Serie A

27ª rodada: a Inter venceu o Torino e, com grande vantagem, ensaia ‘fuga’ na liderança

Faltando 11 rodadas para o fim da Serie A, parece que temos a primeira “fuga” na liderança da competição. A Inter não fez um grande jogo contra o Torino, mas somou os pontos que importavam e, contando com a derrota do Milan para o Napoli, abriu uma vantagem de nove pontos na corrida pelo scudetto. Uma gordura considerável e que os seus adversários terão de suar para eliminar. Confira, abaixo, o resumo de mais uma jornada do Italiano.

>>> Classificação e artilharia da Serie A

Torino 1-2 Inter

Gols e assistências: Sanabria; Lukaku (pênalti) e Martínez (Sánchez)
Tops: Bremer (Torino) e Martínez (Inter)
Flops: Vojvoda (Torino) e Perisic (Inter)

A Inter não foi brilhante, mas se valeu de sua solidez para vencer pela oitava vez seguida e disparar na liderança: graças à derrota do Milan para o Napoli, agora a equipe de Conte tem nove pontos de vantagem na corrida pelo scudetto. O Torino ofereceu resistência e amarrou o jogo, o que é bom sinal para os comandados de Nicola, não obstante os grenás continuem na antepenúltima posição, na zona de rebaixamento. Afinal, o Toro tem dois jogos a menos do que os adversários.

O primeiro tempo não foi dois melhores para ambas as equipes. A Inter não teve nenhuma finalização na direção do gol pela quinta vez na temporada, sendo que duas delas foram contra o Torino. Grande parte disso se deu por conta do ótimo trabalho de marcação de Bremer sobre Lukaku, o que também ocorrera no embate entre os times em San Siro. Por sua vez, Lyanco, o outro brasileiro em campo, foi o autor do lance de maior perigo nos 45 minutos iniciais ao cabecear uma bola na trave nerazzurra.

Aos 56, Stellini – que substituía o suspenso Conte – lançou Eriksen a campo no lugar de Gagliardini e a partida mudou. Seis minutos depois, Izzo derrubou Martínez dentro da área e Lukaku deslocou o goleiro Sirigu para abrir o placar, de pênalti. O Torino respondeu aos 70, numa inesperada confusão que resultou no gol de Sanabria e obrigou a Inter a sair novamente para o jogo, no intuito de evitar o tropeço. Sánchez substituiu Brozovic e, com apenas quatro minutos no gramado, achou um lindo cruzamento para Lautaro garantir o triunfo da Beneamata. O argentino acertou uma cabeçada muito difícil para marcar ante o Toro pela quarta vez seguida e igualar o número de gols de seu melhor ano na Serie A até então – 14 gols.

Milan 0-1 Napoli

Gols e assistências: Politano (Zielinski)
Tops: Koulibaly e Zielinski (Napoli)
Flops: Castillejo e Rafael Leão (Milan)

Milan e Napoli fecharam a rodada em um jogo pouco movimentado – com exceção dos minutos finais –, por déficit na criação de jogadas. Os times apresentaram um fraco futebol no primeiro tempo, que teve leve superioridade dos visitantes, principalmente pela pressão de Insigne sobre Dalot. Nesse contexto, Zielinski levou perigo duas vezes, uma delas em voleio bem defendido por Donnarumma.

No início do segundo tempo saiu o único gol da partida, em uma jogada que o Napoli construiu invertendo o jogo da esquerda para a direita, de pé em pé. Ex-jogador da Inter, Politano recebeu de Zielinski e não finalizou bem, mas conseguiu o suficiente para tirar de Donnarumma e balançar as redes. Precisando empatar, Pioli colocou o time para frente, mas a defesa do Napoli estava muito bem postada e neutralizou quase todas as jogadas criadas pelos rossoneri.  O poder de decisão de Ibrahimovic tem feito falta ao Diavolo, num momento em que o cansaço físico do elenco também é evidente.

Na reta final da partida, os ânimos se exaltaram depois de Hernandez pedir pênalti numa chegada de Bakayoko e, na sequência, fazer falta duríssima em Osimhen para parar o contra-ataque napolitano. Na confusão – que não resultaria em nada além de um amarelo para o francês –, até o árbitro Pasqua tropeçou e caiu no gramado. Com o placar, o Milan vê a segunda posição ameaçada pela Juventus, ao passo que o Napoli volta a brigar seriamente por vaga na Champions League: com 50 pontos, ocupa a quinta posição, logo atrás da Atalanta.

