Liga Europa

Com um grandioso Lukaku, a Inter dominou o Leverkusen e voltou a uma semifinal europeia



O anômalo ano de 2020 tem sido palco de bons resultados esportivos para a Inter – os melhores desde 2011, quando a equipe foi vice-campeã italiana e faturou a Coppa Italia. Na atual campanha, o time treinado por Antonio Conte também ficou com a segunda posição da Serie A, com um ponto a menos do que a Juventus; foi semifinalista da copa local; e, ao vencer o Bayer Leverkusen por 2 a 1, também avançou às semifinais da Liga Europa. Um feito que não era celebrado em Milão havia uma década.

Realizado em Düsseldorf, na Alemanha, o jogo dessa segunda começou com a Inter tentando realizar sua já costumeira saída curta, na qual Handanovic tem muita participação como passador e De Vrij aparece com importância, para facilitar a conexão entre os zagueiros e os meio-campistas. Contudo, o Leverkusen mostrou muita intensidade nos primeiros minutos e Conte foi inteligente para orientar seus jogadores a entregar a posse de bola aos rivais. Assim, os nerazzurri passaram a efetuar uma pressão alta na saída de bola dos alemães.

Como Lukaku e Lautaro recebiam o suporte de Barella para bloquear a primeira linha de passe, a Inter tirou o conforto dos aspirinas na Merkur Spiel-Arena e passou a levar muito perigo através da produção dos alas e a ligação da dupla LuLa. Num desses lances, a Beneamata progrediu pelo corredor esquerdo. Martínez recebeu em profundidade e achou um belo passe para Young, que ativou Lukaku no pivô. O belga dominou, estabeleceu a posição contra o jovem Tapsoba e girou antes de finalizar com a perna direita. O chute foi bloqueado pela defesa do Leverkusen e, no rebote, Barella bateu com enorme categoria, de trivela, para vencer Hrádecký e fazer 1 a 0, aos 15 minutos.

Depois do gol, o jogo entrou no mais puro caos. Aos 21, a Inter iniciou mais um ataque pelo corredor esquerdo e Young ativou Lukaku contra Tapsoba: o belga protegeu, arrastou o marcador e, mesmo caído, conseguiu completar para o fundo da rede. O Leverkusen sentiu o ritmo da partida e o baque dos gols sofridos. Ao tentar atacar com muita precipitação, ofereceu o contra-ataque para a Beneamata. Logo após a saída de bola no segundo gol, Lukaku dessa vez foi ativado em profundidade, saiu cara a cara com Hrádecký e bateu na saída do goleiro, que defendeu muito bem.

Além de ter marcado belo gol, Barella foi um dos melhores nerazzurri em campo (Pool/AFP/Getty)

A chance perdida acabou custando caro para os nerazzurri. Três minutos depois, os alemães conseguiram descontar numa boa jogada entre Volland e Havertz, que venceu Handanovic. O cenário daquele momento, que tinha os alemães mantendo a posse de bola e a Inter pressionando alto, se manteve pelo resto do primeiro tempo. Ainda que sem muita criatividade, a Beneamata conseguiu estabelecer a ligação direta com Lautaro e Lukaku e, novamente, a dupla conseguiu gerar muito jogo por conta própria – tabelando, criando espaços e enfrentando seus marcadores.

O começo do segundo tempo representou o melhor momento para o Leverkusen dentro da partida. O Bayer conseguiu evitar o encaixe da pressão alta da Inter, utilizando Diaby pelo lado esquerdo, nas costas de D’Ambrosio e no mano a mano com Godín. Apesar do bons instantes, os alemães não conseguiram criar chances claras para empatar a partida e Conte, ao perceber as dificuldades para contra-atacar, fez mudanças que funcionaram muito bem. Moses, Eriksen e Sánchez assumiram as posições de D’Ambrosio, Gagliardini e Lautaro; o time nerazzurro saiu do 3-5-2 para o 3-4-1-2 e voltou a ter o jogo totalmente sob controle.

Bastoni passou a se projetar pelo lado esquerdo e Brozovic ganhou mais espaço para organizar a saída, já que Eriksen prendia a atenção da marcação. Assim, as chances de gol começaram a aparecer. Primeiro, o dinamarquês achou um passe espetacular para Sánchez, que finalizou de maneira displicente e desperdiçou. Depois foi a vez de Moses tabelar com Eriksen pelo lado direito, cortar o marcador e, do bico da grande área, finalizar para mais uma boa defesa de Hrádecký. O Leverkusen não abriu mão de atacar, mas jamais encontrou o ritmo ideal para machucar a Inter para valer. No fim do jogo, Lukaku ainda teria um belo gol anulado por falta marcada sobre Tapsoba.

Apesar do placar apertado, a Inter – que teve dois pênaltis corretamente invalidados pelo VAR – correu poucos perigos ao longo dos 90 minutos e mereceu retornar a uma semifinal europeia, o que não acontecia desde a temporada 2009-2010, quando conquistou a Tríplice Coroa. Agora, os comandados de Antonio Conte esperam pelo vencedor do confronto entre Shakhtar Donetsk e Basel, que definirá o adversário da Beneamata no duelo que vale uma vaga na final da Liga Europa.



Deixe um comentário