Serie A

13ª rodada: Juve e Inter superam adversários complicados e mantêm vantagem sobre rivais



A 13ª rodada da Serie A teve a cara do outono da Velha Bota. De norte a sul do país, as partidas foram marcadas por muita chuva – aguaceiro que chegou a causar atrasos e adiamentos de embates. Nesse contexto, Juventus e Inter mantiveram a vantagem sobre suas adversárias e continuam disputando o scudetto ponto a ponto, com leve vantagem para os bianconeri. Roma e Lazio também venceram no final de semana. Confira a análise da jornada.

O jogão

Inter teve ótima atuação coletiva contra o Torino e venceu debaixo de muita chuva (AFP/Getty)

Atalanta 1-3 Juventus

Gols e assistências: Gosens (Barrow); Higuaín, Higuaín (Cuadrado) e Dybala (Higuaín)
Tops: Gómez (Atalanta) e Higuaín (Juventus)
Flops: Djimsiti (Atalanta) e Khedira (Juventus)

Muita água, polêmicas e o poder de decisão de Higuaín embalaram a Juventus numa atuação ruim, mas vitoriosa em Bérgamo. Como tem sido habitual, a Atalanta complicou a vida da Velha Senhora e poderia ter saído de campo com o triunfo. Contudo, Pipita surgiu nos 20 minutos finais e virou a partida, mantendo a Juve na liderança e a Dea na zona de Liga Europa. Num dia sem Ronaldo – poupado por causa dos recorrentes problemas no joelho –, foi o anteriormente contestado camisa 21 que decidiu para os bianconeri.

Num campo pesado, encharcado pela chuva, se notabilizaram os duelos físicos e os cartões amarelos – três para cada lado no primeiro tempo. A etapa inicial foi quase toda da Atalanta, que teve um pênalti a favor graças a toque de mão de Khedira. Barrow, que foi titular devido à lesão de Zapata e ao fato de Muriel não estar 100%, cobrou… e mandou no travessão. Ilicic, batedor oficial da equipe, desfalcava a Dea por suspensão. Antes mesmo do intervalo, o time da casa poderia ter aberto o placar outras vezes, mas Pasalic parou em ótima defesa de Szczesny e Hateboer não teve a calma para deslocar marcadores e, sem goleiro, foi bloqueado por De Ligt.

O volume de jogo nerazzurro finalmente se traduziu em gol aos 65 minutos. Barrow se redimiu do pênalti perdido com uma ótima jogada pelo lado direito e levantamento na medida para Gosens anotar seu quarto tento nesta Serie A, aproveitando confusão na defesa juventina. Em desvantagem, Sarri lançou Douglas Costa no lugar de Bentancur para tentar o empate, mas foi Higuaín que lhe salvou a pele. Aos 74, Pipita aproveitou um bate-rebate e contou com a sorte para anotar em seu oitavo jogo contra a Atalanta: seu chute desviou em Rafael Toloi e enganou Gollini antes de morrer nas redes.

Depois disso vieram as polêmicas. Primeiro, Freuler tentou cruzar na área e a bola tocou no braço de Emre Can. Contudo, um desvio na canela do alemão o isentava do pênalti, conforme o árbitro Rocchi observou no monitor. Depois, em outro ataque da Dea, Cuadrado cortou a bola com o braço. Na sequência da jogada, Higuaín marcou o segundo – e justo com um passe do colombiano. Apesar da falta não marcada, houve troca de posse de bola no desenrolar do lance e o VAR não poderia intervir. Nos acréscimos, Dybala ainda fechou a conta diante de uma Atalanta que não teve mais forças para reagir.

Olho no lance

Gols dos zagueiros Mancini e Smalling embalaram a vitória da Roma (AFP/Getty)

Torino 0-3 Inter

Gols e assistências: Martínez (Vecino), De Vrij (Biraghi) e Lukaku (Brozovic)
Tops: Martínez e Handanovic (Inter)
Flops: Izzo e Bremer (Torino)

Não é fácil entregar uma atuação convincente num campo no limite do impraticável, mas a Inter conseguiu isso diante do Torino e se manteve apenas um ponto atrás da Juventus. A intensa chuva que caiu na capital do Piemonte chegou a atrasar o início da partida em 10 minutos e transformou o gramado num verdadeiro lamaçal, mas não impediu que os nerazzurri interrompessem, com autoridade, um jejum de cinco partidas sem vitórias contra os grenás.