Em retorno a San Siro, o ex-interista Politano baqueou o seu antigo rival e deu vitória ao Napoli (IPA)

Cagliari 1-3 Juventus

Gols e assistências: Simeone (Zappa); Ronaldo (Cuadrado), Ronaldo (pênalti) e Ronaldo (Chiesa)
Tops: Ronaldo e Danilo (Juventus)
Flops: Ceppitelli e João Pedro (Cagliari)

Para responder às críticas que recebeu após a eliminação da Juventus na Champions League, ante o Porto, Ronaldo não foi humilde – no melhor dos sentidos. O artilheiro do campeonato simplesmente anotou uma tripletta no primeiro tempo, chegou a 23 gols na Serie A e garantiu a vitória da Velha Senhora contra um adversário que vinha apresentando crescimento de desempenho em sua campanha.

A tripletta do português, construída em 32 minutos, foi a segunda mais rápida de sua carreira – perdendo apenas contra uma de 2015, num duelo entre Real Madrid e Espanyol. A deste domingo foi daquelas perfeitas: marcou com o pé direito, o esquerdo e de cabeça. O último jogador da Juventus a fazer isso havia sido Trezeguet, em 2007, contra o Livorno. De quebra, os gols da partida fizeram com que Cristiano encerrasse o jejum na Sardegna Arena e passasse a ter bolas nas redes nos 18 estádios em que jogou na Serie A.

Com o domínio esmagador no primeiro tempo, a Juventus voltou do intervalo mais calma e pronta para segurar o adversário. O Cagliari cresceu no jogo e diminuiu aos 61 minutos, com Simeone, mas não teve forças para buscar a reação e perdeu uma invencibilidade de três jogos. Com a derrota do Milan e um jogo a menos, o time bianconero vislumbra a vice-liderança do campeonato e uma tentativa de assalto à Inter, 10 pontos à frente.

Atalanta 3-1 Spezia

Gols e assistências: Pasalic (Ilicic), Muriel (Gosens) e Pasalic (Zapata); Piccoli (Estévez)
Tops: Pasalic e Muriel (Atalanta)
Flops: Ricci e Nzola (Spezia)

Visando o confronto decisivo contra o Real Madrid, a Atalanta tirou o pé do acelerador na maior parte do jogo contra o Spezia, mas percebeu que teria de ligar o turbo se quisesse derrotar o eficiente time de Italiano – que já segurara o 0 a 0 no primeiro turno. Após uma etapa inicial muito fraca, na qual os visitantes foram capazes de impedir ataques perigosos dos nerazzurri, a Dea foi para cima no segundo tempo e construiu sua vitória em alguns minutos.

Aos 55, a Atalanta já vencia por dois gols de diferença. O triunfo começou a ser escrito com Pasalic, que recebeu de Ilicic dentro da área e, desmarcado, abriu o marcador. Dois minutos depois, Muriel assinou uma pintura com um chute despretensioso: sem olhar para o gol, colocou a bola na gaveta. O atacante participou de 14 tentos em 2021, ficando atrás apenas de Messi e Lewandowski neste aspecto, considerando as grandes ligas da Europa. Aos 72, Pasalic recebeu de Zapata nas costas da defesa e anotou a sua doppietta – curiosamente, os 10 últimos gols do croata aconteceram como mandante. Ainda deu tempo de Piccoli, emprestado pela Atalanta, diminuir para o Spezia com o seu primeiro toque na bola.

Ronaldo marcou três vezes contra o Cagliari e abriu vantagem na artilharia do campeonato (LaPresse)

Parma 2-0 Roma

Gols e assistências: Mihaila (Man) e Hernani (pênalti)
Tops: Osorio e Brugman (Parma)
Flops: Ibañez e Dzeko (Roma)

Finalmente o Parma venceu sob o comando de D’Aversa: o treinador já vinha dando a sua cara ao time, que claramente evoluiu no segundo turno, mas precisou de 11 jogos para conquistar o seu primeiro triunfo no retorno ao Tardini, encerrando um jejum de 18 jogos sem vitórias dos gialloblù. A equipe emiliana ainda está na penúltima posição, mas respira. Não à toa, fez uma festa daquelas, já que a Roma é a sua maior algoz desde a estreia dos crociati na elite, em 1990, e chegara à quarta colocação na atual Serie A com um retrospecto pujante contra times da parte de baixo da tabela.

O primeiro gol saiu cedo, logo aos 9 minutos, e representou uma novidade na Serie A: pela primeira vez, um romeno deu assistência para um compatriota. Man ganhou de Kumbulla na corrida e cruzou rasteiro para Mihaila marcar. Depois disso, o Parma conseguiu neutralizar Dzeko e controlar o jogo à sua maneira, contando com a complacência de uma Roma apática e perdida. No segundo tempo, Pellè – que começou uma partida como titular pela primeira vez em sua volta ao Parma – arrancou do meio-campo e foi derrubado por Ibañez dentro da área. O brasileiro Hernani cobrou a penalidade e ampliou, relegando a Loba à sexta colocação.

