Serie A

Na 24ª rodada da Serie A, ascensão da Juventus será testada por uma oscilante Lazio

O crescimento da Juventus e os problemas da Lazio tornam inevitável que o destaque da 24ª rodada da Serie A seja o duelo de Turim. Recém-instalada no G4, a Velha Senhora entra na jornada em momento de afirmação e busca consolidar posição entre os primeiros, enquanto a equipe capitolina vive um dos trechos mais delicados da temporada, distante das brigas por vagas europeias e mergulhada em crise declarada, marcada pelo desgaste público entre Maurizio Sarri e o presidente Claudio Lotito, pressionado também pela torcida. O confronto reúne, assim, um projeto em ascensão sob a batuta de Luciano Spalletti e outro em tensão permanente, funcionando como teste de solidez para os bianconeri e como possível ponto de ruptura para os romanos.

O restante da rodada dialoga com esse pano de fundo. Sassuolo e Inter entram no radar pelo histórico, já que os neroverdi, hoje no meio da tabela, costumam dificultar o caminho da líder e são sua pedra no sapato desde que estrearam na elite, na década passada. Na Ligúria, o Genoa, competitivo sob Daniele De Rossi, recebe o Napoli em confronto que mede a consistência da recuperação napolitana, que pode ter começado com o triunfo sobre a Fiorentina, na semana passada. Já Milan e Como, que reuniam todos os ingredientes para fazerem o grande jogo do fim de semana, tiveram o duelo adiado para a Quarta-feira de Cinzas em razão da indisponibilidade de San Siro, palco da abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026 – e, sim, este é o mesmo confronto que quase acabou deslocado para a Austrália e gerou muita polêmica. Confira, a seguir, a prévia da jornada.

O jogão

Domingo, 8/2, 16h45

Juventus x Lazio

Juventus e Lazio chegam ao duelo de Turim embaladas por narrativas bem diferentes, mas com um pano de fundo que torna o confronto menos óbvio do que a tabela sugere. Embora a Juve tenha retomado espaço no G4 e viva fase sólida no campeonato, o histórico recente entre as duas equipes aponta equilíbrio: nas últimas oito partidas de Serie A, três vitórias para cada lado e dois empates, contraste claro com o domínio quase absoluto dos bianconeri no período anterior. A formação romana, inclusive, venceu o jogo do primeiro turno por 1 a 0, algo que não acontecia havia anos, ainda que repetir o sucesso nas duas partes do campeonato seja um feito que os romanos não alcançam desde a temporada 1942-43.

O fator campo, porém, pesa de forma consistente. A Juventus segue invicta em casa nesta Serie A, com campanha que inclui sete vitórias e quatro empates, além de uma produção ofensiva elevada: apenas a Inter marcou mais gols como mandante no campeonato, sendo 33 contra 23. Ante a Lazio, o dado é ainda mais expressivo: os bianconeri balançaram as redes em todas as últimas 12 partidas caseiras diante da adversária com média superior a dois tentos por jogo, e venceram os três confrontos mais recentes em Turim.

Do outro lado, a equipe de Maurizio Sarri carrega um problema estrutural longe de Roma: nenhum time marcou menos fora de casa no certame. Foram somente seis em 11 partidas, número que remete a marcas negativas que não apareciam desde o fim dos anos 1980. Há também um choque claro de comportamento coletivo, mais do que de filosofias de futebol. A Juventus é uma das formações que mais explora cruzamentos em jogo corrido, enquanto a Lazio aparece como a que menos recorre a esse recurso no campeonato, o que ajuda a explicar dificuldades em partidas nas quais precisa propor longe do Olímpico.

Prováveis escalações

Juventus: Di Gregorio; Kalulu, Bremer, Kelly, Cambiaso; Locatelli, Thuram; Conceição. Miretti, McKennie; David.

Lazio: Provedel; Marusic, Gila, Provstgaard, Nuno Tavares; Basic, Cataldi, Taylor; Isaksen, Pedro, Maldini.

Fique de olho

Sábado, 7/2, 14h

Genoa x Napoli

O duelo no Luigi Ferraris coloca frente a frente um Genoa em crescimento como mandante e um Napoli que ainda não encontrou estabilidade longe de casa. O histórico recente favorece claramente os napolitanos: apenas uma derrota nas últimas 25 partidas contra os grifoni em Serie A, ainda em 2021. Mesmo assim, o cenário atual, que tem os lígures se estabilizando sob o comando de Daniele De Rossi e os campanos oscilando no segundo ano da gestão de Antonio Conte, impede qualquer leitura automática. Nas últimas sete visitas dos azzurri ao Marassi, ambos marcaram, com média alta de gols (3,4 por compromisso) e um padrão de jogos abertos que costuma fugir do controle tático absoluto.