Ainda que Handanovic tenha contribuído para o triunfo interista com duas magníficas defesas, ante De Silvestri e Verdi, a Inter jamais ofereceu chances reais de o Torino reagir e, de fato, ameaçar a conquista dos três pontos. Logo aos 12 minutos, Vecino rebateu um lançamento de Sirigu e deixou Martínez no mano a mano com Izzo, que não conseguiu lhe alcançar. Ter anotado o primeiro gol tão cedo ajudou a Beneamata a dominar a partida e criar chances para ampliar. O goleiro do Toro reagiu bem em finalizações de Lukaku e Barella, mas não pode nada diante de De Vrij, desmarcado.

Na etapa final, o bomber belga deixou a sua marca e se tornou o primeiro atacante da Inter a anotar 10 gols em seus 13 primeiros jogos de Serie A desde Nyers, que logrou o feito em 1949. Vice-artilheiro do campeonato, Romelu ainda poderia ter anotado o quarto da noite, mas tirou tinta da trave e não mexeu no placar. Ainda assim, a Inter acumulou mais um clean sheet, voltou a somar 11 triunfos nas 13 rodadas iniciais pela primeira vez desde 1950 e só tem a lamentar pela lesão de Barella. O meia sofreu uma entorse no joelho e será avaliado no decorrer da semana.

Milan 1-1 Napoli

Gols e assistências: Bonaventura (Krunic); Lozano
Tops: Bonaventura (Milan) e Allan (Napoli)
Flops: Piatek (Milan) e Callejón (Napoli)

Neste duelo entre gigantes em crise, o empate não foi bom para ninguém. Tanto Milan quanto Napoli não ganharam fôlego para a continuidade da Serie A e ainda ampliaram marcas negativas. Os rossoneri chegaram a três jogos seguidos sem triunfos e a cinco anos consecutivos sem vitórias contra os napolitanos em San Siro. Por sua vez, os partenopei não venceram nenhum dos seus seis últimos compromissos. Uma sequência tão ruim não lhes incomodava desde março de 2013.

O Milan mais uma vez não teve uma exibição de todo negativa, mas voltou a apresentar dificuldades na criação e viu Piatek parecer um corpo estranho. Mesmo nesse contexto a equipe da casa começou melhor em San Siro, mas levou uma ducha de água fria aos 24 minutos. No primeiro chute a gol do Napoli, Insigne acertou o travessão e, no rebote, Lozano conferiu. Os rossoneri reagiram rapidamente e, cinco minutos depois, Bonaventura empatou a peleja com um foguete.

Dali em diante, a chuva esfriou o jogo e os times se agrediram com menos intensidade. A bem da verdade, embora o Milan continuasse levemente superior, foi Donnarumma que apareceu com duas defesas importantes, no final de cada uma das etapas. Apesar disso, a crise se agrava principalmente em Nápoles: o retorno de Ancelotti a San Siro não foi tão feliz assim.

Roma 3-o Brescia

Gols e assistências: Smalling (Pellegrini), Mancini (Smalling) e Dzeko
Tops: Smalling e Diawara (Roma)
Flops: Donnarumma e Bisoli (Brescia)

Neste domingo, a Roma bateu o Brescia com a ajuda de sua torre do Palácio de Westminster. Em grande fase na capital, o contestado Smalling participou dos três gols do triunfo e já tem status de ídolo da torcida. Ao fim do jogo, romanistas pediram ao inglês que busque transformar o empréstimo do Manchester United em transferência definitiva e permaneça na Itália.

Além de Smalling, a Roma contou ainda com a boa partida de Pellegrini, que retornava de lesão e interagiu bem com Veretout, Diawara e Zaniolo. Do outro lado, Grosso barrou Balotelli e viu o Brescia minguar no ataque: fora uma tentativa de Donnarumma e um chute de longe de Ndoj, a Leonessa pouco criou, apesar do primeiro tempo parelho.

Após o intervalo, a equipe da casa deslanchou, mostrando autoridade nas jogadas aéreas. No primeiro gol, Smalling concluiu uma cobrança de escanteio e contou com desvio em Cistana para igualar Beckham – desde 2008-09, um inglês não anotava pelo menos dois gols numa mesma edição da Serie A. Depois de outro escanteio, o zagueiro permaneceu na área e pediu o lançamento a Kluivert, que atendeu o pedido: o camisa 6 apenas ajeitou para Mancini encobrir Joronen. O terceiro veio com mais uma cabeçada de Smalling, dessa vez desviada por Torregrossa. Dzeko aproveitou a sobra para estufar as redes e fechar o placar.

