Seleção italiana

Donadoni no Napoli

O Milan de Arrigo Sacchi, do início da década de 90, é considerado um dos melhores times da história do futebol. Muito porque praticava um jogo em que abusava da inteligência para fazer valer sua técnica. Prova disso é que, do meio pra frente, todo mundo virou treinador: Colombo (Montebelluna, da Serie D), Evani (primavera do Milan), Ancelotti (Milan), Van Basten (Ajax-HOL), Rijkaard (ex-Barcelona-ESP), Gullit (ex-Chelsea-ING) e Donadoni (agora no Napoli).

Nessa passagem pelo Milan, Sacchi sempre se orgulhou por ter trabalhado com jogadores de grande personalidade e caráter. E essas duas características são o alicerce do trabalho de Roberto Donadoni, técnico da seleção italiana na última Euro e com uma passagem fantástica pelo Livorno. Donadoni deixou a Nazionale um pouco queimado. Afinal, herdar o trabalho campeão do mundo com Lippi e entregá-lo com uma eliminação nas quartas-de-final da Eurocopa não é o que de melhor se espera.

13 vitórias em 23 jogos não foram suficientes para segurar Donadoni na Azzurra

A pressão sobre seu trabalho foi tanta que muitas vezes seus acertos passavam batidos. Se muitas vezes as convocações (e, portanto, as escalações) davam vários motivos para crítica, seu trabalho extracampo foi bem decente. Donadoni chegou referendado por Guido Rossi e Demetrio Albertini, que apostavam em sua seriedade para manter ao menos a seleção italiana imune à lama dos escândalos que assolavam o futebol local naquela época. Também teve de gerenciar as saídas de Nesta e Totti da Squadra Azzurra firmando nomes como os Chiellini, Aquilani e Quagliarella e, de quebra, recuperando Panucci, Ambrosini, Di Natale.

No Livorno, os acertos foram incontáveis. Basta falar da oitava colocação em 2004-05 (com Lucarelli artilheiro da Serie A) e do sexto lugar em 2005-06 (após as decisões que tiraram pontos de Juventus, Fiorentina e Lazio). E que o time era o quinto colocado na temporada seguinte, já na 23ª rodada, quando o farfante presidente Spinelli resolveu criticar o elenco: provando que não aceita interferências em seu trabalho, Donadoni logo pediu demissão.

O trabalho no difícil ambiente de Livorno deve servir como experiência para o que o aguarda em Nápoles, onde o contrato lhe prevê até 2011. O ambiente futebolístico em Castelvolturno é bem complicado em momentos difíceis, tanto que ter segurado Edy Reja até a última terça-feira foi um feito e tanto. Ainda que estivesse óbvio que no comando do time estava alguém que já fazia hora extra, com dois pontos conquistados nas últimas nove rodadas e a última vitória no longínquo 11 de janeiro.

Em 160 jogos no Napoli, Reja conseguiu 56,5% de aproveitamento

Donadoni deve dar mudar bastante o jogo partenopeo. Ao contrário da segurança de Reja, deve entrar em campo um time bem mais ofensivo, de pressão no adversário e contra-ataques fulminantes. Amante declarado do 4-3-3, o técnico deve manter o 4-4-2 que vinha sendo utilizado pelo menos no próximo domingo, no embate contra a Reggina na Calábria. Depois, o esquema com três atacantes deve se firmar a partir de sua estreia no San Paolo, contra o Milan. Com isso, e ainda teoricamente, Hamsík e Dátolo fariam uma dupla sólida pela esquerda, enquanto pela direita Blasi daria mais liberdade para Lavezzi no suporte a Denis, que ainda deve gols.

Com um esperado choque de gestão, o caminho até o fim da temporada deve ser bem melhor do que aquele vinha sendo trilhado sob a batuta de Reja. Assim, a vaga na Copa da Uefa volta a ser um objetivo bem razoável. Com tempo, espaço e liberdade, Donadoni deve dar caldo. Porque dinheiro e ambição não falta à sociedade de Aurelio De Laurentiis.

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