Lazio 3-2 Crotone

Gols e assistências: Milinkovic-Savic (Radu), Luis Alberto (Immobile) e Caicedo (Escalante); Simy (Magallán) e Simy (pênalti)
Tops: Luis Alberto (Lazio) e Simy (Crotone)
Flops: Fares (Lazio) e Rispoli (Crotone)

Na sexta, em plena abertura da rodada, a Lazio sofreu bastante para bater o Crotone e só conseguiu assegurar os três pontos nos minutos finais da partida. O time da casa ficou em vantagem duas vezes, mas viu o lanterna do campeonato reagir duas vezes e ratificar a melhora de seu desempenho desde a chegada do técnico Cosmi. Contudo, Caicedo voltou a deixar a sua marca no apagar das luzes para garantir o triunfo celeste.

A Lazio saiu na frente depois que Milinkovic-Savic, de voleio, completou um cruzamento na medida de Radu. Simy empatou com um esperta finalização com o bico, da entrada da área, mas 10 minutos depois os capitolinos voltaram a ficar na frente, com chute colocado de Luis Alberto. No início da segunda etapa, Fares cometeu pênalti sobre Junior Messias e Simy anotou a sua doppietta: o nigeriano chegou a 12 gols na Serie A e ultrapassou Martins como o maior artilheiro de seu país em uma temporada do certame.

Com o jogo empatado, Milinkovic-Savic perdeu duas ótimas chances, enquanto Rispoli também desperdiçou a oportunidade de dar o triunfo ao Crotone, cara a cara com Reina. Aos 84, Caicedo voltou a mostrar o seu poder de decisão na reta final das partidas. O quarto gol do equatoriano marcado nos 10 minutos derradeiros de uma partida saiu depois que Escalante arriscou um chute de fora da área: o centroavante dominou e chutou bonito para definir o placar.

Pasalic e Muriel foram os destaques da Atalanta no triunfo sobre o Spezia (Sportimage)

Sassuolo 3-2 Verona

Gols e assistências: Locatelli (Defrel), Djuricic e Traorè; Lazovic (Faraoni) e Dimarco (Lazovic)
Tops: Ferrari e Djuricic (Sassuolo)
Flops: Gunter e Tameze (Verona)

Tivemos bastante emoção no duelo entre os times que estão abaixo do pelotão europeu, mas bem acima do restante dos adversários da Serie A. Sassuolo e Verona têm bons elencos e são bem treinados, mas continuam a oscilar, o que os impede de brigar mais acima na tabela. No Mapei Stadium, esta oscilação foi notória e marcou o desenrolar da partida.

Foram necessários apenas quatro minutos para Locatelli abrir o placar, com uma bela finalização de fora da área. Com boas defesas, os goleiros Consigli e Silvestri mantiveram o placar inalterado até o fim da primeira etapa, quando o Verona teve sucesso na exploração das laterais dos mandantes e empatou depois que Lazovic completou o cruzamento de Faraoni – foi a sexta assistência do ala destro na competição. No segundo tempo, a sanha criativa de Berardi e Djuricic, que fazia o Sassuolo ser melhor em campo, deu frutos novamente – dessa vez, com a colaboração de Gunter. O zagueiro do Verona afastou mal e o camisa 10 sérvio aproveitou para, de biquinho, fazer o segundo.

A partida seguiu em alto ritmo por toda a etapa complementar, período em que o Hellas continuava a aproveitar a frouxa marcação neroverde pelos lados do campo. Após uma jogada criada pelo flanco esquerdo, Barák chegou a vencer Consigli, mas Ferrari tirou em cima da linha, de bicicleta. Pouco depois, aos 79, o zagueiro quase conseguiu um novo corte, mas o chute forte de Dimarco – em lance parecido com o do primeiro gol visitante – acabou entrando. O beque mandante mostrou que estava mesmo bem posicionado naquela tarde e, dois minutos depois, levou sorte no ataque: em lance confuso na área, a bola espirrou nele e sobrou tranquila para Traorè dar um ponto final a um duelo bem movimentado e taticamente interessante.

Benevento 1-4 Fiorentina

Gols e assistências: Ionita (Caprari); Vlahovic, Vlahovic (Cáceres), Vlahovic (Dragowski) e Eysseric (Ribéry)
Tops: Vlahovic e Ribéry (Fiorentina)
Flops: Glik e Schiattarella (Benevento)

Pouco se esperava do duelo entre Benevento e Fiorentina, relegados à metade de baixo na tabela. Porém, a noite foi de show de Vlahovic e de uma façanha: um jogador da Fiorentina não anotava uma tripletta no primeiro tempo há 56 anos, desde que Hamrin, craque sueco que marcou época pela Viola, fez três gols em fevereiro de 1964 contra a Atalanta. O sérvio chegou a 12 tentos na Serie A e se tornou um dos quatro nascidos depois de 2000 com dígito duplo no quesito nas grandes ligas da Europa, ao lado de Haaland, Kean e Gouiri.