Os outros jogos

Kulusevski é o grande destaque de um Parma que se coloca na metade mais alta da tabela (Iguana Press/Getty)

Sassuolo 1-2 Lazio

Gols e assistências: Caputo (Peluso); Immobile (Correa) e Caicedo (Luis Alberto)
Tops: Luis Alberto e Lazzari (Lazio)
Flops: Magnanelli e Romagna (Sassuolo)

No Mapei Stadium, a Lazio conquistou uma vitória suada e manteve a terceira posição na Serie A. A equipe de Inzaghi dominou o primeiro tempo graças à construção de jogadas pelo centro, com Luis Alberto e Correa, que incomodaram o Sassuolo por quase toda a partida. O goleiro Consigli evitou gols da dupla ao espalmar ótimas finalizações de cada um deles. Entre essas defesas, no entanto, o arqueiro falhou feio. Aos 34 minutos, foi traído por um desvio na zaga e não segurou a finalização de Immobile, que chegou aos 15 gols na Serie A.

Ciro, porém, não estava em jornada brilhante e mostrou isso ao falhar na marcação e permitir que Caputo empatasse no fim do primeiro tempo. A chuva apertou e esfriou o segundo tempo na Emília-Romanha. Em ritmo bem mais baixo, as equipes se agrediram menos e a partida parecia fadada ao empate. Contudo, Caicedo saiu do banco aos 79 e, nos acréscimos, decidiu a peleja: após tabelar com Luis Alberto, o equatoriano bateu no contrapé de Consigli.

Bologna 2-2 Parma

Gols e assistências: Palacio (Orsolini) e Dzemaili (Paz); Kulusevski e Iacoponi (Kucka)
Tops: Orsolini (Bologna) e Kulusevski (Parma)
Flops: Poli (Bologna) e Barillà (Parma)

O emocionante clássico emiliano, decidido apenas no último segundo, foi um embate suntuoso entre os canhotos Orsolini e Kulusevski, faróis de suas organizadas equipes. O Parma poderia ter saído com uma excelente vitória, mas o empate mantém o time na oitava posição e na cola do Napoli. O Bologna continua fora da zona de rebaixamento.

Sem Gervinho, D’Aversa escalou Sprocati como titular. O atacante participou da jogada que permitiu a Kulusevski marcar o primeiro aos 17, com belo chute de canhota. Depois, em contra-ataque, o sueco tentou retribuir o presente, mas o italiano não ampliou graças a um corte de Tomiyasu. Antes do fim da etapa inicial, Dermaku evitou que Orsolini empatasse. Porém, no escanteio, o camisa 7 colocou na cabeça de Palacio, que anotou contra sua vítima favorita – em 10 anos de Serie A, El Trenza fez o décimo contra os ducali.

O segundo tempo continuou com o duelo entre Orsolini e Kulusevki. O sueco acertou a trave com um belo chute e, na sequência, o italiano assustou o goleiro Sepe. Aos 70, um contra-ataque com participação de Dejan e articulação de Kucka terminou no gol de Iacoponi, que roubara a bola na defesa e avançou para concluir a jogada. Skorupski voltou a negar o gol da revelação sueca e, nos acréscimos, foi para a área tentar o empate. Na jogada, o zagueiro Paz ajeitou e o capitão Dzemaili acertou um sem pulo incrível para anotar um golaço e assinar a lei do ex.

Lecce 2-2 Cagliari

Gols e assistências: Lapadula (pênalti) e Calderoni (Tachtsidis); João Pedro (pênalti) e Nainggolan)
Tops: Diego Farias (Lecce) e Cigarini (Cagliari)
Flops: Tabanelli (Lecce) e Olsen (Cagliari)

Lecce e Cagliari deveriam ter se enfrentado no domingo, mas o campo do Via del Mare honrou o nome do estádio e ficou inundado por causa do dilúvio que caiu na Apúlia. A partida foi remarcada para a tarde da segunda-feira e teve como resultado um empate que manteve o time da casa fora da zona de rebaixamento e os visitantes na zona Champions League. No entanto, os sardos não ficaram felizes com o placar, já que estiveram muito perto da vitória.

O primeiro tempo teve poucas emoções e o Cagliari saiu na frente com um lance fortuito: La Mantia desviou cruzamento com o braço e cometeu pênalti, prontamente convertido por João Pedro. Os visitantes mantiveram o controle da partida e fizeram o segundo após Nainggolan aproveitar corte mal feito de Tabanelli.

A vitória parecia garantida, até porque La Mantia não tinha sorte – como mostrou Olsen, com grande defesa na etapa inicial – nem competência, como ficou evidente quando ele perdeu chance cara a cara. Diego Farias, ex-Cagliari, porém, mudou o jogo. Numa jogada do brasileiro, La Mantia ia marcar o gol, mas Cacciatore usou a mão para evitar, com uma grande defesa, e foi expulso. Lapadula converteu e, depois, brigou com Olsen: eles trocaram empurrões e foram para o chuveiro mais cedo. Com mais espaço, Farias continuou incomodando e chegou a deixar Tabanelli livre na pequena área, mas o meia isolou. Nos acréscimos, Calderoni acabou empatando e deu justiça ao placar.

