Serie A

Quattro titoli

Logo após a derrota do Milan ante a Udinese, por 2-1, a Inter sagrou-se campeã italiana pela quarta vez consecutiva. A derrota tem um sabor ainda mais amargo para o Milan e ainda mais doce para a Inter: o scudetto conquistado pelo clube de Via Durini foi o 17º de sua história, mesmo número de títulos do Milan. A vitória interista também serviu para Mourinho, que venceu o duelo de polêmicas particulares entre ele e Ambrosini. Em sua mais famosa coletiva, desde que chegou a Itália, o único técnico estrangeiro da Serie A disse que Milan, Juventus e Roma terminariam a temporada com “zero tituli”. Com o acerto da previsão do português, a expressão ganhou sentido real e deu origem a um dos cânticos mais entoados na partida de ontem.

Para completar, foi apenas a quarta vez na história que uma equipe conseguiu tal sequência, a primeira após o grande Torino da década de 40. A partir de agora, os nerazzurri podem começar a pensar se o clube vai estabelecer mais um recorde: apenas a Juventus da década de 30 foi pentacampeã consecutiva.

Os jogadores e o Meazza lotado: 17 scudetti

A festa
Às 22:30 (horário local) do sábado, assim que a partida em Údine terminou, começaram os festejos na concentração do clube, em Appiano Gentile. Após a visita do presidente Massimo Moratti, os jogadores seguiram para a Piazza D’Uomo, no centro de Milão, onde puderam se encontram com os torcedores. Sobrou espaço até para sorrisos de José Mourinho e resposta de Materazzi e Chivu a à faixa provocativa levantada por Ambrosini, dois anos atrás. Houve espaço até mesmo para lembrar de Adriano: no Giuseppe Meazza, alguns jogadores usaram camisas com o número 10, rememorando o jogador, que fez parte deste grupo tetracampeão.

Mesmo após uma noite levemente alcóolica, na noite seguinte a Inter atropelou o Siena, com gols de Cambiasso, Balotelli e Ibrahimovic. Jogando sem peso algum nas costas, ambas as equipes (já com seus objetivos conquistados) fizeram um “amistoso comemorativo”, no qual houve pouca preocupação quanto a parte defensiva (principalmente entre os bianconeri) e homenagens do estádio a alguns jogadores. Figo, que deve se aposentar ao fim desta temporada, e teve importância por agregar experiência e por boas participações em momentos pontuais da campanha, foi o primeiro a ser substituído e ovacionado pelo público. Ibrahimovic pediu para deixar o campo, mas não foi atendido por Mourinho: Balotelli e até Júlio César foram os agraciados com o carinho do público. Ibra, no entanto, não precisava disso: foi aplaudido o jogo inteiro. Após o gol, o sueco se reconciliou com a Curva Nord (a qual tinha mandado calar a boca contra a Lazio), aplaudindo-a na comemoração.

Io: uno titolo.

Com o campeonato decidido, Mourinho ainda tem objetivos traçados (muito pessoais) para a equipe: terminar a Serie A com a melhor defesa e o melhor ataque da competição. Além disso, o técnico de Setúbal orientou a equipe para que privilegie Ibrahimovic em sua busca pela artilharia do campeonato – a qual ainda tem Di Vaio na liderança, com 23 gols. ‘Ibra’ tem um a menos.

Após a confirmação de um período de superioridade interista na Itália, os objetivos do clube dirigido por Massimo Moratti devem ser mais ambiciosos, buscando competir em todas as competições disputadas, assim como era a postura do Chelsea de José Mourinho. Mourinho falou claramente, na coletiva antes do jogo contra o Siena, que quer um zagueiro, dois meias e um atacante. Mas a lista pode crescer, já que uma reformulação no elenco é esperada. Jogadores mais experientes, como Crespo, Cruz, Vieira e Materazzi, além de Quaresma, Mancini, Burdisso, Obinna e Jiménez devem deixar o clube.

Pensando em repor essas peças, Mourinho já acenou com a proposta de inserir alguns jogadores saídos da Primavera no time principal, apostando numa fórmula que tem dado certo com Balotelli e Santon. Até o momento, fala-se que os preferidos do treinador são o goleiro Belec, o defensor Caldirola, os meias Khrin e Obi, além do atacante Destro. A ideia do português é montar uma equipe forte e condizente com as leis da UEFA para a Liga dos Campeões (que prevê a participação de oito jogadores formados nas categorias de base do próprio clube na lista submetida à entidade). Além disso, alguns jogadores mais rodados devem ser adicionados no elenco, como o argentino Milito. Nesse caso, ao que tudo indica, a negociação está praticamente fechada.

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