A tripletta de Vlahovic foi construída por uma miscelânea de fatores. Teve erros de marcação de Glik, capitão do Benevento, mas também muitos méritos por seu posicionamento – o camisa 9 evoluiu muito neste aspecto – e, claro, a potência no chute de canhota, como bem mostrou o terceiro gol: um tirambaço no ângulo, de fora da área, após lançamento do goleiro Drągowski. No segundo tempo, o time da casa diminuiu com Ionita, após boa cobrança de escanteio de Caprari, mas continuou vulnerável às acelerações de Ribéry, que quebrava as linhas. Os sanniti sofreram o quarto justo quando o francês foi para cima da defesa e acionou o compatriota Eysseric. Enquanto a Fiorentina se afasta da zona de rebaixamento, o time de Inzaghi se mantém perto da região perigosa por conta de sua sequência de 11 rodadas sem vitórias.

O Parma encerrou longo jejum de vitórias ao surpreender a Roma no Tardini (IPA)

Bologna 3-1 Sampdoria

Gols e assistências: Barrow (Palacio), Svanberg (Barrow) e Soriano (Svanberg); Quagliarella (Augello)
Tops: Svanberg e Barrow (Bologna)
Flops: Thorsby e Ferrari (Sampdoria)

Lá se vão 18 anos sem vitórias da Sampdoria sobre o Bologna no Renato Dall’Ara. De forma categórica, o time rossoblù conquistou o quinto triunfo seguido diante de sua freguesa e relegou os dorianos a cinco rodadas sem sucessos na atual edição da Serie A. E pensar que a Samp poderia ter saído na frente aos 4 minutos, depois que Schouten escorregou na entrada da área e Thorsby ficou livre frente a Skorupski. O norueguês, no entanto, não aproveitou e oportunidade e acertou a trave.

O erro foi punido por Barrow, aos 27: o gambiano marcou de cabeça, após cruzamento de Palacio. Já no segundo tempo, Augello cruzou na medida e Quagliarella comemorou com um gol os 400 jogos como titular na Serie A e o fato de ser o oitavo jogador de linha a conseguir esse feito. A igualdade durou pouco, já que Barrow aproveitou indecisão de Thorsby para avançar e deixar Svanberg livre para fazer o segundo. Na etapa complementar, a Samp viu Damsgaard ser o seu principal jogador em campo ofensivo, mas pouco além disso, já que o Bologna tomou as rédeas do jogo e fez Audero trabalhar duas vezes seguidas. Aos 70, o bom goleiro blucerchiato não conseguiu impedir o gol de Soriano, após ótima jogada de Svanberg. O sueco ainda teve a chance de anotar mais um, porém Bereszynski salvou a sua finalização em cima da linha.

Genoa 1-1 Udinese

Gols e assistências: Pandev (Strootman); De Paul (pênalti)
Tops: Strootman (Genoa) e Pereyra (Udinese)
Flops: Criscito (Genoa) e Llorente (Udinese)

Encerrando o sábado na Itália, Genoa e Udinese fizeram uma partida morna comparada às outras que já tinham acontecido no dia: tivemos emoções até os 30 minutos iniciais e nos acréscimos da segunda etapa, mas cerca de uma hora de marasmo. O time da casa chegou a seis jogos sem vitória, ao passo que os friulanos continuam tendo um desempenho bastante negativo fora de casa, já que só venceram uma das nove últimas partidas longe da Dacia Arena. Ainda assim, as equipes seguem no meio da tabela.

Logo aos seis minutos, o Genoa saiu na frente com o veterano Pandev, que se antecipou a Rodrigo Becão e girou bem, vencendo Musso. A Udinese chegou a ter um gol de Pereyra anulado, mas aos 30 minutos o argentino sofreu pênalti numa entrada de Criscito e possibilitou que De Paul, seu compatriota, empatasse a partida – curiosamente, 10 dos últimos 30 gols do meia foram marcados contra clubes da Ligúria, sendo três ante os grifoni. Já no finalzinho, o Genoa desperdiçou duas grandes chances e amargou o empate: Zajc finalizou para fora depois de driblar dois marcadores e Behrami carimbou a trave com um chute cruzado.

Seleção da rodada

Reina (Lazio); Osorio (Parma), Ferrari (Sassuolo), Koulibaly (Napoli); Ribéry (Fiorentina), Pasalic (Atalanta), Svanberg (Bologna), Djuricic (Sassuolo); Barrow (Bologna), Vlahovic (Fiorentina), Ronaldo (Juventus). Técnico: Roberto D’Aversa (Parma).

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