Verona 1-0 Fiorentina

Gols e assistências: Di Carmine (Faraoni)
Tops: Verre (Verona) e Dragowski (Fiorentina)
Flops: Bocchetti (Verona) e Badelj (Fiorentina)

Uma das grandes surpresas do campeonato, o Verona fez sua melhor partida nesta Serie A e ganhou com todos os méritos de uma desfalcada Fiorentina. A Viola não contava com os meio-campistas Pulgar e Castrovilli, suspensos, teve de poupar Chiesa – que não estava bem fisicamente – e ainda perdeu Pezzella, lesionado com apenas 4 minutos. Desfigurada, a equipe de Florença acabou sendo presa fácil para o Hellas, que usou o campo pesado a seu favor e desacelerou o jogo. Quando possível, porém, o time da casa colocou os adversários nas cordas e protagonizou algo similar a um monólogo.

O goleiro Dragowski manteve a formação visitante viva ao realizar grandes defesas ante Verre, Faraoni e Salcedo, mas não teve o que fazer quando Di Carmine ficou cara a cara e anotou, aos 31 anos, o seu primeiro na Serie A – e justo contra a equipe que o revelou. O destaque da jogada (e da partida) foi Verre, que conseguiu suprir a ausência de Miguel Veloso na criação e foi fundamental para que o Hellas ultrapassasse a própria Fiorentina e assumisse a oitava colocação.

Sampdoria 2-1 Udinese

Gols e assistências: Gabbiadini e Ramírez (pênalti); Nestorovski
Tops: Ramírez e Gabbiadini (Sampdoria)
Flops: De Paul e Jajalo (Udinese)

Ranieri chegou à Sampdoria para tirar a equipe do limbo e vai conseguindo. Em seis jogos, Don Claudio somou apenas uma derrota (contra o Bologna), três empates (Roma, Lecce e Atalanta) e, agora, alcança sua segunda vitória – a segunda contra uma concorrente direta pela salvação. Após bater a Spal, a formação genovesa teve ampla superioridade contra a Udinese e mereceu vencer. Com o resultado, os blucerchiati saíram da zona de rebaixamento.

A Samp começou melhor no Marassi e acertou a trave com uma forte cabeçada de Ramírez. No entanto, a Udinese saiu na frente aos 29 minutos: Bertolacci perdeu a bola na entrada da área e Nestorovski aproveitou para roubá-la e finalizar para as redes. O time da casa precisou superar as lesões de Depaoli e Bertolacci, que foram substituídos ainda no primeiro tempo, mas como eram melhores em campo, chegaram ao empate – nesse caso, por méritos de Gabbiadini, que acertou uma linda cobrança de falta. A virada veio no segundo tempo. Jajalo foi expulso aos 51 e, aos 75, Ramírez converteu clara penalidade de Ekong em Quagliarella.

Spal 1-1 Genoa

Gols e assistências: Petagna (pênalti); Sturaro (Ghiglione)
Tops: Missiroli (Spal) e Radu (Genoa)
Flops: Vicari (Spal) e Criscito (Genoa)

No jogo que fechou a rodada, Spal e Genoa amargaram um empate que deixou as duas equipes na zona de rebaixamento. Os spallini ocupam a penúltima colocação, com 9 pontos, e os rossoblù vêm logo à frente, com 10.

O primeiro tempo foi dos goleiros, que fizeram ótimas exibições. Berisha trabalhou numa cabeçada de Lerager, mas foi Radu que se destacou mais, com três defesaças – a melhor delas, num chute à queima-roupa de Reca. O romeno quase pegou um pênalti no início da etapa complementar, mas Petagna cobrou bem e abriu o placar, aos 55. Dois minutos depois, Sturaro salvou a pele do experiente Criscito, que cometeu penalidade boba, e empatou com uma cabeçada potente. Após o gol, o Genoa cresceu no jogo, com a vitalidade dos jovens Favilli e Cleonise, mas não conseguiu a virada.

Seleção da rodada

Radu (Genoa); Rrhamani (Verona), Smalling (Roma), De Vrij (Inter); Kulusevski (Parma), Verre (Verona), Amrabat (Verona), Luis Alberto (Lazio), Ramírez (Sampdoria); Higuaín (Juventus), Martínez (Inter). Técnico: Ivan Juric (Verona).



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