassuolo e Bologna se enfrentaram no Città del Tricolore, numa busca por transformar o bom nível coletivo que as equipes têm em pontos na tabela de classificação. Tanto o time de De Zerbi quanto o de Mihajlovic executam bem as propostas dos treinadores e têm bastante talento individual, mas – devido a falhas individuais e de encaixe – deixam muitos pontos pelo caminho.

As duas equipes entraram em campo com seus sistemas já consolidados: os neroverdi no 4-3-3 e os rossoblù no 4-2-3-1. O começo da partida foi animado, com o Sassuolo tomando para si o controle da posse de bola, colocando em ação sua ideia de jogo apoiado e buscando atacar com passes curtos e muita movimentação. O Bologna esperava bem posicionado e tentava roubar a pelota em campo ofensivo para, posteriormente, acelerar a jogada.

De Zerbi vem trabalhando Djuricic como um meia de organização e o sérvio tem sido muito importante na função de atacar a entrelinha linha rival e oferecer continuidade ao jogo de sua equipe. Na sexta, foi ponto-chave para que o Sassuolo superasse os encaixes do Bologna e conseguisse uma boa dinâmica de jogo. Mihajlovic tentou utilizar Svanberg como um meia voltado à pressão alta e a evitar a progressão ofensiva dos mandantes, mas acabou sem conseguir muita eficiência nessas ações. O Bologna se deu melhor mesmo com Orsolini criando muitas jogadas de um contra um pelo lado direito.

Caputo marcou o primeiro gol da partida aos 34 minutos do primeiro tempo, após boa construção coletiva de sua equipe, que terminou com Djuricic escorando de bicicleta para o meio da área. Aos 68 minutos, Boga recebeu bom lançamento de Kyriakopoulos, deixou Mbaye na saudade e finalizou sem chances para Skorupski. O Bologna descontou apenas dois minutos depois, com Krejci criando boa jogada pelo lado esquerdo e cruzando para o centro da área, onde Orsolini empurrou para o fundo da rede. Aos 75, Caputo fez uma bela jogada pelo lado esquerdo, deixando dois marcadores pelo caminho e dando números finais ao duelo.

Udinese 0-0 Spal

Tops: Musso (Udinese) e Valdifiori (Spal)
Flops: Okaka (Udinese) e Petagna (Spal)

Udinese e Spal se enfrentaram na Dacia Arena, em duelo que evidenciou como as duas equipes dependem muito de duas qualidades individuais para serem competitivas. Em seu segundo jogo como treinador interino, Luca Gotti novamente escalou a Udinese no 3-5-2 que tem sido a base do time desde a última temporada. Do mesmo modo, Semplici também mandou sua equipe a campo no 3-5-2, buscando manter a mesma ideia coletiva que levou os spallini a chegar até a primeira divisão e conseguir se manter na categoria.

Com duas equipes em esquemas espelhados e base em muita força, poderíamos esperar um duelo truncado e de poucas oportunidades, mas o que aconteceu foi um festival de falhas individuais, problemas de recomposição defensiva dos dois lados e muitos erros de finalização. O jogo foi pautado pela qualidade de De Paul para levar os friulanos à frente com suas conduções e seus dribles curtos e pela intensidade e vitalidade de Kurtic, que sustentava o meio-campo da Spal e permitia que a equipe chegasse à linha de fundo e conseguisse cruzamentos laterais.

A melhor chance da Udinese na partida aconteceu ainda no primeiro tempo, com Larsen chegando até a linha de fundo e escorando para trás; Jajalo finalizou com a ponta do pé e a bola bateu na trave direita antes de a zaga afastar. Já a melhor chance da Spal aconteceu no último lance da partida, quando Sema foi dividir pelo alto com Sala e acabou colocando a mão na bola. Petagna foi para a cobrança do pênalti e Musso acertou o canto, fez a defesa e garantiu um ponto para sua equipe.

O sonífero

a

Sampdoria 0-0 Atalanta

Tops: Audero (Sampdoria) e Rafael Toloi (Atalanta)
Flops: Quagliarella (Sampdoria) e Muriel (Atalanta)

Pensando no futebol apresentado na última temporada, era difícil de imaginar que Sampdoria e Atalanta pudessem fazer um jogo modorrento. Pois bem, as equipes se enfrentaram no Marassi, em duelo que evidenciou a evolução defensiva dos blucerchiati desde que Claudio Ranieri assumiu o comando da equipe.

O experiente treinador melhorou demais a transição defensiva da equipe, que era a principal debilidade do time com Di Francesco no comando, e seu 4-4-2 compacto vai conquistando pontinhos – embora as atuações do time sejam fracas. A Dea foi a campo no mesmo 3-5-2 de sempre, mas sentiu muita falta de Zapata para arrastar os defensores rivais e criar o espaço para as infiltrações dos meias. Para seus padrões, quase não ameaçou Audero e, por isso, deixou a zona Champions.

Desde os primeiros minutos, a Atalanta assumiu o controle da posse de bola, como era esperado. O time treinado por Gasperini circulou a bola de um lado a outro, movimentando os defensores rivais e buscando criar espaço para as finalizações. Apesar do bom posicionamento defensivo dos mandantes, a Dea conseguiu um bom volume ofensivo na primeira etapa e poderia ter chegado ao gol. No segundo tempo, o cenário mudou bastante. A Sampdoria ganhou mais confiança para realizar seu trabalho defensivo e marcou com muita agressividade os atacantes rivais.

A melhor chance de gol da Atalanta na partida aconteceu no primeiro tempo, quando Malinovskyi, que viria a ser expulso na segunda etapa, cobrou falta com maestria pelo lado esquerdo e obrigou Audero a fazer uma defesa espetacular. Já para a Sampdoria, a melhor oportunidade ocorreu nos 10 minutos finais, quando jogava com um homem a mais, mas Jankto finalizou mal, mesmo cara a cara com Gollini.

Seleção da rodada

Radu (Genoa); Bastoni (Inter), Acerbi (Lazio), Pisacane (Cagliari); Kulusevski (Parma), Cigarini (Cagliari), Rog (Cagliari), Nainggolan (Cagliari), Berenguer (Torino); Correa (Lazio), Caputo (Sassuolo). Técnico: Rolando Maran (Cagliari).



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