O Genoa chega respaldado por resultados recentes em casa. As vitórias consecutivas contra Cagliari e Bologna reacenderam a possibilidade de uma sequência positiva de três sucessos no Ferraris, algo que não acontece desde o início de 2025. Ainda assim, o recorte contra adversários do topo da tabela é pouco animador: apenas dois pontos somados nas últimas 11 partidas diante de equipes que iniciaram a rodada no G4 – um deles, curiosamente, conquistado justamente contra o Napoli. Há também uma fragilidade estrutural clara: o time lígure é aquele que mais sofreu gols (oito) em escanteios no campeonato, um contraste direto com a formação azzurra, que somente uma vez foi vazado em bolas paradas defensivas.

No lado napolitano, o desempenho fora de casa é o principal ponto de atenção. O Napoli já perdeu metade de suas 16 partidas como visitante na temporada e lidera, ao lado de Fiorentina e Lecce, o número de derrotas longe de seus domínios em 2025-26. Para Conte, o dado também pesa: em sua carreira, só com o Chelsea, em 2018-19, o treinador acumulou mais derrotas fora de casa em uma única campanha. Na ocasião, foram seis tropeços em 19 rodadas, mas agora já são cinco em 12. Em campo, os focos individuais ajudam a explicar o momento. Malinovskyi vive boa fase recente pelo Genoa e pode igualar sua melhor sequência goleadora na Serie A, com três jornadas consecutivas encontrando as redes, enquanto Højlund vive jejum prolongado e não marcou ainda em 2026. Sem dúvidas, o jogo ganhou contornos menos previsíveis do que o histórico sugere.

Buscando ao menos manter a sua atual vantagem na liderança da Serie A, a Inter viaja para enfrentar o Sassuolo (Getty)

Domingo, 8/2, 14h

Sassuolo x Inter

Sassuolo e Inter voltam a se encontrar em um confronto que costuma contrariar posicionamentos na tabela e a tradição. Embora a atual líder da Serie A tenha vencido seis dos últimos nove embates entre os times pelo campeonato, foi derrotada em dois dos três mais recentes, reforçando o status de pedra no sapato encampado pelos neroverdi. Não por acaso, nenhum adversário foi mais vezes vencido pelos emilianos no campeonato do que a Beneamata: são 10 vitórias, número igual apenas ao registrado diante do Verona. No recorte do segundo turno, o dado é ainda mais incômodo para os milaneses, que só ganharam dois dos 10 derradeiros duelos ocorridos neste recorte.

O contexto atual, porém, aponta para uma Inter em estágio máximo de rendimento. Nenhuma equipe venceu mais jogos (18) ou somou mais pontos (55) nos cinco grandes campeonatos europeus nesta temporada, desempenho igualado apenas pelo Barcelona. Os nerazzurri também aparecem entre os ataques mais produtivos do continente, com 52 gols – atrás apenas de Bayern de Munique e do próprio Barça. Fora de casa, o domínio da formação de Cristian Chivu é absoluto: sete vitórias consecutivas como visitante na Serie A, sequência que só foi superada duas vezes em toda a história da agremiação, a última delas justamente na temporada passada, sob o comando de Simone Inzaghi.

O duelo ainda guarda um contraste estatístico bem significativo. A Inter é a equipe que menos permitiu finalizações no alvo no campeonato, apenas 61, enquanto o Sassuolo aparece no extremo oposto, com 119 chutes sofridos – número inferior apenas ao da Cremonese. Ainda assim, os donos da casa chegam em boa fase recente: após três derrotas consecutivas, venceram nas duas últimas rodadas e podem chegar a uma sequência de três sucessos, algo que não conseguem desde março de 2023. Individualmente, o jogo também carrega marcas simbólicas. Lautaro e Berardi aparecem entre os 10 maiores artilheiros da história da Serie A defendendo um único clube, com 128 e 127 gols, respectivamente, enquanto Dimarco soma oito assistências no campeonato. Nenhum defensor conseguiu ir além desse número nas primeiras 24 rodadas desde que o dado passou a ser contabilizado, em 2004-05.

Demais jogos

Sexta, 6/2, 16h45
Verona x Pisa

Sábado, 7/2, 16h45
Fiorentina x Torino

Domingo, 8/2, 8h30
Bologna x Parma

Domingo, 8/2, 11h
Lecce x Udinese

Segunda, 9/2, 14h30
Atalanta x Cremonese

Segunda, 9/2, 16h45
Roma x Cagliari

Quarta, 18/2, 16h45
Milan x Como

Compartilhe!

Deixe um comentário