Serie A

O dia do fico

Fernando Torres marcou o 26° gol na temporada

Inter 0-1 Liverpool – Fernando Torres
Quando um casamento está ‘mal das pernas’, prestes a acabar, geralmente é a fagulha mais forte, acendida por uma crise de ciúmes, uma briga ríspida que coloca um ponto final no relacionamento.

A eliminação era se não uma certeza, pelo menos apontada como muito provável pelos especialistas esportivos. Com a vantagem de 2 a 0 no jogo de ida, bastava ao Liverpool segurar o sufoco interista ou marcar um gol, forçando a equipe de Milão a balançar as redes quatro vezes. Porém, o que se seguiu após a expulsão (discutível) de Burdisso aos 59′, o gol de Fernando Torres aos 62′ e a conseqüente derrota pode prejudicar ainda mais a equipe nerazzurra.

Que os vestiários do Appiano Gentile nunca foram um recanto de paz e harmonia não é novidade para ninguém. Adriano não conseguiu se recuperar e voltou ao Brasil, brigas num elenco que parece pouco coeso. E agora, mais surpreendentemente, o anúncio do fim da era ‘Mancini’ na Inter.

Um treinador sempre é o ponto de referência de um grupo. Sobre ele recai o louro da vitória, assim como o amargo da derrota. Nos grandes clubes a luz incide maior, mais forte. Não bastou então o bi (bastante próximo tri) campeonato italiano, nem os aplausos da torcida, ou a justificativa de que havia do outro lado um ‘copeiro’ Liverpool. Ao final de Internazionale zero, Liverpool um, o técnico Roberto Mancini disse, com ares de mártir, que ficaria somente até o fim desta temporada. A declaração, que dias depois mudou de tom (agora a vontade é ficar até o fim do contrato), causou mal-estar num ambiente que já não cheira bem.

Pessoas de dentro do clube e ex-jogadores criticaram a postura do treinador de ‘abandonar o barco’ faltando 11 rodadas, como Gianfelice Facchetti – filho do craque -, e Oriali. A imprensa italiana agitou-se. Nomes como Mourinho, Lippi e Prandelli foram ventilados para seu lugar.

Moratti, como sempre, tratou de colocar panos quentes. Conversou com o técnico e voltou à imprensa com a certeza. Mancini fica. Se vencer o Italiano com autoridade ganha força para trabalhar como quer no clube. Livra-se dos desafetos e pode sonhar com um ganho significativo de peças no elenco, para no ano seguinte, tentar a menina dos olhos da torcida e do presidente, a Champions League. Volta para os braços do povo como herói.

Se perder, aí uma hecatombe cairá sobre Milão e outro técnico terá que reconduzir o clube à missão de se tornar maior do que a squadra pensa ser hoje. Afinal que Internazionale vive apenas de ‘regionalle’?

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